Início Site Página 81

Livro trata de escravidão nos EUA com ponto de vista dos escravizados

0

O jornalista Rafael Cardoso lançou nesta semana no Rio de Janeiro o livro Autobiografias de escravizados: Frederick Douglass, William Grimes e abolicionismo nos Estados Unidos, editora Dialética.

Fruto do mestrado em história na Universidade Federal do Estado do Rio (UNIRIO), a publicação faz o caminho inverso das investigações mais comuns nas ciências sociais: em vez de um brasilianista norte-americano estar pesquisando sobre o Brasil, é um estudioso brasileiro que observa os Estados Unidos.
 


Rio de Janeiro (RJ), 06/02/2026 – O jornalista da EBC Rafael de Carvalho Cardoso lança o livro Autobiografias de Escravizados – Frederick Douglass, William Grimes e abolicionismo nos Estados Unidos, pela editora Dialética. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 06/02/2026 – O jornalista da EBC Rafael de Carvalho Cardoso lança o livro Autobiografias de Escravizados – Frederick Douglass, William Grimes e abolicionismo nos Estados Unidos, pela editora Dialética. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Rafael de Carvalho Cardoso lança o livro Autobiografias de Escravizados – Frederick Douglass, William Grimes e abolicionismo nos Estados Unidos, pela editora Dialética – Fernando Frazão/Agência Brasil

“A gente não pode limitar o nosso olhar só para o que é mais próximo”, recomenda Cardoso ao explicar o interesse pela escravidão em outro país.

Entre as diferenças que marcam a história do Brasil e dos Estados Unidos, o mestre em história e repórter da Agência Brasil observa a disponibilidade de material de pesquisa: centenas de relatos escritos de pessoas que fugiram do sul escravista dos EUA para o norte abolicionista do país.

“Nós não tivemos no Brasil esse tipo de texto, de narrativa em primeira pessoa”, observa.

Sem relatos escritos por escravizados, grande maioria analfabeta no Brasil, os historiadores brasileiros recompuseram a história sobre essas pessoas com documentos de cartório, certidões de batismo e fontes gerenciais dos lugares onde eram explorados.

A única exceção no Brasil, lembra Rafael Cardoso, é a Biografia de Mahommah Gardo Baquaqua, um homem nascido no atual Benim (1824), que foi levado para o trabalho escravo em Olinda (Pernambuco) e depois revendido para um proprietário no Rio de Janeiro, de onde partiu em navio que levava café para Nova York, onde foi posto em liberdade.

Douglass e Grimes

Cardoso escolheu como personagens da pesquisa dois homens “da segunda ou terceira geração de escravizados nos Estados Unidos”: o líder abolicionista Frederick Douglass (1818-1985), e o barbeiro William Grimes (1784-1865). Ambos publicaram duas autobiografias. Grimes em 1825 e 1855; e Douglass em 1845 e 1855.

No intervalo de 30 anos que existe entre as autobiografias, Rafael Cardoso observa mudanças sociais nos Estados Unidos escravista a partir do que descreveram os dois autores.

Nas experiências individuais, o historiador enxerga como eram os lugares onde viveram, laços familiares, relações sociais, e contexto político – “como tudo isso é capaz de influenciar na vida do sujeito e na forma como ele quer se colocar assim no mundo.”

Para o historiador de cariz marxista-gramsciano, “influências estruturais, econômicas e sociais condicionam nossas escolhas, limitam as nossas escolhas e possibilidades de vida.”

Vivendo do ofício de apurar e reportar pautas sociais e sobre o meio ambiente para a Agência Brasil, Rafael Cardoso diz acreditar que estudar história calibra “a visão crítica e analítica” da realidade – recursos habituais para o seu trabalho como repórter.

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Em defesa da Mostra de cantautores

0

Por Esso Alencar

No ano passado, no último semestre, a música (Autoral) potiguar passou por uma experiência um tanto atípica: estrelou o palco do principal teatro público da capital com uma temporada onde quem brilhou foram seus próprios artistas (cantores, compositores, intérpretes, instrumentistas etc).

O êxito foi total! Não tem embora. Não tem senões.

Todas as edições da Mostra de Cantautores da Música Potiguar transcorreram dentro de um esquema profissional, com cachês, pontualidade, direitos autorais, excelência artística e até público. Pois é!

A proeza se deu a partir de uma provocação feita pela Rede Potiguar de Música (RPM), uma entidade informal que foi criada há década e meia em Natal/RN, que luta com todas as forças para que justamente ações dessa natureza venham a consolidar a estruturação de uma política pública para o segmento – no caso, após a intervenção da Rede feita com o festival de duetos na mostra coletiva “Rede Potiguar dá Música” (Oito da Noite), realizada em 1º de agosto de 2024.

A partir dali, com a adesão da Fundação José Augusto (TAM) e a parceria do Teatro Alberto Maranhão (TAM), foram se somando outros vários esforços através do Núcleo de Produção Cultural Cooperada, que redundou na concretização da Mostra no ano passado, composta de seis edições (julho a dezembro/2025).

Encerrada em meados do último mês do ano passado com o decano de nossas canções, Mirabô Dantas, em bela tabela com a cantautora Sílvia Sol, a Mostra de Cantautores marcou um golaço, com música feita por nós, tocada por nós, aclamada por nós, instigada pelo coletivo que tornou possível a viabilização dessa rica programação oferecida como um aperitivo do que pode ser feito para que um programa dessa natureza não deixe de existir jamais em nossa cidade, se inserindo no calendário cultural anualmente.

