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PF investiga instituto de previdência de Cajamar por gestão temerária

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A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quarta-feira (13) a Operação Off-Balance. O objetivo é apurar a possível prática de gestão temerária de recursos em Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) no âmbito da autarquia responsável pela previdência social de servidores públicos titulares de cargo efetivo no município de Cajamar (SP).

Em nota, a corporação informou que policiais federais cumprem seis mandados de busca e apreensão nos municípios de Cajamar e Boituva (SP) e também na capital paulista, além de medidas cautelares de afastamento de função pública e de indisponibilidade de bens, expedidas pela 9ª Vara Criminal Federal de São Paulo.

Ainda de acordo com a PF, a investigação teve origem em informações que apontavam possíveis irregularidades na aplicação de cerca de R$ 107 milhões em quatro letras financeiras emitidas por dois bancos privados.

O comunicado não cita os nomes das instituições.

Desde o ano passado, a PF deflagrou uma série de operações que investigam a emissão de letras financeiras irregulares emitidas por instituições ligadas ao Banco Master, como no caso da Rioprevidência e da Amazonprev.

*Colaboraram Pedro Peduzzi e Andreia Verdélio

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Brisa pede instauração de CEI para investigar obra da engorda de Ponta Negra

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“Espelhos d’água” em Ponta Negra são propositais, diz secretário

A vereadora Brisa Bracchi (PT) pediu nesta terça-feira (12) a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar a obra da engorda de Ponta Negra. O requerimento foi apresentado à Mesa Diretora da Câmara Municipal após uma ação do Ministério Público Federal (MPF) e um relatório de auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) que apontaram problemas e falhas na obra.

No documento, a vereadora cita o histórico de avanço contínuo da erosão costeira sobre a principal orla turística de Natal e diz que a recuperação da faixa de areia nunca foi o principal problema.

“A necessidade da obra sempre foi evidente. O grande debate que se consolidou ao longo dos últimos anos dizia respeito à forma apressada, politizada e tecnicamente questionável com que sua execução foi conduzida”, afirma.

Ela afirma que a execução da obra, estimada em mais de R$ 100 milhões em investimentos públicos somando drenagem, aterro hidráulico e intervenções estruturantes, foi marcada por um discurso oficial de excelência e robustez técnica. 

“A Prefeitura e a Secretaria Municipal de Infraestrutura sustentavam que o novo sistema de drenagem impediria alagamentos e protegeria a areia recém-depositada contra processos erosivos. Em março de 2025, a SEINFRA chegou a anunciar oficialmente a conclusão do sistema de drenagem com a instalação de 16 dissipadores, apresentando a estrutura como suficiente para suportar eventos climáticos e garantir a estabilidade da engorda. A realidade, entretanto, rapidamente desmontou a narrativa institucional. Menos de um ano após a conclusão das principais intervenções, as fortes chuvas registradas em 24 de abril de 2026 expuseram o colapso precoce do sistema implantado”, afirma.

A parlamentar lembra que, sob alerta meteorológico, a engorda apresentou extensos alagamentos, formação de enxurradas e severo carreamento de sedimentos, sobretudo nas proximidades do Morro do Careca.

“A água das chuvas abriu sulcos na faixa de areia recém-aterrada, destruiu trechos da estrutura e revelou que o problema da drenagem urbana de Ponta Negra não havia sido efetivamente solucionado.”

No requerimento, Brisa Bracchi pede apuração de possíveis irregularidades administrativas, técnicas, financeiras e ambientais relacionadas à execução da obra de engorda, realizada pela Prefeitura com recursos públicos federais e municipais. A vereadora questiona, especialmente, as falhas estruturais do sistema de drenagem, a deterioração precoce do aterro hidráulico, o eventual desperdício de recursos públicos e os possíveis danos ambientais decorrentes da execução contratual. 

“A degradação precoce da engorda compromete diretamente uma das principais atividades econômicas da cidade. A Praia de Ponta Negra constitui o principal polo turístico do Município do Natal, concentrando significativa parcela da cadeia produtiva ligada ao turismo, hotelaria, gastronomia, comércio informal e prestação de serviços. A instabilidade estrutural da obra, a repercussão negativa nacional dos alagamentos e o comprometimento visual e funcional da orla afetam diretamente a imagem turística da capital potiguar, gerando insegurança econômica para comerciantes, trabalhadores e investidores que dependem da atividade turística local”, destaca.

Na semana passada, a ação apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) relativa aos alagamentos na área da engorda da praia de Ponta Negra apontou a existência de tubulações falsas e galerias bloqueadas propositalmente. Além disso, o documento demonstra o risco de “desastre estrutural iminente” devido à “ausência de dissipadores eficientes e o grande desnível topográfico de 40 metros”. 

O MPF afirma que a drenagem no local foi ineficiente, e aponta que as inundações podem acelerar o processo erosivo do Morro do Careca e causar perda da faixa de areia recém-ampliada. O órgão busca obrigar o município de Natal a realizar obras emergenciais que evitem o agravamento dos alagamentos na engorda.

