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Ex-vice de Robinson volta ao jogo como aliado de Paulinho e Ezequiel 

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Ex-vice de Robinson volta ao jogo como aliado de Paulinho e Ezequiel 

Ex-vice-governador na gestão de Robinson Faria, que acumulou altos índices de impopularidade ao longo do mandato, Fábio Dantas voltou ao jogo eleitoral e tem sido um dos comandantes da nominata do partido Republicanos. Ao lado dele, estão o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, o prefeito de Natal, Paulinho Freire, e o presidente da Câmara Municipal de Natal, Eriko Jácome.

A formação da nominata da legenda tem sido focada na disputa para a Assembleia Legislativa, com projeção de eleger entre sete e nove nomes. Ezequiel Ferreira, presidente da ALRN, é quem deve assumir a presidência do partido. Hoje, o Republicanos é comandado no estado pelo pré-candidato a governador Álvaro Dias, que vai migrar para o PL. Já o prefeito de Natal deve sair do União Brasil para o Republicanos.

O grupo de articuladores que vai comandar o Republicanos tem se reunido constantemente para fechar a nominata de 25 pessoas que vão concorrer à Assembleia. Entre os nomes possíveis estão os deputados Taveira Júnior, Ivanilson Oliveira, Ubaldo Fernandes, Cristiane Dantas, Terezinha Maia e Eudiane Macedo, além do próprio Ezequiel Ferreira.

Para a Câmara Federal, o principal nome deverá ser o da vice-prefeita de Currais Novos Milena Galvão Ferreira, irmã de Ezequiel. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (23) por Fábio Dantas à 98 FM.

Fábio Dantas atualmente é filiado ao Solidariedade, mas não deve concorrer nestas eleições pelo Republicanos. Ele deve focar no apoio à reeleição da esposa, a deputada estadual Cristiane Dantas.

O ex-vice de Robinson disputou sua última eleição em 2022, quando concorreu a governador pela chapa do bolsonarismo e terminou a corrida em segundo lugar, perdendo ainda no primeiro turno para a reeleita Fátima Bezerra (PT). O então candidato fez um apoio tímido a Bolsonaro naquela campanha e intensificou a ligação ao nome da extrema-direita somente na reta final da campanha.

Apesar da ligação passada com o bolsonarismo e do grupo ainda ter nomes ligados a esse campo — como Paulinho Freire —, Dantas tem dito que pretende formar uma nominata de centro, e deixar os candidatos livres para que apoiem quem quiser para o Executivo.

Ainda na entrevista à 98 FM, o ex-vice-governador foi questionado sobre a ausência no lançamento da pré-candidatura de Álvaro Dias ao Governo do RN, ocorrido no último sábado (21).

“Quando a gente perde a eleição, nem o vento bate nas costas”, disse ele, que completou que ainda recebeu um convite mas tinha outros compromissos. Segundo Dantas, ele ainda não definiu quem apoiará para governador.

Fábio Dantas possui três candidaturas no currículo: se elegeu como deputado estadual em 2010 e vice-governador em 2014. Com a postulação à governador naufragada em 2018, deu um hiato e voltou a concorrer em 2022, mas teve 22,22% dos votos e perdeu a disputa para Fátima Bezerra (PT) ainda no primeiro turno. 

Como vice-governador, a gestão logo acumulou rejeição e atingiu altos níveis de impopularidade, o que o fez romper politicamente com o governador no último ano. 

Um dos principais problemas da gestão foi o atraso no pagamento de servidores. Ao fim do mandato, Robinson Faria e Fábio Dantas deixaram quatro folhas de pagamento dos trabalhadores da rede estadual em atraso, relativas aos meses de novembro e dezembro de 2018 e aos décimos de 2017 e 2018. Os salários só foram quitados em 2022 pela governadora Fátima Bezerra (PT).

A ruptura foi marcada por críticas. Em julho de 2022, por exemplo, Dantas chegou a dizer em entrevista a uma rádio que “vice não manda em canto nenhum e eu não concordava com os rumos do governo Robinson”. Declarações parecidas, em que buscava se eximir da alta rejeição acumulada pela gestão estadual que fez parte, também foram dadas em outras entrevistas. 

Em 2018, o ex-governador ainda tentou se reeleger, mas com uma desaprovação de 81% segundo pesquisa Ibope/InterTV Cabugi, ficou apenas em terceiro lugar com 11% e sequer chegou ao segundo turno.

Fonte: saibamais.jor.br

CEI da energia solar é formada em Natal após aumento nas faturas

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CEI da energia solar é formada em Natal após aumento nas faturas

A Câmara Municipal de Natal formou uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar questões relacionadas à energia solar, após mudanças no método de cobrança que resultaram em aumento nas faturas de energia e reclamações por parte dos consumidores.

A CEI é presidida pelo vereador Kleber Fernandes (Republicanos). Um primeiro encontro ocorreu nesta segunda-feira (23) para definir o cronograma de trabalho, calendário de ações e as primeiras providências administrativas. A próxima reunião acontece nesta quarta (25), em que será apresentado um relatório preliminar com as primeiras constatações que levaram à instauração da CEI, além dos encaminhamentos iniciais.

