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Carnaval: coletivos no DF encontram na folia caminho para autocuidado

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Com olhos emocionados e, ao mesmo tempo, com sorriso no rosto, a professora carioca Carmen Araújo, de 59 anos, deixou o samba tomar conta de seus pés neste domingo (8), em uma folia pré-carnavalesca em Brasília. 

Ela, que cuida do pai há 15 anos com a doença de Alzheimer, sabe que é sempre tempo de cuidar de si mesma.  


Brasília, DF 08/02/2026 Com o mote
Brasília, DF 08/02/2026 Com o mote

Brasília, DF 08/02/2026 Carmem Araújo cuida do pai com Alzheimer. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Carmen é uma das integrantes do coletivo Filhas da Mãe, que foi fundado em 2019 e tem por objetivo apoiar pessoas que são cuidadoras (na maior parte das vezes, mulheres) de familiares com doenças demenciais.

Durante o tempo de folia, o coletivo ganha as vestes de bloco carnavalesco. 

“Se a gente não se cuidar, adoecemos também”, explica.

O amor pelo carnaval foi herdado do pai, que tem hoje 89 anos.

“Ele sempre gostou muito. Até recentemente ele ainda participava. Hoje não é mais possível”.

Ela se emociona ao se lembrar do pai, sempre tão animado e organizado. Carmen entende que participar do coletivo fez com que ela pudesse colaborar com outras famílias e histórias semelhantes. 

Rede de apoio

Uma das fundadoras e diretoras do Filhas da Mãe, a psicanalista Cosette Castro explica que a ideia do coletivo surgiu a partir das dores e soluções entre os cuidados com a mãe, que faleceu há cinco anos.

“Eu sou filha única e cuidei 10 anos da minha mãe, que teve Alzheimer. As pessoas falam muito de remédio, de como cuidar. Mas ninguém olha para nós que estávamos cuidando e com sobrecarga”, considera. 


Brasília, DF 08/02/2026 Com o mote
Brasília, DF 08/02/2026 Com o mote

Brasília, DF 08/02/2026 Cosette Castro é uma das fundadoras do grupo Filhas da Mãe. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Cosette afirma que é necessário recuperar a criança que existe dentro de cada pessoa.

“Às vezes, a gente imagina que não tem mais direito ao riso e se sente culpada por se sentir feliz porque os dias são de muita responsabilidade por 24 horas ao dia”. 

A psicanalista explica que o coletivo atende, no dia a dia, pelo menos 550 pessoas em projetos que funcionam como rede de apoio, com serviços, inclusive, virtuais de forma voluntária. A ideia é trabalhar muito com promoção de saúde e garantir visibilidade à necessidade do diagnóstico precoce das doenças demenciais, como o Alzheimer, e também à sobrecarga das cuidadoras. 

Ela cita que problemas como lesões na coluna, fibromialgia, hipertensão, problemas cardíacos e transtornos mentais são comuns nesse público. “São pessoas que não dormem, têm insônia e um nível de ansiedade altíssimo”.

Por isso, o coletivo utiliza eventos, como caminhadas e exposições, para prestar informações ao público. Inclusive no carnaval.  

Aliás, ela testemunha que os sons têm valor terapêutico. No caso de sua mãe e de outras cuidadoras, as letras das músicas foram uma das últimas memórias perdidas. 


Brasília, DF 08/02/2026 Com o mote
Brasília, DF 08/02/2026 Com o mote

Brasília, DF 08/02/2026 – Márcia Uchôa, uma das fundadoras do grupo Filhas da Mãe. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Na casa de Márcia Uchôa, de 69 anos, a mãe, Maria, de 96, que também tem diagnóstico de Alzheimer, ama a música e o crochê.

Só não apareceu na folia com receio da gripe. Chovia em Brasília neste domingo.

“A gente precisa se cuidar e o carnaval está dentro da gente”, afirma.

Contra preconceitos 

Ao lado da festa do Filhas da Mãe, outro coletivo local, Me chame pelo nome, desfilava alegria em nome da causa anti capacitista com uma fanfarra formada por pessoas com deficiência. 

Segundo a servidora pública Aline Zeymer, uma das coordenadoras do grupo, esse será o segundo carnaval do grupo com o intuito de combater o preconceito, além de promover resistência e cuidado pelo caminho da arte. 

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Pra não dizer que não falei de Fred…

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Uma pequena homenagem a um cara gigante

Pra mim, não é fácil falar de Fred. Porque não tenho certeza de que qualquer coisa que eu escreva sobre ele vai traduzir exatamente o que sinto e trazer a fidelidade e o reconhecimento ao significado da existência dele nesse mundo, e pra ruma de gente a quem, como eu, ele concedeu o privilégio de sua amizade.