Saiba Mais: MPF aponta tubulações falsas e galerias bloqueadas em drenagem de Ponta Negra 

Antes do MPF, um relatório de auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou que a obra da engorda de Ponta Negra registrou fragilidades técnicas nos estudos de impacto ambiental e que o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema) foi obstruído de exercer o controle e o acompanhamento das condicionantes do empreendimento. Além disso, mostrou que já houve uma perda significativa de aterro hidráulico no Morro do Careca menos de um ano após a conclusão.

Saiba Mais: TCU aponta falhas e perda de aterro na engorda de Ponta Negra 

Um dos pontos diz que houve insuficiência e fragilidade dos estudos preliminares de viabilidade técnica, econômica e ambiental do empreendimento (EVTEA), dos estudos referentes a EIA/RIMA, bem como dos projetos básico e executivo. O EIA/RIMA é o Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental, um conjunto de documentos técnicos obrigatório para o licenciamento de atividades que possam causar impactos ao meio ambiente. Já o EVTEA verifica se os benefícios estimados justificam os custos com os projetos e execução das obras previstas.

Em outro apontamento, o documento atesta que houve prejuízos ao rito regular de licenciamento da obra de aterro por parte da Prefeitura de Natal, além de obstrução ao Idema. Ainda segundo o relatório preliminar, já há uma alta perda do aterro, bem como indícios de inadequação do material sedimentar extraído de jazida não autorizada.

Fonte: saibamais.jor.br

Dossiê da UFRN reúne estudos sobre arquivos, arte e memória travesti

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Dossiê da UFRN reúne estudos sobre arquivos, arte e memória travesti

As histórias de pessoas travestis no Brasil quase sempre atravessam apagamentos. Muitas vezes ausentes de arquivos institucionais, museus, livros e registros oficiais, essas memórias acabam preservadas em redes afetivas, movimentos sociais, produções artísticas e iniciativas comunitárias. É a partir dessa discussão que surge o dossiê “Memória e Travestilidades”, lançado pela Revista Equatorial, vinculada à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Organizado por Sol Alves de Lima, Maria Olisa de Oliveira Santos e Nora Dalva Arantes Lima, o dossiê recebe trabalhos até 1º de agosto de 2026 e reúne pesquisas sobre arquivos, patrimônio, arte, curadorias dissidentes, memória digital, epistemologias travestis e metodologias de pesquisa.

Mais do que um chamado acadêmico, a proposta nasce de trajetórias compartilhadas entre artistas, pesquisadoras, antropólogas, ativistas e pós-graduandas travestis.

“A ideia de criar este dossiê sobre memória e travestilidades surgiu a partir de trocas com amigas travestis que também são artistas, ativistas, antropólogas e pós-graduandas, reconhecendo no campo artístico e nos movimentos sociais espaços fundamentais de imaginação política, elaboração de memória e produção de novas possibilidades de existência”, afirma Sol Alves de Lima, em entrevista à Agência Saiba Mais.

Segundo ela, embora as pesquisas das organizadoras partam de territórios diferentes, todas compartilham o compromisso de reivindicar lugares de memória para travestis.

O projeto começou a tomar forma após encontros entre Sol e Nora Dalva Arantes Lima, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFMG, durante uma visita a Belo Horizonte, em 2024. Nora pesquisa temas como gênero, nome social, deslocamento, trabalho sexual, memória e travestilidades.

Já Maria Olisa de Oliveira Santos, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UFRN, investiga a trajetória de Chiquinha do Pedregal, travesti do interior de Aracati, no Ceará. Para Sol, o trabalho ajuda a deslocar perspectivas historicamente concentradas nos grandes centros urbanos.

“Seu trabalho evidencia a importância de pensar travestilidades a partir do interior”, explica.

As organizadoras também destacam o diálogo com antropólogas como Dediane Souza e Pietra Azevedo, além de pesquisadores que discutem memória, raça, gênero e colonialidade.

Saiba os detalhes da submissão aqui.

A própria pesquisa de Sol integra esse debate. Em sua dissertação, ela analisa ações desenvolvidas entre 2023 e 2024 no Museu da Imagem e do Som do Ceará (MIS/CE), especialmente o Ateliê de Criação de Tecnologias Transvestigêneres.

O objetivo é compreender como práticas artísticas e saberes travestis podem tensionar estruturas tradicionais dos museus e das instituições de memória.

“A proposta coletiva do dossiê está voltada à memória, às travestilidades e à criação de outras epistemologias e formas de representação”, afirma.

A discussão proposta pelo dossiê também questiona quem pode produzir conhecimento e quais narrativas historicamente ganharam legitimidade dentro da academia.

“A importância reside em trazer perspectivas que ultrapassem uma narrativa única, ampliando metodologias e modos de produzir conhecimento sobre e com travestis”, diz Sol.

Ela cita iniciativas como o Acervo LGBT+ Cintura Fina, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), coordenado pelo pesquisador Luiz Morando, e o Museu Transgênero de História e Arte (MUTHA), organizado como museu digital coletivo.

Segundo as organizadoras, apesar das diferenças entre os projetos, existe um ponto em comum: revisitar narrativas históricas para construir outras formas de memória.

