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juventude, política e e militância travesti em Natal

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Akira Vasconcellos: juventude, política e e militância travesti em Natal

A história de Akira Vasconcellos não começa nos espaços institucionais da política, nem nos palcos de militância já consolidados. Ela tem início dentro de uma escola pública, ainda na adolescência, em meio a conflitos, descobertas e enfrentamentos que moldariam sua atuação futura. Hoje, com apenas 18 anos, sua trajetória já carrega as marcas e aprendizados desse percurso.

“Falar do meu trabalho é uma coisa bem longa”, diz Akira, em entrevista à Agência Saiba Mais, ao relembrar os primeiros passos na Escola Municipal Juvenal Lamartine, em Natal. Foi ali, ainda no ensino fundamental, que teve o primeiro contato com a política ao integrar o conselho escolar. Mas também foi ali que entendeu, na prática, como o debate sobre diversidade pode ser atravessado por resistência e violência.

Um episódio marcou esse início: a chegada de uma estudante trans à escola. A reação de parte da comunidade escolar foi imediata e hostil. “Ela foi muito atacada pelos pais. E eu não entendia aquilo, mas queria ajudar”, conta.

Na época, Akira ainda não se identificava como travesti e tentava, com as ferramentas que tinha, abrir espaço para o diálogo. Tentou levar uma palestra sobre a comunidade LGBTQIAPN+ para a escola, mas o projeto foi barrado. “Disseram que eu estaria ensinando os alunos a serem gays, lésbicas, trans. Eu tinha 14 anos e fui muito atacada. Não entendia por que tanto ódio.”

Descoberta e liderança

A entrada no ensino médio, no Instituto Padre Miguelinho, marcou uma virada. Foi ali que Akira começou a compreender sua identidade de gênero e, ao mesmo tempo, aprofundou sua atuação política.

Em poucas semanas, passou de aluna recém-chegada a secretária-geral do Grêmio Estudantil da escola. Quatro meses depois, já ocupava a vice-presidência.

Mas o ambiente escolar continuava sendo um território de disputa. Em 2023, enquanto iniciava seu processo de afirmação como mulher trans, Akira foi vítima de violência dentro da escola.

“Me trancaram no banheiro. Fiquei das 11h até 13h30 lá dentro. Eu chorava, estava desesperada”, relembra. O episódio, somado a constantes ataques e ao uso do nome morto por colegas.

O chamado “nome morto” é o termo utilizado para se referir ao nome de registro civil atribuído a uma pessoa trans ao nascer, mas que já não corresponde à sua identidade de gênero. O uso desse nome, especialmente após a adoção do nome social é considerado uma forma de desrespeito e pode causar constrangimento, exposição e violência simbólica. No Brasil, o direito ao uso do nome social é reconhecido em diferentes esferas, como escolas, universidades e serviços públicos, sendo um elemento fundamental para garantir dignidade e reconhecimento às pessoas trans.

A trajetória política de Akira também passa por contradições. Ao entrar em um coletivo de militância ainda no início da atuação, viveu experiências que hoje revisita com crítica. O rompimento com esse grupo foi um ponto de inflexão. A partir daí, Akira se aproximou do coletivo Juntos e passou a reformular sua prática política, com foco em educação, cultura e atuação direta nas escolas.

Também integrou a Feira do Mandume, onde atuou como produtora executiva. O coletivo desenvolve uma agenda antirracista, com atuação centrada na valorização e difusão da cultura negra.

SAIBA MAIS: Coletivo leva arte negra às escolas e desafia o currículo racista

A atuação de Akira também se estende ao campo da formação e da troca de saberes. Como palestrante, ela já levou debates sobre vivências trans, política e questões raciais para diferentes espaços, como os Institutos Federais, com atividades no IF de João Câmara, ao lado da vereadora Brisa Bracchi (PT), e no IF das Rocas, além de encontros no coletivo Feira do Mandume. Nessas ocasiões, sua fala parte da própria experiência para dialogar com jovens e comunidades sobre identidade, direitos e enfrentamento às violências.

A vida de Akira é atravessada por uma equação delicada entre militância e sobrevivência. Hoje, após retificar seus documentos, ela tenta reorganizar prioridades:

“Estou focando em estudar, trabalhar, cuidar da minha vida.”

No começo deste ano, articulou, praticamente sozinha, a retomada do ato do mês da visibilidade trans em Natal, que não acontecia desde 2012.

“Eu vi um ato em São Paulo e pensei: vou fazer um aqui. E fiz em uma semana”, relata. Apesar da baixa adesão, considera o momento simbólico. “Foi histórico. E ano que vem vai ser maior.”

Quando questionada sobre as políticas que considera urgentes para a população trans em Natal, Akira aponta um descompasso entre discurso e prática, especialmente no que diz respeito ao acolhimento imediato:

“As pessoas dizem que estão lutando, mas quando aparece alguém precisando de ajuda de verdade, elas somem”, afirma.

Na avaliação de Akira, as prioridades são claras: políticas de permanência, acesso à moradia, alimentação e apoio contínuo.

“A gente precisa de cesta básica, de aluguel social, de acolhimento. Não adianta só falar de direitos se o básico não está garantido.”

Ela também aponta a necessidade de ampliar o acesso à educação e à permanência de pessoas trans nas escolas e universidades, além de fortalecer ações culturais como ferramenta de transformação.

“A cultura abre uma brecha de luz em uma vida que está escura”, diz.

Sonhos e futuro na política

Akira projeta o futuro de continuidade do que tem construído com a política. Quer disputar um cargo público em Natal e sonha em se tornar professora de Sociologia.

“Eu quero levar tudo isso para dentro da sala de aula. Foi na escola que eu descobri essa paixão.”

Também está no processo de escrita de seu primeiro livro, “O Mistério de Ser Eu”, onde pretende registrar parte das experiências que atravessam sua trajetória.

“A minha vida é muito conturbada. Se a gente fosse contar tudo, passava meses conversando.”

Uma trajetória em construção

A história de Akira Vasconcellos ainda está em curso. Jovem, mas já marcada por enfrentamentos intensos, ela se insere em uma geração que tensiona estruturas dentro e fora dos movimentos sociais. Entre avanços e frustrações, sua trajetória revela não apenas os desafios da militância trans em Natal, mas também a potência de quem insiste em transformar a própria experiência em ação política.

“Eu só quero que a gente não desista umas das outras”, finaliza.


Esta reportagem integra a série Traquejo, da Agência Saiba Mais, que, como o próprio nome sugere, se dedica a contar as trajetórias de pessoas trans e travestis que, diante das adversidades, inventam suas próprias formas de existir, criando caminhos, estratégias e jeitos de fazer acontecer.

