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Polícia prende piloto suspeito de participar de rede de pedofilia

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A 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), está nas ruas de São Paulo, com a operação Apertem os Cintos, desde a manhã desta segunda-feira (9), e prendeu, dentro de um avião, no Aeroporto de Congonhas, um piloto suspeito de participar de uma rede de exploração de pornografia infantil e estupro de vulnerável.

Segundo as autoridades, o homem, que tem 60 anos deidade, é suspeito de participar desse grupo há, pelo menos, oito anos.

Uma mulher de 55 anos também foi presa. Ela é suspeita de “vender” ao piloto as netas de 10, 12 e 14 anos. Segundo a polícia, as meninas foram submetidas a graves situações de abuso e exploração sexual.

A operação cumpre oito mandados de busca e apreensão em São Paulo e em Guararema, na região metropolitana da capital, contra quatro investigados, e também duas prisões temporárias, do piloto e da mulher. 

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A polícia investiga, com 32 homens e 14 viaturas, também os crimes de favorecimento à prostituição, uso de documento falso, stalking, aliciamento de crianças, coação no curso do processo e produção, armazenamento e compartilhamento de pornografia infanto-juvenil.

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Final do futebol americano vira festa multicultural pró-imigrantes

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O Super Bowl, final do campeonato de futebol americano, que aconteceu na noite deste domingo (8), na cidade de Santa Clara (Califórnia), virou uma festa multicultural pró-imigrantes a favor de países latino-americanos e teve forte conteúdo anti-Trump.

A partida entre o Seattle Seahawks e o New England Patriots acabou quase sendo um detalhe no meio de todo o evento. A escolha do cantor porto-riquenho Bad Bunny, que faz muito sucesso no mundo todo atualmente, anunciado há alguns meses, desagradou o presidente Donald Trump, que se manifestou contrário à presença do artista no Super Bowl. A apresentação de Bunny foi marcada pelo orgulho latino-americano e pelo apoio aos imigrantes que vivem nos Estados Unidos.

Mas o tom crítico à política anti-imigração do atual governo norte-americano começou cedo. Antes do início da partida, a banda Green Day, abertamente anti-trump, se apresentou e tocou alguns de seus maiores hits, incluindo American Idiot. O vocalista Billie Joel Armstrong não citou nominalmente o presidente americano, como já fez em shows recentes, mas a presença do grupo punk no evento também pode ser considerado um recado a Trump.

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Bad Bunny

A apresentação de Bad Bunny, no intervalo da partida, foi histórica, principalmente por causa da política anti-imigração do governo norte-americano e da forte atuação do ICE, polícia que atual contra imigrantes ilegais e que vem cometendo grandes abusos e até mortes.

O artista fez um show totalmente político e multi-cultural, enaltecendo todas as nações latino-americanas e a importância que têm dentro dos EUA.

Bunny não citou diretamente Trump ou o ICE, mas todo o show trouxe o orgulho latino para o centro do Levi’s Stadium. Com todas as músicas e todas as suas falas em espanhol, o artista foi rodeado por um cenário que reproduzia uma plantação de cana-de-açucar, que já foi uma cultura forte em Porto Rico e ainda é em vários outros da região.

Elementos culturais latinos foram surgindo conforme Bunny se movimentava pelo campo. A cantora Lady Gaga, convidada do astro da noite, surgiu cantando a música Die With a Smile, em inglês mesmo, só que numa versão em ritmo latino. Ricky Martin, também porto-riquenho, se juntou à festa. Ele cantou a música Lo Que Le Pasó a Hawaii, de Bunny, e que tem como tema a colonização predatória praticada pelos governos americanos.

A reação de Trump foi quase que imediata. Em sua rede social, a Truth Social, o presidente escreveu:

“O show do intervalo do Super Bowl é absolutamente terrível, um dos piores de todos os tempos! Não faz sentido, é uma afronta à Grandeza da América, e não representa nossos padrões de Sucesso, Criatividade ou Excelência. Ninguém entende uma palavra do que esse cara está dizendo, e a dança é nojenta, especialmente para crianças pequenas que estão assistindo por todos os Estados Unidos e no mundo. Este ‘show’ é apenas um ‘tapa na cara’ do nosso País, que estabelece novos padrões e recordes todos os dias, incluindo o melhor mercado de ações na história! Não há nada inspiracional nessa bagunça de show do intervalo, que terá ótimos reviews da mídia de fake news, porque eles não têm ideia do que está acontecendo no MUNDO REAL. E, aliás, a NFL deveria substituir imediatamente essa regra do pontapé inicial. FAÇA A AMÉRICA GRANDE DE NOVO! Presidente Donald J. Trump”.

Já próximo do final de sua apresentação, que durou 13 minutos, os dançarinos entraram portando bandeiras de todos os países do continente. Bad Bunny aparece segurando uma bola de futebol americano e diz “God Bless, America” e caminha com ela dizendo os nomes de todos os países da região, do Chile ao Canadá, passando por Brasil, Guatemala, Porto Rico e chegando aos Estados Unidos (e não América).

Ao final, Bunny mostra a bola para a câmera com a frase “Juntos somos a América” e diz, em espanhol, “continuamos aqui”.

Fonte: Agência Brasil de Noticias

conheça o biotério da UFRN, referência em ética e pesquisa

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Por trás de muitos avanços científicos que impactam diretamente a saúde humana, existe um espaço pouco conhecido fora do meio acadêmico, mas essencial para a pesquisa: o biotério experimental. Na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, o Biotério Experimental do Departamento de Biofísica e Farmacologia é uma dessas estruturas-chave, onde ciência, ética e cuidado animal caminham juntos.

O biotério funciona como uma instalação especializada para a criação, manutenção e alojamento de animais de laboratório, como ratos e camundongos, sob condições ambientais rigorosamente controladas. Esses animais são utilizados em pesquisas que buscam compreender doenças, testar novas abordagens terapêuticas e avaliar a segurança de substâncias antes que qualquer avanço chegue à sociedade.

Segundo o técnico de laboratório Leo Vieira em entrevista à Agência SAIBA MAIS, o papel do biotério vai muito além de fornecer animais para experimentação.

“O biotério do DBF existe para garantir que os experimentos científicos aconteçam em um ambiente seguro, controlado e eticamente responsável, tanto para os animais quanto para os pesquisadores”, explica.