“Na primeira reunião oficial, faremos a apresentação de um relatório preliminar com todas as evidências que motivaram a criação da comissão, além das primeiras notificações e oitivas das pessoas que serão convidadas e convocadas para prestar esclarecimentos”, detalhou Fernandes.

Na terça passada, representantes da Neoenergia Cosern estiveram na Câmara para explicar as mudanças na cobrança. Segundo a concessionária, cerca de 55 mil unidades consumidoras em Natal possuem sistemas de micro e minigeração distribuída (MMGD). 

Desse total, aproximadamente metade se conectou após 7 de janeiro de 2023, quando novos sistemas fotovoltaicos instalados passaram a ser enquadrados em um novo regime tarifário, com a cobrança gradual pelo uso da rede de distribuição.

Outro ponto abordado foi o sistema de rateio por ordem de prioridade, utilizado para a compensação dos créditos de energia excedente gerados pelos consumidores. O modelo havia gerado reclamações, mas, segundo a empresa, o problema foi solucionado por meio de ajustes internos. Além disso, a cobrança do ICMS sobre a energia também sofreu alterações recentes, mas a medida foi suspensa pelo Governo do Estado até o final deste ano.

Já na sexta (20), a Casa legislativa realizou uma audiência pública sobre o tema. Consumidores presentes relataram aumentos significativos nas faturas após as mudanças. Um dos participantes afirmou que, mesmo após investir em energia solar buscando economia, foi surpreendido por cobranças muito superiores ao esperado.

Fonte: saibamais.jor.br

PT-RN terá núcleo de juristas para combater fake news nas eleições

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PT-RN terá núcleo de juristas para combater fake news nas eleições

O PT do Rio Grande do Norte pretende formar um núcleo jurídico com voluntários para atuar no combate às fake news durante as eleições de 2026. A informação foi dada pela presidente estadual da sigla, a vereadora de Natal Samanda Alves, durante a sessão ordinária desta terça-feira (24).

“O PT no Rio Grande do Norte está formando um núcleo de juristas voluntários filiados ao PT, para que você, se tomar conhecimento de qualquer mentira que envolva o presidente Lula, a governadora Fátima Bezerra, Natália Bonavides, Mineiro, qualquer mandatário do PT, que você denuncie nas redes sociais do PT, que nós vamos investigar”, disse. 

A ideia, portanto, é criar um canal aberto de escuta e de denúncia pela população. Segundo Samanda, quem venceu com fake news anteriormente não vai conseguir desta vez.

“Aqueles que ganharam a eleição aqui há dois anos com fake news não vão se passar dessa vez, porque nós vamos lutar, não é para devolver com fake news não, mas para a gente garantir eleições limpas, sem mentira”, disse. 

Segundo a presidente do PT-RN, para conquistar um mandato é preciso trazer proposições.

“Tem que fazer o debate, debatendo os problemas reais do povo de Natal.”

O assunto ganhou destaque na campanha municipal de 2024. A então candidata a prefeita Natália Bonavides (PT) conseguiu direito de resposta e teve tempo maior durante o horário eleitoral gratuito para rebater uma notícia falsa espalhada pela campanha de Paulinho Freire (União), que foi eleito prefeito. Os magistrados entenderam que houve distorção da campanha de Paulinho Freire em relação a um projeto de lei que propunha penas alternativas à prisão para as pessoas que passam fome e cometem furtos de valor irrelevante.

Saiba Mais: Justiça: Natália ganha tempo extra de propaganda para rebater fake news de Paulinho

O tema também tem sido acompanhado pelo PT nacional. Na Casa 13, plataforma digital oficial do partido voltada para apoiar a comunicação da militância e campanhas eleitorais, há uma página online para que as denúncias de informações falsas sejam encaminhadas ao departamento jurídico.

Além disso, o partido do presidente Lula também já produziu uma cartilha de combate às fake news. O documento orienta como identificar uma mentira, como monitorá-las e desmenti-las. 

Na semana passada, o PT acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o senador Flávio Bolsonaro, o vereador Carlos Bolsonaro e o Partido Liberal (PL) por espalharem notícias falsas nas redes sociais e fazerem propaganda eleitoral antecipada negativa contra o presidente Lula e o PT. As fake news foram publicadas nas contas do Instagram dos bolsonaristas.

A ação pediu a remoção imediata de três vídeos publicados no Instagram no último dia 10 de março que espalham notícias falsas e tentam associar Lula, o PT e lideranças do partido, como a ministra Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais), ao crime organizado. 

“Trata-se de uma tentativa deliberada de manipular a opinião pública e degradar adversários políticos antes mesmo do início oficial do período eleitoral”, disse o PT.

Os advogados também argumentam que campanhas de desinformação como essa prejudicam o próprio funcionamento da democracia, pois contaminam o debate público com acusações sem base factual. Ao difundir informações falsas em larga escala, afirmam, acabam criando “realidades paralelas” que impedem que o eleitor forme sua opinião com base em fatos.