Sim!, Há o dilema da questão do público: o discurso é o de que a população não prestigia sua própria produção musical, diferentemente de outros tantos lugares, até próximos a nós. Mas não é bem assim. É mais correto afirmarmos que são poucas as oportunidades em que a comunidade é estimulada a este encontro, principalmente quando se trata de música autoral, apresentada em palcos profissionais e com acesso facilitado. Para a Mostra, conseguimos trazer a cada edição um grande contingente de alunos da rede pública de ensino, o que atendeu perfeitamente a um de nossos propósitos, que é o de alcançar uma melhor e maior interlocução com o campo da educação, contribuindo com o processo formativo dos estudantes e também lhes abrindo a chance de conhecer melhor nosso repertório.

Além do que, fica a pergunta: como você vai gostar de algo que nunca experimentou? Praticamente todo o universo escolar que mobilizamos sequer sabia onde o teatro ficava, jamais havia entrado num, nunca havia sequer ouvido falar de nenhum dos artistas a que foi ver, …  entendem?

Tem muitos mais aspectos significativos que podem ser elencados e discutidos acerca de uma ação como essa, praticamente inédita em sua concepção para os padrões potiguares (autoralidade, intergeracionalidade etc), mas o que mais importa nesse momento é a defesa de sua manutenção dentro da vida cultural da capital, se tornando modelo para que possa se expandir para além daqui, em outros municípios da região metropolitana, ao menos. Não há justificativa plausível para que um programa dessa natureza nunca tenha existido antes e também para que de agora em diante não seja mantido como uma política permanente de estímulo à produção musical autoral potiguar, contribuindo para valorizar a riqueza de nossa diversidade sonora e divulgando melhor o que fazemos. É dever dos poderes públicos.

O referido é verdade e dou fé.

Saiba mais sobre a Mostra de Cantautores da Música Potiguar:

www.redepotiguardemusica.blogspot.com

Esso Alencar é cantor, compositor e ativista cultural potiguar

Y:\Documents\FEL\FEL – Firma do Estábulo das Letras\Produções\RN\RPM\2025\Mostra de Cantautores Música Potiguar\fotos\lançamento

JORNAL RÁDIO RURAL

Fonte: saibamais.jor.br

Samba-enredo é um grande enunciado político, diz sociólogo

0

O avanço da democracia no Brasil ao longo do Século 20 foi sinuoso e não se deu como a evolução firme de um desfile bem ensaiado de carnaval.

Entre essas idas e vindas, carnavalescos, compositores e membros das escolas de samba foram vigiados, censurados e até presos pelas forças de repressão que atuaram até depois da volta dos civis ao poder. Contra as pessoas pretas que faziam e fazem o carnaval do Rio, ainda pesou o racismo.

A luta nessa trincheira política é o tema de pesquisa do sociólogo Rodrigo Antonio Reduzino, que defende neste ano a tese de doutorado Enredos da Liberdade: o grito das Escolas de Samba pela Democracia, no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O trabalho acadêmico trata dos enredos das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro ao longo da década de 1980, quando tem fim a ditadura militar (1964-1985).

A análise dos sambas atravessa a campanha pelas Diretas Já (1984) e vai até a eleição de Fernando Collor à Presidência da República (1989). O trabalho do sociólogo serviu de base para o documentário Enredos da Liberdade, disponível em cinco episódios em ambiente streaming (Globoplay).

Além de pesquisador acadêmico, Reduzino trabalha na Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro e no Departamento Cultural da Mangueira. A seguir trechos da entrevista que ele concedeu à Agência Brasil para o programa Roda de Samba, feito em parceria com a Rádio Nacional.

 


Rio de Janeiro (RJ), 05/03/2025 – Acadêmicos do Grande Rio desfila no terceiro dia de carnaval do grupo Especial na Marquês de Sapucaí, na região central do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 05/03/2025 – Acadêmicos do Grande Rio desfila no terceiro dia de carnaval do grupo Especial na Marquês de Sapucaí, na região central do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Acadêmicos do Grande Rio desfila no terceiro dia de carnaval do grupo Especial na Marquês de Sapucaí, na região central do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Confira a entrevista

Agência Brasil: Quando se fala em resistência na música popular à ditadura militar, imediatamente se pensa em nomes da chamada MPB. Pouco se fala do papel das escolas de samba nos anos de chumbo. Por quê?

Rodrigo Reduzino: A gente precisa fazer um exercício de reflexão para poder entender porque, em determinados assuntos dentro do processo social, sempre temos setores, segmentos ou mesmo pessoas que se acham guardiões de determinado tema.

Vivemos em uma sociedade historicamente estruturada pelo racismo, e uma das dimensões dele é o apagamento da palavra, da intelectualidade e da humanidade. [Mas] a escola de samba, por meio do samba-enredo, também pode falar e provocar. O samba-enredo é um grande enunciado político.

Quando observamos enredos dos anos 1980 fazendo críticas à ditadura, não podemos olhar para isso como fosse um desfile de uma hora ou de uma hora e meia. Na verdade, o processo de criação levou seis meses, talvez um ano, dentro da comunidade. Então, quando vemos uma escola de samba fazendo crítica à tortura ou gritando ‘liberdade’ em pleno regime ditatorial, há um processo político muito mais alargado.

Agência Brasil: O que a repressão contra as escolas de samba adiciona na violência do Estado às camadas populares?

Rodrigo Reduzino: Eu imagino que possa haver por parte do aparelho repressor do Estado um resíduo a mais de violência contra as camadas populares, contra a população negra, contra a população periférica e, também, contra quem é envolvido com o samba.

Samba é uma expressão de cultura negra na sociedade brasileira, que historicamente reproduz e mantém sua estrutura racista. Não podemos esquecer os processos históricos. Não podemos esquecer o Código de Vadiagem [Art. 59 do Decreto-Lei 3.688/1941, a Lei das Contravenções Penais].

Agência Brasil: A polícia usava esse código para associar uma pessoa negra com instrumento musical e vadiagem?

Rodrigo Reduzino: Se você não estivesse com sua carteira de trabalho, poderia ser autuado e levado para delegacia.