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Fonte: saibamais.jor.br

César Ferrario fala de novo papel na Globo e saudade de Titina Medeiros

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César Ferrario fala de novo papel na Globo e saudade de Titina Medeiros
Fortunato (César Ferrario), Maria Helena (Quitéria Kelly) e Manoel (Daniel Rangel). Foto: Globo/Estevam Avellar

O ator potiguar César Ferrario estreou na última segunda-feira (16) em A Nobreza do Amor, nova novela das seis da Globo. Na trama, ele vive Fortunato Aragão, delegado e vereador na fictícia cidade de Barro Preto, localizada no interior do Rio Grande do Norte. O trabalho tem sido uma forma de lhe dar rotina e reorganizar a vida após a morte da companheira, a atriz Titina Medeiros (1977-2026), que partiu em janeiro vítima de câncer. A dor ainda lhe atravessa; as lembranças da esposa são constantes. “Mas ela continua em cada alegria”, diz César.

O delegado Fortunato é descrito como um homem rude e desagradável, sempre a serviço dos poderosos de Barro Preto. O personagem é casado com Maria Helena, interpretada por outra potiguar, a atriz Quitéria Kelly. Ferrario, assim como era Titina, tem sido um habitué de obras da Globo nos últimos anos. Já passou por ao menos cinco novelas, além de séries, trabalhos no streaming, cinema e inúmeras peças de teatro. Mas a estreia de uma nova novela, afirma, sempre lhe traz aquele “friozinho na barriga”.

“Apesar de ser mais uma novela, há sempre um ineditismo na experiência. Por mais que já tenha acontecido experiências anteriores, tudo se renova a cada trabalho, é sempre um novo desafio, é sempre um novo tema, é sempre uma nova história, é sempre um novo tempo. E por isso essa vertigem gostosa sempre nos assola”, conta.

Fortunato (César Ferrario), Maria Helena (Quitéria Kelly) e Manoel (Daniel Rangel). Foto: Globo/Estevam Avellar

César diz que tem sentido satisfação ao realizar o trabalho, desde que se juntou à equipe e também do que tem ouvido nos primeiros dias da trama no ar. 

“Estou muito feliz. Eu acredito muito na história da novela, não só por um viés fabular, de divertimento, mas também pela natureza do seu conteúdo.”

A Nobreza do Amor também marca o reencontro de César com Quitéria Kelly. Os dois potiguares já haviam vivido um casal anteriormente em Mar do Sertão (2022).

“Acho que foi uma sorte, por inúmeros motivos. Pela atriz que é Quitéria Kelly, que eu respeito muito, mas também pela pessoa dela, pelas conexões e pela amizade que ela nutre de muito tempo, não só comigo, mas também que mantinha com Titina, já que elas foram parceiras de cena muito tempo, se respeitavam, se amavam”, revela.

“Então eu acho que poder estar aqui do lado de Quitéria, nas circunstâncias que isso aconteceu, me parece até uma providência”, acredita.

Por conta das gravações nos Estúdios Globo, César está morando atualmente no Rio de Janeiro, mas o Rio Grande do Norte nunca lhe saiu da mente e do coração. A casa em Natal, diz, continua do mesmo jeito que deixou ao se mudar temporariamente. Como ator, diz que já houve um período em que almejou se mudar de vez para o Sudeste, por concentrar maiores oportunidades de trabalho. 

“Mas eu já passei dos 50, eu já estou querendo fazer cada vez mais um caminho de volta. Acho que estou querendo ir mais para o interior do Rio Grande do Norte ainda, mudar da capital para uma cidade pequena, se fosse obedecer desejos. Então, acho que mudar para cá definitivamente é cada vez mais improvável”, afirma.

Com vasta formação no teatro, Ferrario acumulou peças no grupo Clowns de Shakespeare e hoje é responsável pela Casa de Zoé, idealizada por Titina em 2013 como um ambiente de pesquisa e criação cênicas. O ator gosta de se envolver com tudo: a pesquisa, o trabalho de cena, a direção. Dividir o ofício entre o palco e a tela, diz, é um privilégio.

“Esse espaço daqui nos dá um reconhecimento, sim, pela larga proporção da distribuição do produto, entra em todas as casas e isso é importante para o ator também. Não há como negar. É muito satisfatório. Mas, ao mesmo tempo, também, poder manter esse trabalho artesanal, de estudo, de pesquisa. Enfim, eu acho que esse trânsito oferece a possibilidade do melhor dos dois mundos”, acredita.

Saudade

Desde a perda da companheira com quem viveu por mais de 20 anos, César diz que tem tentado “reorganizar toda essa realidade”. Titina morreu em 11 de janeiro, aos 48 anos, por complicações decorrentes de um câncer no pâncreas. A atriz deixou um legado para a cultura do Rio Grande do Norte e recebeu inúmeras homenagens. Buscando se manter bem enquanto processa o luto, Ferrario diz que a novela tem lhe ajudado a ter uma rotina diária enquanto tenta seguir a vida.

“O trabalho da televisão é um caminho muito programado de acordar, ir para o trabalho, fazer a cena, voltar para casa, decorar o texto, e isso tem sido muito importante para mim enquanto eu reorganizo tudo, porque de fato é algo que a gente olha e ainda não acredita. Todo dia de manhã, quando eu abro o olho, eu lembro como primeira atividade do pensamento e digo ‘não, não é verdade’. Mas, ao mesmo tempo, a vida continua. Ao mesmo tempo, a gente sabe que o correto a fazer é dar continuidade não só à nossa própria existência, mas também a todo esse legado que Titina nos ajudou a construir, ou que ela mesmo construiu e a gente pegou carona, não só nesses espaços televisivos, cinematográficos, como também de toda a estrutura que a gente mantinha e mantém em Natal enquanto realizações teatrais, culturais”, aponta.

O amor pelo forró acompanhava Titina e César. No Instagram do casal, alguns vídeos mostram os dias e noites dos dois cantando e tocando músicas eternizadas nas vozes de Mastruz com Leite, Flávio José e a banda Bicho de Pé. César assumia a sanfona, e Titina a voz.

“Existem muitos tipos de teatro, mas o nosso teatro se rende de uma forma muito feliz. A praça, a rua, a festa, a alegria, a felicidade. Então, quando a gente junta isso com o Nordeste, o forró quase exige estar presente”, conta César, emocionado.

O ator revela que ele e a esposa tinham a ideia, antes mesmo de identificar a doença de Titina, de colocar um “forrózinho de pé de calçada”, planejamento interrompido pela perda da atriz.

“Mas ela continua em cada música, em cada alegria, e eu estou criando coragem aqui para entender como é que a gente vai dar encaminhamento a esse desejo que a gente tinha juntos e que agora eu levo. Mas eu entendo que precisa ser realizado, eu acho que o próximo trabalho que a gente fizer pela Casa de Zoé, eu não sei quando, não sei como, mas certamente vai atender a esse desejo que ficou suspenso.”