Fonte: saibamais.jor.br

um encontro com Fred Martins

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Hóspede do tempo: um encontro com Fred Martins

A música Brasília, de autoria de Sérgio Sampaio, integra o álbum Cruel, gravado em 1994, pouco antes de sua morte, e lançado posteriormente pela gravadora Saravá, com produção de Zeca Baleiro. Trata-se, portanto, de um disco póstumo. Na canção, o compositor descreve sua experiência com a cidade mantendo o tom de originalidade que o consagrou. Afirma o artista capixaba: “Posso dizer que começo a voar sossegado em seu avião e mesmo com o ar desse jeito tão seco consigo cantar no seu chão. Quase que me sinto em casa em meio a suas asas e “dáblius” e “eles” e eixos e ilhas.” 

Após um estranhamento inicial diante do ordenamento urbano da capital federal, com uma asa espelhando a outra, letras e números, e a previsibilidade dos serviços nas quadras, minha experiência passou a ser atravessada pela gratidão dos encontros. Destaco a sensibilidade dos gestos das pessoas para comigo e os afetos tecidos em amorosidades, em risos fartos que ecoam de muitos lados, enquanto, em paralelo, busco contribuir daqui para a melhoria do mundo.

Por muitas vezes nesta cidade, a sorte me sorri e, nesta semana, ela veio em dobro. A vida se confirma na existência de pessoas que nos acessam lugares dentro da gente, reconectando-nos à dimensão do sensível. São presenças que nos fazem retornar a um tempo de delicadeza, ativando memórias de bonitezas e permitindo que sigamos nossas travessias mais firmes em nós mesmas(os), porque nos acedem por dentro.

Mesmo diante da multiplicidade de ofertas culturais nas grandes cidades, são raras as ocasiões em que um espetáculo consegue reunir o que há de mais bonito no país, reafirmando a diversidade e a pluralidade como valores artísticos e humanos. A parceria entre Fred Martins e Jaques Morelenbaum constitui um desses encontros singulares. Unidos para homenagear João Gilberto, escolheram um repertório de canções imortalizadas pela aparente simplicidade e pelo modo inconfundível do seu violão.

Homenagear João Gilberto é tarefa desafiadora, pela grandeza de sua obra e pela sofisticação de sua criação. Poucos artistas se autorizam a mergulhar nesse universo. Fred e Jaques o fazem com sensibilidade e excelência, oferecendo ao público um tributo esteticamente refinado e emocionalmente marcante. Trata-se de uma experiência de rara beleza, que exige tempo de decantação e se apresenta como vivência sensível.

O show se constrói em crescente intensidade. Eu, uma desafinada nata, encontro consolo na lembrança de que “no peito dos desafinados também bate um coração.” Assim, iniciaram a apresentação no Clube do Choro.

Bim Bom, composição autoral de João Gilberto do final dos anos cinquenta, marca a batida de violão que caracteriza a inventividade do artista e que diz “é só isso o meu baião e não tem mais nada, não. O meu coração pediu assim só”. A canção integra o repertório em fusão expressiva com o cello de Jacques. Ao longo do tempo, recebeu diversas releituras, incluindo a gravação no Carnegie Hall, em 1964; Astrud Gilberto, em Look to the Rainbow, em versão jazz; Stan Getz, em Big Band Bossa Nova; Baila Nova, com Laura Vall; Adriana Calcanhoto, acompanhada de crianças e percussão; além do álbum A Day in New York, com Ryuichi Sakamoto, Paula Morelenbaum e Jacques; e, mais recentemente, a versão de Céu, em 2021.

Insensatez, composição de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, ganhou interpretação cuidadosa, com sonoridade das frases e tons que evidenciam ainda mais a delicadeza da canção: “Ah, meu coração, pede perdão usa só sinceridade.”

Você e eu, de Carlos Lyra, integra o repertório e é sucedida por O grande amor, presente na obra seminal da bossa nova interpretada por Stan Getz, João Gilberto e Tom Jobim.

Brigas nunca mais e Doralice marcam o momento em que Fred compartilha influências recebidas de seu pai, que escutava Dorival Caymmi, Nelson Cavaquinho e Cartola, referências que inspiraram a composição de O samba me diz.

A felicidade, de Tom e Vinícius, revela-se especialmente atual ao antecipar a reflexão do imperativo de ser feliz o que posteriormente Edgar Cabanas e Eva Illouz chamaram de Happycracia. Na sábia visão do poeta a “felicidade é como a pluma que o vento vai levando pelo ar voa tão leve mas tem a vida breve precisa que haja vento sem parar.”

Eu vim da Bahia e Coração vagabundo trazem a presença de Gilberto Gil e Caetano Veloso na travessia pela bossa nova. Vento bravo, de Edu Lobo e Paulo César Pinheiro constitui um dos pontos altos do espetáculo. Particularmente, admiro quando artistas surpreendem e se afastam da obviedade, oferecendo ao público o inesperado. A canção representou a curva que conduziu a plateia partindo da obra de João Gilberto para o cancioneiro autoral de Fred, com delicadeza na transição da ambiência da bossa nova para suas composições.