“Esses projetos compartilham um ponto central: revisitar o lastro histórico das narrativas representativas para contar novas histórias, partindo de um princípio fundamental a esse campo: compreender o corpo como lócus de conhecimento”, afirma.

O dossiê também propõe uma crítica às formas tradicionais de representação dentro da antropologia e das políticas de citação acadêmica. Sol menciona o antropólogo Don Kulick como exemplo de autor frequentemente tratado como cânone nos estudos sobre travestilidades.

“Não se trata de apagar contribuições anteriores, mas de tensionar seus limites, deslocar centralidades e ampliar horizontes epistemológicos”, afirma.

Ao discutir arquivos, arte e memória digital, as organizadoras tratam os arquivos não apenas como espaços de preservação, mas também de disputa política e simbólica.

Inspiradas em autores como Jacques Derrida e Aleida Assmann, elas defendem que toda memória envolve escolhas sobre o que será lembrado e o que será excluído.

“Nessas iniciativas, arquivos, arte e memória digital ajudam a preservar histórias que muitas vezes foram apagadas ao criar espaços de registro, visibilidade e circulação para experiências historicamente silenciadas”, diz Sol.

Ela cita projetos como o Museu da Pessoa e o Museu Pajubá como exemplos de “contra-arquivos” que desafiam memórias oficiais e ampliam quem pode narrar a própria história.

Outro aspecto destacado pelas organizadoras é a valorização de recortes territoriais frequentemente deixados à margem dos debates acadêmicos, como Norte, Nordeste e interiores do país.

“As pesquisas que buscamos reunir nesse dossiê partem da necessidade de pensarmos coletivamente as múltiplas perspectivas que atravessam os estudos sobre memória e travestilidades”, afirma.

Para Sol, embora existam avanços na universidade em debates sobre gênero, sexualidade e raça, ainda é necessário transformar as próprias formas de pensar conhecimento e arquivo.

“A academia pode funcionar como lugar de encontro, diálogo e articulação, mas não como centro exclusivo de validação dos saberes”, afirma.

Ela cita referências como Saidiya Hartman, Nêgo Bispo, Leda Maria Martins, Dediane Souza e Hilário Ferreira como autores importantes para pensar memórias “espiraladas, circulares e insurgentes”, rompendo com modelos coloniais e eurocentrados de produção do conhecimento.

As organizadoras também chamam atenção para o próprio significado político da existência do dossiê. Segundo elas, esta pode ser a primeira edição da Revista Equatorial organizada por três travestis.

“Mais do que um marco isolado, isso revela deslocamentos significativos nas formas como as travestilidades vêm ocupando lugares de autoria e elaboração intelectual”, afirma Sol.

Para ela, a presença travesti em espaços acadêmicos vai além da representatividade simbólica.

“Trata-se de reconhecer que nossa presença nesses espaços não é apenas simbólica, mas profundamente política, pois tensiona estruturas historicamente excludentes e amplia as possibilidades de quem pode produzir, legitimar e fazer circular conhecimento nesse país.”

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Fonte: saibamais.jor.br

Trump visita Xi Jinping na China em meio ao atoleiro da guerra no Irã

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© Reuters/Kevin Lamarque/Arquivo/Proibida reprodução

A visita do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, à China, para encontro com o presidente Xi Jinping, na noite desta quarta-feira (13), no horário de Brasília, captura a atenção do planeta em meio a guerra no Irã que segue abalando as relações internacionais e a economia global.

Vista por Washington como ameaça à liderança econômica e tecnológica que os EUA tentam preservar no mundo, a China foi alvo prioritário da guerra tarifária iniciada por Trump logo no início do 2ª mandato, em abril de 2025.   

A reação da China às tarifas, incluindo restrições à exportação de terras raras, minerais essenciais para setores da tecnologia e de defesa dos EUA, fez Trump recuar na imposição de altas tarifas aos produtos chinesas.  

Ao lançar a ofensiva contra o Irã, no final de fevereiro, Trump prejudicou também os interesses de Pequim, principal consumidora do petróleo de Teerã e que deseja ver reaberto o Estreito de Ormuz, por onde transitavam 20% do petróleo mundial antes da guerra. 

Para analistas consultados pela Agência Brasil, a disputa comercial e tecnológica entre Washington e Pequim pode ser aproveitada pelo Brasil para melhorar a posição do país no cenário global, em especial, devido ao fato de o país ter a segunda maior reserva de minerais críticos do mundo, com cerca de 22%, atrás apenas da China. 

Trump desmoralizado

O encontro entre Trump e Xi Jinping estava marcado para o final de março, mas foi adiado devido à guerra no Oriente Médio, que teria, entre os objetivos, além de projetar Israel, barrar a expansão econômica da China na Ásia Ocidental.  

O analista geopolítico Marco Fernandes, membro do Conselho Popular do Brics, avaliou que Trump calculou errado que conseguiria derrubar o governo no Irã rapidamente, chegando em Pequim em condições de impor a Xi Jinping acordos mais favoráveis à Washington.