Fonte: saibamais.jor.br

a metamorfose política de Álvaro Dias

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De aliado de Lula a candidato bolsonarista: a metamorfose política de Álvaro Dias
Ex-prefeito coordenou campanha de Bolsonaro em Natal em 2022, mas depois se disse “aliado do presidente Lula”. Foto: Reprodução

O ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias, lançou sua pré-candidatura ao Governo do Estado, no último sábado (21), em evento que teve como maior atração a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato à Presidência da República. O ato marcou também a filiação do ex-gestor ao PL, oficializando seu nome como representante do bolsonarismo na disputa estadual de 2026. O movimento sela uma guinada ideológica que reposiciona Álvaro Dias no espectro da política do Rio Grande do Norte. Depois de décadas transitando entre partidos de centro, centro-direita e até mesmo de esquerda, o ex-prefeito se reposicionou ao se apresentar agora como candidato da extrema direita.

A trajetória partidária de Álvaro Dias revela um perfil historicamente pragmático. Ele iniciou a carreira no antigo PMDB, passou pelo PDT e pelo PSDB e, antes de assinar a ficha do PL, foi filiado durante quatro anos ao Republicanos, chegando inclusive a presidir o diretório estadual da legenda.

Álvaro Dias se moldou a diferentes campos políticos

Nesse percurso, o ex-prefeito moldou sua identidade aos diferentes campos políticos pelos quais transitou. De 2003 a 2006, quando exerceu seu único mandato de deputado federal pelo Rio Grande do Norte, ele integrou a base de apoio do primeiro mandato do presidente Lula (PT).

Eleito pelo PMDB em 2022, ele migrou para o PDT em 2003. Em 2004, tornou-se vice-líder do partido fundado pelo líder trabalhista Leonel Brizola (1922-2004).

Ele retornou ao PMDB em 2011, foi eleito deputado estadual pelo partido em 2014 e vice-prefeito de Natal em 2016 na chapa encabeçada pelo ex-prefeito Carlos Eduardo Alves (PSD).

Em 2018, com a renúncia de Carlos Eduardo para concorrer ao Governo do Estado, Álvaro Dias se tornou pela primeira vez prefeito de Natal. Dois anos depois, foi reeleito em primeiro turno para o cargo pelo PSDB.

Após coordenar campanha de Bolsonaro em Natal, Álvaro disse que era “aliado do presidente Lula”

Ex-prefeito coordenou campanha de Bolsonaro em Natal em 2022, mas depois se disse “aliado do presidente Lula”. Foto: Reprodução

Nas eleições de 2022, ele declarou apoio e foi coordenador em Natal da campanha à reeleição do ex-presidente Jair Bolsonaro, que terminou sendo derrotado no segundo turno pelo presidente Lula.

Em outubro de 2023, durante um evento que marcou o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC-3) no Rio Grande do Norte, Álvaro Dias, à época recém-filiado ao Republicanos, fez um aceno ao presidente Lula.

Ele elogiou o presidente afirmando que Lula merecia “o respeito e a gratidão do povo nordestino” por ter feito “a maior distribuição de renda da história do Brasil”.

Na ocasião, Álvaro Dias lembrou que o Republicanos, seu então partido, fazia parte da base de apoio do presidente Lula. O ex-prefeito declarou que a legenda estava “com as mãos estendidas para participar desse projeto da construção e da mudança no nosso país”.

Dias depois, em entrevista a uma rádio local, o ex-prefeito reafirmou que ele, assim como o povo nordestino em geral, era grato ao presidente Lula.

Álvaro Dias declarou ainda que, independentemente de quem gostasse ou não, ele se considerava “um aliado do presidente Lula”.

Rejeição ao rótulo de “bolsonarista”

Álvaro Dias, ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro e do senador Rogério Marinho. Foto: Reprodução

Em janeiro passado, um dia depois de o senador Rogério Marinho (PL) anunciar que estava desistindo de concorrer ao Governo do Estado para coordenar a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, declarando apoio à pré-candidatura de Álvaro Dias, o ex-prefeito da capital rejeitou o rótulo de “bolsonarista”.

Ele, que já havia dito que era grato a Lula, dessa vez manifestou sua gratidão ao ex-presidente Jair Bolsonaro pelo “tratamento especial” que afirmou haver recebido dele quando estava na Prefeitura de Natal.

“Não me considero bolsonarista, mas vou carregar sempre dentro de mim um sentimento de gratidão muito grande ao presidente Bolsonaro”, disse, em entrevista a uma rádio local.

Apesar de rejeitar o rótulo de bolsonarista, Álvaro Dias confirmou sua filiação ao partido do ex-presidente Jair Bolsonaro. A ida do ex-prefeito para o PL se tornou pública com o vazamento das anotações sobre a “situação nos estados”, feitas pelo senador Flávio Bolsonaro, durante uma entrevista coletiva concedida pelo presidenciável na sede do partido em Brasília (DF).

SAIBA MAIS: Álvaro Dias prepara filiação ao PL após negar rótulo de bolsonarista

A postura negacionista durante a pandemia

Álvaro Dias acompanhando a montagem do centro de “tratamento precoce” da Covid-19 no ginásio Nélio Dias, Zona Norte de Natal. Foto: Reprodução Redes Sociais

Álvaro Dias, no entanto, deu sinais de sua inflexão política à extrema direita antes de se filiar ao PL para concorrer ao Governo do Estado.

Em junho 2020, ano em que foi reeleito prefeito da capital, Álvaro Dias anunciou nas redes sociais que sua administração iniciaria uma “distribuição em massa” de ivermectina, com “todo o acompanhamento médico necessário”, para fazer o “tratamento preventivo” da Covid-19.

As declarações motivaram a abertura de uma investigação pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) para apurar se houve propaganda eleitoral antecipada ou irregular nos atos do então prefeito, que naquele ano era candidato à reeleição.

Em entrevista a uma emissora de televisão à época, Álvaro Dias defendeu a distribuição do medicamento, que, conforme revelaram os estudos científicos, não possuía nenhuma eficácia contra o coronavírus.

Ele afirmou que “existem estudos in vitro [em laboratório], mas se funciona in vitro, deve funcionar em vivos também”.

A Justiça do Rio Grande do Norte, em julho daquele mesmo ano, determinou que a Prefeitura de Natal retirasse a ivermectina do protocolo de tratamento de pacientes com a Covid-19.

Além de distribuir remédio sem eficácia contra o coronavírus, Álvaro Dias também entrou em confronto com a governadora Fátima Bezerra (PT), comandando o boicote contra os decretos sanitários editados pela gestão estadual para frear o avanço da Covid-19 no Rio Grande do Norte.

A postura aproximou Álvaro Dias da agenda negacionista e anticientífica coloca em curso no plano nacional pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que também estimulou o uso de medicamentos sem eficácia, incentivou aglomerações e fez pregação contra a vacinação.