O mergulho no universo autoral de Fred Martins incluiu Poema velho, Novamente, Por um fio, O samba me diz, A filha da porta-bandeira e Zona sul, quando cantou o seu amor ao Rio de Janeiro, um poema erótico para a paisagem fêmea da cidade que pariu o artista. Estas foram as escolhas que eles fizeram. Ficaram de fora depressa a vida passa, sem aviso, tempo afora, domingo e feriado, flores, perfeitamente, telefonema, hóspede do tempo, a paz que nasce, Saiko Dayo, dentre outras igualmente belas.

Aos pés da cruz, de Marino Pinto, gravada por João Gilberto no álbum Eu sei que vou te amar, em icônica apresentação ao vivo de 1995, também integra o repertório, assim como Pra machucar o coração, de Ary Barroso.

O espetáculo foi concluído com Wave. Sob aplausos de uma plateia em deslumbramento, os artistas retornaram ao palco com Se acaso você chegasse, de Lupicínio Rodrigues, reafirmando o samba como gênero estruturante da cultura brasileira, e encerraram com Chega de saudade, quando todas as pessoas somaram suas vozes em harmonia na canção que projetou o Brasil para o mundo.

Eu havia aprendido com Caetano Veloso que melhor do que silêncio, só João Gilberto. Depois desta experiência, bom mesmo é ter a alma habitada pela musicalidade de Fred e Jaques.

Na plateia estavam familiares e amigos de Fred Martins. De modo amável e sensível, ele cumprimentou as pessoas e cumprimos o combinado do encontro, por mim aguardado desde 1999. Foi um abraço-casa, transbordante de afetos comuns por Renato Braz, amigo querido desde o século passado, e por Breno Ruiz. Foi uma noite adorável, com técnica e estética que aguçam os sentidos. A poética de Fred Martins mobiliza um lugar bom e bonito nos nossos territórios existenciais. Eu sinto e isto é tudo. 

Ouça esta playlist: Coluna Saiba Mais – Tributo a Fred Martins e Jaques Morelenbaum

Fonte: saibamais.jor.br

Álvaro Dias lança pré-candidatura ao Governo do Estado, mas adia filiação ao PL

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Álvaro Dias lança pré-candidatura ao Governo do Estado, mas adia filiação ao PL
Foto: Reprodução Redes Sociais

O ex-prefeito Álvaro Dias confirmou sua filiação ao PL, no último sábado (21), durante o lançamento da sua pré-candidatura ao Governo do Rio Grande, numa casa de eventos no bairro de Nova Parnamirim, no município de Parnamirim, com a presença do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Apesar do anúncio, ele ainda não assinou a ficha formalizando a entrada no novo partido, o que só deverá acontecer no início de abril, segundo informou sua assessoria.

Filiado atualmente ao Republicanos, Álvaro Dias usará o prazo limite para fazer a troca de legenda, até o próximo dia 3 de abril, para aproveitar a exposição da propaganda partidária no rádio e na televisão.

Depois disso, o ex-prefeito deverá oficializar seu ingresso na sigla presidida nacionalmente pelo ex-deputado federal Valdemar Costa Neto, que também esteve no evento em Parnamirim, junto com o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ).

Em dezembro do ano passado, o ex-líder do PL na Câmara dos Deputados teve R$ 470 mil em espécie apreendidos na Operação Galho Fraco, deflagrada em dezembro do ano passado pela Polícia Federal (PF).

Durante o evento, a vereadora licenciada Nina Souza confirmou sua saída do União Brasil para o PL. Além dela, também se filiaram ao partido a vereadora Anne Lagartixa e os deputados estaduais Adjuto Dias e Luiz Eduardo.

Além das filiações e do lançamento da pré-candidatura a governador do ex-prefeito de Natal, o evento serviu também para apresentar os demais pré-candidatos da chapa majoritária da extrema direita no Rio Grande do Norte: Babá Pereira (PL) será o vice de Álvaro Dias, enquanto Styvenson Valentim (PSDB) e Hélio Oliveira (PL) farão dobradinha na disputa pelas duas vagas ao Senado Federal.

Álvaro assume figurino de “bolsonarista”

Foto: Reprodução Redes Sociais

Apesar de não assinar a ficha do PL, Álvaro Dias assumiu de vez o figurino de “bolsonarista”, rótulo que, até recentemente, ele rejeitava.

Na chegada ao evento, perguntado pela imprensa sobre os elogios anteriores que havia feito ao presidente Lula (PT), o pré-candidato a governador saiu pela tangente dizendo que havia votado no ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022, além de anunciar que votaria em Flávio Bolsonaro em 2026.

Em 2023, quando ainda estava na Prefeitura de Natal, Álvaro Dias rasgou elogios a Lula durante o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC-3) no Rio Grande do Norte.

Na ocasião, ele afirmou que Lula merecia “o respeito e a gratidão do povo nordestino” por ter feito “a maior distribuição de renda da história do Brasil”.

Depois, em entrevista a uma rádio local, Álvaro Dias reafirmou sua “gratidão” ao líder petista e declarou que, independentemente de quem gostasse ou não, ele se considerava “um aliado do presidente Lula”.

Em janeiro de 2025, um dia depois de o senador Rogério Marinho (PL) anunciar que estava desistindo de concorrer ao Governo do Estado para coordenar a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, declarando apoio à pré-candidatura de Álvaro Dias, o ex-prefeito da capital rejeitou o rótulo de “bolsonarista”.