Desde o seu encantamento em janeiro de 2025, às vésperas do aniversário dele (era 30 ou 31 de janeiro? Nunca lembrei direito e dava os parabéns nos 2 dias, na dúvida), que eu tento, sem sucesso, rascunhar um texto em homenagem a esse cara massa, que, no início, me odiava, sem nem mesmo me conhecer 🤦🏼‍♀️🤣.

Essa história é engraçada, e eu lembro com muito carinho. Nosso Fred era mesmo impliquento, e guardava ranços nem sempre justificáveis, mas sempre compreensíveis. Ele disse que me odiava por causa das pessoas com quem eu andava. “Não é possível que essa menina seja gente boa como dizem”, revelou uma vez, depois que “o jogo virou”.

Mas como é que o jogo virou? Cara, depois que me separei do pai da minha filha, voltei a morar em Natal, e tinha poucas amizades, já que fui pra Brasília logo depois de formada e fiquei 6 anos por lá. Aos poucos fui saindo, na medida das possibilidades de vida social de uma mãe solteira de criança pequena estudando pra concurso e cuidando da mãe doente, que acabou se encantando em julho de 2008, depois que um câncer a consumiu.

Saiba Mais: Jornalista Fred Luna tem morte cerebral confirmada

Carolina Villaça e Fred Luna nos embalos de uma noite qualquer / Foto: cedida

Fred estava sempre nessas festas, nas rodas de novos velhos amigos, e eu o cumprimentava sem nem imaginar esse “ódio” que ele sentia. E foi num Carnaval em Olinda que tudo mudou. Acho que em 2009, já no primeiro ano de concursada, finalmente estava livre pra sair pra onde eu quisesse, e foi quando recebi o convite inusitado e irrecusável de passar o Carnaval em Olinda com uma galera que eu conhecia bem poucas pessoas, num motel “de respeito” no pé da cidade. Kkkkkk.

Cheguei foi tarde lá, numa sexta de Carnaval, e muita gente já tava dormindo, numa cama enorme que dava pra umas dez pessoas. Me aboletei ao lado de Fred, e o póbi disse que acordou no outro dia de ressaca, e o primeiro rosto que viu era daquela menina que ele “odiava”. Imagine a cena. Começou a passar mal, e eu e Mariana nos disponibilizamos a ajudar. Apesar do entojo que ele tinha de mim, sem que eu soubesse, comprei água de côco, cuidei dele durante as subidas e descidas naquelas ladeiras, e no final do dia estávamos melhores amigos de infância! Kkkkkk.

A partir daquele dia, não desgrudamos mais. Foi o melhor Carnaval das nossas vidas! E fico feliz e grata por também ter conseguido passar com ele o último Carnaval da vida dele, em Beagá. Eu não estava muito bem de saúde, pressão alta e muito cansaço, passei mal e perdi muito bloquinho massa, mas fui tratada como uma rainha por ele e Emeve , sempre preocupados que eu ficasse bem. Lembro que ele achou que eu ia morrer e falou: “Mulher, imagina só! Como que eu ia dar uma notícia dessas pra Marina?”

Me sinto extremamente privilegiada por hoje saber o quanto ele me amava e também à minha filha. Porque, Fred, cara: eu sempre vou te amar, viu, bicho impliquento e lindo?

Fonte: saibamais.jor.br

Uma epifania com Chico Chico

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“Vou me ater aos fatos: o amor nunca falhou. As coisas acontecem de uma hora para outra, mesmo que demorem a vida inteira para acontecer”. Fui ao show de Chico Chico e saí com a sua interpretação de “Norte” pulsando no coração. A música é de autoria de Carlos Posada, cantor e compositor nascido na Suécia, criado no Recife e há vários anos radicado no Rio de Janeiro. A experiência do show de Chico Chico me enterneceu profundamente. Pensei na minha própria vida, nos meus afetos, na história dele e na minha, nas confluências de sermos frutos de multiparentalidades e no curioso acaso de ele fazer aniversário no mesmo dia da minha mãe, Maria.

Fui para ver de perto o “menino bonito” que cresceu e que, desde a infância, já anunciava a potência artística que hoje se confirma. Ainda criança, no festival Rock in Rio (2001), participou do show de sua mãe, Cássia Eller, tocando percussão em “Smells Like Teen Spirit”, do Nirvana. O gesto precoce de autonomia criativa tornou-se um dos momentos mais emblemáticos daquela edição do festival, levando o público ao delírio.

