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Vereadora Thabatta Pimenta pede desfiliação do PSOL

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Vereadora Thabatta Pimenta pede desfiliação do PSOL

A vereadora Thabatta Pimenta confirmou que solicitou desfiliação do PSOL. A parlamentar, que exerce mandato na Câmara Municipal de Natal, será candidata a deputada federal e busca uma legenda que forneça mais possibilidades dela ser eleita; o destino provável é o PV, que forma federação com PT e PCdoB.

Thabatta já enviou uma carta de desfiliação à direção do PSOL. A vereadora alegou condições eleitorais inviáveis para que fosse eleita pela sigla. Em 2022, Pimenta foi candidata pelo PSB e recebeu 40.533 votos, sendo a 14ª mais votada.

A saída agora depende da assinatura da carta de anuência feita pela direção local da sigla, para que a vereadora possa sair sem correr risco de perder o mandato. A janela partidária foi aberta no dia 5 e segue até 3 de abril mas, neste momento, o mecanismo beneficia somente deputados federais, estaduais e distritais. Os vereadores eleitos em 2024 não podem utilizar a janela de 2026, uma vez que não estão em fim de mandato.

Além de não ver espaço para uma eleição como deputada federal dentro do PSOL, a decisão do partido de não formar federação com PT, PCdoB e PV e decidir manter a federação com a Rede Sustentabilidade também pesou para a decisão.

Internamente, Thabatta defendia que o PSOL formasse uma mega federação da esquerda. A vereadora foi uma das signatárias do manifesto “Esquerda unida”, apoiada pela corrente interna Revolução Solidária e assinada por nomes como o Ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos; a Ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara; e as deputadas federais Erika Hilton e Luciane Cavalcante. A posição, contudo, foi derrotada pelo diretório nacional psolista no último sábado (7), por 47 votos a 15. 

O PSOL entendeu que uma federação com PT, PCdoB e PV poderia retirar a autonomia da sigla. A resolução aprovada pelos psolistas diz que a atual legislação que trata das federações não traz salvaguardas que protejam os partidos menores que optam por federar com partidos maiores, e que isso teria reflexos em decisões de alianças e táticas eleitorais que já estão em curso nos estados.

Saiba Mais: Federação com PT, PCdoB e PV quer dobrar número de deputados federais no RN

Thabatta no PV

Caso nada mude nos próximos dias, Thabatta Pimenta vai se filiar ao PV — a informação já havia sido confirmada à Agência Saiba Mais, em janeiro, pelo presidente estadual dos Verdes, Rivaldo Fernandes. Além da vereadora de Natal, o deputado estadual Dr. Bernardo (de saída do PSDB) também deve reforçar a nominata federal.

A intenção da federação é dobrar a bancada federal na Câmara, passando de dois para quatro deputados. Atualmente, os mandatos são ocupados pelos petistas Natália Bonavides e Fernando Mineiro, que são pré-candidatos à reeleição.

No PT, os dois nomes mais fortes — além de Natália e Mineiro — são Samanda Alves e Odon Júnior. Ela é vereadora por Natal e atual presidenta estadual do PT; já ele foi prefeito de Currais Novos até 2024 e elegeu seu sucessor, Lucas Galvão. No PCdoB, um nome que pode chegar é Rafael Motta, que foi candidato a senador em 2022 e a prefeito de Natal em 2024. 

Paralelo a isso, o PSOL desenha uma candidatura própria para o Governo do RN. O partido aprovou na sexta-feira (6) o nome do ex-vereador Robério Paulino como pré-candidato a governador, e Sandro Pimentel como pré-candidato a senador. A sigla ainda deliberou a busca por uma unidade eleitoral com o PT para a segunda vaga ao Senado, hoje com o nome de Fátima Bezerra.

Fonte: saibamais.jor.br

Ministro Guilherme Boulos vem a Natal nesta sexta-feira (13)

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Brasil na rua: Ministro Guilherme Boulos vem a Natal nesta sexta-feira (13)

O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência da República, estará em Natal nesta sexta-feira (13) para a edição do programa Governo do Brasil na Rua, que leva serviços públicos gratuitos à população. O evento segue até o dia 14, das 8h às 17h, no IERN localizado no bairro Bom Pastor, Zona Oeste da capital.

Entre os serviços, serão realizadas perícias e atendimentos do INSS, atendimentos de saúde, emissão da ID Jovem, Tenda Lilás de combate à violência contra a mulher, cadastro e ajustes na conta Gov.BR, orientações sobre o programa Reforma Casa Brasil e outras ações.

Os atendimentos não necessitam de agendamento prévio. O Governo do Brasil na Rua tem percorrido o país com a participação de Boulos e já passou por Brasília, São Paulo, Macapá, Campo Grande, Goiânia e Vitória e Teresina. Na próxima quinta-feira (12), o programa chega a Aracaju (SE). 

Nesta segunda-feira (9), parlamentares do PT do Rio Grande do Norte participaram de uma reunião online com Boulos para alinhamento da agenda na capital potiguar. A governadora Fátima Bezerra (PT) também estava na reunião.

Além da agenda oficial, há a expectativa para que o ministro participe de um encontro com trabalhadores por aplicativo, que está sendo articulado pela vereadora Samanda Alves (PT). Ela é a presidente da Frente Parlamentar em Defesa dos Trabalhadores e Trabalhadoras por Aplicativo, que teve os membros nomeados oficialmente na segunda. Além de Samanda, participam do grupo Brisa Bracchi, Daniel Valença, Eribaldo Medeiros, Léo Souza, Preto Aquino e Thabatta Pimenta.

Na reunião da Comissão de Transporte, Legislação Participativa e Assuntos Metropolitanos da Câmara Municipal de Natal, Samanda afirmou que conversou com a assessoria de Guilherme Boulos para solicitar um momento para que ele receba representações dos motoristas. O encontro deve ocorrer na sexta às 15h.

“Ele acompanha, em nome do presidente Lula, esse diálogo com os motoristas de aplicativo no plano nacional”, disse a parlamentar.