Agência Brasil: Uma associação com a criminalidade, ou pelo menos com a contravenção, é sempre feita entre escolas de samba e banqueiros do bicho.

Rodrigo Reduzino: A gente começa a ter, justamente na ditadura militar, os chamados mecenas do jogo de bicho dentro das escolas de samba. Isso não é à toa. O jogo do bicho é do final do Século 19, mas a ideia desse empresariado mecenas, com visibilidade, é do período da ditadura. E é o mesmo bicheiro que toma champanhe dentro dos gabinetes com generais ou dentro do Palácio da Guanabara [sede do governo do Rio de Janeiro].

Agência Brasil: No documentário Enredos da Liberdade, há imagens de políticos com bicheiros, e há caso de bicheiro que já foi militar.

Rodrigo Reduzino: Isso é fato. Mas quando se fala em bicheiro, em contravenção, se responsabiliza a escola de samba, como se a escola de samba tivesse inventado os bicheiros. Esses bicheiros estão dialogando com o poder público e circulam no espaço do poder público.

Agência Brasil: Voltando na conversa, você disse que o samba é uma expressão de cultura negra. Durante a ditadura anterior a dos militares, a do Estado Novo (1937-1945), se constrói a ideia de que o samba é cultura brasileira, e essa formulação já foi defendida como “uma evidência da nossa democracia racial”.

Rodrigo Reduzino: O ideário do Brasil como uma democracia racial, forjado intelectualmente por uma parte da elite brasileira, é um dos pilares da estrutura racista. E não há nada mais violento do que negar a própria realidade. 80% dos jovens mortos a bala são negros. A maioria das mulheres que sofrem com violência obstétrica em hospitais públicos são negras. Quando se reforça o mito da democracia racial, está sendo dito que essas contradições da realidade não importam. Mantém como está, finge que está tudo bem, e a gente permanece nesse paraíso que inventaram a custo da existência do outro.

 


Rio de Janeiro (RJ), 04/03/2025 – Paraíso do Tuiuti desfila no terceiro dia de carnaval do grupo Especial na Marquês de Sapucaí, na região central do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 04/03/2025 – Paraíso do Tuiuti desfila no terceiro dia de carnaval do grupo Especial na Marquês de Sapucaí, na região central do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Paraíso do Tuiuti desfila no terceiro dia de carnaval do grupo Especial na Marquês de Sapucaí, na região central do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil 

Agência Brasil: Mas o mito da democracia racial também é cantado em samba.

Rodrigo Reduzino: Cantada em samba, em elegia, a esse grande Brasil. Mas se a gente olhar para dentro dos arquivos do Dops [Departamento de Ordem Política e Social] foram fichadas pessoas que discutiam relações raciais, como aconteceu com [a filósofa e antropóloga negra] Lélia González [1935 a 1964] e com [o sociólogo e jornalista negro] Clóvis Moura [1925 a 2003], assim como quem era do movimento cultural de expressão de cultura negra, como as escolas de samba, porque criticam a ideia de democracia racial.

Agência Brasil: Há a crítica de que muitos enredos de desfiles de carnaval do passado foram baseados na historiografia oficial, e que assim as escolas de samba teriam contribuído para uma certa alienação do processo histórico.

Rodrigo Reduzino: Uma das formas de tornar menor o que você produz é te rotular, estigmatizar, classificar, categorizar e te pôr à margem. Quando falamos em história oficial ou historiografia oficial, essa está sendo contada por uma elite acadêmica. Não surge do nada. Nós estamos falando de uma memória oficial. Ela é forjada, ela é incorporada pelo Estado brasileiro.

Tem sujeito produzindo isso [historiografia oficial], tem muito investimento para produzir isso. Mas só vai parecer que é alienação na escola de samba? Na academia não é alienação? As instituições que forjaram e elaboraram essa oficialidade não são questionadas de alienação. E, para a escola de samba, sobra um corte que é bem mais pesado, que é atrelar esse processo de alienação com um processo de apoio à ditadura.

Mas se considerarmos a década de 1970, e olharmos todos os enredos, mapeamos quatro enredos em um total de 140 que vão fazer elegia ou ser ufanista com o dito grande Brasil do período da ditadura militar.  Esses quatro enredos estão circunscritos a três escolas. Da onde sai essa ideia de escola de samba adesista à ditadura? É uma forma de estigmatizar.

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Economia e eleições presidenciais

0

Em todos os períodos que antecedem as eleições presidenciais, há discussões sobre o papel central da economia nesse processo. Se a economia do país vai bem, em situações de reeleição, como é o caso de Lula em 2026, as chances se ampliam.

Se não é o único, certamente é um dos fatores relevantes para o aumento ou a perda de competitividade eleitoral, como têm demonstrado diversos estudos fundamentados em ampla base de dados.

No cenário atual, depois de quatro anos de um governo que atuou no sentido do desmonte do Estado e das políticas públicas, no qual houve uma pandemia devastadora e uma desastrosa atuação governamental, que se estendeu para outras áreas, como educação, cultura, ciência e tecnologia, meio ambiente, política externa etc., associada ao crescimento da inflação, congelamento de salários e aumento do endividamento das famílias, especialmente das de baixa renda, freando o consumo, certamente houve impacto significativo na popularidade do então presidente, que perdeu a eleição em 2022.

Diferente do cenário eleitoral de 2022, o ano de 2026 se inicia com dados positivos da economia, indicando uma melhoria em relação aos primeiros três anos do governo Lula, com a menor taxa de desemprego da história, aumento da arrecadação, inflação descendente e o PIB crescendo pelo terceiro ano consecutivo, com a perspectiva de crescimento entre 2,5% e 3% em 2026.

Houve também um aumento de investimentos em políticas públicas, a retomada e ampliação de programas relevantes como o Bolsa Família e diversos outros, como Farmácia Popular, Mais Médicos, Reforma Casa Brasil, Agora Tem Especialistas, Plano Safra para a Agricultura Familiar etc.