“Não me considero bolsonarista, mas vou carregar sempre dentro de mim um sentimento de gratidão muito grande ao presidente Bolsonaro”, disse, em entrevista a uma rádio local.

Na nova fase, o bolsonarismo envergonhado deu lugar a declarações públicas de admiração. No mesmo dia do lançamento da sua pré-candidatura, Álvaro Dias fez uma publicação nas redes sociais parabenizando o ex-presidente pelo seu aniversário.

“Hoje é dia de parabenizar um homem que marcou a história do Brasil. Jair Messias Bolsonaro construiu uma trajetória de coragem, firmeza e defesa dos valores que milhões de brasileiros acreditam”, escreveu.

O ex-prefeito declarou ainda seu “respeito” a Jair Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a uma pena de 27 anos de prisão pela tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

SAIBA MAIS: De aliado de Lula a candidato bolsonarista: a metamorfose política de Álvaro Dias

Álvaro Dias agradeceu apoio de Bolsonaro durante a pandemia

Álvaro Dias acompanhando a montagem do centro de “tratamento precoce” da Covid-19 no ginásio Nélio Dias, Zona Norte de Natal. Foto: Reprodução Redes Sociais

Em seu discurso, além de prometer “varrer o PT” do Governo do Estado e do Governo Federal, Álvaro Dias agradeceu ao ex-presidente Jair Bolsonaro pelo “apoio” que afirmou ter recebido dele durante da pandemia da Covid-19.

“Graças a esse apoio e ao nosso trabalho, salvamos vidas que a gestão estadual não conseguiu proteger”, disse.

A gestão de Álvaro Dias ficou marcada pela distribuição em massa de ivermectina, remédio sem eficácia contra o coronavírus, como parte de um protocolo de “tratamento precoce” adotado pela Prefeitura de Natal.

A ação motivou a abertura de uma investigação contra o ex-prefeito pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN). A Justiça do Rio Grande do Norte também determinou que a Prefeitura de Natal retirasse a ivermectina do protocolo de tratamento de pacientes com a Covid-19.

Além de distribuir remédio sem eficácia contra o coronavírus, Álvaro Dias também entrou em confronto com a governadora Fátima Bezerra (PT), comandando o boicote contra os decretos sanitários editados pela gestão estadual para frear o avanço da Covid-19 no Rio Grande do Norte.

A postura aproximou Álvaro Dias da agenda negacionista e anticientífica colocada em curso no plano nacional pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que também estimulou o uso de medicamentos sem eficácia, incentivou aglomerações e fez pregação contra a vacinação.

Fonte: saibamais.jor.br

Fototeca Potiguar leva mapeamento ao interior do RN

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Fototeca Potiguar leva mapeamento ao interior do RN

A construção da memória visual do Rio Grande do Norte avança para além da capital. A Fototeca Potiguar inicia, nesta terça-feira (24), uma série de visitas ao interior do estado com ações presenciais do Mapeamento da Fotografia Potiguar. A primeira parada será em Caicó, às 19h, no Salão Nobre da Secretaria de Cultura do município.

A iniciativa integra a etapa de busca ativa do projeto, que pretende identificar fotógrafos, colecionadores, instituições e cidadãos que guardam imagens relevantes para a história potiguar. Durante a visita, a equipe orientará o público sobre como participar do mapeamento, esclarecerá dúvidas e incentivará o cadastro de acervos na plataforma digital.

Instituída pela Lei nº 11.619/2023, a Fototeca Potiguar vem se consolidando como uma política pública voltada à preservação, valorização e difusão da fotografia no estado. O levantamento em curso é considerado estratégico para subsidiar futuras ações de conservação, pesquisa e acesso aos acervos.

Integrante da equipe do projeto, a fotógrafa Meysa Medeiros destaca a importância da interiorização da iniciativa. Segundo ela, a produção fotográfica do estado está dispersa em arquivos pessoais e afetivos, o que torna essencial o contato direto com os territórios.

“A fotografia do Rio Grande do Norte não está concentrada em um só lugar — ela está nas casas, nas cidades e nos acervos pessoais. Estar em Caicó é uma forma de se aproximar dessas histórias e garantir que elas também façam parte do mapeamento”, afirma.

Além de ampliar o alcance do projeto, as visitas fortalecem a construção de uma rede colaborativa em torno da fotografia, conectando diferentes agentes culturais e regiões do estado.

O Mapeamento da Fotografia Potiguar segue até janeiro de 2027. Podem participar pessoas físicas e instituições que possuam acervos fotográficos, sejam eles pessoais, comunitários ou institucionais, por meio de formulário online.

Serviço

O quê: Visita do Mapeamento da Fotografia Potiguar

Quando: 24 de março de 2026 (terça-feira)

Horário: 19h

Onde: Salão Nobre da Secretaria de Cultura de Caicó/RN

Mais informações: fototecapotiguar.com.br | @fototecapotiguar | (84) 99697-7981

Fonte: saibamais.jor.br

“Finalmente assumiu seu lado bolsonarista”

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Cadu Xavier ironiza Álvaro Dias: “Finalmente assumiu seu lado bolsonarista”

O secretário estadual da Fazenda e pré-candidato do PT ao Governo do Rio Grande do Norte, Cadu Xavier, ironizou o ex-prefeito Álvaro Dias (Republicanos), que depois de rejeitar o rótulo de “bolsonarista” assumiu ter votado no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2022. “Domingão com chá de revelação aqui no nosso estado”, debochou o petista.