Duas vezes Chico, revela-se como uma das expressões mais vigorosas da música popular brasileira contemporânea. No palco, é inquieto e inventivo, conciliando ternura e intensidade em cada gesto. Frequentadora assídua de atividades culturais, confesso que fui transportada para um território interior raro da minha subjetividade: sua presença artística acendeu um espaço bonito em mim. Brincante e de timbre original, atiça os sentidos. Ele está inteiro, todo entregue ao próprio som.

Dono do palco e, ao mesmo tempo, generoso com os músicos, Chico Chico cria espaço para que os instrumentos também se expressem. A banda, criativamente chamada Banda Banda, participa de forma viva e orgânica da construção do espetáculo. Ele ocupa todos os espaços sem sufocar os exímios músicos que o acompanham, com profunda reverência à parte instrumental, com ricos improvisos embelezando ainda mais o Tempo de louças, Tanto pra dizer, Hora h, Urmininu, Vila do Sossego, Acorda Zé. A felicidade, Vapor Barato, Menino Bonito, Árvore. Só fez falta “As folhas da Praça Paris.”

Além de um repertório impecável e de um acervo autoral expressivo, recupera a autenticidade de quem faz do ofício um prazer. É impossível sair indiferente à experiência sensorial que sua apresentação provoca. Chico Chico diverte-se enquanto canta e nos devolve, em ato, uma pergunta fundamental: o que pode um corpo? Salta, gira, caminha, rodopia, sobe, desce, circula, faz cambalhota e sensualiza. A presencialidade expressa uma pluralidade estética que dialoga com referências do cancioneiro que ele aprecia de Waly Salomão, Jards Macalé, Zé Ramalho, Edson Gomes, Gonzaguinha, Raul Seixas, Rita Lee e Cazuza.

Seu nome foi escolhido em homenagem à canção “Francisco”, de Milton Nascimento, gravada por Nelson Faria no álbum Iô Iô (1993), ano de seu nascimento. O que mobilizou Cássia Eller a nomear o seu rebento foi a beleza dos falsetes que a música possibilitava. Foi um gesto sublime oferecer ao filho um nome inspirado em uma canção estonteante.

A presença de palco de Chico Chico nos convida a pensar os destinos de nossas inquietações. Ele as converteu em beleza, potência e autenticidade, onde habita uma originalidade que se encarna fugindo das expressões tradicionais. Ele é duplo, múltiplo e ontologicamente diverso.

Plural como sua própria origem, Chico é fruto do desejo de Cássia Eller de reinventar o amor e a maternidade, e da cumplicidade de Tavinho Fialho, baixista que acompanhou a Legião Urbana no álbum V. Francisco nasce do exercício da autonomia afetiva e erótica de seus pais. Ocorre que Tavinho partiu tragicamente em um acidente de carro, seis dias antes do nascimento do filho. Sua ausência foi eternizada por Renato Russo na canção Love in the Afternoon, do álbum Descobrimento (1993), inteiramente dedicado a Fialho, deixando como herança um verso que atravessou gerações: “É tão estranho, os bons morrem jovens.

O litígio familiar estabelecido pela guarda de Chico Chico, após Cássia Eller partir para os outros mundo de Deus, resultou em jurisprudência paradigmática no sistema de justiça brasileiro ao reconhecer os vínculos socioafetivos construídos entre ele e Maria Eugênia, relativizando a primazia da herança biológica. Abriu-se, assim, caminho para a proteção jurídica de outras formas de parentalidades no direito das famílias no Brasil.

No palco e nas aparições públicas, vemos um artista que nos parece conciliado com a própria história. A escolha do nome artístico é afirmação de trajetória e visão de mundo. Na fusão entre singularidade e multiplicidade, emerge um artista raro, ancorado no bom gosto e na autenticidade. Foi uma vivência apoteótica contemplar sua vibrante inquietação, aquela que desloca tudo dentro da gente, que ilumina a alma e estimula os sentidos. Um hipnótico desassossego sustentado por gestos variados: ele canta sentado no chão, descalço, circula livremente entre a plateia, entrega tudo de si e, despretensiosamente, constrói uma ambiência única.

Ele evolui com liberdade e constrói a própria trajetória, fundando uma existência que reverencia sua ancestralidade e se autoriza a parir o novo. Chico Chico, siga firme convidando o Brasil a “pedir piedade aos que não sabem amar”. Trata-se de um gesto político e poético de afirmação da vida, memória e dos direitos.