Além dos programas sociais, e com vigência a partir deste ano, por iniciativa do governo houve a aprovação de um projeto de lei (PL) que isenta do imposto de renda os que ganham até cinco salários mínimos, o que trará benefícios para milhões de pessoas.

Todos esses aspectos relacionados à economia foram e continuarão a ser implementados de acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal, que cria restrições para o aumento de gastos públicos e do endividamento do Estado em anos eleitorais.

A relação entre eleições e economia tem sido objeto de muitos estudos. Uma questão relevante é: qual a importância que os eleitores atribuem ao desempenho da economia no momento de votar? Um artigo muito citado, baseado em extensa pesquisa, foi publicado na revista American Political Science Review (n. 65, p. 131–143) por Gerard H. Kramer, intitulado Short-Term Fluctuations in U.S. Voting Behavior. Nele, o autor sistematiza dados de uma pesquisa na qual analisou os resultados das eleições para a presidência dos Estados Unidos de 1896 a 1964 e argumentou que havia clara evidência da relação entre o desempenho da economia e os resultados eleitorais. Em eleições nas quais os presidentes tentaram a reeleição, se houve redução da renda per capita durante o mandato, por exemplo, isso resultou em menos votos tanto para o presidente quanto para o seu partido no parlamento (senadores e deputados).

Em outro estudo, cujos resultados foram publicados na revista American Journal of Political Science (A Cross-National Analysis of Economic Voting: Taking Account of the Political Context, n. 37, 1993, p. 391–414), e que também é uma das referências nos estudos sobre a relação entre economia e eleições, G. Bingham Powell Jr. e Guy D. Whitten propõem um modelo de análise no qual procuram mostrar que os eleitores sancionam o governo pelo desempenho econômico, desde que identifiquem seus responsáveis. Ter um bom desempenho e ser percebido pela população é de fundamental importância no processo eleitoral.

Ao realizarem uma análise em 19 países (a maioria da Europa), afirmam que, em alguns deles, a responsabilidade pela situação econômica não era tão clara e atribuem essa influência a fatores institucionais. No entanto, era evidente o efeito da economia sobre o desempenho eleitoral, especialmente de candidatos à reeleição, condicionado por uma variável que chamaram de “clareza de responsabilidade” (clarity of responsibility), cujo valor é maior em contextos nos quais o partido ao qual o presidente está filiado não depende de aliados e/ou da cooperação da oposição para governar.

No caso do Brasil, com o chamado presidencialismo de coalizão, constituído após o fim da ditadura militar em 1985, no qual todos os presidentes eleitos precisam de apoio de outros partidos para governar, é necessária uma composição que garanta a governabilidade e evite ficar refém do Congresso Nacional, como ocorreu no governo Bolsonaro, com o Centrão, constituído por partidos de direita e fisiológicos.

No modelo proposto por Powell e Whitten, a responsabilidade pelo desempenho do governo é difusa, pois sua base de sustentação é composta por vários partidos e, assim, pode não ficar claro para o eleitor quem deve ser responsabilizado pelo sucesso ou fracasso das políticas implementadas.

Mas há outros fatores que entram em jogo no processo eleitoral. Nas eleições de 2014 no Brasil, por exemplo, quando Dilma Rousseff venceu mais uma vez, havia baixo crescimento do PIB e do superávit primário, e a inflação chegou a 6,75%. Apesar disso, a taxa de desemprego era baixa — fator muito explorado pela oposição na propaganda eleitoral. No entanto, quando essa oposição chegou ao governo, com o golpe de 2016 e no período seguinte (2019–2022), não houve crescimento do PIB nem redução da taxa de desemprego.

O que havia no governo de Dilma Rousseff eram investimentos em programas sociais importantes, como o Bolsa Família, que atendia mais de 14 milhões de famílias (cerca de 56 milhões de pessoas), além de outros programas, como Bolsa Pesca, beneficiando cerca de um milhão de pescadores; Ciência sem Fronteiras, que beneficiou milhares de jovens oriundos de famílias pobres para estudar no exterior; Bolsa Atleta; Minha Casa, Minha Vida; além de financiamentos para pessoas de baixa renda para a compra de móveis, eletrodomésticos e outros bens de consumo, benefícios para aposentados, pensionistas, desempregados e pessoas com deficiência – reajustados com base no salário mínimo e com valor superior à inflação. Ou seja, são fatores importantes em um processo eleitoral e que não podem ser desconsiderados na intenção de voto.

A queda ou o aumento da popularidade de um presidente da República é resultado de uma combinação de fatores, que dizem respeito tanto à economia – como desemprego e alta da inflação – quanto ao comportamento dos governantes.

Nesse sentido, o comportamento do então presidente da República durante a pandemia certamente foi um dos fatores que impactaram sua popularidade: a não compra de vacinas quando poderia tê-lo feito, as desconfianças em relação à sua eficácia, o não uso de máscaras e o desestímulo ao distanciamento social, a indicação de remédios sem eficácia – o que influenciou parcelas consideráveis da população que não se vacinaram quando finalmente houve a compra de vacinas – , aliados aos desgastes decorrentes de denúncias de corrupção, à adesão ao fisiologismo do Centrão e às críticas às instituições, como o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral, em especial às urnas eletrônicas, com ameaças de não realização das eleições caso não ocorressem como ele desejava, quando as pesquisas indicavam que poderia perder a eleição, como de fato aconteceu.

Para o campo democrático e popular, há grandes desafios nas eleições de 2026, como a continuidade do governo Lula, ampliando o protagonismo do Estado no sentido de criar mais empregos, manter o controle da inflação, fortalecer programas de transferência de renda, promover aumento salarial e, fundamentalmente, reduzir as desigualdades, com políticas sociais que levaram milhões de brasileiros a sair da miséria e reduziram a pobreza, como expressa a saída do país do Mapa da Fome.