Boulos esteve em Natal em 2019, antes mesmo de se tornar deputado federal e ministro do governo Lula. Em maio daquele ano, poucos meses após ter disputado a presidência pelo PSOL, o professor e ativista participou de uma aula pública sobre o bloqueio no orçamento da educação federal e a reforma da Previdência no governo Bolsonaro. O evento levou uma multidão ao ginásio do IFRN Campus Natal-Central. O agora ministro também esteve na capital potiguar em janeiro de 2022 para férias com a família.

Fonte: saibamais.jor.br

Mulheres do MST fazem protestos em duas regiões do RN

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Mulheres do MST fazem protestos em duas regiões do RN
Foto: MST-RN

As mulheres que integram o MST no Rio Grande do Norte começaram a segunda-feira (9) com protestos em duas regiões do estado. Com ações na BR-101, em Touros, e na BR-405, na Chapada do Apodi, as sem-terra reivindicam o cumprimento da pauta do movimento ao Governo do Estado e denunciam os impactos dos megaprojetos de energia eólica.

As ações na região Oeste e no litoral Norte do estado fazem parte da Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra, realizada neste ano de 8 a 12 de março, em todo o Brasil. 

Entre as urgências no Oeste está a agilidade e conclusão da desapropriação das terras do Distrito de Irrigação do Baixo Açu (Diba), onde cerca de 100 famílias aguardam para serem assentadas. Outros 10 acampamentos também reivindicam terra, na região que está há 20 anos sem ter nenhuma desapropriação.

Saiba Mais: Alvo de críticas do agro, MST produz variedades de alimentos no Baixo Açu

Em dezembro, o MST fez um protesto semelhante cobrando o assentamento, e depois obteve uma conquista: a publicação, pelo Governo do Estado, da chamada pública que vai selecionar as famílias agricultoras interessadas interessadas em adquirir lotes irrigáveis no Diba. As famílias já produzem no local uma variedade de alimentos, como banana, macaxeira, feijão e batata.

Capital energético

Já em Touros, as mulheres denunciam o avanço do capital energético e a territorialização das empresas, fomentado por meio da energia eólica e principalmente dentro das áreas de reforma agrária. Segundo o MST, esse avanço ameaça as famílias do campo, restringe o uso da terra e coloca em risco os territórios e a natureza.

“Causa a desterritorialização das famílias, tira as famílias dos seus territórios a partir de contratos abusivos, onde as famílias perdem o direito ao uso da sua terra”, diz Morgana Souza, da coordenação do MST. 

Foto: MST-RN

“A gente não é contra a energia eólica, nós somos contra o formato que ela vem sendo desenvolvida nos territórios, que não respeita a biodiversidade, não respeita as comunidades, não respeita a natureza em geral”, aponta Souza.

Com o lema “Reforma Agrária Popular: enfrentar as violências, ocupar e organizar!”, a jornada acontece de 8 a 12 de março em todo o país. As ações denunciam a paralisação da Reforma Agrária no Brasil e o modelo que prioriza o agronegócio e a produção de commodities, aprofundando desigualdades, violência no campo, fome e pobreza.

Fonte: saibamais.jor.br

Robério Paulino mira Governo do RN com plano de educação e industrialização

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Robério Paulino mira Governo do RN com plano de educação e industrialização

Robério Paulino (PSOL) está disposto. Aos 68 anos, quer subir a rampa da governadoria a partir de janeiro de 2027. Economista, professor da UFRN e ex-vereador, foi a grande surpresa das eleições para o governador do Rio Grande do Norte em 2014, e em 2026 apresenta novamente uma pré-candidatura para o Executivo potiguar. Entre as propostas, que começam a ser desenhadas, planeja uma “revolução na qualidade da educação”, com combate ao analfabetismo e investimento em escolas de tempo integral. Também quer incentivar um processo de industrialização no estado, além de propor o plantio de ao menos cinco milhões de árvores no RN.

O socialista conversou com a Agência Saiba Mais no sábado (7), um dia depois que o diretório estadual do PSOL definiu sua pré-candidatura para governador e a de Sandro Pimentel para o Senado. Há 12 anos, quando se candidatou a governador pela primeira vez, a campanha de Paulino foi um sucesso: com quase 130 mil votos e 8,74% de percentual, ajudou a levar a disputa entre Henrique Eduardo Alves e Robinson Faria para o segundo turno. Para 2026, afirma, não quer ser coadjuvante.

Saiba Mais: PSOL lança Robério Paulino ao Governo e Sandro Pimentel ao Senado no RN

“Eu não estou indo só para debater. Nós vamos entrar pesado nos debates para crescer nas pesquisas e poder chegar ao segundo turno. Nós não vamos querer ficar nos 3%, 5%, não. Nossa intenção é chegar ao segundo turno”, reafirma.

Educação

Para atingir o objetivo, aponta Robério, um dos focos da campanha será na educação. Ele diz que pretende acabar com o analfabetismo no Rio Grande do Norte em até dois anos, caso seja eleito.

“Mesmo depois de dois mandatos da professora Fátima, isso continuou. Eu acho que isso é uma vergonha e não é responsabilidade da professora Fátima, evidente. Vem de antes, mas isso devia ter acabado”, acredita Robério Paulino.

No estado, a taxa de analfabetismo no Rio Grande do Norte foi de 13,8%, segundo os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que estão presentes no Censo Demográfico 2022. A taxa representa quase o dobro da média nacional, que foi de 7%.

Saiba Mais: Natal está entre cidades com maior taxa de analfabetismo do Brasil, aponta IBGE

“A primeira coisa que Cuba fez foi isso. A primeira coisa que a China fez para ser o que está sendo hoje, a maior potência econômica do mundo, foi a erradicação do analfabetismo. Então isso é fundamental”, aponta o docente da UFRN.