A declaração de Álvaro Dias aconteceu no último sábado (21), no evento de lançamento da sua pré-candidatura a governador, que contou com a presença do senador presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Na chegada ao evento, realizado numa casa de show no bairro de Nova Parnamirim, no município de Parnamirim, Álvaro Dias foi questionado pela imprensa sobre os elogios anteriores que havia feito ao presidente Lula (PT).

O pré-candidato a governador saiu pela tangente dizendo que havia votado nas eleições anteriores no ex-presidente Jair Bolsonaro, além de anunciar que votaria em Flávio Bolsonaro em 2026.

“Eu votei em Bolsonaro na eleição passada e agora vou votar em Flávio Bolsonaro. Fazer o possível pela vitória dele aqui no Rio Grande do Norte”, declarou Álvaro Dias.

Diante da saia justa provocada pela perguntar, Flávio Bolsonaro agiu rápido para ajudar Álvaro Dia. “Ele agora sabe o que é o melhor para o Brasil e o Rio Grande do Norte”, disse o filho do ex-presidente.

Em 2023, quando ainda estava na Prefeitura de Natal, Álvaro Dias rasgou elogios a Lula durante o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC-3) no Rio Grande do Norte.

Na ocasião, ele afirmou que Lula merecia “o respeito e a gratidão do povo nordestino” por ter feito “a maior distribuição de renda da história do Brasil”.

Depois, em entrevista a uma rádio local, Álvaro Dias reafirmou sua “gratidão” ao líder petista e declarou que, independentemente de quem gostasse ou não, ele se considerava “um aliado do presidente Lula”.

Além de elogiar Lula, Álvaro Dias rejeitava, até recentemente, o rótulo de “bolsonarista”. “Não me considero bolsonarista”, refutou, durante entrevista, em janeiro do ano passado, a uma rádio local.

SAIBA MAIS: Álvaro Dias lança pré-candidatura ao Governo do Estado, mas adia filiação ao PL

Álvaro Dias “finalmente revelou o seu lado bolsonarista”, disse Cadu Xavier

Cadu Xavier, em vídeo publicado nas redes sociais, comentou que o ex-prefeito “finalmente revelou o seu lado bolsonarista” ao admitir que “votou duas vezes no ex-presidente Jair Bolsonaro” e que votará “no candidato da extrema-direita Flávio Bolsonaro”.

O pré-candidato do PT lembrou que Álvaro Dias “ficou com vergonha disso algumas vezes”, mas afirmou que era “muito bom ele ter assumido”.

Cadu Xavier aproveitou a situação para provocar o outro pré-candidato a governador da direita, o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União), que não declarou ainda em que votará para presidente nas eleições de 2026.

“Resta saber agora se o prefeito de Mossoró, que também votou no ex-presidente Jair Bolsonaro, vai ter coragem de assumir o lado que ele pertence ou se vai fingir, mesmo estando ao lado de Zé Agripino e de uma turma que votou na PEC da Blindagem, se ele vai querer enganar o povo dizendo que é do lado do presidente Lula”, disse, referindo-se ao presidente estadual do União Brasil, o ex-senador José Agripino, principal articulador polítoco de Allyson Bezerra.

Cadu Xavier afirmou que, enquanto os outros pré-candidatos escondem o seu lado político, ele e a governadora Fátima Bezerra (PT) fizeram parte do “time de Lula, do lado povo do nosso estado e do povo do Brasil”.



Fonte: saibamais.jor.br

Partido Novo expõe racha na formação da chapa majoritária da direita no RN

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Partido Novo expõe racha na formação da chapa majoritária da direita no RN

Uma nota divulgada pelo Partido Novo do Rio Grande do Norte expôs um racha na extrema direita potiguar sobre a formação da chapa majoritária que vai concorrer às eleições de 2026. No comunicado, a legenda se solidariza com o empresário Flávio Rocha, CEO da Riachuelo, que chegou a ter nome especulado para fazer dobradinha com o senador Styvenson Valentim (PSDB), mas foi preterido pelo Cel. Hélio (PL).

A chapa bolsonarista, encabeçada pelo ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias (Republicanos), foi lançada no último sábado (21), em evento que contou com a presença do senador presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O movimento para vetar Flávio Rocha no palanque teria sido capitaneado pelo senador Rogério Marinho, presidente estadual do PL.

Na nota, o presidente estadual do Partido Novo, Renato Cunha Lima, afirma reconhecer a legitimidade da pré-candidatura de Cel. Hélio, mas alerta que “defender um nome não exige nem justifica destruir outro”, referindo-se aos ataques que Flávio Rocha, segundo ele, estaria recebendo de setores da direita após sua “possível candidatura ao Senado”.