Há ainda desafios como a aprovação do fim da escala 6×1, o projeto de segurança pública e a regulação do trabalho por aplicativos.

Enfim, manter o crescimento econômico – fundamental para o aumento da oferta de empregos -, políticas sociais que tragam benefícios reais, principalmente aos que mais necessitam, o controle da inflação e, como afirmou o presidente Lula, “reafirmar o compromisso de fazer do Brasil um país mais justo, com mais investimentos e menos desigualdades, para que todos possam viver com dignidade, moradia, saúde, educação, segurança, cultura e comida de qualidade na mesa”.

Fonte: saibamais.jor.br

Pesquisa vê contradição entre planejamento e mudanças climáticas em Natal

0
Rogério Marinho usa expressão racista em ato bolsonarista e ataca STF em Brasília
Na Avenida Paulista, manifestação reunião pouco mais de 20 mil pessoas, segundo dados do Monitor do Debate Político. Foto: Reprodução

Não é de hoje que cientistas e pesquisadores alertam para o impacto das mudanças climáticas, assim como também não é nova a postura de alguns gestores que fazem “ouvido de mercador” e ignoram a ciência em suas decisões administrativas. O resultado é o descompasso entre a gestão e a realidade imposta pelo meio ambiente. Esse tipo de conflito também foi observado em Natal, onde pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) se debruçaram sobre a área de Ponta Negra. O estudo resultou num artigo publicado na edição de dezembro da Revista Brasileira de Direito Urbanístico. Entre os problemas identificados pelos cientistas está a elevação do nível do mar e a intensificação do processo de erosão.

O trabalho resume a atuação do Fórum Direito à Cidade e faz parte do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Klimapolis. Nele, os pesquisadores Sarah de Andrade, Ruth Ataíde e Venerando Amaro relatam que a costa brasileira já sofre com o aumento da erosão, inundações e deslizamentos, fenômenos que atingem de forma desproporcional as populações mais vulneráveis e as áreas periféricas, gerando um quadro de injustiça climática. Em Natal, o problema seria agravado com o modelo de urbanização adotado, que prioriza as demandas do mercado imobiliário em detrimento do meio ambiente.

Temos o incremento do potencial construtivo na cidade como um todo. Já sabemos dos gargalos de infraestrutura que existem, sobretudo em relação à drenagem, então, por que estamos sempre pensando em construir mais e construir com coeficientes que privilegiam mais taxas de impermeabilização do solo em detrimento de espaços que privilegiem mais área livre, permeável, verde porque isso privilegia a sensação térmica e a drenagem urbana? Nada disso é levado em consideração, a construção desse espaço social de qualidade e mais resiliente para o enfrentamento das mudanças climáticas e sim o que dá mais lucro para a indústria da construção civil”, avalia Sarah Andrade.

Segundo o professor de Engenharia Civil e Ambiental da UFRN, Venerando Amaro, os pesquisadores buscaram uma representação que fosse o microcosmo da polêmica de conflitos entre a questão das mudanças climáticas e também da gestão territorial urbana, que passa pelo Plano Diretor:

 “Trabalhamos na Vila e na Orla com essa visão de selecionar os elementos mais impactantes. Sarah traz essa perspectiva, tanto das questões do Plano Diretor, como ela diz, nós não teos um Plano Diretor que seja apropriado, apesar de falar das mudanças climáticas, não temos a aplicação disso a prática através das decisões do Executivo quanto a aprovação disso pelo Legislativo, estamos em conflito absurdo. Quando vamos para a orla isso fica bem evidente”, explica o pesquisador, que também coordena o Laboratório de Geotecnologias Aplicadas Modelagem Costeira e Oceânica (GNOMO).

O grupo ainda cita como exemplo de contradição o Plano Diretor de Natal de 2022, que embora preveja a importância do Plano Municipal para Mudanças Climáticas, aprova regras que intensificam a ocupação da orla:

Ao mesmo tempo que o Plano Diretor reconhece as necessidades da cidade para adaptar às mudanças do clima, continua reproduzindo um padrão de uso e ocupação do espaço que privilegia esse modelo de urbanização de construir mais, mais alto, com mais áreas impermeáveis e isso para ficar apenas nessa temática da drenagem, que é um gargalo. Do ponto de vista da paisagem e da relação das pessoas com o lugar, ainda temos a questão do aumento do gabarito na orla, que traz uma repercussão na infraestrutura em si, mas também na construção da identidade do local”, critica Sarah Andrade.

Mudanças no Plano Diretor fragilizaram proteção ambiental

O Plano Diretor de Natal foi criado em 1984 e passou por revisões, como nos anos de 1994, 2007 e 2022. Na mais recente, foram feitas alterações que fragilizaram a proteção ao meio ambiente. Entre as alterações previstas no projeto está a mudança no gabarito da cidade, o que permite construções de prédios com até 140 metros de altura, quando a altura máxima era de 90 metros.

A forma de gestão deveria se basear efetivamente na ciência para construir esses parâmetros urbanísticos que vão guiar o modelo de urbanização da cidade daqui para a frente. Se continuarmos repetindo o modelo que nos trouxe até aqui, não estaremos falando de resiliência e enfrentamento de mudanças climáticas, estaremos falando do mesmo padrão de uso e ocupação do solo”, observa a pesquisadora da UFRN.

O estudo também cita o modelo adotado na engorda (aterro hidráulico) da Praia de Ponta Negra, área nobre da Zona Sul de Natal, e critica a falta de escuta no processo da obra. Para lidar com todas essas contradições, os pesquisadores propõem uma nova forma de gestão, mais participativa.