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A estrutura atende estudantes de graduação, pós-graduação e docentes do Departamento de Biofísica e Farmacologia e também de outras áreas da UFRN.

Atualmente, o biotério dá suporte a pesquisas em diferentes frentes, como estudos sobre inflamações odontológicas, transtorno depressivo maior, ansiedade e toxicidade reprodutiva. Para que os resultados sejam confiáveis, uma série de variáveis é monitorada diariamente. Temperatura, umidade, ciclos de luz, alimentação e higiene do ambiente são controlados com precisão.

Esse controle é essencial para garantir a validade dos dados científicos. Qualquer alteração ambiental pode interferir diretamente nos resultados”, destaca Leo.

O cuidado com os animais é um eixo central do funcionamento do biotério. A rotina segue legislações nacionais e princípios éticos internacionais, como o princípio dos 3Rs, que orienta a substituição do uso de animais sempre que possível, a redução do número utilizado e o refinamento das técnicas para minimizar dor e sofrimento.

“O objetivo é promover condições adequadas não só para a saúde física, mas também para o bem-estar psicológico dos animais”, afirma o técnico.

Dentro desse contexto, as práticas de enriquecimento ambiental ganham destaque. De acordo com o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal, o enriquecimento ambiental é qualquer medida que estimule comportamentos naturais da espécie e reduza comportamentos anormais, promovendo efeitos positivos no bem-estar físico e psicológico do animal.

No biotério do DBF, isso se traduz na inclusão de túneis, materiais para roer e itens para construção de ninhos dentro das gaiolas. “Animais menos estressados apresentam respostas fisiológicas mais estáveis, o que reduz vieses experimentais e aumenta a reprodutibilidade dos estudos”, explica Leo Vieira.

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O funcionamento da unidade é orientado pela Lei Arouca e pelas normas do CONCEA, além da atuação obrigatória da Comissão de Ética no Uso de Animais, responsável por avaliar e aprovar todos os projetos antes do início das pesquisas. Apenas pesquisadores capacitados podem manusear os animais.

“É exigido certificado de cursos específicos de manejo e experimentação animal, além de treinamentos internos oferecidos pela equipe técnica do biotério”, ressalta.

Manutenção é desafio

Apesar da importância científica, manter um biotério em funcionamento não é uma tarefa simples. A obtenção de insumos básicos, como ração, maravalha e equipamentos para higienização, está entre os principais desafios enfrentados pela equipe.

“Sem esses materiais, não conseguimos manter os animais em condições adequadas nem receber novos projetos de pesquisa”, alerta o técnico.

Mesmo diante das dificuldades, os planos para o futuro são ambiciosos. A equipe trabalha na concepção de um projeto para a construção de um biotério de última geração, que atenda não apenas ao DBF, mas a todo o Centro de Biociências da UFRN. “É um projeto de longo prazo, mas representa um avanço fundamental para fortalecer a pesquisa científica na universidade”, conclui.

O Biotério Experimental do Departamento de Biofísica e Farmacologia da UFRN é coordenado pela professora Vanessa Soares e conta com a atuação do médico-veterinário Bruno Lobão, além de técnicos e colaboradores que garantem o funcionamento diário da unidade e o compromisso com uma ciência ética, responsável e de qualidade.



Fonte: saibamais.jor.br

Tribunal do Irã condena Nobel da Paz a mais sete anos e meio de prisão

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O advogado de Narges Mohammadi, Prêmio Nobel da Paz 2023, confirmou a nova condenação da ativista iraniana de direitos humanos. É a oitava sentença contra ela em 25 anos de contestação ao regime de Teerã, contra a pena de morte no país e contra o rígido código de vestuário para as mulheres.

Narges tinha sido detida em 12 de dezembro de 2025 na cidade de Mashhad, no nordeste do país, juntamente com outros ativistas, depois de discursar numa cerimónia em memória de um advogado encontrado morto. 

“Foi condenada a seis anos de prisão por reunião e conspiração para cometer crimes”, afirmou o seu advogado, Mostafa Nili, numa publicação na rede social X, acrescentando que a ativista também está proibida de sair do país durante dois anos.

Narges Mohammadi, de 53 anos, já tinha sido condenada, em outro processo, a 18 meses de prisão por “atividades de propaganda” e a dois anos de exílio na cidade de Khosf, na província de Khorasan do Sul, no leste do país, explicou o advogado..

De acordo com a lei iraniana, as penas de prisão não podem ser cumpridas consecutivamente. A última sentença é passível de recurso.

Mostafa Nili está esperançoso de que a saúde debilitada de Mohammadi, permita que ela seja temporariamente “libertada sob fiança para tratamento médico”.

Em dezembro de 2024, a Prémio Nobel da Paz foi libertada durante três semanas por motivos médicos relacionados com “a sua condição física após a remoção de um tumor e de um enxerto ósseo”, lembrou o advogado.

Narges faz greve de fome há uma semana, uma das múltiplas realizadas nas diversas vezes em que foi julgada, condenada e detida pelo seu ativismo. 

Desta vez, ela reivindica “o direito a fazer um telefonema”, a “ter acesso aos advogados no Irã” e a receber visitas, de acordo com a advogada Chirinne Ardakani, a partir de Paris.

Pressão sobre a família

Em janeiro deste ano, a partir da prisão, Narges Mohammadi denunciou uma operação de pressão feita pelas autoridades de Teerã, na casa do seu irmão na cidade iraniana de Mashhad.

Em comunicado divulgado em 22 de janeiro pela rede X, a fundação com o nome da Prêmio Nobel da Paz disse ter conhecimento de que agentes de segurança invadiram a casa da família, em Mashhad, e realizaram uma busca na residência.

No texto publicado no perfil da ativista, a fundação afirma que o ataque faz parte da crescente e contínua pressão exercida sobre a família de Narges Mohammadi nos últimos meses.

A ativista não vê os dois filhos, que vivem em Paris, desde 2015. 

A última chamada telefônica com a família data de 14 de dezembro. Os familiares foram informados por um prisioneiro libertado de uma greve de fome que era feita por Nardes.

A última década de Mohammadi foi passada atrás das grades. Mesmo atrás das grades, a Prêmio Nobel não se manteve em silêncio, organizando protestos no pátio da prisão e realizando greves de fome.