“Ele achou que chegaria a Pequim com todas as cartas na mão para pressionar Xi, mas faltou combinar com os iranianos. Agora, Trump está chegando derrotado. Nunca um presidente dos EUA chegou em uma reunião com um presidente da China tão enfraquecido e desmoralizado como Trump agora”, disse.

O também analista geopolítico da publicação Brasil de Fato destacou que, mesmo um dos principais ideólogos do imperialismo dos EUA, o neoconservador Robert Kagan, reconheceu, dias atrás, em artigo, que Trump saiu derrotado após tentar derrubar o regime político iraniano.

Fernandes destaca, no entanto, que Xi Jinping conseguiu manter o crescimento das exportações chinesas mesmo após o tarifaço de Trump. Ainda assim, a China deve tentar pressionar Trump para pôr um fim definitivo à guerra no Oriente Médio.

“Há, claramente, uma triangulação sendo feita, nesse momento, entre Pequim, Moscou e Teerã. Não foi à toa que Araghchi [ministro das Relações Exteriores do Irã] esteve em Pequim na semana passada, e já esteve em Moscou. Rússia e China estão intermediando, pelo Irã, para que haja uma solução pacífica e a guerra termine. Isso seria o principal ponto do encontro para Xi Jinping”, completou.

Taiwan

Em conversas com jornalistas no início da semana, Donald Trump informou que deve tratar com Xi Jinping sobre a venda de armas dos EUA para Taiwan, província autônoma da China com aspirações de independência política.

Pequim não aceita o reconhecimento de Taiwan independente, o que costuma ser expressado na política de “uma só China”.

“A firme oposição da China à venda de armas americanas para a região de Taiwan, território chinês, é consistente e clara”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, ao responder aos jornalistas nesta semana.

O professor de Relações Internacionais do Ibmec José Luiz Niemeyer, avalia que a China vai cobrar os EUA para não incentivar, de qualquer forma, uma Taiwan independente.

“Eles vão ficar discutindo o que cada um poderia fazer nos espaços considerados vitais de cada um. Vão discutir o limite até onde o outro pode ir. Essa vai ser a discussão principal. E os EUA definiram a América Latina como área de defesa de Washington”, explicou.

A doutrina do governo Trump tem pregado a proeminência de Washington na América Latina, assim como o combate à influência da China no continente. Pequim é o principal parceiro comercial da maioria dos países na América do Sul, incluindo o Brasil. Até os anos 2000, eram os EUA o principal parceiro das economias sul-americanas. 

Para o especialista do Ibmec, a China está em uma posição mais confortável nas negociações, tanto que foi Trump que foi a Pequim, e não Xi Jinping que foi a Washington.

“Tenho a impressão que essa visita mostra uma necessidade de aproximação dos EUA com a China. Me parece que o encontro tende a dar mais frutos para a agenda chinesa do que para a norte-americana”, completou José Luiz Niemeyer.

Terras raras

O tema das terras raras também deve estar no centro dos debates entre Trump e Xi Jinping, na avaliação do professor do Ibmec José Niemeyer. Esses minerais são essenciais para as indústrias militar, da tecnologia e da transição energética, com a China liderando a produção desses insumos.

“Os EUA precisam muito de dois minerais de terras raras, que é o samário e o neodímio, fundamentais para indústria bélica, para construção de ímãs usados em mísseis. E os EUA não dispõem desses materiais, a China sim”, lembrou.

O analista Marco Fernandes ressalta que a indústria dos EUA já tem acesso aos minerais críticos da China, mas pondera que Pequim pode impor novas restrições, como fez durante o tarifaço, que prejudicam os negócios norte-americanos.

Na última semana, a China começou a aplicar a lei anti-sanções do país. Aprovada em 2021, ela proíbe que empresas no país reconheçam as sanções dos EUA. A medida foi uma reação a sanções recentes de Washington contra empresas na China que fazem negócios com os iranianos.

“Isso é uma novidade na postura da China de ser assertiva em relação aos EUA. Cada vez que os EUA subirem o tom, apostando em sanções e outras medidas anti-chinesas, eles vão dar o troco. Isso é importante porque é um capítulo novo na relação sino-americana”, completou Marco.

Brasil entre China e EUA

As relações entre China e EUA são importantes para o Brasil porque, além de serem os dois principais parceiros comerciais do país, a disputa pelo controle das terras raras pode ser usada por Brasília para extrair ganhos políticos e econômicos das duas superpotências do planeta. 

O professor José Luiz Niemeyer avalia que o Brasil pode aproveitar as disputas entre Pequim e Washington por meio de uma posição “passiva estratégica”.

“Cada vez que há mais crise do ponto de vista de fornecimento de produtos entre os EUA e China, o Brasil pode aproveitar para exportar os produtos que estão em litígio entre os dois países, como por exemplo, minerais de terras raras”, afirmou.

Para o analista do Conselho Popular do Brics Marco Fernandes, o Brasil está no centro da disputa entre EUA e China por conta das terras raras.

“O Brasil vai precisar saber se colocar no meio dessa disputa de uma maneira soberana e que acumule para nossos interesses”, defende.