Ouvir a ciência é também ouvir as comunidades, sobretudo as que estão numa situação de injustiça climática mais evidente, as que já estão sofrendo as primeiras consequências dos eventos extremos, aquelas pessoas que estão às margens de rios, junto à orla, que dependem do ambiente para a subsistência, como os pescadores artesanais. O que propomos no ‘Experimento de Mundo Real’ é esse diálogo para a construção conjunta de soluções, ouvindo cientistas, a gestão e as comunidades com a contribuição desse tripé e não com o privilégio apenas de uma dessas visões”, sugere Sarah Andrade.

Fonte: saibamais.jor.br

TV Brasil exibe Paysandu x Remo neste domingo, às 16h50

0

Neste domingo (8), a TV Brasil transmite o maior clássico da região Norte do Brasil, o Re-Pa. A partida entre Paysandu e Remo, válida pela quarta rodada do Campeonato Paraense 2026, vai ao ar para todo o país com sinal gerado pela emissora TV Cultura do Pará, parceira da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP).  

A jornada esportiva da emissora inicia às 16h50, preparando a audiência para o rolar da bola que acontece às 17h, direto do Estádio Estadual Jornalista Edgar Proença, o Mangueirão, em Belém (PA). O Paysandu recebe o Clube do Remo pressionado. 

Enquanto o Leão chega como líder invicto da competição, o Papão busca a reabilitação após a derrota diante do Tuna Luso na última rodada. 

Sobre o Campeonato Paraense  

O campeonato é composto por 12 equipes divididas em dois grupos, em que os times de uma chave enfrentam os da outra em turno único, no sistema de pontos corridos. A classificação é contabilizada em uma tabela geral, da qual os oito melhores avançam para a próxima fase, enquanto os dois últimos são rebaixados. Caso haja empate na pontuação durante essa etapa, o desempate segue a ordem de mais vitórias, saldo de gols, gols marcados, menor número de cartões vermelhos, menor número de amarelos e, por fim, sorteio. 

As quartas de final e as semifinais são decididas em jogos únicos, com disputa de pênaltis em caso de empate no tempo normal. Já a final é a única etapa disputada em partidas de ida e volta, em que o título é definido pelo saldo de gols nos dois confrontos ou, se necessário, pelas penalidades máximas. 

Participam da edição de 2026 do Campeonato Paraense os times Remo, Paysandu, Tuna Luso, Águia de Marabá, Bragantino-PA, Cametá, Capitão Poço, Castanhal, Santa Rosa, São Francisco-PA, São Raimundo-PA e Amazônia Independente. 

Jornada esportiva da TV Brasil em 2026  

Além do Campeonato Paraense, a TV Brasil, emissora pública da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), também exibe jogos de outros três campeonatos estaduais de futebol. Estão confirmados na programação os confrontos pela disputa dos Campeonatos Baiano, Capixaba, Cearense e Paraense.  

As transmissões na telinha para todo o país serão geradas a partir das emissoras parceiras que integram a Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP). A cobertura das partidas nos estádios, a narração e os comentários serão realizados pelas equipes dos canais dos estados: TVE Bahia, TV Cultura do Pará, TVE Espírito Santo e TV Ceará.  

Ao vivo e on demand   

Acompanhe a programação da TV Brasil pelo canal aberto, TV por assinatura e parabólica. Sintonize: 

Seus programas favoritos estão no TV Brasil Play, pelo site  por aplicativo no smartphone. O app pode ser baixado gratuitamente e está disponível para Android e iOS. Assista também pela WebTV: 

TV Brasil na internet e nas redes sociais  

Site – https://tvbrasil.ebc.com.br  
Instagram – https://www.instagram.com/tvbrasil  
YouTube – https://www.youtube.com/tvbrasil  
X – https://x.com/TVBrasil  
Facebook – https://www.facebook.com/tvbrasil  
TikTok – https://www.tiktok.com/@tvbrasil  
TV Brasil Play – 



Fonte: Agência Brasil de Noticias

Jovem potiguar relata a rotina e os desafios na maior escola de cinema de Cuba

0

“Vai pra Cuba”? O potiguar Felipe Rocha, 27, foi. Formado em Audiovisual pela UFRN e mestre em Filosofia pela mesma universidade, Rocha vive no país caribenho desde setembro do ano passado e estuda na Escuela Internacional de Cine y TV (EICTV), uma das mais importantes instituições de formação em audiovisual do mundo. Na ilha, tem uma rotina repleta de aulas e atividades, mas também acompanha alguns dos problemas enfrentados pelo país vítima de embargo dos Estados Unidos.

Rocha conta que sempre quis estudar na Escuela de Cine desde que a conheceu, em 2018. Tentou a seleção em três anos, até finalmente conseguir ser aprovado no ano passado por meio de uma bolsa do governo federal. A instituição nasceu em 1986 tendo o escritor Gabriel García Márquez como um dos criadores, com o apoio do então presidente Fidel Castro. 

A instituição possui desde cursos mais curtos a mais longos, como o feito por Felipe, que deve concluir os estudos em 2028. Ele vai estudar um ano de polivalência, onde vê todas as áreas do cinema, e nos outros dois anos vai se especializar em direção de ficção. Ele diz que a rotina é intensa, com aulas de segunda à sexta, de manhã e de tarde, e eventualmente com tarefas nos finais de semana. Alguns dias, pela noite, os alunos também participam de projeções noturnas na sala Glauber Rocha, nome que homenageia o cineasta brasileiro.

Foto: Arquivo pessoal

“Tende a ser uma imersão muito intensa, porque você tem aula do mesmo conteúdo todos os dias o dia todo e acaba aprendendo bastante sobre cada função num curto período de tempo. Isso sempre vai orientado nos exercícios práticos. Por exemplo, agora eu estou indo para o exercício prático que encerra o semestre, onde todos os estudantes do primeiro ano do regular vão fazer um curta de 3 minutos, vão dirigir, e fazer várias outras funções nos outros. A ideia é que você possa experimentar todas as funções possíveis no cinema”, explica.