O militante do PSOL também diz que pretende melhorar as condições de trabalho salariais dos professores e aumentar a porcentagem de escolas em tempo integral no Rio Grande do Norte, média que já vem crescendo, mas ainda a passos lentos. O número dessas matrículas foi de 7,9% em 2022 para 13,3% em 2024, segundo dados do Censo Escolar 2024, divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). De acordo com o pré-candidato a governador, em quatro anos de governo é possível chegar ao mínimo de 45% das escolas potiguares em tempo integral.

“Não me comprometo com mais, porque isso é muito difícil, mas a 45% a gente pode chegar. Não vamos chegar a 60%, 65% em quatro anos, como Pernambuco já conseguiu, mas eles vêm batalhando há décadas para isso, mas a 45% é possível chegar”, aponta.

Industrialização

Outro ponto que Robério Paulino quer propor é um processo profundo de industrialização do estado, com substituição de importações.

“Não tem porquê o Rio Grande do Norte importar mussarela. Quem produz queijo coalho, quem produz queijo de manteiga, pode muito bem produzir mussarela. Hoje 95% ou 100% da mussarela consumida no estado é importada. Por quê? Isso não exige grande tecnologia para produzir. Não tem sentido importar iogurte. Nós produzimos vários tipos de iogurte aqui e podemos melhorar a qualidade. Não tem sentido importar material de limpeza. Isso é fácil de produzir. Nós queremos também que as peças das usinas eólicas comecem a ser fabricadas aqui, porque hoje vêm tudo de fora, o gerador da China ou da Europa e mesmo as hélices são fabricadas no Ceará. Nós vamos exigir que essas peças sejam fabricadas aqui para gerar empregos, e tem vários outros produtos. Então vamos propor um levantamento de tudo aquilo que nós temos condições de tecnologia de fabricar aqui”, destaca o professor.

Meio ambiente

Robério Paulino quer levar a proposta de arborização travada quando era vereador de Natal para todo o estado, caso seja eleito governador. A pauta já lhe é familiar: o psolista é o criador do Arboriza Natal, projeto de extensão que atua no âmbito da UFRN. Se alcançar o posto máximo da política do RN, a ideia é plantar cinco milhões de árvores ao longo de quatro anos de gestão.

“O nosso sertão está virando deserto. Há um processo de desertificação muito rápido e é necessário enfrentar. A China está plantando um bilhão de árvores no deserto de Gobi. A Etiópia, um país pobre da África, acabou de plantar 300 milhões de árvores. A Europa não faz nada, os Estados Unidos não fazem nada. Então, nós precisamos tomar essa briga”, defende.

Gestão coletiva

Ainda segundo Robério Paulino, caso seja eleito em outubro, seu futuro governo será feito de forma coletiva, apoiado em todas as categorias profissionais.

“Nós queremos governar com um plano, como foi o plano de metas do Juscelino Kubitschek. Fazer um plano de quatro anos de desenvolvimento e não governar no empirismo, como é feito hoje. Governar com um plano, com todas as universidades, com associações profissionais, sindicatos, entidades sociais, chamar todo mundo para fazer um governo coletivo. Isso é fundamental, porque é a única forma de a gente poder implementar as coisas e não ficar paralisado pela direita”, atesta Robério.

Fonte: saibamais.jor.br

O humor é tão importante quanto o amor

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O humor é tão importante quanto o amor

O humor é tão importante quanto o amor. Muitas relações afetivas se desgastam quando as pessoas descuidam da leveza e da capacidade de rir de si mesmas e do mundo. A melancolia, por vezes, tem seu charme; a rabugice, não. A leveza de alma é essencial para fortalecer vínculos e sustentar a convivência.

Também é verdade que algumas das mais belas obras de arte nasceram do sofrimento. Em carta ao amigo Zezim, Caio Fernando Abreu escreve: “Eu conheci razoavelmente bem Clarice Lispector. Ela era infelicíssima, Zézim. A primeira vez que conversamos eu chorei depois a noite inteira, porque ela inteirinha me doía, porque parecia se doer também, de tanta compreensão sangrada de tudo. Te falo nela porque Clarice, pra mim, é o que mais conheço de GRANDIOSO, literariamente falando. E morreu sozinha, sacaneada, desamada, incompreendida, com fama de ‘meio doida’. Porque se entregou completamente ao seu trabalho de criar. Mergulhou na sua própria trip e foi inventando caminhos, na maior solidão. Como Joyce. Como Kaflka, louco e só lá em Praga. Como Van Gogh. Como Artaud. Ou Rimbaud.”

Bem-aventurados aqueles e aquelas que conseguem dar destino às próprias emoções, transformando-os em práticas de criação e em caminhos de bem viver, capazes de pacificar suas trajetórias existenciais.

No último dia 25,  Thiago Chagas celebrou seu aniversário. Ator, comediante, roteirista e produtor, ele construiu trajetória consistente no teatro, na televisão, no audiovisual e nas plataformas digitais. Nas redes sociais, reúne um público expressivo e alcançou ampla repercussão com a personagem Dona Fernandona, uma homenagem bem-humorada à atriz Fernanda Montenegro, que se tornou viral e ganhou espaço em programas televisivos. Seu lema é claro: “rir sem desligar o cérebro, digerindo o mundo com deboche.”

Thiago representa, de forma potente, a possibilidade de recuperar na cena cultural contemporânea um humor politizado e sofisticado, capaz de provocar reflexão, afirmar direitos e fortalecer a democracia sem recorrer à obviedade.

A escolha de representar Dona Fernandona foi particularmente feliz. Com precisão cênica, ele recria elementos marcantes da presença de Fernanda Montenegro: a peruca branca, os óculos, o colar de pérolas, o blazer, a voz pausada e rouca, os gestos contidos e o manejo expressivo da face. Palavras como “compreende”, “extraordinário” e “esperança” são pronunciadas com força simbólica e capturam a atenção do público. Fernanda Montenegro é uma atriz de rara competência, verdadeira reserva moral do Brasil, profundamente devotada à sua arte.

Um dos momentos mais marcantes dessa personagem ocorreu quando Thiago mencionou os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023, em vídeo que viralizou ao afirmar que a arte resiste.