A agência de notícias Efe relatou, no início do ano, citando fontes que não se quiseram se identificar, que a detenção de Narges Mohammadi tem sido marcada por espancamentos e negação de assistência médica, o que, especialmente devido ao seu histórico de problemas cardíacos, colocou a vida dela em grave perigo.

No mesmo contexto, um dos detidos recentemente libertados do Centro de Detenção de Inteligência de Mashhad descreveu o estado físico de Narges Mohammadi e de seu companheiro, Pouran Nazemi, como “alarmante”.

*É proibida a reprodução deste conteúdo.

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Lula parabeniza vitória de António Seguro em Portugal

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva parabenizou António José Seguro pela vitória nas eleições de Portugal. Em seu perfil na rede social X, Lula classificou o triunfo como expressivo e citou vitória da democracia.

“Uma eleição que se desenvolveu de forma pacífica e representa a vitória da democracia num momento tão importante para a Europa e o mundo. E consolida a posição de Portugal de apoio ao acordo Mercosul-União Europeia,” afirmou Lula. 

No post, ele disse, ainda, que o Brasil seguirá trabalhando em parceria com o presidente eleito e o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, pelo fortalecimento das relações bilaterais, em defesa do multilateralismo e do desenvolvimento sustentável.

Como foi a vitória

O socialista António José Seguro foi eleito neste domingo (8) presidente de Portugal, ultrapassando a marca de três milhões de votos. Ele derrotou o candidato da extrema-direita André Ventura, no segundo turno das eleições.

Com mais de 11 milhões de cidadãos aptos a votar, Seguro tinha conseguido, até as 21h30 (horário local), mais de 3,3 milhões de votos. Seu adversário, André Ventura, somava 1,6 milhão de votos. A abstenção estava próxima dos 50%.

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Depois de “O Agente Secreto”, Tânia Maria arrebata a crítica em “Yellow Cake”

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Um dos grandes destaques do filme “O Agente Secreto” (2025), dirigido pelo pernambucano Kleber Mendonça Filho e estrelado pelo ator Wagner Moura, a atriz potiguar Tânia Maria, 78 anos, voltou a arrebatar a crítica internacional pela sua atuação no longa de ficção científica “Yellow Cake”, do diretor Tiago Melo, lançado na dia 2 de fevereiro, no Festival de Roterdã, na Holanda.

A revista Variety, uma das principais publicações de entretenimento dos Estados Unidos (EUA), classificou como “encantadora” a interpretação da artesã seridoense que estreou nas telonas aos 72 anos como figurante em “Bacurau” (2019), dirigido pelo mesmo Kleber Mendonça Filho.

“Os fãs de Tânia Maria, revelação de ‘O Agente Secreto’, não precisarão esperar muito para ver outra atuação encantadora da estrela brasileira de 78 anos. Maria tem um papel de destaque em ‘Yellow Cake’, de Tiago Melo, exibido na prestigiada Competição Tiger do Festival Internacional de Cinema de Rotterdam”, escreveu a revista.

A Variety foi a primeira publicação a destacar a atuação de Tânia Maria em “O Agente Secreto”, no qual interpreta a personagem Dona Sebastiana, uma das lideranças de um prédio em Recife (PE), onde funcionava um “aparelho” que abrigava dissidentes da ditadura militar brasileira na década de 1970, entre os quais o professor universitário Marcelo, personagem de Wagner Moura.

Em setembro do ano passado, a revista chegou a citar a potiguar entre as cotadas para a indicação ao Oscar 2026 de “Melhor Atriz Coadjuvante”, ao lado de estrelas como Emma Stone (Bugonia), Kate Hudson (Song Sung Blue) e Samantha Morton (Anemone).

Em seguida, ela foi novamente citada entre as possíveis indicadas à premiação, dessa vez pela “The Hollywood Reporter”. A indicação acabou não acontecendo, mas isso não diminuiu o reconhecimento internacional de Tânia Maria.

Saiba Mais: Tânia Maria: a artesã potiguar que costurou seu destino no cinema e é cotada ao Oscar

Deu no New York Times: “novo ícone do cinema brasileiro”

Jornal “The New York Times” elegeu Tânia Maria como “Melhor Atuação com um Cigarro” de 2025″. Foto: Divulgação

Ela foi destaque duas vezes no jornal “The New York Times”, que a incluiu na lista em sua lista dedicada às “atuações loucas e inesperadas do ano”, na categoria “Melhor Atuação com um Cigarro” de 2025.

No meio de ‘O Agente Secreto’, há uma cena de rua à luz do dia, e essa mulher simplesmente entra no quadro e quase se aproxima da câmera. Enquanto ela está ali parada esperando, você pensa: ‘Espero que este filme saiba que deveria ser mais sobre essa pessoa’. Ela é uma verdadeira dama, mas é única, glamourosa em um vestido de casa com estampa botânica e óculos escuros”, escreveu o jornal.

Em janeiro desse ano, ela foi tema de uma reportagem especial, com destaque na capa da edição impressa e no site, intitulada “Tânia Maria é o novo ícone do cinema brasileiro”.

Na reportagem, a atriz que vem conquistando a simpatia mundial é definida “como um abraço” pela apresentadora de televisão e comentarista de filmes Aline Diniz. “Todos nós já conhecemos uma Tânia Maria nas nossas vidas aqui”, afirma ela ao jornal.

Já Kleber Mendonça Filho afirmou ao jornal que Tânia, apesar de não ter formação, “é uma grande atriz”, além de ser “direta, firme e, ao mesmo tempo, bem-humorada”. “Ela me lembra todas as senhoras mais velhas que já conheci”, disse o diretor.

Atuação de Tânia Maria é “maravilhosamente excêntrica”, afirma crítico de cinema

Foto: Reprodução

“Yellow Cake”, o novo filme que conta com a presença de Tânia Maria, é ambientado em Picuí (PB). O longa narra a história da personagem Rúbia Ribeiro, vivida pela atriz Rejane Faria, uma cientista nuclear envolvida em um projeto secreto que usa urânio extraído da região para erradicar o mosquito da dengue.

A exploração ilegal desses minérios passa a impactar diretamente a população local, alimentando histórias de contaminação, mutações e lendas populares que se espalham pelo município.