O funcionamento da Escuela se assemelha a de um internato, já que os estudantes moram lá dentro em quartos próprios. As refeições são feitas no refeitório da instituição, que também dispõe de serviços médicos básicos. A EICTV foi desenhada para formar e capacitar profissionais de cinema, televisão e vídeo provenientes, majoritariamente, da América Latina e Caribe, África e Ásia, mas com o passar do tempo também se abriu a outras nacionalidades. 

Foto: Arquivo pessoal

Minha turma especificamente tem gente de Honduras, Guatemala, Costa Rica, Brasil, muitas nacionalidades diferentes, mas sobretudo concentrada na América Latina”, diz.

A sede da EICTV fica próxima ao município de San Antonio de los Baños, a menos de 40 km da capital Havana.

Uma das coisas que mais me chamou a atenção aqui foi a possibilidade desse intercâmbio cultural, de notar a diferença, mas sobretudo as semelhanças. Se fala muito dessa identidade coletiva da América Latina, mas experienciar na prática dá uma dimensão maior de como existe algo muito parecido pelo desenvolvimento de cada país, pelo processo de colonização, seja da Espanha, seja de Portugal”, conta Felipe Rocha.

200 brasileiros vivem em Cuba, aponta relatório

O realizador audiovisual diz que, ao final do curso, pretende voltar ao Brasil e fazer cinema em Natal. O relatório mais recente do Ministério das Relações Exteriores, de 2023, apontou que 200 brasileiros viviam em Cuba.

“Eu tô aqui, mas ainda penso muito em meus projetos pessoais. As coisas que eu tenho escrito fora das aulas têm a ver com pensar Natal, a história de Natal. Por questões de trabalho não sei se planejo voltar imediatamente, mas quero voltar e também espero muito que com a oportunidade que eu estou tendo de estudar aqui, eu possa de alguma forma compartilhar o conhecimento adquirido, da forma que for possível, em Natal, que eu acho que está num momento relativamente bom para o cinema, mas que ainda tem muita coisa para desenvolver, e quero muito fazer parte desse desenvolvimento também”, aponta.

Felipe Roca (o primeiro da esquerda) durante as atividades realizadas na escola de cinema – Foto: Arquivo pessoal

Tensão com os EUA

Cuba tem sofrido pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que serão impostas tarifas sobre as importações de países que fornecem petróleo a Cuba. O país vive atualmente com apagões constantes, resultantes não só do bloqueio imposto pelos EUA que impede a ilha de importar petróleo de outros países, mas do embargo americano que já acontece há mais de seis décadas. 

Na EICT, os alunos também sentem os efeitos da crise energética, ainda que em menor grau. Aos finais de semana, os estudantes podem pegar ônibus para ir para o centro de San Antonio de los Baños ou Havana — esse transporte ficou em falta durante uma das semanas, mas depois voltou. 

E aqui a gente também usa o petróleo para um gerador que alimenta a escola quando tem os apagões de energia, então é uma realidade bem diferente e eu diria privilegiada em relação à maioria da população cubana. Eu ainda não saí da escola [no semestre atual], que foi algo que eu fiz bastante no semestre passado, mas já me disseram que está um pouco mais difícil de conseguir táxi para poder sair da escola, de fazer certas coisas, justamente por causa dessa limitação. Está uma situação bem incerta de qual vai ser o futuro disso”, diz.

Fonte: saibamais.jor.br

Classe dominante brasileira entende o Estado como dela, diz Haddad

0

“A classe dominante brasileira entende o Estado como dela, não é uma coisa nossa, é uma coisa dela.” A avaliação é do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que participou de evento, na capital paulista, para lançamento de seu livro Capitalismo Superindustrial. Na ocasião, houve bate-papo com Haddad, Celso Rocha de Barros e mediação de Lilia Schwarcz, no Sesc 14 Bis.

“Eu defendo a tese de que o Estado foi entregue aos fazendeiros como indenização pela abolição da escravidão”, afirmou Haddad. Para contextualizar, ele lembrou que o movimento dos republicanos começou em 14 de maio de 1888 – dia seguinte à assinatura da Lei Áurea -, e um ano depois logrou êxito.

Vitorioso, o movimento republicano “bota pra correr a classe dirigente do país e, no lugar dela, não põe outra coisa senão a classe dominante do país para cuidar do estado como se fosse seu. Nós estamos com esse problema até hoje.”

“Esse ‘acordão’ sob os auspícios das Forças Armadas, quando é colocado em xeque, a reação é imediata. Você não pode tocar nisso, você não pode tocar em nenhuma instância. Por isso que a democracia no Brasil é tão problemática e tão frágil, porque a democracia é a contestação desse status quo. E, quando ela estica a corda, a ruptura institucional pode acontecer”, concluiu o ministro.

 


São Paulo (SP), 07/02/2026 - Lançamento do livro Capitalismo Superindustrial, do ministro da Fazenda Fernando Haddad, pela Companhia das Letras, com Celso Rocha de Barros e mediação de Lilia Schwarcz, no Sesc 14 Bis. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
São Paulo (SP), 07/02/2026 - Lançamento do livro Capitalismo Superindustrial, do ministro da Fazenda Fernando Haddad, pela Companhia das Letras, com Celso Rocha de Barros e mediação de Lilia Schwarcz, no Sesc 14 Bis. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Lançamento do livro Capitalismo Superindustrial, do ministro da Fazenda Fernando Haddad, pela Companhia das Letras, com Celso Rocha de Barros e mediação de Lilia Schwarcz, no Sesc 14 Bis. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil 

Capitalismo superindustrial

Lançado neste sábado, o livro de Haddad discute os processos que levaram ao atual modelo global do que ele chama de capitalismo superindustrial, marcado por desigualdade e competição crescentes. Haddad aborda temas como a acumulação primitiva de capital na chamada periferia do capitalismo, a incorporação do conhecimento como fator de produção e as novas configurações de classe.