As idas e vindas de Álvaro Dias com Rogério Marinho

Foto: Divulgação

A filiação ao PL também marca um novo capítulo da relação política do ex-prefeito Álvaro Dias com o senador Rogério Marinho. Rompidos desde 2023, quando Álvaro acusou Rogério de mandar cancelar o envio de R$ 40 milhões do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) para a Prefeitura de Natal, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), eles se reaproximaram em janeiro de 2025.

Na ocasião, Rogério Marinho havia reunido aliados em um almoço na sua casa de praia em Búzios, no município de Nísia Floresta, quando ainda era pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte.

Entre os presentes ao almoço que se transformou em um verdadeiro comício estavam o próprio Álvaro Dias, o prefeito Paulinho Freire (União) e agora pré-candidato a vice-governadora Babá Pereira (PL), além de deputados federais, ex-deputados, prefeitos e ex-prefeitos de vários municípios potiguares.

Ao se dirigir a Álvaro Dias, Marinho disse que o ex-prefeito de Natal estava “talhado” para ser governador do Rio Grande do Norte. O elogio contrasta com uma declaração de dezembro de 2024 de Rogério sobre Álvaro. À época, o senador afirmou que não tinha como avaliar a gestão do ex-prefeito porque desconhecia a “situação fiscal” da Prefeitura de Natal.

“Eu não posso dar uma nota [à gestão de Álvaro Dias] porque eu não sei de que forma sai aí a questão de finanças, da questão fiscal do município. Eu realmente não tenho acesso a esses dados”, declarou o senador.

Em publicação sobre o evento nas redes sociais, Álvaro Dias disse que se tratou de um “momento de diálogo, troca de ideias e confraternização, mas marcado acima de tudo pelo espírito de união e mudança”.

O tom recente difere das declarações anteriores de Álvaro Dias sobre Rogério Marinho, a quem acusou de dar a determinação ao seu sucessor no Ministério do Desenvolvimento Regional, Daniel de Oliveira Duarte Ferreira, atual chefe de gabinete do senador do PL, para cancelar os convênios com a Prefeitura de Natal.

“Inexplicavelmente para nós, esses convênios que nós esperávamos que íamos [usar para] recuperar nossa orla urbana, pelo menos da Praia dos Artistas até a Praia do Forte e também investir no recapeamento de várias ruas e avenidas da cidade de Natal, não pudemos fazer na época por causa do cancelamento desses convênios”, declarou à época o ex-prefeito em entrevista à imprensa.

“Esses recursos deixaram de chegar para a Prefeitura [de Natal] e só agora nós estamos, depois de todo esse tempo, iniciando essas obras, porque foram cancelados e nós acreditamos, claro, que por uma determinação do ex-ministro Rogério Marinho, atual senador. Para nós foi uma surpresa”, completou Álvaro Dias.

SAIBA MAIS: Depois de acusar Rogério de “sabotar” Natal, Álvaro promete estar com ele em 2026

Acusação de uso da máquina nas eleições de 2024

Foto: Divulgação

Álvaro Dias também é réu na ação movida pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) de uso da máquina pública da Prefeitura de Natal nas eleições de 2024.

A denúncia afirma que o ex-prefeito “orquestrou como um todo o esquema eleitoral, valendo-se da máquina pública administrativa municipal” para favorecer a candidatura do prefeito eleito Paulinho Freire (União) e da sua vice, Joanna Guerra (Republicanos), além dos vereadores Daniel Rendall e Irapoã Nóbrega, ambos do Republicanos.

A ação cita que a “tônica presente na quase totalidade dos depoimentos narrados”, colhidos durante a investigação, era que o ex-prefeito “pediria os cargos comissionados e os empregos de terceirizados caso não houvesse apoio aos seus candidatos”.

De acordo com o MPE, “praticamente, todas as suas secretarias municipais, órgãos e entidades de sua gestão realizaram reuniões com seus subordinados diretos (cargos em comissão e empregados públicos) de cunho político” em favor de vereadores e dos candidatos majoritários apoiados pelo ex-prefeito Álvaro Dias.

“Em verdade, moveu-se a máquina pública administrativa municipal para contactar as lideranças comunitárias visando apoiarem o então candidato ao cargo de Prefeito, Sr. Paulinho Freire, e sua vice, a Sra. Joanna Guerra, em troca de serviços públicos a serem prestados em suas respectivas comunidades, bem assim de empregos (terceirizados) na estrutura da administração pública municipal”, apontou o Ministério Público.

SAIBA MAIS: Álvaro Dias “orquestrou” o esquema eleitoral para favorecer a eleição de Paulinho

Gestão desaprovada e obras inacabadas

Foto: Alisson Almeida

Além das denúncias de uso da máquina municipal nas eleições, Álvaro Dias encerrou sua última gestão na Prefeitura de Natal com um rastro de obras inacabadas e desaprovado pela maioria da população.

O Ranking de Aprovação dos Prefeitos de 2024, realizado pelo instituto Atlas Intel, apontou que 50% dos natalenses reprovaram a gestão do pré-candidato a governador do PL.

Álvaro Dias também transferiu a administração municipal ao prefeito Paulinho Freire com menos 46 obras paralisadas ou inacabadas, conforme apontado em relatório da Comissão de Transição, coordenada pela vice-prefeita Joanna Guerra, que foi entregue no início de 2025 ao Tribunal de Contas do Estado (TCE). Além disso, o ex-prefeito deixou uma dívida de quase R$ 900 milhões.

De acordo com o relatório, essas obras estão concentradas nas secretarias municipais de Educação e de Serviços Urbanos. A paralisação delas, ainda segundo o documento, “compromete a infraestrutura e a prestação de serviços, impactando diretamente a população”.

Uma das principais obras inacabadas deixadas pelo ex-prefeito é o Hospital Municipal de Natal, que segue sem funcionar, apesar de ter sido inaugurado no final de dezembro de 2024.

Em novembro do ano passado, durante reunião da bancada federal potiguar, a atual administração municipal disse que, para concluir a obra, precisaria de mais R$ 110 milhões.

SAIBA MAIS: “Herança maldita”: Álvaro Dias deixou dívida de quase R$ 900 milhões em Natal

Fonte: saibamais.jor.br

Mais uma janela para a infidelidade (partidária)

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Mais uma janela para a infidelidade (partidária)

Nos dias 26 de fevereiro e 2 de março de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou as 14 resoluções que disciplinarão as eleições gerais de 2026. Elas são “editadas e publicadas para orientar as condutas de partidos, coligações, federações partidárias, candidatas e candidatos sobre os procedimentos previstos na legislação eleitoral”.