Além de Tânia e Rejane, o elenco conta com Valmir do Côco, Severino Dadá, Spencer Callahan e Wolfgang Pannek. A atriz potiguar foi apontada como um dos destaques da obra nas primeiras críticas publicadas na imprensa internacional.

O crítico Matthew Joseph Jenner, em resenha escrita para o site International Cinephile Society, comentou que “Yellow Cake mergulha fundo no interior do Brasil, explorando uma das muitas comunidades que raramente vemos representadas nas telas”.

Matthew chamou Tânia Maria de “estrela revelação”, dizendo que em “Yellow Cake” ela fazia “mais uma atuação maravilhosamente excêntrica que rouba a cena”.

Outra que se rendeu à atuação de Tânia Maria foi a crítica Carmen Gray o site. Em texto publicado pelo site “The Film Veredict”, ela também disse que o trabalho da atriz potiguar é de “roubar a cena”.

Atriz por acaso

Tânia Maria: de figurante em “Bacurau” a fenômeno mundial em “O Agente Secreto”. Foto: Reprodução Redes Sociais

Em setembro do ano passado, logo após sem citada como possível indicada ao Oscar 2026, Tânia Maria narrou à Agência Saiba Mais como se deu sua inusitada estreia nas telonas.

Nascida no povoado de Santo Antônio da Cobra, no município de Parelhas, na região Seridó do Rio Grande do Norte, Tânia nunca pensou em ser atriz nem nunca tinha ido ao cinema antes de estrear como figurante em “Bacurau”.

Ela foi descoberta “por acaso” em 2018. Jácylla Kenya, neta única de Tânia Maria, contou que a produção do filme marcou uma reunião em sua casa para explicar como seria a participação das crianças da comunidade no longa.

Tânia estava costurando quando escutou a conversa que acontecia na sala da sua casa. Curiosa, foi ver quem era aquele povo diferente. Ao aparecer na porta, cumprimentou os visitantes com um “boa noite”.

A fala sucinta foi suficiente para cativar Renata Roberta, produtora de elenco de “Bacurau”: “É dela que estou precisando”, disse. Tânia aceitou ser figurante ganhando uma diária de R$ 50,00. “Eu achei bom demais”, confessou a atriz.

Kleber Mendonça filho contou que Tânia seria apenas figurante no filme, mas o diretor ficou tão impressionado que sugeriu dar uma fala a ela. “Que roupa é essa, menino?”, única fala dela no longa, ficou marcada como uma das mais emblemáticas de “Bacurau”.

Desde então, Tânia nunca mais saiu do “radar” de Kleber Mendonça Filho, que não pensou duas vezes antes de convidá-la para “O Agente Secreto”.

O sucesso de “O Agente Secreto”, ganhador do Globo de Ouro nas categorias de “Melhor Filme em Língua Estrangeira” e “Melhor Ator em Filme Dramático” para Wagner Moura, impulsionou a popularidade de Tânia Maria. De repente, a artesã de um pequeno distrito rural do interior potiguar virou uma estrela mundial do cinema.

A primeira reação de Tânia Maria quando figurou como possível indicada ao Oscar 2026 foi de espanto: “Não sei nem o que é Oscar”, disse ela.

Depois, mais familiarizada com a ideia, revelou que seu sonho era ir a Hollywood. “Botei isso na cabeça. Eu quero ir, eu vou”, declarou, contando que ela mesma costuraria o vestido vermelho que pretendia usar na noite do prêmio.

Tânia, para tristeza dos seus milhares de fãs, terminou não sendo confirmada à indicação de “Melhor Atriz Coadjuvante”. O filme, no entanto, recebeu três indicações: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator (Wagner Moura) e Melhor Elenco.

Não se sabe ainda se Tânia Maria irá ou não à cerimônia do Oscar 2026 com o elenco de “O Agente Secreto”, mas, se depender da torcida dos brasileiros, em especial dos potiguares, certamente a veremos passar pelo tapete vermelho do Teatro Dolby, em Los Angeles, no próximo dia 15 de março, quando conheceremos os vencedores da maior premiação do cinema mundial.



Fonte: saibamais.jor.br

Besa Me Mucho leva música latina às ladeiras do Morro da Providência

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O bloco Besa Me Mucho ocupou, nesse domingo (8), as ladeiras do Morro da Providência, no centro do Rio, com um cortejo que misturou ritmos latino-americanos, batuques brasileiros e uma mensagem política de integração continental. A concentração ocorreu na escadaria da Rua Costa Barros, na esquina com a Ladeira do Livramento, reunindo moradores, músicos imigrantes e foliões de diferentes regiões da cidade.

Criado a partir de coletivos que já transitam há anos pelo território — como o Cortejinho RJ, nascido na própria Providência —, o Besa Me Mucho reafirma a ocupação cultural das ruas como gesto político. “A intensidade de fazer música latina nas vielas da Pequena África é resistência”, resumem os organizadores, ao destacar a relação histórica do bloco com a primeira favela do Brasil.

Entre os foliões, o espanhol Andrés Martin, de 21 anos, que veio de Madrid para viver o seu primeiro carnaval carioca, disse que o bloco simboliza liberdade.


Rio de Janeiro (RJ), 08/02/2026 - O cineasta Rodrigo Freitas, participa do bloco latino tradicional do Rio, Bésame Mucho, desce ladeira do morro da Providência, no centro da cidade, com o tema da imigração e a revolta contra as sanções e perseguições impostas pelos Estados Unidos.
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 08/02/2026 - O cineasta Rodrigo Freitas, participa do bloco latino tradicional do Rio, Bésame Mucho, desce ladeira do morro da Providência, no centro da cidade, com o tema da imigração e a revolta contra as sanções e perseguições impostas pelos Estados Unidos.
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

 O cineasta Rodrigo Freitas desfila no bloco latino tradicional do Rio, Bésame Mucho – Foto Tânia Rêgo/Agência Brasil

“Todo mundo é livre para fazer o que quiser. O carnaval e a cultura latino-americana representam isso”, afirmou.

Para ele, o desfile também abriu espaço para refletir sobre a política migratória dos Estados Unidos. “A forma como os imigrantes estão sendo tratados, especialmente crianças, é levar o problema ao limite”, disse, ao comentar as políticas do governo de Donald Trump.