Fonte: Agência Brasil de Noticias

ricos recebem 16,3 vezes mais

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RN tem a terceira maior desigualdade do Brasil: ricos recebem 16,3 vezes mais

O Rio Grande do Norte aparece entre as unidades da Federação com maior distância entre ricos e pobres no Brasil. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada nesta sexta-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rendimento dos 10% mais ricos no estado é 16,3 vezes superior ao dos 40% mais pobres. O índice coloca o RN em posição de destaque nacional, atrás apenas do Distrito Federal, onde a diferença chega a 19,7 vezes, e do Rio de Janeiro, com 16,4 vezes.

O levantamento revela que a desigualdade de renda segue elevada no país, embora esteja abaixo dos níveis observados antes da pandemia de covid-19. Em 2025, os 10% mais ricos da população brasileira tiveram rendimento médio mensal de R$ 9.117 por pessoa. O valor é 13,8 vezes maior que o recebido pelos 40% mais pobres, cuja renda mensal foi de R$ 663.

No ano anterior, essa diferença era de 13,2 vezes. Apesar do aumento entre 2024 e 2025, o resultado atual é o segundo menor da série histórica iniciada em 2012.

Para chegar aos números, o IBGE considerou todas as formas de rendimento das famílias. Entram na conta salários, bônus, aposentadorias, pensões alimentícias, benefícios sociais, bolsas de estudo, seguro-desemprego, aluguéis e aplicações financeiras, entre outras fontes. O valor total foi dividido pelo número de moradores de cada domicílio.

A diferença entre o rendimento dos 10% mais ricos e dos 40% mais pobres variou nos últimos anos:

Ano Diferença
2019 16,9 vezes
2020 14,8 vezes
2021 17,0 vezes
2022 14,3 vezes
2023 14,3 vezes
2024 13,2 vezes
2025 13,8 vezes

O avanço da desigualdade de 2024 para 2025 ocorreu porque a renda dos 10% mais ricos cresceu 8,7%, já descontada a inflação. Entre os 40% mais pobres, a alta foi menor, de 4,7%.

Quando o recorte é mais amplo, porém, o quadro muda. Desde 2019, último ano antes da pandemia, os 40% mais pobres acumularam crescimento de 37,6% nos rendimentos. Entre os 10% mais ricos, a alta foi de 11,9%, percentual considerado pelo IBGE “bastante abaixo” do registrado nas demais classes.

O avanço é ainda mais expressivo entre os 10% mais pobres da população. De 2019 a 2025, o rendimento médio mensal desse grupo subiu 78,7%, passando de R$ 150 para R$ 268.

Para o analista do IBGE Gustavo Geaquinto Fontes, a redução da desigualdade no período mais longo está ligada à combinação entre mercado de trabalho e programas sociais.

“Se a gente analisar o mercado de trabalho nesse período mais longo, a gente vê que as classes de menor renda tiveram ganhos importantes, reajuste salarial mínimo, a expansão dos programas sociais do governo.”

A partir de 2020, com a pandemia de covid-19, o governo federal ampliou a abrangência e o valor do principal benefício social do país, o Bolsa Família, que na gestão anterior também recebeu nomes como Auxílio Emergencial e Auxílio Brasil. A pesquisa também coletou informações sobre programas de assistência social mantidos por estados e municípios.

Mesmo com a melhora em relação aos anos anteriores à pandemia, o IBGE avalia que “a desigualdade no país, ainda que tenha caído em relação aos anos que precederam a pandemia, permanece em níveis bastante acentuados”.

O estudo também expõe uma desigualdade regional. Enquanto os 40% mais pobres do Brasil têm rendimento familiar médio mensal de R$ 663 por pessoa, no Sul esse valor chega a R$ 978. Em seguida aparecem Centro-Oeste, com R$ 846, e Sudeste, com R$ 842. Já Norte e Nordeste ficam abaixo da média nacional, com R$ 490 e R$ 449, respectivamente.

É nesse cenário que o Rio Grande do Norte se destaca negativamente. Com diferença de 16,3 vezes entre os 10% mais ricos e os 40% mais pobres, o estado aparece entre os três maiores níveis de disparidade do país. Na outra ponta, as menores desigualdades foram registradas em Mato Grosso, com diferença de 9,1 vezes, e Santa Catarina, com 8,4 vezes.

São Paulo, maior estado do país, apresentou relação de 11,9 vezes entre ricos e pobres, ocupando a 12ª posição entre as unidades da Federação com menor disparidade.

Fonte: saibamais.jor.br

Comunidade da Vila de Ponta Negra promove ato por paz, cultura e enfrentamento à violência

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Comunidade da Vila de Ponta Negra promove ato por paz, cultura e enfrentamento à violência

O ato “Vila Pela Paz”, que aconteceria neste fim de semana na Vila de Ponta Negra, na zona Sul de Natal, foi remarcado para o próximo sábado (16), às 16h, devido às fortes chuvas registradas na capital potiguar. A concentração será em frente à igreja da comunidade, próximo ao Conselho Comunitário.