Entre essas resoluções, destaca-se a relativa ao calendário eleitoral, que define as datas para a realização das convenções partidárias, o prazo para registro de candidaturas e o início da propaganda eleitoral. Também foi estabelecido que, entre os dias 5 de março e 3 de abril de 2026, “considera-se justa causa a mudança de partido de detentoras e detentores de mandatos de deputado federal, estadual ou distrital para concorrer às eleições majoritárias ou proporcionais”.

Esse período ficou conhecido como “janela partidária”, prevista no artigo 22-A da Lei dos Partidos Políticos (Lei nº 9.096/95), que estabelece a perda do mandato eletivo para quem se desfiliar, sem justa causa, do partido pelo qual foi eleito. A regra foi incluída pela chamada minirreforma eleitoral de 2015 (Lei nº 13.165), assim denominada por não se tratar de uma ampla reforma política.

Desde a aprovação da lei, a “janela” é aberta em ano eleitoral, sete meses antes da votação (em 2026, o primeiro turno ocorrerá em 4 de outubro), para parlamentares em fim de mandato (eleitos em 2022). Ela é específica para os eleitos pelo sistema proporcional: deputados federais, estaduais e distritais. Não se aplica, neste caso, a vereadores (eleitos em 2024), nem a senadores e governadores, que são escolhidos pelo sistema majoritário. Como a janela partidária tem duração de um mês, até 3 de abril, mantém-se a exigência de filiação partidária mínima de seis meses para disputar cargos eletivos, ou seja, pelas regras eleitorais, os candidato(a)s devem estar filiado(a)s a um partido pelo menos seis meses antes da eleição.

Resumidamente, a janela partidária permite que parlamentares mudem de partido sem perder o mandato, funcionando como uma exceção à regra da fidelidade partidária. Segundo a legislação, trata-se de “um mecanismo para a reorganização das forças políticas antes das eleições gerais de outubro”. Já os ocupantes de cargos majoritários, como presidente da República, governadores e senadores, podem trocar de partido sem necessidade de apresentar justa causa.

Por essa razão, fora desse período, o parlamentar que quiser mudar de partido deve apresentar justificativa adequada. Durante a janela partidária, entretanto, a troca de legenda é considerada justa causa.

Os partidos podem solicitar à Justiça Eleitoral a decretação da perda de cargo eletivo em caso de desfiliação sem justa causa. Além da janela partidária, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE)  reconhece outras hipóteses de justa causa, como incorporação ou fusão de partidos, criação de novas legendas, mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário e grave discriminação pessoal.

A medida consolidou-se a partir de 2007, quando o TSE, em decisão referendada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), estabeleceu a fidelidade partidária para cargos proporcionais. A Resolução TSE nº 22.610/2007 determinou que, nesses casos, o mandato pertence ao partido, e não ao candidato eleito.

Posteriormente, a Lei nº 13.165/2015 formalizou a criação da janela partidária, permitindo a troca de partido, sem perda de mandato, no final de cada legislatura. Com a proibição do financiamento empresarial de campanhas e a limitação das doações de pessoas físicas, o Fundo Partidário tornou-se a principal fonte oficial de financiamento das campanhas eleitorais.

Qual o impacto no sistema partidário? Certamente haverá um rearranjo na composição dos partidos. As trocas partidárias terão impacto direto na formação de alianças e coligações para as eleições de outubro, tanto no plano estadual quanto no nacional, podendo alterar a configuração do Senado, da Câmara dos Deputados e das Assembleias Legislativas.

Além do presidente e do vice-presidente da República, serão eleitos 27 governadores e 27 vice-governadores, 513 deputados federais, 54 senadores (dois terços do Senado), 1.035 deputados estaduais e 24 deputados distritais.

Essas movimentações podem ampliar as bancadas de determinados partidos e aumentar suas chances eleitorais, além de impactar diretamente na distribuição de recursos públicos, como o Fundo Especial de Financiamento de Campanha. De acordo com a legislação, 5% dos recursos são distribuídos igualmente entre todos os partidos com registro definitivo na Justiça Eleitoral, enquanto 95% são distribuídos proporcionalmente à votação obtida por cada legenda na última eleição para a Câmara dos Deputados.

O Fundo Especial de Financiamento de Campanha, conhecido como Fundo Eleitoral, é um fundo público exclusivo para campanhas, criado em 2017 após a proibição das doações empresariais pelo STF. Para as eleições de 2026, o montante previsto é de R$ 4,9 bilhões.

Os partidos também podem receber doações de pessoas físicas, limitadas a 10% da renda bruta anual do doador.

O que leva à troca de partidos, muitas vezes chamada de “leilão de mandatos”, é um conjunto de fatores, entre eles a fragilidade programática e ideológica dos partidos brasileiros. Em muitos casos, as legendas funcionam apenas como instrumentos para viabilizar candidaturas, sem identidade política, programática e ideológica clara.

Dessa forma, as negociações partidárias ocorrem, em grande medida, sem transparência para o eleitorado, priorizando interesses individuais e estratégias eleitorais.

A troca de partidos pode contribuir para o fortalecimento numérico das legendas, mas não garante, necessariamente, sucesso eleitoral. Além disso, frequentemente não está vinculada a programas ou ideologias, mas sim à ampliação do poder de barganha política de seus dirigentes.

A justificativa de que a janela partidária promove liberdade política aos parlamentares é, muitas vezes, vista como um pretexto legal. Na prática, ela não elimina distorções do sistema político-eleitoral brasileiro, amplia.

Primeiramente, porque as mudanças partidárias costumam ser motivadas por interesses individuais, sem consulta ao eleitorado, enfraquecendo a fidelidade partidária. Em segundo lugar, contribuem para a descrença da população nos partidos, uma vez que o eleitor vota em determinado projeto político (supondo sua existência) que pode ser abandonado pelo candidato eleito.

Assim, a janela partidária, em vez de fortalecer os partidos, tende a estimular práticas de barganha política e a perpetuar fragilidades estruturais do sistema partidário brasileiro.

Fonte: saibamais.jor.br

MP pede que ex-policial militar condenado volte ao regime fechado

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Caso Zaira: MP pede que ex-policial militar condenado volte ao regime fechado

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) entrou com um recurso para reverter a decisão judicial que concedeu progressão de pena para o regime semiaberto ao ex-policial militar Pedro Inácio Araújo de Maria, condenado a 20 anos de prisão pelo estupro e homicídio qualificado da estudante Zaira Cruz. O crime aconteceu durante o Carnaval de 2019, na cidade de Caicó, na região Seridó.

Pedro Inácio foi condenado em dezembro de 2025. O ex-policial, segundo as investigações, mantinha um relacionamento com a vítima. Antes de matá-la por estrangulamento, conforme indicado pela perícia, ele a estuprou duas vezes.

O ex-policial ficou detido durante cinco anos no quartel da Polícia Militar, no bairro Tirol, na Zona Leste de Natal. Nos últimos dois anos, ele estava na Companhia Independente de Policiamento e Guarda, localizada na Zona Norte.