Fonte: saibamais.jor.br

Defesa Civil de SP retoma gabinete de crise após previsão de chuvas

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A Defesa Civil do estado de São Paulo informou que retomou, na tarde deste domingo (8), o gabinete de crise para chuvas e deslizamentos no estado. A iniciativa ocorre após a previsão de chuvas superar a marca dos 100 mm por dia, considerada de perigo extremo.

Participam do gabinete órgãos governamentais, como agências reguladoras, Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros, além das concessionárias de energia, abastecimento de água, serviço de gás e telefonia, com o intuito de diminuir o tempo de atendimento a emergências nas cidades mais atingidas.

“As precipitações se intensificaram nas últimas 24 horas em razão da atuação de um sistema de baixa pressão no oceano, associado à Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). Os maiores acumulados foram registrados na Faixa Leste, Litoral e Noroeste do estado”, informou o órgão.

A cidade de São Carlos registrou o maior volume de chuva nas últimas 24 horas, com 137 mm, seguida por Ubatuba (129 mm), Bertioga (126 mm), São Sebastião (119 mm), São José do Rio Preto (105 mm), Caraguatatuba (103 mm), Elias Fausto (100 mm) e São Luís do Paraitinga (83 mm).

“Os volumes são considerados extremamente elevados para um único dia. Para efeito de comparação, em São Carlos, a média histórica de chuva esperada para todo o mês de fevereiro é de 169,9 mm. Em apenas 24 horas, choveu cerca de 80% do total previsto para o mês, o equivalente à chuva de aproximadamente 24 dias”.

“Em Ubatuba, o acumulado representou 72,5% do volume mensal, enquanto em São José do Rio Preto o total registrado corresponde ao esperado para cerca de 15 dias de fevereiro”, complementou a Defesa Civil.

Houve registro de alagamentos, deslizamentos de terra e quedas de barreiras em diferentes regiões do estado, além de 13 pessoas desalojadas e quatro desabrigadas. Não há registro de mortes e feridos.

Orientações à população

A Defesa Civil orienta que a população adote medidas preventivas para reduzir riscos durante períodos de chuva intensa, como evitar áreas sujeitas a alagamentos, enxurradas e deslizamentos.

Outra recomendação é não atravessar ruas alagadas ou áreas com correnteza, ficar atento a sinais de deslizamento, como rachaduras no solo, inclinação de árvores ou postes e estalos em encostas, e acompanhar os alertas oficiais da Defesa Civil, por meio de telefones ou sirenes.

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Cineasta potiguar Rodrigo Sena conquista o Júri Popular em Tiradentes

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Entre 53 curtas-metragens exibidos na 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes, um filme do Nordeste, feito sem patrocínio e movido a afeto, conquistou o público e saiu vencedor do Júri Popular. “Recife tem um Coração”, dirigido pelo fotógrafo e cineasta potiguar Rodrigo Sena, tornou-se o curta mais votado do festival, um dos mais importantes do cinema brasileiro.

Além do diretor, integram a equipe Wallace Santos, Adolfo Ramos, Arlindo Bezerra e Jota Marciano.

Para Sena, o prêmio carrega um sentido que vai além do troféu.

“É a confirmação de que estamos caminhando na direção certa”, resume.

Selecionado entre mais de mil filmes inscritos, o curta avançou até a mostra competitiva e, ali, encontrou o olhar e a sensibilidade do público.

“A gente faz filmes, mas nunca sabe, de fato, como eles vão chegar às pessoas. Ser escolhido pelo Júri Popular é uma alegria imensa e simbólica”, afirma o diretor.

Com menos de 15 minutos de duração, “Recife Tem um Coração” mergulha na vida de Silvo Silva, cantor de música brega e figura carismática das redes sociais. O ponto de partida é simples: após perder sua caixa de som, Silvo mobiliza seguidores para conseguir outra. Mas o filme vai muito além do registro desse episódio. O que se constrói na tela é um retrato sensível de um personagem e de um território, atravessado por camadas sociais, emocionais e afetivas do Recife popular.

Segundo Rodrigo Sena, a força do filme está justamente nessa simplicidade.

“Vivemos um tempo de relações cada vez mais artificiais. Silvo chega com uma verdade desarmada, olha o mundo com autenticidade, e isso toca profundamente”, diz.

Para ele, o afeto é a palavra-chave para entender a identificação do público com o curta.

Existe uma beleza enorme no que é simples e verdadeiro”, diz.

A trajetória do filme também carrega a marca do cinema feito no Nordeste. O prêmio em Tiradentes se soma a um reconhecimento anterior, no Festival de Brasília, em 2020, e reforça um movimento coletivo que vem ganhando corpo.