Segundo a organização, o ato ocorrerá no mesmo período da Ação Internacional das Mães de Maio, movimento que reúne mães e familiares vítimas da violência de Estado. De acordo com Lia Araújo, representante do Conselho Comunitário da Vila de Ponta Negra, a mobilização será dedicada às mães que perderam filhos em decorrência da violência policial.

“A gente quer transformar esse ato em uma rede”, afirmou, em entrevista à Agência Saiba Mais. Segundo ela, durante a atividade será construída uma carta pública com reivindicações da comunidade, que deverá ser encaminhada aos governos municipal e estadual.

A mobilização reúne moradores, coletivos culturais e movimentos sociais em torno de denúncias sobre violência policial e reivindicações por políticas públicas no território.

Entre as atividades previstas está a participação do coletivo Rima Central, que promoverá um momento de poesia marginal e slam durante o ato cultural no Campo do Bota Fogo. A programação inclui um cortejo saindo do terminal de ônibus da Vila de Ponta Negra.

Entre as demandas apresentadas estão a criação de uma escola de ensino médio na Vila de Ponta Negra, ações de geração de renda e melhores condições de trabalho para trabalhadores da praia, além de políticas públicas voltadas à juventude, saúde mental e cultura.

“Nós queremos menos armas, menos violência na comunidade e mais artistas, mais cultura, mais saúde”, disse Lia.

A representante comunitária afirmou ainda que moradores têm denunciado impactos recorrentes da violência policial na região, sobretudo sobre crianças e adolescentes. Segundo ela, o Conselho Comunitário organizou recentemente um “mapa da letalidade policial” para identificar os locais mais afetados pela violência na comunidade.

O ato começou a ser articulado após episódios recentes registrados no bairro, incluindo a morte de um homem e o incêndio de um ônibus nas proximidades da igreja da Vila de Ponta Negra. Para os organizadores, a mobilização busca construir respostas coletivas para o cenário de violência e fortalecer espaços culturais dentro da comunidade.

“A cultura da poesia, do slam e da rima é algo fundamental para potencializar esse momento”, afirmou Lia. “Muitas vezes, quando temos falta de educação e de cultura, é aí onde a violência nasce.”

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Fonte: saibamais.jor.br

Criança negra que vendia paçocas é alvo de humilhação em Mossoró; MPRN investiga caso

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Criança negra que vendia paçocas é alvo de humilhação em Mossoró; MPRN investiga caso

Um vídeo gravado em Mossoró e compartilhado nas redes sociais nesta terça-feira (12) provocou indignação entre moradores e internautas. As imagens mostram uma criança negra que vendia paçocas nos semáforos da cidade sendo alvo de uma ação humilhante praticada por jovens dentro de um carro. Segundo relatos publicados junto ao vídeo, o menino trabalhava nas ruas para ajudar no sustento da família quando foi abordado pelos ocupantes do veículo. Nas imagens, um dos jovens simula interesse em comprar o doce, pergunta o preço e, em seguida, derruba as paçocas no chão de forma proposital. Outro ocupante grava a cena enquanto ri e faz comentários debochados. Confira:

Após o episódio, o grupo deixa o local, abandonando a criança no meio da via com os produtos espalhados pelo asfalto. A gravação rapidamente se espalhou por aplicativos de mensagens e perfis nas redes sociais, gerando revolta pela violência e pela exposição do menino em situação de vulnerabilidade.

A repercussão fez com que órgãos de proteção à criança e ao adolescente passassem a acompanhar o caso. Já foi informado que o Conselho Tutelar pretende acionar a polícia e o Ministério Público para garantir a proteção da vítima e apurar a conduta dos envolvidos.

O Ministério Público do Rio Grande do Norte informou, por meio de nota, que instaurou uma Notícia de Fato para investigar denúncias de racismo supostamente cometidas pelos adolescentes envolvidos. A apuração relacionada a possíveis atos infracionais ficará sob responsabilidade da 10ª Promotoria de Justiça de Mossoró, que solicitou à Delegacia Especializada de Atendimento ao Adolescente Infrator (DEA) a abertura de investigação para identificar os participantes da ação. A Polícia Civil foi procurada pela reportagem, mas ainda não se manifestou sobre o caso.

A repercussão também chegou ao meio político. A deputada federal Natália Bonavides classificou o episódio como “cruel” e apontou a presença do racismo na violência registrada. Em publicação nas redes sociais, afirmou que o caso evidencia a necessidade de enfrentar a desumanização da população negra e pobre.

Na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, a deputada estadual Isolda Dantas cobrou providências dos órgãos de proteção à criança em Mossoró. Segundo ela, o episódio representa “um racismo profundo” que não pode ser naturalizado.

Até o momento, as autoridades não divulgaram oficialmente a identidade dos envolvidos nem informações sobre eventual registro formal de boletim de ocorrência. Enquanto isso, a pressão nas redes sociais segue cobrando responsabilização pelo episódio.