A bióloga venezuelana Salomé, integrante da banda do Besa Me Mucho e moradora do Brasil há sete anos e meio, destacou o caráter político do carnaval de rua.

“O carnaval é um movimento de resistência, de luta, de ocupar espaços de vida”, disse.

Para ela, a proposta do bloco dialoga diretamente com a ideia de pertencimento latino-americano. “O Brasil é a América Latina. Não entendo essa separação. As fronteiras são humanas, estão na nossa cabeça. Somos habitantes do planeta”, afirmou.

Segundo Salomé, a rua é o espaço central dessa disputa simbólica. “Uma coisa que amo no Rio é que a rua é das pessoas. É onde acontece a festa, o encontro. Temos que continuar ocupando esse espaço sempre”, completou.


Rio de Janeiro (RJ), 08/02/2026 - Bloco latino tradicional do Rio, Bésame Mucho, desce ladeira do morro da Providência, no centro da cidade, com o tema da imigração e a revolta contra as sanções e perseguições impostas pelos Estados Unidos.
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 08/02/2026 - Bloco latino tradicional do Rio, Bésame Mucho, desce ladeira do morro da Providência, no centro da cidade, com o tema da imigração e a revolta contra as sanções e perseguições impostas pelos Estados Unidos.
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Bloco latino tradicional do Rio, Bésame Mucho desce ladeira do Morro da Providência – Foto Tânia Rêgo/Agência Brasil

Professor de sociologia e músico do bloco, André Videira de Figueiredo ressaltou que o caráter político do Besa Me Mucho é indissociável de sua proposta musical.

“É um bloco de música latino-americana, e isso inclui a música brasileira. Entendemos que fazemos parte desse grande aglomerado político que é a América Latina”, disse.

Formado majoritariamente por imigrantes, o bloco, segundo ele, assume responsabilidade maior em momento de visibilidade como o carnaval. “Falar de uma América Latina livre, de uma ideia de América anterior à América do Norte, é uma tarefa que se impõe”, afirmou.

Para o editor Felipe Eugênio Santos e Silva, frequentador antigo do bloco, o Besa Me Mucho ajuda a romper a ideia de que o Brasil estaria à parte do continente.

“Existe uma ideia muito ruim de que o Brasil paira acima da América Latina. Isso é um erro imenso. O bloco ajuda a conectar a gente com a cultura dos nossos hermanos, com as músicas e com os modos de existir”, avaliou.

Na visão dele, a resistência cultural também produz consciência política. “É carnaval, é festa, mas cria uma identidade entre as pessoas. É uma antessala que nos politiza”, disse.


Rio de Janeiro (RJ), 08/02/2026 - Bloco latino tradicional do Rio, Bésame Mucho, desce ladeira do morro da Providência, no centro da cidade, com o tema da imigração e a revolta contra as sanções e perseguições impostas pelos Estados Unidos.
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 08/02/2026 - Bloco latino tradicional do Rio, Bésame Mucho, desce ladeira do morro da Providência, no centro da cidade, com o tema da imigração e a revolta contra as sanções e perseguições impostas pelos Estados Unidos.
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Imigração é tema do bloco latino tradicional do Rio, Bésame Mucho – Foto Tânia Rêgo/Agência Brasil

O empresário carioca Michael Pinheiro também destacou o papel político do carnaval de rua. “O carnaval é o Brasil acontecendo de forma muito objetiva. Mostra para o mundo quem é o nosso povo”, afirmou. Para ele, trata-se de uma manifestação política “de ponta a ponta”. Imigração“Historicamente, o carnaval ensina o próprio povo, é uma ferramenta de comunicação da população com ela mesma”, disse.

Na avaliação do sociólogo Rodrigo Freitas, o desfile nas ladeiras da Providência reforça a identidade latino-americana.

“É um ato de resistência. Um bloco que acontece na ladeira conecta a gente com as ladeiras da América Latina e nos identifica como um povo que precisa resistir ao imperialismo”, afirmou.

Para ele, iniciativas como o Besa Me Mucho ajudam o Brasil a se reconhecer como parte do continente. “Somos latinos. Um bloco desses atualiza essa consciência”, acrescentou.


Rio de Janeiro (RJ), 08/02/2026 - Bloco latino tradicional do Rio, Bésame Mucho, desce ladeira do morro da Providência, no centro da cidade, com o tema da imigração e a revolta contra as sanções e perseguições impostas pelos Estados Unidos.
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 08/02/2026 - Bloco latino tradicional do Rio, Bésame Mucho, desce ladeira do morro da Providência, no centro da cidade, com o tema da imigração e a revolta contra as sanções e perseguições impostas pelos Estados Unidos.
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Bésame Mucho ocupa ladeiras do Morro da Providência, no centro do Rio – Foto Tânia Rêgo/Agência Brasil

Serviço

Ao todo, 432 blocos estão autorizados a desfilar no carnaval de rua do Rio de Janeiro em 2026. A programação segue até o dia 22 de fevereiro e pode ser consultada no aplicativo Blocos do Rio 2026 e no site oficial do carnaval de rua da cidade.

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Jornada de Carolina Maria de Jesus será contada pela Unidos da Tijuca

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A menina Bitita é quem vai abrir o desfile da Unidos da Tijuca em 2026, para contar, desde o começo, a vida da escritora, cantora, compositora e poeta brasileira Carolina Maria de Jesus. Na língua changana ou xichangana, de Moçambique, Bitita significa panela de barro de cor ocre ou preta, representando resistência e ancestralidade.

A escritora recebeu esse apelido do avô Benedito, no início do século passado, e essa será apenas uma de “outras diversas Carolinas” que vão passar pela Sapucaí para contar a trajetória da autora consagrada, como “a doméstica”, “a grávida”, “a louca do Canindé”, “a catadora”, “a escritora”, “a marionete” e “a do carnaval”.

“É um enredo bem biográfico. A história se desenvolve cronologicamente”, pontuou o carnavalesco Edson Pereira em entrevista à Agência Brasil. “O que a Tijuca faz é colocar a Carolina no palco”.

>> Enredos das escolas de samba contam a história não oficial

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>> Acompanhe a cobertura do carnaval na Agência Brasil

Apesar da grandeza que tem, argumenta o carnavalesco, sua história é pouco divulgada e, por isso, precisa ser contada.