Tive a oportunidade de conhecer Thiago e testemunhar sua genialidade, aliada a uma grande ternura e competência. De modo muito especial, ele me reconecta à figura de Fernanda Montenegro. Em 2007, nossas biografias foram publicadas juntas no livro Mulheres do Brasil, experiência que guardo como um presente precioso da existência.

Fonte: saibamais.jor.br

Museu de Ciência e Tecnologia do RN abre exposição

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Museu de Ciência e Tecnologia do RN abre exposição

A cidade de Jundiá, no interior do Rio Grande do Norte, receberá no próximo dia 29 de março de 2026 a abertura da exposição “Do analógico ao digital: os primeiros passos da tecnologia”, que marca o início das atividades do Museu de Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte.

A mostra apresenta ao público uma retrospectiva da evolução tecnológica, reunindo equipamentos e objetos que ajudam a compreender o surgimento e o desenvolvimento de diversas ferramentas que transformaram a comunicação, a ciência e o cotidiano da sociedade ao longo do tempo.

O evento será realizado na Rua da Matriz, nº 284, no Centro de Jundiá, com programação aberta ao público das 9h às 20h. A iniciativa busca aproximar a população da ciência, além de valorizar a memória tecnológica e estimular o interesse pelo conhecimento científico.

O Museu de Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte nasce com a proposta de se consolidar como um espaço dedicado à educação, à preservação e à divulgação científica. O local reunirá coleções e exposições voltadas à história da tecnologia, da comunicação e da inovação, oferecendo ao público experiências educativas e interativas.

A expectativa é que o espaço se torne um ponto de referência para estudantes, pesquisadores e visitantes interessados na história da ciência e no desenvolvimento tecnológico.

Serviço

Abertura do Museu de Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte
Data: 29 de março de 2026
Horário: 9h às 20h
Local: Rua da Matriz, 284 – Centro – Jundiá (RN)

Fonte: saibamais.jor.br

Além do PT, esquerda terá outras candidaturas no RN em 2026

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Além do PT, esquerda terá outras candidaturas no RN em 2026
Robério vai disputar o Governo e Sandro, o Senado – Fotos: Elpídio Júnior/CMN e João Gilberto/ALRN

A esquerda terá outros nomes na disputa ao Governo e Senado no Rio Grande do Norte além do PT. Partidos como PSOL e PSTU já definiram os principais pré-candidatos, enquanto a UP mantém o debate interno. Já o PCB possui pendências eleitorais que impedem de lançar candidatura própria e deve apoiar outras siglas.

A movimentação mais recente foi a do PSOL. O partido definiu na sexta-feira (5) que vai lançar o professor e ex-vereador Robério Paulino para governador, e o vigilante e ex-deputado estadual Sandro Pimentel para senador. 

A definição foi tomada em reunião do diretório estadual, que também deliberou a busca por uma unidade eleitoral com o PT para a segunda vaga ao Senado, hoje com o nome de Fátima Bezerra.

“Foi uma reunião muito boa, bastante lúcida, com bastante discussão, com análise de diversos cenários”, disse o presidente do PSOL-RN, Sandro Pimentel, sobre a reunião feita pelo diretório estadual. Na eleição nacional, o PSOL apoiará Lula. 

Robério vai disputar o Governo e Sandro, o Senado – Fotos: Elpídio Júnior/CMN e João Gilberto/ALRN

No PSTU, o pré-candidato a governador é o sindicalista Dário Barbosa, professor aposentado de educação física, fundador do partido e da central sindical CSP-Conlutas. Barbosa já disputou o mesmo cargo em 2018, se apresentou para o Senado em 2022 e já concorreu a prefeito de Natal, vice-prefeito, vereador e deputado estadual em diferentes eleições.

Esse é o único nome confirmado até o momento pelo PSTU, que também vai disputar o Senado. O partido está finalizando as discussões internas para apresentar os nomes das demais pré-candidaturas locais. Para o vice-governo ou Senado podem vir a professora Luciana Lima, a servidora da saúde Rosália Fernandes e o trabalhador do Detran, Alexandre Guedes. O PSTU também terá candidatos para deputados estaduais e federais. 

PSTU aposta em Dário Barbosa para governador – Foto: Divulgação

Nacionalmente, a legenda socialista lançou a pré-candidatura de Hertz Dias à presidência da República. Ele é ativista do movimento negro, rapper e professor da rede pública de ensino do Maranhão. 

“Assim como a pré-candidatura de Hertz Dias, aqui o PSTU também vai buscar romper a polarização entre a esquerda capitalista do PT e a reacionária extrema direita bolsonarista. O objetivo é apresentar uma alternativa trabalhadora, popular e socialista para o RN”, disse o partido.

Na Unidade Popular (UP), que lançou a dentista do SUS e moradora de Natal, Samara Martins, como pré-candidata à presidência, a decisão também é de ter candidaturas próprias para o governo estadual e Senado. Segundo Júlio Lira, membro do diretório estadual da UP, um desafio será apresentar as candidaturas em meio ao cerco da comunicação, sem convites para debates públicos, sem o recebimento do Fundo Partidário e com uma verba pequena do Fundo Eleitoral.

Samara Martins será candidata a presidenta, mas nomes estaduais ainda não estão definidos – Foto: Divulgação

“No cenário estadual a decisão é lançar candidaturas ao Senado e Governo. No entanto, estamos realizando um bom debate interno para definir quem são os companheiros e companheiras que representarão a UP nessa luta eleitoral de 2026. Definindo os nomes, os divulgaremos”, explica Lira.

No caso da disputa nacional, ele diz que a pré-candidatura de Samara Martins recoloca no centro do debate um programa para garantir vida digna ao povo e que afirma a necessidade da organização popular.

“Por isso o nome da companheira Samara Martins irá cumprir um papel fundamental. Mulher negra, trabalhadora, mãe e revolucionária. Precisamos organizar o povo, os trabalhadores, a juventude e em particular as mulheres negras, que são maioria na sociedade e que são as mais exploradas, uma pré-candidatura com a qual possam se identificar”, defende.