Para o ministro, a desigualdade vai continuar aumentando. “A desigualdade, quando o estado mitiga os efeitos do desenvolvimento capitalista e organiza a sociedade em termos de desigualdade moderada, realmente as tensões sociais diminuem muito, é verdade”, disse.

“Mas, deixada à própria sorte, essa dinâmica leva a uma desigualdade absoluta. E quando isso acontece, você não está mais falando de diferença, você está falando de contradição e de processos contraditórios. E eu entendo que nós estamos nesse momento, nessa fase, em que a contradição está se impondo”, acrescentou.

A obra reúne estudos sobre economia política e a natureza do sistema soviético, realizados por Haddad nos anos 1980 e 1990, que foram revisados e ampliados. Com isso, a obra discute também os desafios colocados pela ascensão da China como potência global.

Processos no Oriente

“A ideia toda era tentar entender o que aconteceu no Oriente que podia se encaixar num padrão próprio de acumulação primitiva de capital – que não se confunde nem com a escravidão na América nem com a servidão no Leste Europeu -, mas que, à sua maneira, cada um de um jeito, chegou aos mesmos objetivos”, explicou.

Ele aponta que, ao contrário do que aconteceu no Leste Europeu e na América, as revoluções no Oriente foram antissistêmicas e antiimperialistas. “Ao contrário da escravidão e da servidão, o despotismo e a violência do estado serviram a propósitos industrializantes, o que não aconteceu nem no leste europeu, nem nas américas”, explicou.

“É curioso que, do ponto de vista interno, eram formas ultra violentas e coercitivas de acumulação de capital, mas do ponto de vista externo, tinha uma potência antissistêmica que apaixonava os povos em busca de liberdade e de emancipação nacional, e não de emancipação humana. Ou seja, nós estamos falando, sim, de uma revolução, mas não de uma revolução socialista e isso faz muita diferença”, acrescentou.

Em relação a questionamentos sobre o sucesso ou fracasso dos processos no Oriente, ele avalia que, do ponto de vista do desenvolvimento das forças produtivas e mercantilização da terra, do trabalho e da ciência, houve um avanço dessas sociedades. “Em relação aos ideias que motivaram os líderes revolucionários, aí você pode dizer que não atingiu seus objetivos”, disse, destacando a contradição explicitada nesses processos.

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Justiça decreta prisão de suspeito de matar professora em Porto Velho

0

A justiça decretou, neste sábado (7), a prisão preventiva do suspeito de assassinar a professora e escrivã da Polícia Civil de Rondônia Juliana Mattos Lima Santiago, de 41 anos.

O crime ocorreu na noite dessa sexta-feira (6), dentro de uma sala de aula na Faculdade Metropolitana, na capital Porto Velho.

Juliana chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos causados por golpes de faca. O acusado, João Júnior, é aluno da faculdade e foi preso em flagrante.

Na audiência de custódia, realizada na manhã deste sábado (7), o Ministério Público informou que pediu a prisão preventiva dele como garantia da ordem pública. O MP repudiou o ato classificado como covarde e afirmou que vai atuar com firmeza na apuração do crime.

O Grupo Aparício Carvalho, responsável pela faculdade, manifestou profundo pesar e disse que a violência não apagará o legado da professora, que teve sua trajetória como referência de excelência acadêmica, ética e dignidade.

A Assembleia Legislativa de Rondônia também manifestou indignação com a morte de Juliana e disse que “não é admissível que mulheres continuem sendo vítimas de violência, especialmente em locais destinados à educação, ao diálogo e à construção de futuros”.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa do acusado de matar a professora.

 

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Ivan Baron vai desfilar em escola que homenageia Lula na Sapucaí

0

O influenciador e pré-candidato a deputado estadual, Ivan Baron (MDB), foi convidado para desfilar na escola de samba Acadêmicos de Niterói, que estreia no Grupo Especial do Rio de Janeiro com um enredo em homenagem ao presidente Lula.

A informação foi divulgada pelo próprio Ivan Baron em suas redes sociais. Baron se disse feliz, ansioso e honrado por participar desse momento. A Acadêmicos de Niterói será a primeira agremiação a entrar na Sapucaí em 15 de fevereiro.

“Vai ser além de um ato de homenagem, mas também de reconhecimento a esse homem que fez por milhões de brasileiros e brasileiras. E a turma do ódio que não gostou, pode falar o que quiser, criticar e até tentar censurar, mas isso não vai acontecer, até porque sabemos muito bem que essa mesma turma é a que não suporta cultura e que não aceita a democracia. O carnaval é uma festa legitimamente brasileira, livre e que todos são bem-vindos, desde que venham com muito amor, alegria e inclusão”, disse Ivan Baron.

O enredo escolhido pela escola, “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, exalta a trajetória do atual presidente. Lula deve acompanhar o desfile de um camarote no Sambódromo, e a primeira-dama Rosângela da Silva, a Jana, deve desfilar. Essa será a primeira vez que o atual presidente será tema de um desfile no Grupo Especial do Rio de Janeiro.

O potiguar Ivan Baron ganhou notoriedade nacional pela atuação em defesa dos direitos das pessoas com deficiência e pela subida da rampa do Palácio do Planalto, ao lado de Lula, na posse do presidente em 1º de janeiro de 2023.

Em agosto do ano passado, Baron foi empossado como integrante do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), o chamado “Conselhão da Presidência”.  O colegiado reúne mais de 200 representantes da sociedade civil com o objetivo de assessorar o Governo Federal na formulação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento econômico, social e sustentável do país. A atuação dos conselheiros é voluntária.

Neste ano, o ativista também anunciou a pré-candidatura a deputado estadual. Ele vai disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa pelo MDB.

Fonte: saibamais.jor.br