“A gente vive em um momento, não só do país, mas da cultura do nosso país, em que a gente precisa acender a luz daqueles que foram apagados pela nossa história. A Carolina representa muito bem a força da mulher”, afirmou.

 


Rio de Janeiro (RJ), 14/01/2026 - Edson Pereira, carnavalesco da Unidos da Tijuca, fala sobre o enredo do desfile de 2026 da escola que vai homenagear a escritora Carolina Maria de Jesus, no barracão da escola, na Cidade do Samba.  Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 14/01/2026 - Edson Pereira, carnavalesco da Unidos da Tijuca, fala sobre o enredo do desfile de 2026 da escola que vai homenagear a escritora Carolina Maria de Jesus, no barracão da escola, na Cidade do Samba.  Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Edson Pereira, carnavalesco da Unidos da Tijuca, fala sobre o enredo do desfile de 2026 da escola que vai homenagear a escritora Carolina Maria de Jesus. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil 

Apagamento e força

Foi o avô alforriado e contador de histórias que influenciou Carolina a criar as suas histórias, assim como com as mulheres da família.

“Ela aprendeu os segredos que só o tempo revela no encanto do falar e do ouvir; e, nas barras das saias de sua mãe, tias e madrinhas, se entrelaçou ao poder das coisas ditas, ao espírito desconhecido das letras e palavras, aquelas às quais ela desejava conhecer”, traz a sinopse da Tijuca, texto no qual as escolas explicam o enredo que vão apresentar nos desfiles.

Carolina Maria de Jesus nasceu em 14 de março de 1914, em uma comunidade rural da cidade de Sacramento, em Minas Gerais. Os sonhos de deixar o interior a levaram para São Paulo. A mudança não resultou no que esperava e foi o começo de muitas adversidades. Sob muito preconceito, lutou até se tornar escritora. 

“A história da Carolina enquanto escritora que foi apagada é algo que nos fascina não pelo apagamento, mas pelo empoderamento dela. A Carolina enquanto mulher, enquanto preta, enquanto resistência”, comentou o carnavalesco, lamentando que atualmente os problemas são os mesmos. “É triste falar sobre isso, mas é uma realidade”.

Em São Paulo, ela foi morar na favela do Canindé. Foi lá que começou a relatar todos os preconceitos e histórias de feminicídios e viu que o desenvolvimento social não chegava aos pretos.

“Ela começa a se entender no lugar de opressão”, indicou Edson Pereira, acrescentando que Carolina sonhava também em ter comida no prato para alimentar os filhos. “É um carnaval de reconhecimento, de botar o dedo nas feridas”, relatou.

Edson adiantou que a terceira alegoria da Azul e Amarela da Tijuca é dedicada ao livro Quarto de Despejo – Diário de uma favelada, que se transformou em sucesso ao vender 10 mil exemplares na semana de lançamento, em 1960.

A obra, escrita a partir de anotações que fazia em diários contando histórias de vizinhos, foi também traduzida para ao menos 14 idiomas e lançada em mais de quarenta países.

“É todo feito de papelão, de material alternativo”, descreveu o carnavalesco sobre a composição da alegoria, em uma referência ao tempo que a escritora era catadora e construiu sua casa com o dinheiro que ganhou vendendo papelão entre outros materiais.

 


São Paulo - Carolina Maria de Jesus, uma das primeiras escritoras negras do Brasil, é considerada uma das mais importantes escritoras do país. A autora viveu boa parte de sua vida na favela do Canindé, na Zona Norte de São Paulo. Foto: CCSP
São Paulo - Carolina Maria de Jesus, uma das primeiras escritoras negras do Brasil, é considerada uma das mais importantes escritoras do país. A autora viveu boa parte de sua vida na favela do Canindé, na Zona Norte de São Paulo. Foto: CCSP

Carolina Maria de Jesus, uma das primeiras escritoras negras do Brasil, é considerada uma das mais importantes do país Foto: CCSP

Saúde mental

Botar toda esta história de pé para contar da forma como o carnavalesco idealizou não é uma tarefa fácil, e vem sendo realizada pela dupla de diretores de carnaval da Tijuca, Fernando Costa e Elisa Fernandes.

Embora seja o seu primeiro ano nesta função, Elisa não é uma desconhecida na Tijuca, onde já foi assessora de imprensa. A experiência no carnaval, no entanto, vai além dessas passagens. Até 2025, esteve por 10 anos na direção de alegorias da Portela.

Elisa disse que a nova missão é de muita responsabilidade, por ter que gerenciar o projeto, o barracão e a feitura de fantasias e alegorias. Apesar de já ter tido essa experiência na União de Jacarepaguá, ela agora tem a oportunidade de realizar o trabalho no Grupo Especial.

“A coisa cresce muito. O Grupo Especial é muito forte. É o maior espetáculo da Terra, mas, para mim, está sendo um grande prazer”, comentou.

Como método para melhorar as condições de trabalho dos profissionais que preparam o carnaval, Elisa trouxe uma novidade para os bastidores da Tijuca.

“Eu introduzi uma equipe de psicólogos. Hoje, os artistas da escola têm esse cuidado, porque eu acredito que alguns segmentos têm uma pressão muito grande”, contou,

Entre os que utilizam o serviço estão passistas, casal de mestre sala e porta-bandeira, responsáveis pelos ateliês e o setor administrativo da escola. De acordo com a diretora, é necessário ter esse momento de autocuidado, de parar tudo e prestar atenção em si mesmo, diante do trabalho para fazer tudo funcionar na avenida.

“Estou tentando convencer o presidente a fazer também. Ele ainda não fez, mas disse que vai fazer”, indicou.

Força da mulher

Elisa se orgulha de poder, no primeiro ano na função, ter pela frente um enredo em homenagem a Carolina Maria de Jesus. “Eu, como uma mulher negra, no primeiro ano na direção de carnaval, pegar um enredo desse é um presente até difícil de explicar. Estou me matando para fazer jus a essa possibilidade que me foi dada”.

“Carolina é muito importante. Ela inspira outras mulheres a serem o que elas quiserem, porque Carolina não era só escritora. Ela também era cantora e compositora, eu também sou cantora e compositora”, contou.

A escolha do enredo teve a sua participação, lembrou ela. Elisa chegou a defender o enredo diante do presidente da escola. “Fui incisiva. Eu falei ‘olha esse é o melhor que nós temos. Acredito que esse é um enredo que vai fazer a diferença, porque Carolina é muito grande”.