No PCB, a situação é mais delicada. As eleições de 2026 vão marcar 14 anos desde a última disputa travada pelo “Partidão” no Rio Grande do Norte. O partido está com pendências da legislação eleitoral, um dos fatores que impede a sigla de ter uma candidatura própria. Por isso, segundo Henrique Wellen, secretário político do PCB no RN, os comunistas vão apoiar candidaturas de parceiros ligados à defesa dos direitos da classe trabalhadora e dos movimentos sociais populares, mas o debate interno ainda está sendo feito e a definição não foi fechada.

“Os nomes a que chegaremos, após discussões internas, análises de alianças, programas e diálogos com outras forças políticas, provavelmente serão dos nossos principais parceiros estratégicos de luta, como PSOL e UP, mas também do PSTU”, explica. Wellen não descarta eventuais apoios a nomes do PT.

PCB vai apoiar outros nomes – Foto: Reprodução

“Embora tenhamos importantes divergências políticas com o Partido dos Trabalhadores, e embora estejamos em campos estratégicos distintos (nós no campo revolucionário e eles no campo democrático popular), ainda assim, entendemos que há nomes em seu interior que são bastante valorosos, que estão significativamente à esquerda do seu partido e que são imprescindíveis para a luta política. Por exemplo, para citar um nome neste sentido, destacamos o da companheira Natália Bonavides”, afirma.

A definição da tática eleitoral no Rio Grande do Norte, destaca Wellen, será feita com base no centralismo-democrático e avalizada pelo Comitê Central, que já lançou Edmilson Costa à presidência. Ele já concorreu a vice-presidente em 2010 e é o atual secretário geral do PCB. 

Fonte: saibamais.jor.br

Pesquisador da UFRN avalia efeitos da redução da escala de trabalho

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Escala 6 x 1: Pesquisador da UFRN avalia efeitos da redução da escala de trabalho
César Sanson, professor do Departamento de Ciências Sociais da UFRN. Foto: Arquivo Pessoal

A proposta de acabar com a escala de trabalho 6×1 — em que o trabalhador tem apenas um dia de descanso a cada seis dias trabalhados — tem ganhado apoio crescente na sociedade brasileira, mas enfrenta resistência de setores empresariais e parte da grande imprensa. Para o professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), César Sanson, as críticas ao projeto seguem um padrão histórico de oposição do capital à ampliação de direitos trabalhistas.

Para começar a tramitar, a proposta de redução da jornada ainda aguarda indicação de relator na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. Nos últimos meses, editoriais e reportagens de grandes veículos têm destacado possíveis impactos negativos da medida.

Uma reportagem recentemente publicada pela “Folha de S.Paulo” afirmou que o brasileiro trabalha menos que a média mundial, enquanto entidades empresariais têm alertado para possíveis prejuízos à economia.

No Rio Grande do Norte, um estudo divulgado pela Federação das Indústrias do Estado (Fiern) estima que a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais poderia gerar custos adicionais para as empresas de até R$ 2,29 bilhões.

César Sanson, professor do Departamento de Ciências Sociais da UFRN. Foto: Arquivo Pessoal

Para César Sanson, esse tipo de reação não é novidade no debate sobre direitos trabalhistas:

“O capital brasileiro sempre foi contra a ampliação dos direitos dos trabalhadores. Isso aconteceu quando foi criada a CLT, quando se instituiu o 13º salário e quando a Constituição de 1988 reduziu a jornada semanal de 48 para 44 horas. O argumento é sempre o mesmo: dizem que o país vai quebrar”.

De acordo com ele, a postura empresarial faz parte de uma lógica histórica de resistência a mudanças que ampliem garantias trabalhistas.

“O capital sempre tenta desvincular trabalho de direitos. Mas, ao longo da história, os trabalhadores foram conquistando avanços”, diz.

Apesar das críticas, o professor avalia que a mudança na escala de trabalho é praticamente inevitável. Um dos fatores é a crescente pressão social pelo fim da jornada 6×1.

“Hoje existe um apoio majoritário da sociedade ao fim dessa escala. Há uma percepção cada vez maior de que é uma condição extremamente pesada para quem trabalha seis dias por semana e tem apenas um dia de descanso”, afirma.

Além da pressão social, o professor aponta que parte do próprio setor empresarial já reconhece dificuldades para manter esse modelo de jornada. Ele pontuou que redes de supermercados e grandes empresas do varejo têm enfrentado problemas para contratar trabalhadores dispostos a aceitar a escala.

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

“A juventude hoje não quer trabalhar seis dias por semana para ter apenas um dia de folga. Em algumas regiões do país, redes de supermercados já relatam dificuldade para preencher vagas”, diz.

De acordo com o professor, os principais empregadores da escala 6×1 são grandes empresas do setor de serviços e comércio varejista, como redes de supermercados e farmácias.

Esses grandes grupos têm plenas condições de absorver mudanças na jornada. O que existe, na verdade, é um conflito ideológico entre capital e trabalho”, afirma.

Impacto no pequeno comércio

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Um dos argumentos mais utilizados pelas entidades empresariais é que o fim da escala 6×1 poderia provocar fechamento de pequenas empresas. César Sanson, no entanto, afirma que estudos indicam impacto limitado nesse segmento.

O grande empregador da escala 6×1 é o grande capital. Estudos do Ipea mostram que o impacto no pequeno comércio tende a ser pequeno e perfeitamente assimilável”, afirma.

Ele ressaltou que muitos estabelecimentos familiares já operam com escalas diferentes:

“Muitas pequenas empresas funcionam com três ou quatro empregados e já adotam escala 5×2. Em vários casos, os próprios membros da família assumem o trabalho aos sábados”.

O professor também afirma que eventuais impactos podem ser compensados com ajustes na legislação:

“O governo, se for necessário, pode criar mecanismos tributários específicos para pequenas empresas. Do ponto de vista econômico, não há impedimento estrutural para essa mudança”, afirma.