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Projeto na Vila de Ponta Negra protege infância de crianças vulneráveis

Fonte: saibamais.jor.br

Flu, Inter e Cruzeiro vencem e avançam na Copa do Brasil

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© Marcelo Gonçalves/Fluminense F.C./Direitos Reservados

A noite desta terça-feira (12) foi de classificação de Fluminense, Internacional e Cruzeiro para as oitavas de final da Copa do Brasil. Diante de adversários de menor investimento, as três equipes da Série A do Campeonato Brasileiro venceram no tempo normal para avançarem na competição.

Em partida disputada no estádio do Maracanã, o Fluminense superou o Operário por 2 a 1 para garantir sua vaga. O Tricolor das Laranjeiras chegou a abrir uma vantagem de dois gols com Savarino e Lucho Acosta. Porém, na etapa final o time comandado pelo criticado técnico Luis Zubeldía desperdiçou um pênalti com John Kennedy e viu a equipe de Ponta Grossa melhorar e descontar com o atacante Felipe Augusto.

Quem também não teve vida fácil para se classificar foi o Cruzeiro, que derrotou o Goiás por 1 a 0, em pleno estádio do Mineirão, para avançar. O único gol da partida foi marcado aos 31 minutos do primeiro tempo pelo atacante Kaio Jorge em cobrança de pênalti.

O terceiro time classificado para as oitavas de final foi o Internacional. O Colorado avançou para a próxima fase da competição após um triunfo de 3 a 2 sobre o Athletic no Beira-Rio. Bernabei, Allex e Borré fizeram os gols do time de Paulo Pezzolano, enquanto Ian Luccas marcou duas vezes para os mineiros.



Fonte: Agência Brasil de Noticias

Varejo e indústria criticam fim da “taxa das blusinhas”

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© CNI/José Paulo Lacerda

A decisão do governo federal de zerar o imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecida como “taxa das blusinhas”, provocou reação imediata de entidades da indústria e do varejo e das plataformas de comércio internacional.

A medida foi anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e passa a valer a partir desta quarta-feira (13), mantendo apenas a cobrança de 20% do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), tributo estadual, sobre as encomendas.

Em nota, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que a medida cria uma vantagem para fabricantes estrangeiros em detrimento da produção nacional. Em nota, a entidade declarou que a decisão representa “uma vantagem concedida a indústrias estrangeiras em detrimento do setor produtivo nacional”.

A CNI avalia que o impacto será maior sobre micro e pequenas empresas e poderá provocar perda de empregos.

A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) classificou a revogação da cobrança como “extremamente equivocada”. Segundo a entidade, a medida amplia a desigualdade tributária entre empresas brasileiras e plataformas internacionais.

“É inadmissível que empresas brasileiras arquem com elevada carga tributária, juros reais altíssimos e custos regulatórios enquanto concorrentes estrangeiros recebem vantagens ainda maiores para acessar o mercado nacional”, afirmou a Abit.

A associação também argumentou que a decisão pode afetar a arrecadação pública. Dados da Receita Federal apontam que, entre janeiro e abril de 2026, o imposto arrecadou R$ 1,78 bilhão, alta de 25% em relação ao mesmo período do ano passado.

A Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex) disse “repudiar com veemência” o fim da tributação. Para a entidade, a medida representa “um grave retrocesso econômico e um ataque direto à indústria, ao varejo nacional e aos 18 milhões de empregos gerados no Brasil” e pode “penalizar as empresas brasileiras, especialmente as micros e pequenas, que produzem, empregam e sustentam a arrecadação do país”.

A entidade defendeu a criação de medidas compensatórias para evitar fechamento de empresas e perda de postos de trabalho.

A Frente Parlamentar Mista em Defesa da Propriedade Intelectual e Combate à Pirataria também criticou a decisão. 

“Não existe competitividade quando o empresário brasileiro paga impostos altos e o produto importado entra sem tributação. Isso prejudica empregos, produção nacional e o comércio formal”, declarou o presidente da frente, deputado Júlio Lopes (PP-RJ).

Apoio das plataformas

Na direção oposta, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) comemorou o fim da cobrança.

A entidade, que reúne empresas como Amazon, Alibaba, Shein e 99, afirmou que a tributação era “extremamente regressiva” e reduzia o poder de compra das classes C, D e E.

Segundo a Amobitec, a chamada “taxa das blusinhas” aprofundava a desigualdade social no acesso ao consumo e não cumpriu a promessa de fortalecer a competitividade da indústria nacional.

Fim da cobrança

A cobrança de 20% havia sido criada em 2024 no âmbito do programa Remessa Conforme, voltado a regulamentar compras internacionais em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress.

Para compras acima de US$ 50, segue mantida a tributação de 60%.

No ato de assinatura da MP que acaba com o imposto, o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, explicou que foi possível zerar o imposto após três anos de combate ao contrabando e maior regularização do setor. 

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Durigan: Brasil discutirá guerra e minerais em reuniões do Brics e G7

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© Valter Campanato/Agência Brasil

Os impactos econômicos das guerras no Oriente Médio e na Ucrânia e as negociações sobre minerais críticos serão os principais temas discutidos pelo Brasil nas reuniões do Brics e do G7, disse nesta terça-feira (12) o ministro da Fazenda, Dario Durigan.