A decisão que concedeu o benefício ao ex-policial foi proferida pela 2ª Vara Regional de Execução Penal. Pedro Inácio já está cumprindo pena em casa, sendo monitorado por tornozeleira eletrônica e não pode sair da residência entre 20h e 5h.

Ministério Público afirma que situação causa “indignação”

O Ministério Público manifestou indignação com a situação afirmando que “o caso concreto exige uma análise pericial apurada para possibilitar a progressão de regime”. O órgão argumenta que a gravidade concreta dos crimes e a periculosidade do ex-policial “exigem a realização de exame criminológico”.

De acordo com o MP, o juízo de primeiro grau havia dispensado a perícia por considerar suficiente o atestado de boa conduta carcerária e a ausência de novas faltas disciplinares. Para o órgão, no entanto, “o comportamento no presídio é um dado burocrático que não garante a segurança do retorno do apenado ao convívio social”.

O recurso do MP detalha que Zaira, à época com 22 anos de idade, foi morta por asfixia mecânica após sofrer violência sexual, o que demonstra crueldade e distorção de personalidade do agressor.

O documento ressalta que o condenado era policial militar na época dos fatos, o que torna a conduta ainda mais reprovável devido ao seu dever legal de proteção. Pedro Inácio ainda teria mais de 11 anos de pena para cumprir.

A defesa de Pedro Inácio sustenta que ele atingiu o tempo necessário para conquistar o benefício da progressão de pena para o regime semiaberto. A redução de 560 dias da condenação foi obtida através de trabalho interno e bom comportamento carcerário.

Benefício individual não se sobrepõe à proteção da sociedade e da coletividade, defende MP

Para o MP, a proteção da sociedade e da coletividade deve prevalecer sobre o benefício individual do preso. O órgão defende que “a análise técnica é considerada indispensável para evitar que a progressão ocorra de forma prematura ou temerária”.

O Ministério Público já havia ajuizado um recurso anterior pedindo o aumento da pena imposta pelo Tribunal do Júri. Para o órgão, a sentença não foi “justa nem proporcional diante da gravidade extrema e das circunstâncias dos crimes de estupro e homicídio qualificado praticados pelo réu”.

O Ministério Público ressalta ainda que a progressão de pena para o regime semiaberto “sem subsídio técnico seguro representa uma falha na proteção de futuras vítimas”.

“A perícia técnica é apresentada como a única forma de aferir o mérito subjetivo necessário para o benefício”, diz o recuso do MP, que pede o retorno do ex-policial ao regime fechado.

Fonte: saibamais.jor.br

Natal terá exibições acessíveis para pessoas com Transtorno do Espectro Autista

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Natal terá exibições acessíveis para pessoas com Transtorno do Espectro Autista

Sessões de cinema pensadas para quem precisa de um ambiente mais acolhedor e menos estimulante chegam a Natal nos próximos dias 21 e 28, por meio do projeto Cine Azul, em parceria com a rede Cinépolis. As exibições passam por uma série de adaptações para tornar a experiência mais confortável: o som é mais baixo, a iluminação da sala permanece parcialmente acesa e o público tem liberdade para se movimentar durante o filme, sem as restrições tradicionais de uma sessão comum.

Voltada especialmente para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), a iniciativa garante meia-entrada para esse público, além de gratuidade para um acompanhante.

Na programação, o primeiro sábado, dia 21, traz a animação “Cara de Um, Focinho de Outro”, de classificação livre. A história acompanha Mabel, uma jovem que usa tecnologia para transferir sua consciência para um castor robótico e, assim, se aproximar da vida selvagem de uma forma inusitada.

Já no dia 28, o público confere o filme nacional “Velhos Bandidos”, uma comédia que reúne um elenco de peso. Na trama, o casal de aposentados Marta e Rodolfo, vividos por Fernanda Montenegro e Ary Fontoura, decide planejar um assalto a banco com a ajuda de dois jovens, interpretados por Bruna Marquezine e Vladimir Brichta. No caminho, eles precisam lidar com o investigador Oswaldo, personagem de Lázaro Ramos.

Além das adaptações dentro da sala, o espaço oferece estrutura de apoio, como vagas exclusivas de estacionamento, empréstimo de fones abafadores de ruído e uma sala de regulação sensorial, ampliando o conforto e a autonomia do público durante toda a experiência.

Dados do IBGE apontam que o Rio Grande do Norte possui 37.625 pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), o equivalente a 1,1% da população estadual, índice ligeiramente abaixo da média nacional, de 1,2%. Entre os municípios, Natal lidera proporcionalmente, com 1,4% da população diagnosticada, seguida por Mossoró, Parnamirim e São Gonçalo do Amarante, todos com cerca de 1,3%.

Para a mãe atípica Yasmin Alves: “Sempre foi um desafio enorme, o som alto, a sala escura. As sessões adaptadas mudam muita coisa. É mais do que assistir a um filme, é sobre pertencimento, sobre acesso, sobre dignidade. Pela primeira vez, a gente consegue viver esse momento em família de verdade, espero que tenha mais vezes e que se torne uma realidade”, relata.

O Cine Azul é uma iniciativa de sessões de cinema adaptadas para pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) e suas famílias, oferecendo ambiente com luzes acessas e som reduzido. A principal rede com essa iniciativa é a Cinesystem, que divulga a programação mensal no seu site.

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Fonte: saibamais.jor.br

Festa em Natal promove concurso de melhor caracterização de “Dona Tânia”

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Tânia Maria vence prêmio no Chile e reforça corrida ao Oscar 2026

A festa Malagueta, que acontece nesta sexta-feira (20), em Natal, traz um elemento que foge do padrão das pistas: um concurso de caracterização inspirado na figura de “Dona Tânia”. A competição, que convida os participantes a reinterpretarem “Dona Tânia” a partir de diferentes leituras, seja pelo humor, pelo exagero ou pela estética. A ideia é estimular produções que dialoguem com a imagem que já circula nas artes da festa, criando uma espécie de desfile espontâneo ao longo da noite.

Dona Tânia é inspirada na atriz potiguar Tânia Maria, de 79 anos, que ganhou projeção internacional após sua participação no filme “O Agente Secreto”. Natural de Parelhas, no Seridó potiguar, ela saiu de uma trajetória como artesã para se tornar um nome comentado por veículos como o The New York Times e revistas especializadas em cinema. Com uma presença cênica marcada pela espontaneidade e pelo carisma, acabou conquistando o público dentro e fora do país.

Nas redes sociais, sua imagem rapidamente ultrapassou o circuito do cinema e passou a circular como meme. Dona Tânia tem se tornando um símbolo pop improvável que mistura orgulho nordestino, autenticidade e irreverência. É essa dimensão que a festa captura ao propor o concurso, levando o meme para o espaço físico da pista.