Debate sobre jornada

Uma das questões centrais do debate é como reorganizar a carga horária caso a escala 6×1 seja extinta. Atualmente, a jornada máxima prevista na legislação brasileira é de 44 horas semanais.

Para César Sanson, apenas redistribuir essas horas ao longo de cinco dias pode acabar aumentando a carga diária de trabalho.

“Caso você simplesmente redistribua as 44 horas em cinco dias, o trabalhador pode acabar tendo jornadas de quase nove horas diárias. Isso mantém um nível elevado de desgaste”, afirma.

Para o professor, a solução ideal seria vincular o fim da escala 6×1 à redução da jornada semanal:

“O ideal seria reduzir a jornada para 40 horas semanais e distribuí-las ao longo de cinco dias, assim você garante mais tempo livre para o trabalhador”, diz.

Foto: Alisson Almeida

Há também propostas mais ambiciosas em debate, como a escala 4×3 defendida pelo Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP).

O professor, porém, considera que essa proposta tem pouca viabilidade neste momento no Congresso Nacional.

“O debate mais realista deve girar em torno da redução da jornada para cinco dias e eventualmente para 40 horas semanais”, avalia.

Impactos econômicos

Estudos divulgados por entidades empresariais e consultorias econômicas têm apontado possíveis impactos negativos da medida, como redução do PIB, queda na renda e perda de competitividade.

Para Sanson, essas projeções costumam desconsiderar efeitos positivos que podem surgir com a mudança.

“Há estudos que mostram o contrário: trabalhadores mais descansados produzem mais. A redução da jornada pode melhorar a produtividade e reduzir acidentes de trabalho”, afirma.

Ele também destaca que a diminuição da jornada pode gerar novos postos de trabalho.

“Historicamente, a redução da jornada esteve associada a trabalhar menos para que mais pessoas trabalhem. Os setores que funcionam sete dias por semana vão precisar contratar mais trabalhadores”, afirma.

Para ele, isso pode gerar efeitos positivos sobre a economia: “Mais empregos significam mais renda, mais consumo e mais dinamismo econômico”, diz.

Qualidade de vida e saúde mental

Foto: Letycia Bond/Agência Brasil

Para o professor, outro aspecto central do debate é o impacto da jornada de trabalho sobre a saúde mental e a qualidade de vida dos trabalhadores.

Ele relata o caso de um estudante da UFRN que trabalhava na escala 6×1 e decidiu fazer sua monografia sobre a própria experiência.

“O relato dele é impressionante. Era um jovem casado, com filha, o único dia de folga acabava sendo usado para dormir e recuperar o cansaço acumulado da semana”, conta o professor, para quem a rotina de trabalho pode comprometer inclusive a convivência familiar:

“As pessoas passam a viver praticamente em função do trabalho. Muitas vezes não conseguem conviver com a família nem ter tempo para lazer”.

Debate político

Apesar do crescimento do apoio social à mudança, Sanson acredita que o debate sobre a proposta deve ser intenso no Congresso Nacional.

“O capital vai tentar retardar ao máximo esse processo e buscar compensações. Isso sempre acontece quando há propostas de ampliação de direitos trabalhistas
”, afirma.

Ainda assim, ele avalia que a mudança tende a avançar:

“Existe uma contradição: muitos parlamentares são ligados ao setor empresarial, mas também respondem às suas bases eleitorais. Hoje está cada vez mais evidente que a escala 6×1 é uma condição extremamente pesada para os trabalhadores”.

Para o professor, a discussão sobre redução da jornada também se conecta a debates mais amplos sobre o futuro do trabalho.

Historicamente, reduzir a jornada significou trabalhar menos para viver melhor. Hoje podemos acrescentar um terceiro elemento: trabalhar menos também significa reduzir a pressão sobre o meio ambiente”, afirma.

Ele observa que a lógica produtivista atual impõe custos sociais e ambientais cada vez mais visíveis.

Estamos vivendo uma crise climática global. Trabalhar menos pode significar mais emprego, mais qualidade de vida e menos pressão sobre o planeta”, conclui.

Fonte: saibamais.jor.br

8 de março, mas o mundo ainda é todinho dos homens

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8 de março, mas o mundo ainda é todinho dos homens

“Mas ele tocou em você?” — foi a pergunta que a segurança da festa me fez quando fui denunciar uma situação de assédio em um barzinho de Brasília, vivida exatamente na véspera do Dia das Mulheres. Como se precisasse tocar para a gente se sentir invadida, comida com os olhos, vigiada, impedida de dançar, de curtir a festa sem medo, de sermos nós mesmas.

Tive que conversar com outras mulheres que estavam ali para ter certeza de que não estava louca, que não era coisa da minha cabeça, que eu tinha razão, sim, de me indignar. Todas com quem eu falei confirmaram que o cara estava, sim, perto demais, me cercando, restringindo minha liberdade de dançar e de me sentir bem fazendo isso. Todas, exceto minha amiga, que concordou com a segurança da casa, talvez por não entender direito a situação, talvez por simplesmente não querer criar confusão. Mas, mesmo diante da turma do “deixa disso”, quis insistir no absurdo de denunciar e permaneci no desejo firme de tentar convencer a gerente do lugar a tomar alguma atitude, retirar dali aquele cara que estava incomodando a mim e a outras mulheres, para que eu pudesse me sentir livre e segura novamente.

E a gerente chamou o segurança homem, já que a segurança mulher exigiu que, para configurar o assédio, ele teria que ter me tocado. Fomos até a mesa das minhas amigas, mas não encontrei o assediador, a princípio.

Perguntei pelo cara às moças que tinham confirmado que ele estava mesmo incomodando quando, de repente, ele surgiu, livre, em frente ao palco, perto de outro grupo de mulheres igualmente assediadas da mesma maneira sutil de quem sabe exatamente o limite tido como aceitável — de que comer com os olhos é permitido, mesmo que nenhuma mulher ali tenha lhe dado esse direito. Mas é que esse direito parece ter sido dado aos homens em geral pela sociedade há tempo demais para mudar agora, de repente, e só porque alguma mulher louca resolveu se incomodar, quando deveria aceitar ou, se quiser evitar, sair de cena, parar de dançar, deixar de ser ela mesma e até mesmo ir embora, para evitar confusão, para não provocar uma chateação dessas.