Para a diretora de carnaval, a escritora representa a força de todas as mulheres e também sua versatilidade.

“Acredito nessa coisa de multitarefa da mulher. A sociedade exige de nós essa polivalência. Somos seres polivalentes por nós mesmas. Nós somos sementes da Carolina. A gente só está continuando o trabalho dela e tendo a oportunidade de homenagear uma mulher que já deveria ter sido homenageada há muito tempo”.

Conheça os enredos e a ordem dos desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro

1º dia – domingo (15/2)

  • Acadêmicos de Niterói – Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil;
  • Imperatriz Leopoldinense – Camaleônico;
  • Portela – O Mistério do Príncipe do Bará;
  • Estação Primeira de Mangueira – Mestre Sacacá do Encanto Tucuju – o Guardião da Amazônia Negra

2º dia – segunda-feira (16/2)

  • Mocidade Independente de Padre Miguel – Rita Lee, a Padroeira da Liberdade;
  • Beija‑Flor de Nilópolis – Bembé do Mercado;
  • Unidos do Viradouro – Pra Cima, Ciça;
  • Unidos da Tijuca – Carolina Maria de Jesus.

3º dia – terça-feira (17/2)

  • Paraíso do Tuiuti  – Lonã Ifá Lukumi;
  • Unidos de Vila Isabel – Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África;
  • Acadêmicos do Grande Rio – A Nação do Mangue;
  • Acadêmicos do Salgueiro – A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau.

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Socialista Antônio Seguro é eleito presidente de Portugal

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O socialista Antônio José Seguro foi eleito hoje (8) novo presidente de Portugal, ultrapassando a barreira de 3 milhões de votos. Ele derrotou o candidato da extrema-direita André Ventura, no segundo turno das eleições portuguesas. 

Com mais de 11 milhões de cidadãos aptos a votar, Seguro tinha conseguido, até as 21h30 (horário local), mais de 3,3 milhões de votos. Seu adversário, André Ventura, tinha obtido 1,6 milhão de votos, e a abstenção estava próxima dos 50%.

Apenas outras quatro vezes desde 1976 um presidente da República foi eleito com mais de 3 milhões de votos no país, sendo Mário Soares o único a consegui-lo por duas vezes. Na primeira eleição, em 1986, as únicas até hoje a terem um segundo turno, o histórico líder socialista obteve 3.010.756 de votos (51,18%) frente a Freitas do Amaral. Na reeleição, em 1991, 3.459.521 eleitores votaram em Soares, que venceu com expressivos 70,35%, uma percentagem que ainda hoje figura como a maior já registrada nas eleições portuguesas.

Antônio Ramalho Eanes também foi reeleito com mais de 3 milhões de votos (3.262.520, ou 56,44%) em 1980, enquanto Jorge Sampaio recebeu 3.035.056 milhões de votos (53,91%) na sua primeira eleição, em 1996.

Esta foi a 11ª vez que os portugueses foram às urnas escolher o presidente da República durante períodos democráticos, desde 1976.

Eleito em 2016, o atual residente de Portugal é Marcelo Rebelo de Sousa, que termina o seu mandato em março de 2026.

Desde 1976, foram eleitos António Ramalho Eanes (1976-1986), Mário Soares (1986-1996), Jorge Sampaio (1996-2006), Cavaco Silva (2006-2016) e Marcelo Rebelo de Sousa (2016-2026).

 

*Com informações da Agência Lusa


Fonte: Agência Brasil de Noticias

Como matar uma mulher sem deixar rastros?

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“Como matar uma mulher sem deixar rastros?”

Essa pergunta foi feita ao Google 163 milhões de vezes em 2025, segundo dados do Anuário de Segurança Pública.

Pasmem!

O choque é ainda maior quando, conforme outros dados divulgados pelo IBGE, tomamos consciência que a população estimada do Brasil nesse mesmo ano é de 213,4 milhões de habitantes. É como se somente 50, 4 milhões de brasileiros não estivessem interessados em matar uma mulher sem deixar rastros.

É curioso, ou trágico, como o Brasil conseguiu transformar o feminicídio em culpa da vítima. A mulher morre e o que fica é a manchete: Uma mulher foi morta… NÃO! O texto deveria estar na voz ativa: Um homem matou mais uma mulher.

Um homem que assassinou uma mulher porque possui um ódio bem treinado, um ressentimento disciplinado, uma pedagogia da posse que começa no berço, passa pela igreja, pela escola, pela mesa do bar, pela mesa do jantar, pela mesa de decisões, todas, historicamente, sem mulheres.

Esta semana, o presidente da República sancionou o Pacto Nacional de Prevenção à Violência contra as Mulheres. Um pacto. Uma palavra bonita, solene, quase romântica, se não fosse trágica. Um pacto para que mulheres não sejam mortas por quem diz amá-las. Um pacto para que o óbvio, “não mate mulheres”, precise ser transformado em política pública, orçamento, campanha educativa, capacitação de profissionais, monitoramento de risco, botão do pânico, casa-abrigo, medida protetiva, tornozeleira eletrônica, disque-denúncia, fila prioritária, estatística, relatório, plano, comissão, grupo de trabalho, audiência pública, nota de repúdio, luto oficial.

O pacto é necessário. Urgente. Fundamental. Mas também é sintoma. Sintoma de uma sociedade que ainda não conseguiu ensinar seus homens que amor não é posse, que cuidado não é controle, que ciúme não é zelo, que “quem ama não mata” não é slogan, é regra básica de convivência humana.

Enquanto isso, seguimos assistindo ao teatro da heterossexualidade, esse grande espetáculo onde homens performam virilidade, poder, força, domínio e mulheres performam paciência, tolerância, resiliência, silêncio.

Segundo a filósofa americana Marilyn Frye:

“Dizer que um homem é heterossexual implica somente no fato de que ele mantém relações sexuais exclusivamente com o sexo oposto, ou seja, mulheres. Tudo ou quase tudo que diz respeito ao amor, a maioria dos homens heterossexuais reservam exclusivamente para outros homens. As pessoas que eles admiram, respeitam, adoram, reverenciam, a quem honram, imitam, idolatram e formam profundos vínculos, a quem estão dispostos a ensinar e com quem estão dispostos a aprender, e cujo respeito, admiração, reconhecimento, honra, reverência e amor eles desejam, essas são, esmagadoramente, outros homens. Nas suas relações com as mulheres, o que passa por respeito é bondade, generosidade ou paternalismo, o que passa por honra é a remoção do pedestal. Das mulheres querem devoção, serviço e sexo.’’