“Agora, diante de sua possível candidatura ao Senado, setores da direita passaram a atacar aquele que é, inegavelmente, o maior empreendedor da história recente do estado. Tudo isso por conta de uma preferência legítima pela candidatura do Cel. Hélio pelo PL. Mas defender um nome não exige nem justifica destruir outro”, assinala a nota.

De acordo com o comunicado, esses “setores da direita” estariam promovendo uma campanha para deslegitimar a hipotética candidatura do empresário ao tentar rotulá-lo de “petista e esquerdista”.

“Justamente ele que, quando disputou a Presidência da República, defendeu o imposto único e sempre se posicionou como um liberal de direita, enquanto muitos dos que hoje se dizem de direita, à época, apoiavam Lula”, rebate a nota.

Flávio Rocha foi pré-candidato a presidente pelo antigo PRB, atual Republicanos, em 2018. Ele lançou sua pré-candidatura em março daquele ano, mas desistiu da disputa em julho, antes do início oficial da campanha eleitoral, alegando razões pessoais e políticas.

Ex-deputado federal entre 1987 e 1995, Flávio Rocha transferiu seu domicílio eleitoral para Natal após seu nome começar a ser especulado na chapa majoritária bolsonarista para uma das duas vagas ao Senado.

Quando teve o nome cogitado, o empresário declarou que não havia feito nenhum movimento ou iniciativa no sentido visando uma eventual candidatura a senador em 2026.

“Foi uma grata surpresa depois de 40 anos, quando fui eleito deputado federal pelo Rio Grande do Norte, ainda ser lembrado de forma espontânea para um cargo de tanta relevância”, declarou.

Ele afirmou, em seguida, que aceitaria ser candidato, mas lembrou que a chapa bolsonarista “já está fechada”.

Partido Novo afirma que, até o momento, só tem compromisso com Álvaro Dias

O presidente estadual da legenda afirma ainda na nota que conhece a “origem dessas críticas e ataques”, diz ser “amigo pessoal do Cel. Hélio”, mas ressalta que, como dirigente partidário, tem o dever de se posicionar “com coerência e com os princípios que norteiam o Partido Novo”.

“Neste momento, o partido não possui, até as convenções, compromisso com nenhuma pré-candidatura ao Senado. Mantém apenas o apoio já declarado ao ex-prefeito Álvaro Dias, em reconhecimento ao trabalho realizado por Natal, especialmente com a implementação do novo Plano Diretor, que abriu caminho para bilhões em investimentos no município”, diz o comunicado.

O partido defende que a eleição ao Senado Federal “deve incluir propostas legislativas consistentes e não se resumir à lógica de obras via emendas parlamentares, que fazem parte da distorção na relação entre os Poderes”.

Ainda segundo a nota, o presidente estadual do partido disse que vai dialogar com Cel. Hélio e com o senador Styvenson Valentim “para ouvi-los e apresentar as ideias que defendemos para o Rio Grande do Norte e para o Brasil”.



Fonte: saibamais.jor.br

Luto, amizade e juventude marcam retorno de Depois de Serena ao teatro em Natal

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Luto, amizade e juventude marcam retorno de Depois de Serena ao teatro em Natal

O luto, às vezes, chega sem aviso. E é a partir desse impacto que o Grupo Lupa constrói Depois de Serena, espetáculo que volta aos palcos de Natal para uma nova temporada no TeceSol, nos dias 27, 28 e 29 de março, sempre às 19h30.

Em cena, quatro jovens tentam reorganizar o mundo depois da perda repentina de uma amiga muito próxima. Serena já não está, mas permanece nas lembranças, nos silêncios e nas pequenas coisas que insistem em ficar. Com direção de Deborah Custódio e Rubinho Rodrigues, a montagem acompanha esses atravessamentos com delicadeza, revelando como cada um encontra, ou inventa, sua própria forma de lidar com a ausência.

“É uma alegria imensa poder retomar as apresentações de Depois de Serena. Estreamos com casa cheia e uma lista de espera de cerca de 40 pessoas por sessão. Ficamos muito felizes com a recepção e na expectativa de reencontrar o público que quis assistir à peça e não conseguiu por causa da lotação. […] O espetáculo nasce de uma experiência de perda que vivemos com o falecimento da atriz Samyllis Melo, durante a montagem de outro trabalho. Agora, após a partida de Titina, uma das figuras mais importantes do teatro potiguar, a peça ganha uma nova camada de significado para nós. […] Estamos muito sensíveis e, ao mesmo tempo, ansiosos para pisar novamente no palco e compartilhar essa história com o público”, afirma Paulo Demétrio, integrante do Grupo Lupa.

Entre momentos de humor e instantes de profunda sensibilidade, o espetáculo percorre as camadas do luto nas juventudes. Fala de despedida, de memória, de afetos que resistem e, sobretudo, da difícil tarefa de seguir vivendo. Mais do que assistir, o público é convidado a partilhar dessa experiência, um espaço de escuta, empatia e encontro, onde o teatro se torna também lugar de elaboração.

Criado em Natal, o Grupo Lupa desenvolve pesquisas em linguagem cênica voltadas para experiências intimistas e investigações sobre a existência humana e as relações contemporâneas. O coletivo reúne artistas de diferentes áreas e aposta em um teatro sensível, crítico e atento às transformações do presente.