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Além da competição, a Malagueta reúne uma programação musical que mistura reggaeton, forró, funk e piseiro, com sets de Eliaz de Castro D’Medeiros, Iury Andrew (PE) e Juana Ócio. A entrada é gratuita até 1h, mediante lotação do espaço.

Serviço
Data: sexta-feira, 20 de março
Horário: a partir das 21h
Entrada: gratuita até 1h (sujeita à lotação)
Local: Loop Pub

Fonte: saibamais.jor.br

Fátima Bezerra repete Radir Pereira, quarenta anos depois 

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Fátima Bezerra repete Radir Pereira, quarenta anos depois 

Radir Pereira de Araújo (1919-2000) foi um importante comerciante e político potiguar, que saiu de Currais Novos para servir ao Exército no Rio de Janeiro e voltou à sua terra para iniciar uma trajetória vencedora no comércio.

Bem sucedido nos negócios, Radir sempre flertou com a política. Filiou-se ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e elegeu-se deputado estadual, em 1958, para uma série de sucessivos mandatos. 

Cotado para ser vice de monsenhor Walfredo Gurgel, em 1965, foi convencido por Aluízio Alves durante um comício em Currais Novos a ceder sua vaga para Clovis Motta. Com a extinção dos partidos, durante a ditadura militar, abrigou-se no Movimento Democrático Brasileiro, partido de oposição ao governo.

No MDB, disputou em 1978 a eleição para senador contra o também comerciante Jessé Pinto Freire, da Aliança Renovadora Nacional. Naquela eleição, Radir foi vítima de um acordo político denominado Paz Pública, firmado entre os ex-governadores Aluízio Alves (MDB) e Tarcísio Maia (ARENA).

Abandonado pelos próprios companheiros de partido, liderados por Aluízio, Radir ficou sozinho empunhando a bandeira da oposição e assim como o cacique dos versos de Djavan, “perdeu, mas lutou que eu vi”.

Em 1982, foi a vez de Radir trocar Aluízio pelo grupo Maia, abrindo mão da disputa para o Senado para Carlos Alberto de Sousa e se tornando vice-governador na chapa vitoriosa de José Agripino, de quem gozou plena confiança e a ponto de assumir o governo quando “Jajá” renunciou para disputar uma cadeira de senador, em 1986.

Como 46º governador do Estado, Radir executou fielmente o plano de obras traçado por Agripino, tanto que adotou com slogan de sua administração um conceito que traduzia a essência de seu governo: “Continuar para concluir”. Entre os raros feitos de iniciativa própria Radir estadualizo a UERN.

  Quarenta anos depois, a governadora Fátima Bezerra (PT) tende a repetir, guardadas as proporções, a história de Radir Pereira a continuar no cargo para concluir as obras do governo.

Deputada estadual, federal e senadora eleita, Fatima elegeu-se governadora em 2018 e reelegeu-se quatro anos depois, com uma vitória ainda mais tranquila. Governadora em segundo mandato, ela tentou voltar ao Senado agora, mas foi atropelada pela realidade, que deixou o PT do presidente Lula fora da disputa majoritária no Rio Grande do Norte.

Nessa hora, não adianta aos governistas e petistas apontar o dedo para aqueles que eles julgam culpados por esse estado de coisas, porque os outros quatros dedos de suas mãos estarão voltados para si.  

Fonte: saibamais.jor.br

De 4, sigo!

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De 4, sigo!

Um poema de Bia Crispim para @bia_crispim. Afinal, nem todo dia uma Travesti faz 49 anos neste país! Estes veros nascem da mistura de umas doses de gim-tônica, com palavras ditas pelas escritoras Clarice Lispector e Leila Tabosa, acrescidos da música de Raquel Reis, recheados da força do Cavalo de Fogo do Ano Novo Lunar Chinês e uma pitada de numerologia. Salpico sobre eles os votos prósperos para o novo ciclo, os desejos de abundância e de sucesso, os afetos impressos nas mensagens carinhosas e inspiradoras que recebi durante a semana, assim como minha pressa em viver enquanto não sucumbo. 

Dentro de mim 
habita 
um cavalo 
preto e lustroso…
Um cavalo de fogo.

Há dias em que ele 
é selvagem
em outros ele é doce. 
Seu relinchar me dá prazer 
às vezes, expressa dor(es).

Ele habita dentro de mim!

Clarice me diz coisas…
Me disse isso uma vez.

Estamos em 2026…
faço 49…
4+9 = 13…
1+3= …
4.

4 é o número! 
É número de estabilidade 
estrutura
trabalho árduo
disciplina 
e organização.

Aprenderei a disciplina?
Desconfio!
Organização?
Uma utopia!
Que eu experimente, pois!

Estamos em 2026!
E esse ano é meu!

É ano do cavalo de fogo.
É ano de bicho de quatro patas 
que relincha 
que dá coice 
que morde 
que cavalga 
que trota
que se empina 
que sacode o rabo 
(gostosamente…!!!) 
e se amostra com sua crina.

É ano de energia. 
É bicho de liberdade. 
É ano de movimento.
É bicho ligeiro. 
É ano de inteligência. 
É bicho forte 
e impossível.
É ano de novos começos.
É bicho de ação. 
É ano de transformação.
É bicho de energia Yang.

É força 
ativa
luminosa
masculina.
(Perderei minha feminilidade?)
Nunca!
Quente mulher 
serei!
“Ensolarada!”
Me disse Leila
Sem ser a Diniz…

Metamorfoses!
Já fui larva!
Um dia ganhei asas…

Sou de água 
mas deixarei 
o fogo me invadir. 
Mudo de elemento 
para me adaptar 
à condição de quadrúpede.

Perdi asas…
Ganhei patas…
Dois pares.

Este ano meu número é 4!
Estou “de quatro” por ele. 
Relincharei de prazer 
e talvez de dor(es)
mas não perderei a doçura 
nem a selvageria 
que habita em mim.

Não deixarei 
que meu cavalo preto e lustroso 
me abandone. 
Também não o abandonarei.

Ele será meu guia 
minha fortaleza…
Minha casa!
Meu veículo!

E me levará 
para onde eu desejar…
Para um meio-século 
vindouro…
De uma vida.
(Tão próximo!!!)
Vida minha…

Tenho sede de viver.
“tenho pressa de viver”
bípede como sou,
quadrúpede 
se meu cavalo
preto e lustroso 
doce e selvagem 
empancar 
ou quiser ir!