“Essa validação não é só minha. Ela atravessa uma trajetória de realizadores, técnicos e artistas da região. O Nordeste vive um momento muito potente no cinema”, avalia.

Esse movimento é especialmente perceptível no Rio Grande do Norte. Por muito tempo discreto no cenário nacional, o cinema potiguar começa a ocupar novos espaços. Rodrigo aponta a democratização da tecnologia e o papel das políticas públicas como fatores decisivos.

Hoje vemos colegas finalizando seus primeiros longas, festivais atentos ao que produzimos e uma cena criativa pulsando. Esse prêmio chega como parte desse movimento coletivo”, destaca.

A própria existência de “Recife Tem um Coração” é resultado dessa força coletiva. O curta não contou com nenhum tipo de apoio financeiro. A equipe decidiu se tornar sócia do projeto, apostando no filme desde o início. “O maior desafio foi o orçamento”, relembra Rodrigo. “Criativamente, o desafio era condensar a intensidade de Silvo e daquele território em tão pouco tempo. A escuta e a entrega de todos foram fundamentais.”

A gênese do filme também passa pelas redes sociais. Rodrigo conheceu Silvo por meio de vídeos publicados na internet e se emocionou de imediato. Já existia um youtuber, Domel, que registrava o cotidiano do cantor. A partir dessas imagens e das vivências compartilhadas, o diretor desenvolveu a dramaturgia do curta.

Cinco estrelas

A recepção crítica acompanhou o entusiasmo do público. O crítico Frank Carbone, do portal Vertentes do Cinema, atribuiu cinco estrelas ao filme e destacou o olhar atento de Rodrigo Sena para a “geografia marginal do Recife”, além da construção de um dos personagens mais sensíveis exibidos em Tiradentes nesta edição. Para ele, o curta articula personagem, cidade e afeto com uma artesania rara no cinema contemporâneo.

Com o prêmio, surgem também novas perguntas. A história de Silvo Silva pode virar um longa-metragem? Rodrigo não descarta a possibilidade, mas prefere manter os pés no chão.

“O curta é um campo de experimentação. No Rio Grande do Norte, estamos atravessando agora essa fronteira e produzindo nossos primeiros longas”, observa.

O universo do brega, segundo ele, segue despertando interesse. “É uma expressão popular muito forte, sensível, capaz de emocionar profundamente.”

Mais do que uma conquista individual, a vitória de “Recife Tem um Coração” em Tiradentes reafirma o vigor do cinema potiguar e nordestino no circuito nacional. Um cinema feito com poucos recursos, mas com escuta, entrega e afeto. Um cinema que, como o próprio filme sugere, pulsa a partir do coração.

Saiba Mais: A Sétima Arte nas salas de aula: Cinema estudantil revoluciona a educação no RN

Fonte: saibamais.jor.br

Bad Bunny, vencedor do Grammy e crítico de Trump, canta no Super Bowl

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Neste domingo (8) de clássicos pelo futebol brasileiro, como Corinthians x Palmeiras ou Vasco x Botafogo, a partida entre New England Patriots e Seattle Seahawks, pela final da NFL (liga estadunidense de futebol americano), às 20h30, também deve chamar atenção. 

No caso, não somente pelo duelo esportivo no Levi’s Stadium, que fica em Santa Clara, na Califórnia, mas também pelo show especial no intervalo.

A estrela será o cantor porto-riquenho Bad Bunny, de 31 anos. Bad Bunny é o nome artístico de Benito Antonio Martinez Ocasio, nascido na cidade de Vega Baja. 

O artista foi o vencedor do prêmio de Melhor Álbum Urbano, no Grammy Awards (prestigiado reconhecimento à indústria fonográfica), pelo disco Debí Tirar Más Fotos, no último dia 1º. O álbum tem músicas apenas em espanhol.

Bunny já ganhou três Grammy Awards e onze Latin Grammy Awards

Ao receber o prêmio, o cantor fez um discurso de agradecimento com críticas aos agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE). 

“Fora, Ice”, disse o artista. “Nós não somos selvagens, não somos animais. Somos seres humanos e somos americanos”, afirmou.

No entanto, Bad Bunny também destacou a necessidade de, neste momento de tensões, evitar sentimentos negativos e propagar o amor.  

“Quero dizer, para as pessoas que estão assistindo, para não propagar o ódio. Estava pensando que às vezes a gente fica contaminado, e o ódio acaba se tornando mais poderoso quando você se agrega ao ódio. E a única coisa mais potente que o ódio é o amor”, afirmou.