Em entrevista ao programa Na Mesa com Datena, apresentado pelo jornalista José Luiz Datena na TV Brasil, Durigan também detalhou que as negociações incluirão investimentos estratégicos e segurança energética.

As viagens ocorrerão em meio ao aumento das tensões geopolíticas globais e fazem parte da estratégia do governo brasileiro de antecipar cenários de turbulência internacional para proteger setores como combustíveis, agronegócio e mineração.

O ministro afirmou a Datena que o Brasil pretende consolidar-se como parceiro estratégico em recursos minerais e tecnologia, ao mesmo tempo em que busca ampliar a cooperação internacional em áreas consideradas sensíveis para a economia brasileira.

Agenda em Moscou

O ministro parte nesta quarta-feira (13) do Brasil. Na quinta (14), desembarca em Moscou, onde participará da reunião do Banco do Brics, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

O foco principal será discutir formas de proteger a economia brasileira dos efeitos das guerras internacionais, especialmente sobre os preços dos combustíveis e sobre o agronegócio.

“O tema de como a gente se prepara e protege o Brasil da guerra é o tema que mais me importa”, afirmou Durigan.

O ministro pretende se reunir com representantes da Índia, de países do Oriente Médio e de outras nações do bloco para avaliar cenários econômicos diante da instabilidade internacional. Durigan ressalta que mesmo a guerra sendo alheia à vontade dos brasileiros, afeta o país. 

“Ela afeta muito a vida das pessoas. Claro, nós estamos acompanhando, como no preço de combustível”, declarou o ministro.


Brasília (DF), 11/05/2026 - O ministro da Fazenda, Dario Durigan participa do programa, Na mesa com Datena, nos estúdios da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Brasília (DF), 11/05/2026 - O ministro da Fazenda, Dario Durigan participa do programa, Na mesa com Datena, nos estúdios da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

No programa Na Mesa com Datena, Dario Durigan fala sobre reuniões do Brics e do G7- Valter Campanato/Agência Brasil

Outro ponto central da agenda será a preservação de investimentos financiados pelo Novo Banco de Desenvolvimento, conhecido como Banco do Brics.

Entre os projetos prioritários citados pela equipe econômica está o desenvolvimento do primeiro Hospital Inteligente da América Latina, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e financiado pelo Banco do Brics.

Segundo o governo, a iniciativa prevê integração tecnológica internacional e cooperação entre especialistas de vários países.

Minerais estratégicos

A pauta de minerais críticos também será levada tanto à Rússia quanto à França, onde o ministro chega na segunda-feira (18) para a reunião do G7. O governo brasileiro quer transformar o país em um dos principais fornecedores globais de matérias-primas consideradas essenciais para a indústria tecnológica e para a transição energética.

Entre os minerais citados estão terras raras, nióbio e grafeno. Atualmente, a China lidera a produção mundial desses materiais, enquanto o Brasil busca consolidar sua posição como segunda maior reserva global.

Segundo Durigan, o novo marco legal recentemente aprovado pelo Congresso pretende oferecer segurança jurídica aos investidores estrangeiros sem abrir mão do controle nacional sobre os recursos.

“No Brasil, a gente quer dar segurança jurídica para um negócio que interessa ao mundo: minerais críticos”, afirmou.

O governo defende que futuras parcerias internacionais estejam vinculadas à industrialização local e à geração de empregos no país.

“O primeiro pilar é soberania; o segundo é incentivar a industrialização local”, declarou o ministro.

Durigan também afirmou que o Brasil quer estimular a industrialização para transformar matéria-prima em produtos mais elaborados e ampliar o desenvolvimento interno.

“Não queremos repetir um padrão histórico que a gente viu com o ouro, com a prata, com a cana de açúcar, ou com o minério de ferro. Que é: tira tudo daqui e depois eu compro a placa de aço industrializada, depois eu compro o petróleo, o diesel importado. Quero incentivar a industrialização no Brasil”, afirmou.

Reunião do G7

Em Paris, Durigan terá encontros ligados ao G7, grupo que as sete democracias mais ricas do planeta. O Brasil participará como país convidado.

Além dos debates sobre minerais estratégicos, a agenda deve incluir segurança global, impactos econômicos das guerras e alternativas para estabilização geopolítica.

Segundo Durigan, o Brasil pretende se apresentar como alternativa confiável para o fornecimento de minerais críticos diante da dependência internacional em relação à China.

A equipe econômica também quer ampliar negociações com países europeus interessados em investir no setor mineral brasileiro sob novas regras de exploração.

Investimentos externos

As viagens também terão foco em atração de investimentos estrangeiros para setores de tecnologia e infraestrutura.

Segundo o ministro, conversas anteriores com empresas alemãs durante a Feira de Hanover, realizada em abril na Alemanha, abriram espaço para futuras instalações industriais no Brasil.

A estratégia do governo é vincular investimentos externos à criação de empregos qualificados, apoio às universidades e transferência de tecnologia.

Durigan afirmou ainda que o Brasil pretende manter relações internacionais sob uma lógica de defesa da soberania econômica.

Fonte: Agência Brasil de Noticias