Serviço Depois de Serena
Local: TeceSol – Natal (RN)
Datas: 27, 28 e 29 de março
Horário: 19h30
Ingressos: disponíveis pelo Sympla

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Fonte: saibamais.jor.br

Mulheres negras lideram sobrecarga no trabalho de cuidado no Brasil, aponta estudo

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Mulheres negras lideram sobrecarga no trabalho de cuidado no Brasil, aponta estudo

A desigualdade no trabalho doméstico e de cuidado no Brasil tem cor, gênero e começa cedo, é o que revela dados de uma pesquisa recente mostram que meninas entre 10 e 14 anos já dedicam mais tempo a essas atividades do que homens em qualquer faixa etária. Quando o recorte racial entra em cena, o cenário se torna ainda mais desigual, com mulheres negras concentrando a maior parte desse trabalho invisibilizado.

O levantamento integra o estudo “Trabalho invisibilizado do cuidado no Brasil: desigualdades de gênero, raça e escolaridade ao longo do curso da vida”, desenvolvido pelas pesquisadoras Jordana Cristina de Jesus, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Simone Wajnman e Cássio M. Turra, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Mulheres negras são responsáveis por 44,2% de todo o trabalho de cuidado não remunerado no país, embora representem cerca de 24,1% da população. Para Jordana, esse dado revela a sobreposição de desigualdades históricas:

“Porque a desigualdade não é só de gênero, ela também é racial. As mulheres negras acabam concentrando uma parte muito maior do trabalho de cuidado. Isso tem relação com a história do Brasil, com a desigualdade social e com o menor acesso a serviços de apoio”, afirma em entrevista à Agência Saiba Mais.

Os dados mostram que meninas de 10 a 14 anos já respondem por cerca de 2,4% de todo o trabalho de cuidado realizado no país, percentual equivalente ao pico de participação masculina, registrado apenas entre homens de 30 a 34 anos. Para Jordana, o resultado evidencia que a desigualdade é construída desde a infância.

“Foi um resultado muito impactante. A gente já sabia que as mulheres fazem mais trabalho de cuidado, mas ver que meninas de 10 a 14 anos já cuidam mais do que homens de qualquer idade é algo muito forte. Isso mostra que a desigualdade não começa na vida adulta, ela começa na infância. É ali que esse padrão já está sendo construído”, afirma.

Segundo a pesquisadora, a divisão desigual do cuidado é sustentada por processos sociais que naturalizam papéis de gênero desde muito cedo. “Por séculos a sociedade vem se organizando dessa forma: cuidar é uma habilidade feminina. Quando vemos meninas sendo treinadas desde novas para o trabalho doméstico, inclusive por meio de brinquedos, percebemos que não há nada de natural nisso. Elas são preparadas para cuidar, enquanto os meninos são preparados para receber cuidado”, explica.

A pesquisa indica que, no total, as mulheres realizam 79,7% de todo o trabalho doméstico e de cuidado não remunerado no Brasil, enquanto os homens ficam com 20,3%. No entanto, essa desigualdade se aprofunda quando observada a partir da raça.

Ela destaca que, muitas vezes, essas mulheres acumulam jornadas duplas ou triplas. “Muitas vezes, elas cuidam dentro de casa e também trabalham cuidando de outras pessoas. Isso gera uma sobrecarga muito maior e reforça desigualdades ao longo da vida”, completa.

O estudo também mostra que a sobrecarga atinge seu ápice entre mulheres de 25 a 39 anos, fase em que elas concentram 25,6% de todo o trabalho de cuidado no país, apesar de representarem apenas 11,8% da população. Nesse período, muitas conciliam o cuidado com filhos, familiares e até parceiros, além do trabalho remunerado.

“A nossa pesquisa mostra que não apenas as mulheres cuidam de crianças, mas também cuidam de homens adultos. E isso acontece em um contexto em que o Estado ainda oferece poucas alternativas para compartilhar esse cuidado, especialmente no caso de crianças pequenas”, diz Jordana.

A ausência de políticas públicas, como a universalização de creches, impacta diretamente a vida das mulheres, especialmente das mais vulneráveis. Entre mulheres negras, uma em cada três dedica mais de 20 horas semanais ao trabalho doméstico e de cuidado, o que limita o acesso ao mercado de trabalho e a oportunidades educacionais.

“O trabalho de cuidado tira tempo, e tempo é essencial para trabalhar, estudar e crescer profissionalmente. Isso gera um ciclo de desigualdade, com menos renda, menos autonomia e menos oportunidades”, pontua a pesquisadora.

Para ela, romper esse ciclo passa por reconhecer que o cuidado não é uma responsabilidade individual, mas uma questão social. “Durante muito tempo, o cuidado foi tratado como uma obrigação feminina, quase como parte da natureza das mulheres. Mas, na verdade, é uma divisão social do trabalho, construída historicamente”, afirma.

Os dados reforçam que, no Brasil, o trabalho que sustenta a vida cotidiana segue invisível, desigual e, sobretudo, marcado por gênero e raça.

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Meninas já fazem mais trabalho doméstico que homens adultos, aponta pesquisa

Fonte: saibamais.jor.br