Trump não vai

Em vista das posições do artista, o presidente Donald Trump garantiu, durante a semana, para o jornal The New York Times, que não iria comparecer à final do Super Bowl.

“Acho que é uma péssima escolha. Tudo o que isso faz é semear ódio. Terrível”, disse ao jornal. 

O horário do intervalo, com o show do artista, depende do desenvolvimento do jogo. Em geral, dura cerca 1h30. Por essa conta, Bunny deve se apresentar a partir das 22h, no horário de Brasília. 

A atração vai ser transmitida no Brasil nos seguintes canais: Sportv, Getv, ESPN, Disney+ e NFL Game Pass (DAZN).

Fonte: Agência Brasil de Noticias

TST avança na inclusão de pessoas trans no mercado de trabalho; RN ainda enfrenta entraves

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O lançamento do Programa Transformação pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) no último mês reacendeu no Rio Grande do Norte um debate que permanece aberto e atravessado por retrocessos recentes. Voltada à inclusão social e à redução das desigualdades no mercado de trabalho, a iniciativa nacional estabelece ações afirmativas com foco especial em mulheres trans e travestis, em alusão ao Dia Nacional da Visibilidade Trans, celebrado em 29 de janeiro.

Para marcar a data, o TST e o Conselho Superior da Justiça do Trabalho iluminaram suas fachadas com as cores da bandeira trans, gesto simbólico acompanhado de uma medida concreta: a determinação de que, no mínimo, 10% das vagas em contratos de prestação de serviços contínuos firmados pelos órgãos sejam destinadas a mulheres de grupos vulneráveis. Desse total, 5% são reservadas especificamente a mulheres trans e travestis, com prioridade para pretas e pardas, trabalhadoras do sexo e egressas do sistema prisional.

A iniciativa, segundo o presidente do TST, ministro Vieira de Mello Filho, busca enfrentar diretamente a exclusão histórica dessa população do mercado formal de trabalho, transformando compromissos institucionais em políticas públicas efetivas. No Rio Grande do Norte, no entanto, a medida nacional contrasta com uma decisão recente do Tribunal de Justiça do estado, que derrubou uma política semelhante aprovada em âmbito estadual.

A Lei nº 11.587, sancionada em 2023, previa a reserva de 5% das vagas de emprego em empresas beneficiadas por incentivos fiscais ou que mantivessem contratos com o poder público estadual para pessoas travestis e transexuais. Apesar de aprovada pela Assembleia Legislativa, a norma foi considerada inconstitucional após decisão do TJRN, em ação movida por entidades empresariais.

Presente na cerimônia de assinatura do Programa Transformação, em Brasília, a coordenadora de Diversidade Sexual e Gênero do Rio Grande do Norte, Rebecka de França, relatou à Agência Saiba Mais a emoção ao acompanhar o anúncio da medida nacional, mas também frustração diante da realidade local. “Eu estava lá no dia da assinatura e fiquei triste porque a gente tinha uma medida como essa aqui no Rio Grande do Norte que infelizmente foi derrubada por um desembargador”, afirmou.

Segundo Rebecka, a experiência reforçou a percepção de que o Judiciário pode exercer um papel decisivo na garantia ou negação de direitos. “Quando eu vi essa assinatura, meu olho encheu de água. Me emocionei e vislumbrei que um dia esse desembargador voltasse atrás do veto que ele deu à nossa lei”, disse. Para ela, a iniciativa do TST evidencia que políticas afirmativas voltadas à população trans são juridicamente possíveis e socialmente necessárias.

A coordenadora também destacou que o veto à lei das cotas não foi um episódio isolado. De acordo com Rebecka, trata-se do terceiro veto do mesmo desembargador a políticas voltadas à população LGBTQIAPN+ no estado, incluindo a obrigatoriedade de cartazes educativos, a gratuidade de documentos para retificação de nome e gênero e, por fim, a reserva de vagas de emprego para pessoas trans e travestis.

O contraste entre a decisão do TST e a revogação da lei potiguar expõe uma disputa mais ampla sobre o papel das ações afirmativas na promoção da igualdade material. Enquanto a Justiça do Trabalho avança na construção de políticas voltadas à inclusão, o Judiciário estadual optou por uma leitura estritamente formal da Constituição, desconsiderando desigualdades históricas e dados alarmantes sobre a exclusão social dessa população.

Dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais indicam que 122 pessoas trans e travestis foram assassinadas no Brasil apenas em 2024, e que mais de 90% dessa população enfrenta dificuldades extremas para acessar empregos formais. Para movimentos sociais e defensoras de direitos humanos no Rio Grande do Norte, ampliar o acesso ao trabalho é uma estratégia central para garantir dignidade, renda e cidadania, além de reduzir vulnerabilidades que seguem colocando pessoas trans entre as mais expostas à violência e à marginalização.