Depois de confirmar com outra mulher a identidade do sujeito, o segurança finalmente retirou o camarada do lugar, ou pelo menos eu achei que o tivesse feito.

Só que a minha noite já tinha acabado. Fiquei exausta de tantas idas e vindas atrás de alguém que se importasse e de fato tomasse uma atitude ali. Até tentei voltar a dançar, mas minha energia não era a mesma; minha alegria foi interrompida.

E, por tudo isso, do alto da maturidade dos meus 48 anos, resolvi ir embora, sem falar nada para minhas amigas, para não acabar com a festa delas também. Afinal, era um aniversário e tudo estava maravilhoso até aquele momento — para quem não estava dentro daquele problema que eu criei para mim, né?

Pedi o Uber, mas, enquanto estava esperando, vi o cara ali dentro ainda, sentado numa mesa, curtindo a festa. Não acreditei e fui questionar o segurança. Ele me olhou como se eu fosse louca e disse que “duas mulheres haviam dito a ele que o cara não fez nada”, e assim lavou as mãos.

Foi quando resolvi fotografar o cara dentro do estabelecimento, até para garantir a minha segurança ali enquanto esperava o carro chegar. Não prestou. Uma das duas mulheres que estavam do lado dele avançou em mim e exigiu que eu apagasse a foto. Eu disse que não ia apagar, pela minha segurança, mas que já estava indo embora, que ele conseguiu, afinal, o que queria: permanecer ali e impedir outras mulheres de se sentirem à vontade para ficar no mesmo ambiente.

Ela me fotografou e me filmou de volta, em resposta à minha ousadia de não aceitar apagar a foto dele. E ainda me ameaçou, berrando que nos veríamos na delegacia, que sabia que o irmão dela não havia feito nada. Eu gritei de volta com minhas últimas forças: você tem certeza disso?

Fiquei muito nervosa, chorei, tentei voltar para perto das minhas amigas, imaginando que precisaria do apoio delas, que, a essa altura, não estavam entendendo mais nada. Tentei explicar, mas só consegui chorar. Meu Uber chegou e fui embora, com a dor de quem entende que perdeu novamente de 1000 a 0 para a naturalização das pequenas violências de gênero de cada dia.

Acordei cedo com uma sensação de impotência, uma vontade de me esconder do mundo, de não sair mais de casa, e ainda com medo de a irmã do cara cumprir a ameaça que fez de me levar a uma delegacia, de ter que prestar um depoimento que provavelmente ninguém vai acreditar se eu disser que fui submetida a algum tipo de violência ali — porque, afinal, ninguém me tocou, né?

E hoje, este 8 de março amanheceu cinza assim, sem esperança alguma para as mulheres que imaginam um mundo onde possam viver plenamente, sem medo… Porque o mundo, infelizmente, ainda é todinho dos homens.

Fonte: saibamais.jor.br

a dança e os versos potentes de Ale Du Black

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De Areia Branca ao hip-hop: a dança e os versos potentes de Ale Du Black

A artista potiguar Ale Du Black costuma dizer que sua relação com a arte começou antes mesmo dela entender exatamente o que aquilo significava. A lembrança mais antiga que guarda é da infância, em Areia Branca, cidade salineira do litoral norte potiguar onde nasceu e cresceu. Aos cinco anos de idade, já participava das apresentações da escola, dançando em eventos e festas locais.

A escola foi o primeiro palco e também a porta de entrada para programas socioculturais da cidade, como o ProMAD, iniciativa voltadas à formação artística de crianças e adolescentes. Nessas oficinas, transitou por diversas linguagens: começou pela capoeira, passou pela música e encontrou no teatro um espaço de permanência. Mesmo tímida, era constantemente chamada para participar de apresentações e eventos comunitários.

Essa diversidade de experiências artísticas ajudou a construir a base da artista que surgiria anos depois. Em Areia Branca, Ale também se envolveu em grupos independentes de teatro de rua, que combinavam dança, música e encenação, numa estrutura próxima a um musical. Ao mesmo tempo, absorvia referências populares que circulavam com força no interior potiguar, especialmente o forró e o reggae. No imaginário artístico da jovem, também estavam figuras femininas que dominavam os palcos da música popular brasileira e nordestina, como cantoras de bandas de forró e artistas pop que ocupavam espaços de protagonismo.

Dança como ferramenta de aproximação

Foi nesse contexto que o rap começou a aparecer em seu horizonte. Ainda adolescente, por volta de 2008, Ale teve os primeiros contatos com a cultura hip-hop. Mas entrar nesse universo não parecia simples. Naquele período, as batalhas de rima eram ambientes majoritariamente masculinos, marcados por disputas agressivas e, muitas vezes, por discursos machistas e LGBTfóbicos.

“Eu pensava assim: sendo uma pessoa LGBT, se eu entrar numa batalha dessas, vou ser massacrada”, lembra.

Apesar do receio, o desejo de participar daquele universo permaneceu. A aproximação inicial aconteceu por meio da dança. Em 2015, ela passou a frequentar encontros de hip-hop em Areia Branca com grupos de dança que se apresentavam nas batalhas. Aos poucos, fez amizades com MCs locais e começou a experimentar o freestyle de maneira informal, entre amigos. Foi nesse período que percebeu que poderia ocupar também aquele espaço.

As primeiras referências femininas dentro do rap tiveram papel importante nesse processo. Grupos como Atitude Feminina e o coletivo Antônias ajudaram a ampliar seu imaginário sobre quem poderia fazer rap. A postura incisiva das MCs mostrava que havia espaço para vozes femininas e, com o tempo, Ale passou a se enxergar dentro dessa possibilidade.