Trocando em miúdos: homens se amam entre si. A nós, mulheres, resta o papel de serviçais emocionais, sexuais, domésticas, espirituais. Querem de nós devoção, serviço e sexo. Amor mesmo, guardam para os amigos, os chefes, os líderes, os “irmãos”.

Talvez por isso matem com tanta facilidade. Porque não amam. Possuem.

E não, não me venham com a desculpa do álcool, da droga, da crise financeira, da infância difícil, do desemprego, da traição, do ciúme, do “surto”. A violência contra a mulher não é um desvio individual: é um projeto social. É uma estrutura. É uma pedagogia. É uma política não declarada, mas eficaz.

Enquanto isso, seguimos ensinando nossas meninas a atravessar a rua mais rápido à noite, a não usar tal roupa, a não olhar nos olhos, a não provocar, a não confiar, a não ir sozinha, a não rir alto, a não existir demais. E seguimos ensinando nossos meninos a não chorar, a não pedir ajuda, a não demonstrar afeto, a não perder, a não recuar, a não ouvir, a não respeitar, a não aceitar não como resposta.

O pacto sancionado esta semana não é um favor às mulheres. É uma dívida histórica. É o mínimo. É o Estado, finalmente, reconhecendo que o problema não está na mulher que denuncia, mas no homem que agride. Que o problema não é a mulher que “escolheu mal”, mas uma sociedade que educa mal. Que o problema não é a mulher que “não saiu a tempo”, mas um sistema que não oferece saída, abrigo, proteção, renda, autonomia, rede de apoio.

E aqui faço questão de registrar: não basta proteger mulheres depois da violência. É preciso impedir que ela aconteça. É preciso agir antes do primeiro tapa, antes da primeira ameaça, antes da primeira humilhação, antes do primeiro controle, antes da primeira chantagem emocional, antes da primeira “brincadeira” que dói, antes da primeira porta batida, antes do primeiro “se você me deixar, eu te mato”.

Mas vamos ser honestas: não adianta esse pacto sancionado sem pacto social. Não adianta lei sem mudança cultural. Não adianta política pública sem revisão profunda das masculinidades. Não adianta tornozeleira se o tornozelo continua acreditando que o corpo da mulher é propriedade privada.

E, sim, eu vou debochar. Porque às vezes só o deboche dá conta do absurdo. Vamos fingir, por um minuto, que o problema é a mulher. Que ela fala demais, que ela provoca, que ela trai, que ela não sabe se comportar, que ela não respeita o homem, que ela quer direitos demais, que ela quer igualdade demais, que ela quer viver demais. Vamos fingir que o problema não é um sistema inteiro que ensina homens a odiar mulheres com flores, músicas românticas, pedidos de casamento ajoelhados e promessas de “até que a morte nos separe”, (e, às vezes, separam mesmo, e quase sempre, quem morre é ela).

O pacto é uma tentativa de romper esse ciclo. De interromper essa herança de violência passada de pai para filho, de avô para neto, de tio para sobrinho, de vizinho para vizinho, de pastor para fiel, de professor para aluno, de chefe para funcionária, de namorado para namorada, de marido para esposa, de ex para ex.

Mas não nos iludamos: o pacto não é varinha mágica. Ele não vai impedir que amanhã, em alguma casa, em algum bairro, em alguma cidade, uma mulher seja espancada, estuprada, esfaqueada, enforcada, queimada, jogada da janela, enterrada no quintal, esquecida na estatística. O pacto não ressuscita ninguém. Ele apenas tenta impedir a próxima morte.

“Isso já é muito” – dirão. Mas ainda é pouco.

Porque o que precisamos, de fato, é um pacto com a vida das mulheres. Um pacto que comece na infância, passe pela escola, pela família, pela mídia, pelas igrejas, pelos bares, pelos estádios, pelos tribunais, pelos palácios, pelas casas, pelos quartos, pelas camas. Um pacto que diga, sem rodeios: mulher não é coisa, não é prêmio, não é posse, não é propriedade, não é extensão do ego masculino, não é depósito de frustrações, não é saco de pancadas emocional, não é alvo de ódio mascarado de amor.

Enquanto isso não acontece, seguimos enterrando mulheres. Seguimos velando corpos. Seguimos escrevendo colunas. Seguimos contando números. Seguimos nomeando vítimas. Seguimos perguntando “por quê?”. Seguimos respondendo “por causa do machismo”. Seguimos vivendo como se isso fosse natural. Seguimos indo trabalhar no dia seguinte. Seguimos.

Mas não deveríamos seguir assim.

Talvez o pacto seja o começo de uma interrupção. Um ponto fora da curva. Uma tentativa de romper a repetição. Uma fresta. Uma rachadura nesse muro grosso que separa o discurso da prática, a lei da vida, o direito da realidade, a proteção do abandono.

E, se você chegou até aqui pensando “isso não é comigo”, sinto informar: é. Porque o feminicídio não começa no soco. Começa na piada. No silêncio. Na conivência. No “não é bem assim”. No “tem dois lados”. No “mas ele era tão bom rapaz”. No “ela também provocava”. No “não sabemos o que aconteceu entre quatro paredes”. No “mas ela é louca por ele”.

A pergunta acessada 163 milhões de vezes “como matar uma mulher sem deixar rastros?” permite escancarar uma realidade tão absurda, tão chocante, revela uma face tão sombria sobre como a sociedade machista, patriarcal e misógina vê e trata todas as mulheridades, que me faz pensar sobre como nós, mulheres, resistimos a tudo isso, vivendo tão ameaçadas?

Que o pacto recém-sancionado não seja apenas mais um papel bonito em uma gaveta feia. Que seja instrumento, ferramenta, escudo, espada, rede, abrigo, farol. Que seja, sobretudo, um compromisso real com a vida das mulheres.

Porque nós já fizemos pactos demais com a morte.

E, francamente, está na hora de quebrá-los.

Fonte: saibamais.jor.br