Nesse cenário, o Programa Transformação surge não apenas como uma política nacional, mas como um parâmetro que reacende o debate local e evidencia que a inclusão da população trans no mercado de trabalho depende menos de impossibilidades jurídicas e mais de escolhas institucionais.

SAIBA + Nova lei facilita retificação de nome e gênero para pessoas trans e travestis no RN

Fonte: saibamais.jor.br

Anvisa registra seis mortes suspeitas de pancreatite associadas ao uso de canetas emagrecedoras

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O sistema de vigilância sanitária do Brasil registrou seis mortes suspeitas relacionadas a quadros de pancreatite em usuários de “canetas emagrecedoras“. Os dados são do período de 2020 a 2025.

Além dos óbitos, foram contabilizados 145 casos suspeitos da inflamação no pâncreas associados ao uso desses medicamentos no mesmo período. Os dados foram notificados à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

As informações constam no VigiMed, o sistema oficial do órgão para monitoramento de eventos adversos.

A agência ressalta, no entanto, que o registro no sistema não confirma, isoladamente, uma relação causal comprovada entre o medicamento e o evento.

No Reino Unido, por exemplo, foram registradas 1.296 notificações de pancreatite associadas ao uso das canetas emagrecedoras mounjaro entre 2007 e outubro de 2025. O país confirmou 19 óbitos no início de fevereiro.

Monitoramento e abrangência geográfica

O volume de notificações pode ser ainda maior se considerados os dados de pesquisas clínicas. Segundo o levantamento, ao somar essas informações, o total de ocorrências registradas poderia chegar a 225 casos.

O painel de monitoramento indica que os relatos de problemas de saúde envolvendo esses medicamentos não estão concentrados em uma única região.

Foram identificados registros de pacientes afetados em estados como São Paulo, Paraná e Bahia, além do Distrito Federal. A dispersão geográfica reforça a necessidade de atenção nacional sobre o uso indiscriminado ou sem acompanhamento dessas substâncias.

Substâncias e mecanismo de ação das canetas emagrecedoras

As notificações no VigiMed estão associadas a uma classe específica de fármacos conhecidos como agonistas do GLP-1.

Este hormônio, produzido naturalmente no intestino após as refeições, atua na regulação da glicose, estimula a produção de insulina e promove a sensação de saciedade.

Entre os princípios ativos citados nos relatórios estão a semaglutida, tirzepatida, dulaglutida, liraglutida e lixisenatida.

Ao consultar o painel da agência, é possível identificar associações com diversos nomes comerciais populares no mercado.

A lista inclui medicamentos como Ozempic, Mounjaro, Wegovy, Trulicity, Saxenda, Victoza, Rybelsus e Xultophy, amplamente utilizados tanto para tratamento de diabetes quanto para perda de peso.

A Anvisa monitora mortes suspeitas após uso de canetas emagrecedoras Foto: Freepik/Reprodução/ND Mais
A Anvisa monitora mortes suspeitas após uso de canetas emagrecedoras Foto: Freepik/Reprodução

Regulação e alertas de segurança após uso de canetas emagrecedoras

A Anvisa destaca que o risco de pancreatite já é previsto e descrito nas bulas desses medicamentos aprovados no Brasil.

A inflamação é considerada uma reação adversa possível, embora varie em frequência.

Diante do aumento do uso e das notificações de efeitos colaterais, o órgão regulador implementou medidas mais rígidas de controle.

Desde abril de 2025, vigora no país a exigência de retenção de receita médica para a venda de canetas emagrecedoras nas farmácias, visando coibir a automedicação e garantir o suporte profissional.

Posicionamento da indústria de canetas emagrecedoras

Fabricantes dos medicamentos monitorados reforçam que seguem protocolos rígidos de segurança. A Eli Lilly, responsável pelo Mounjaro (tirzepatida), informou à CNN Brasil, em nota, que a segurança do paciente é sua prioridade.

A empresa esclarece que a bula do medicamento já adverte que a pancreatite aguda é uma reação adversa incomum.

Fim de semana reúne blocos e festas que antecipam o Carnaval 2026 em Natal

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As prévias carnavalescas de sábado (7) e domingo (8) já dão o tom do Carnaval 2026 em Natal, ocupando diferentes territórios da cidade e reafirmando a força do carnaval de rua como expressão popular, cultural e política. Antes mesmo da abertura oficial da folia, marcada para o período de 13 a 17 de fevereiro, os dois dias concentram uma programação intensa que mobiliza blocos tradicionais, iniciativas comunitárias e grandes prévias, movimentando bairros, espaços públicos e a cadeia produtiva da cultura.