O momento da transição

A mudança mais profunda em sua trajetória aconteceu em 2018, quando se mudou para Natal para cursar licenciatura em dança na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. A chegada à capital representou uma ampliação de horizontes pessoais e artísticos.

Segundo ela, o contato com novos ambientes culturais e com a diversidade da cidade ajudou a fortalecer processos internos que já estavam em curso. Embora diga que sempre soube quem era, foi nesse período que começou a se expressar com mais liberdade.

“Eu sempre digo que não sei exatamente quando aconteceu a transição. Eu sempre soube quem eu era. O que existiu foi um momento em que o mundo quis me podar para ser algo que eu não era”, afirma.

A afirmação pública de sua identidade aconteceu em 2020, quando decidiu que não queria mais ser chamada pelo nome que usava antes e passou a assumir definitivamente sua identidade como mulher trans. Esse momento coincidiu com o início mais estruturado de sua carreira musical.

Ainda em Natal, Ale começou a escrever poesias e a publicá-las nas redes sociais. Sem grandes pretensões, gravava vídeos recitando textos autorais ou experimentando rimas. Foi nesse período que surgiu a ideia de transformar essas poesias em música.

A pandemia de covid-19 acabou influenciando diretamente esse processo. Em 2020, ela gravou uma versão demo de uma música autoral e publicou o vídeo na internet. O retorno inesperado marcou um ponto de virada:

“Eu postei e fui dormir. Quando acordei, o vídeo tinha mais de mil visualizações. Para mim aquilo era enorme na época”, conta.

A repercussão incentivou o lançamento oficial de seu primeiro single no mesmo ano. Embora já tivesse alguns anos de envolvimento com o movimento hip-hop, Ale considera 2020 como o marco oficial de sua carreira musical. Enquanto isso, produzia conteúdos diversos para as redes sociais, alternando performances de dança, poesia falada e música.

A partir dali, a trajetória ganhou velocidade. Em 2021, participou do festival online Cenas da Periferia, onde apresentou um show de 30 minutos que misturava rap, coreografia e performance cênica. A apresentação contou com bailarinos convidados e reforçou uma característica que se tornaria marca de seus trabalhos: a mistura entre música e espetáculo visual.

“Eu pensei que, se ia chegar como rapper, queria chegar também com o meu balé”, explica.

A repercussão do show nas redes sociais foi intensa. Internautas passaram a compará-la a grandes performers da música pop, apelidando-a de “Beyoncé do rap em Natal”, referência que ela relembra com humor, mas também como sinal do impacto que a apresentação teve.

Em 2022, lançou o clipe “Ataque Letal”, produção que chamou atenção pelo visual elaborado, incluindo a participação de uma cobra em cena. O vídeo ampliou sua visibilidade na cena local e abriu novas portas para apresentações presenciais.

No mesmo ano, conseguiu aprovar um projeto em edital de economia criativa que possibilitou a gravação de seu primeiro EP, intitulado “Ghetto é Luxo”. O trabalho começou a ser produzido em julho de 2022 e marcou um salto em sua carreira. Ouça:

O lançamento do EP aconteceu durante o Festival DoSol, um dos eventos mais importantes da música independente no estado. O disco apresentou uma artista mais consolidada e trouxe colaborações com nomes da cena local, como o rapper CAZASUJA. Uma das faixas em parceria, “Big Bang”, tornou-se um dos destaques do projeto.

O videoclipe da música recebeu o Prêmio Hangar de melhor videoclipe de linguagens urbanas em 2023 e também conquistou menção honrosa no festival Céu de Videoclipes, realizado na praia da Pipa, no litoral sul potiguar.

Nos anos seguintes, Ale passou a integrar iniciativas de fortalecimento da cena musical independente, como a Incubadora DoSol, projeto que acompanha artistas em processos de desenvolvimento artístico e profissional. Ao mesmo tempo, continuou explorando novas sonoridades.

Seu trabalho mais recente, o EP “Quatro”, amplia as referências musicais da artista e dialoga com ritmos como dancehall, ragga e afrobeat. A pesquisa sonora também abriu espaço para colaborações internacionais, como a parceria com o DJ ugandense Julian Kay na faixa “Ganja Boy”.

Mesmo com os avanços da carreira, Ale ressalta que grande parte de sua produção foi financiada com recursos próprios. Durante os anos de universidade, por exemplo, usava parte das bolsas estudantis para custear gravações e videoclipes:

Se eu juntava três ou quatro mil reais, já conseguia gravar um clipe simples. Então muita coisa foi construída assim, na insistência”, diz.

Persistência e experimentação: os pilares da carreira

Hoje, olhando para trás, a artista vê sua trajetória como resultado de uma combinação entre persistência, experimentação artística e a vontade de ocupar espaços historicamente negados a pessoas trans dentro da música. Do interior de Areia Branca aos palcos da cena independente potiguar, Ale Du Black construiu um caminho próprio dentro do hip-hop. Um percurso que começou na dança infantil da escola e se transformou em uma carreira que mistura música, performance e afirmação política. Para ela, cada projeto representa um momento específico da vida:

Nunca vai existir outro trabalho igual ao ‘Ghetto é Luxo’, porque cada obra é um retrato do que a gente estava vivendo naquele momento”, resume.

Para ela, editais culturais e políticas públicas são ferramentas importantes para artistas independentes, mas a persistência e o esforço individual continuam sendo fundamentais. Hoje, ao olhar para trás, Ale Du Black reconhece que sua história reflete uma busca constante por espaço.

Da menina tímida que dançava nas festas escolares em Areia Branca à rapper que mistura performance, poesia e música nos palcos de Natal, sua trajetória revela como a arte pode abrir caminhos onde antes pareciam existir apenas limites.

“Eu sempre fiz pensando no que eu gostaria de ver. O resto vai acontecendo”, resume.

Confira seu último lançamento, o videoclipe da faixa P.G.B.S (Posturada, Gostosa, Bonita e Sagaz):

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Fonte: saibamais.jor.br