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Fonte: saibamais.jor.br

Walter alega falta de “espaço” no governo, apesar de ter indicado nomes para a gestão

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Walter alega falta de “espaço” no governo, apesar de ter indicado nomes para a gestão
Foto: Alisson Almeida

O vice-governador Walter Alves (MDB) distribuiu um comunicado à imprensa explicando as razões que o levaram a romper politicamente com a governadora Fátima Bezerra (PT). Ele alega, entre outros motivos, que não tinha “espaço na administração estadual”, apesar de ter indicado quatro nomes para compor o primeiro escalão da atual gestão: Luciano Santos (Assuntos Federativos), Paulo Varella (Meio Ambiente e Recursos Hídricos), Alan Silveira (Desenvolvimento Econômico) e Sérgio Rodrigues (Caern).

Desses, apenas os dois últimos deixaram os cargos após o rompimento do vice com a governadora. Walter Alves também anunciou que permaneceria no cargo para disputar uma vaga de deputado estadual, citando que havia recebido a “missão” de ser vice-governador e que não poderia ser “demitido”.

“Recebi a missão de ser vice-governador e estou cumprindo. O que não posso é assumir a cadeira de governador e ser responsável pelo colapso financeiro do estado, em apenas oito meses. Ficarei como vice-governador até porque, que eu saiba, a governadora não pode me demitir. Sou pré-candidato a deputado estadual”, disse.

No comunicado do MDB, o vice-governador afirma que, “mesmo sem espaço na administração estadual, tem atuado de forma presente junto aos municípios, ouvindo demandas e articulando soluções”.

De acordo com ele, a pré-candidatura a deputado estadual “surge como continuidade desse trabalho, ampliando sua atuação no legislativo estadual”.

“A decisão também foi construída em diálogo com lideranças políticas, prefeitos, vereadores e aliados em todo o Rio Grande do Norte, consolidando um projeto político pautado na união, no diálogo e no compromisso com resultados concretos para a população”, completa.

Em janeiro, após meses de especulação nos bastidores, Walter Alves anunciou o rompimento com o PT, disse que não assumiria o Governo do Estado em caso de desincompatibilização da governadora Fátima Bezerra para disputar o Senado e afirmou que seria candidato à Assembleia Legislativa.

Além disso, Walter Alves anunciou que apoiaria a pré-candidatura a governador do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União).

Walter quebrou o “compromisso firmado em 2022”, disse Fátima

Foto: Alisson Almeida

Na última terça-feira (17), a governadora anunciou que permaneceria no cargo, abrindo mão de disputar uma vaga no Senado Federal nas eleições de 2026. Fátima atribuiu a decisão à quebra de “compromisso” de Walter.

Em sua “Carta ao Povo Potiguar”, a governadora disse que a escolha do ex-aliado fazia parte de um “movimento articulado para tirar o PT do Senado”.

A governadora citou que, para viabilizar sua candidatura a senadora, “era necessário que o vice assumisse o governo, mas ele rompeu o compromisso firmado em 2022”.

Fátima disse que a decisão de Walter atendia “a interesses de uma velha elite que nunca aceitou um RN governado pelo povo”.

“Eles tentaram nos enterrar”, disse a governadora em trecho da sua carta aberta, fazendo referência ao plano para isolar o PT, que incluiria a crise política que levou ao rompimento de Walter Alves.

SAIBA MAIS: Houve um “movimento articulado para tirar o PT do Senado”, afirmou governadora

O que distingue mulheres e homens dos meninos é a maturidade”, disse governadora em indireta ao vice

Em outro trecho do comunicado, em aparente indireta dirigida a Walter Alves, Fátima afirmou que “o que distingue mulheres e homens dos meninos é a maturidade, a seriedade, a ética e o compromisso público”.

“Nunca me guiei por oportunismo ou interesse próprio. Minha vida sempre esteve a serviço de melhorar a vida do povo e para isso trabalhei como deputada estadual, deputada federal, senadora e governadora. Não há cargo no Senado que valha minha coerência, meus valores, minha honradez e meu compromisso com o Rio Grande do Norte”, expressou.

Em entrevista coletiva na sede da Governadoria do RN, após a leitura da carta aberta, Fátima reafirmou que Walter, apesar de convidado, abdicou de assumir o cargo e ser candidato à reeleição, rompendo o compromisso firmado em 2022 entre PT e MDB.

“De uma hora pra outra, de forma bruta, isso veio se dar agora no final do ano, ele comunicou que não assumiria mais o governo. A partir daí, evidentemente, que nós fizemos várias articulações com vistas a viabilizar, através da eleição indireta, um nome que tivesse compromisso com o projeto em curso e evitar retrocessos para o Rio Grande do Norte”, declarou.

SAIBA MAIS: Fátima Bezerra: “Não há cargo no Senado que valha meu compromisso com o RN”

Tese do “estado quebrado” é “narrativa descolada da realidade e sustentada por interesses eleitorais”, diz governadora

Logo após o anúncio do rompimento de Walter Alves, Fátima havia rebatido a tese do “colapso financeiro do estado”, citado pelo vice-governador como um das justificativas para não assumir o Governo do Estado.

Em entrevista à Rádio Universitária de Natal, no final de janeiro, a governadora classificou o argumento como “uma narrativa descolada da realidade e sustentada por interesses eleitorais”.

“Os fatos mostram uma situação totalmente diferente dessa narrativa que tentam pintar para dizer que o estado estaria quebrado. Quando nós chegamos ao governo em 2019, encontramos quatro folhas de pagamento em atraso. O comprometimento da Receita Corrente Líquida [RCL] com pessoal era de cerca de mais de 63%. Hoje, está em torno de 56% e a projeção é chegarmos ao final de 2026 próximo de 54%”, rebateu.

Fátima lembrou que, mesmo com os impactos severos das Leis Complementares 192 e 194, aprovadas em 2022 durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que reduziram drasticamente a arrecadação de ICMS sobre combustíveis e energia, o estado manteve o pagamento dos servidores em dia e conseguiu retomar uma trajetória de equilíbrio.

“Essas leis provocaram um abalo violento nas finanças dos estados. No nosso caso, somou-se a isso a redução da alíquota do ICMS de 20% para 18%, o que retirou quase R$ 800 milhões por ano do orçamento. Ainda assim, hoje não há um único servidor com salário atrasado. No dia 31, todos os ativos, aposentados e pensionistas recebem integralmente”, destacou.

Fátima acrescentou que, mesmo diante desse cenário adverso, o governo manteve políticas de desenvolvimento que resultaram em crescimento do emprego formal e atração de investimentos.

“O Rio Grande do Norte foi o primeiro estado do Nordeste a ter mais empregos com carteira assinada do que beneficiários do Bolsa Família. Modernizamos a política de incentivos, fortalecemos a indústria e hoje temos mais de 300 empresas beneficiadas, gerando dezenas de milhares de postos de trabalho”, disse.

Ela ainda ironizou a oposição afirmando que “se o estado estivesse no caos que tentam pintar, não haveria tanta gente querendo disputar a cadeira de governador”.

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Fonte: saibamais.jor.br