Sábado (7 de fevereiro)

O sábado reúne algumas das principais prévias do calendário carnavalesco da capital potiguar, com destaque para blocos de grande público e eventos espalhados por diferentes zonas da cidade.

Um dos destaques é a Prévia Carnavalesca de Morro Branco, que acontece no Espetinho do Venâncio, reunindo o Bloco Aff… Marias, banda de frevo, o Bloco Folia Potiguar de Rua e o Cordão Multicultural Burrinha Pintadinha e Jaraguá. Fundado por mulheres, o Aff… Marias consolidou-se como um dos maiores blocos de Natal, com pautas voltadas à diversidade, ao protagonismo feminino e à liberdade.

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Também no sábado acontece a Festa Patuscada, a partir das 15h, na Prainha da Via Costeira, com ingressos à venda pela plataforma Teia Lab. O evento integra o circuito de festas privadas que dialogam com a estética e a energia do pré-carnaval.

No Aeroclube do RN, o Bloco Nem Se Acaba, Nem Fica Pouco leva às ruas seu formato que mistura trio elétrico, cortejo e shows, com abertura do percurso puxada por Vivi Nascimento, reafirmando seu lugar entre as grandes prévias da cidade.

Já no Praia Shopping, o Bloco O Suvaco do Careca promove mais uma prévia aberta ao público, com concentração a partir das 16h, apostando no clima de carnaval popular antecipado em espaços de grande circulação.

Em Ponta Negra, o Foi-se o Bloquinho? realiza um baile temático no Ô Fuxico Bar, a partir das 17h. Nesta edição, o bloco homenageia Gilberto Gil, celebrando a trajetória cultural e política do artista. A programação conta com a Banda Vinil Elétrico e uma Orquestra de Frevo que percorre as ruas do bairro, reforçando a proposta de um carnaval de rua engajado, democrático e pé no chão.

Também neste sábado, Mossoró recebe uma prévia que fortalece o carnaval feminista no interior do Rio Grande do Norte. O Ponto de Cultura Escarcéu abre as portas para a prévia do Bloco Alô Frida, iniciativa que articula folia, protagonismo das mulheres e ocupação cultural do território. A atividade integra a programação do Banco do Nordeste Cultural Mossoró e acontece a partir das 15h, reafirmando o carnaval como espaço de expressão política, afetiva e coletiva.

Domingo (8 de fevereiro)

O domingo mantém o ritmo das prévias com atividades que valorizam o carnaval comunitário, a tradição e a diversidade.

No Parque Ecológico de Capim Macio, o Bloco Sassarico concentra-se a partir das 16h. A agremiação se destaca pelo repertório que mescla clássicos do frevo, como Vassourinhas, a composições autorais e obras de artistas como Caetano Veloso e Alceu Valença. Além da Orquestra de Frevo, o bloco apresenta músicas de seus próprios compositores, reforçando o caráter formativo e comunitário da iniciativa.

Em Ponta Negra, o Folia Potiguar de Rua realiza ensaio aberto às 18h, no Figa Bar, fortalecendo o carnaval pé no chão e a participação direta dos foliões.

Encerrando o domingo, o tradicional Bloco das Kengas promove a Feijoada das Kengas 2026, a partir das 13h, no Solar Bela Vista. Criado nos anos 1980, o bloco é um dos mais emblemáticos do carnaval potiguar, conhecido pela irreverência, pelo humor e pela celebração da diversidade. A programação reúne Dodora Cardoso, Rosas na Cartola, Orquestra do Papão e Gege Severo, reafirmando o evento como um dos mais simbólicos do pré-carnaval de Natal.

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Carnaval 2026: ensaios e prévias de blocos já movimentam Natal; confira



Fonte: saibamais.jor.br

Mega-Sena não tem ganhador; prêmio acumula para R$ 47 milhões

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O prêmio do concurso 2.970 da Mega-Sena acumulou neste sábado (7). No próximo sorteio, o prêmio deve ser de R$ 47 milhões.

Nenhum apostador acertou as seis dezenas: 22 – 32 – 37 – 41 – 42 – 59

Vinte e duas apostas ganharam a quinta, cada uma no valor de R$ 103.128,37.

Outras 2.828 apostas levaram a quadra e irão receber R$ 1.322,42 cada.


Fonte: Agência Brasil de Noticias