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Vice cita “uma ou duas obras” inacabadas de Álvaro Dias, mas relatório aponta 46

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Vice cita “uma ou duas obras” inacabadas de Álvaro Dias, mas relatório aponta 46

O pré-candidato a vice-governador Babá Pereira (PL) minimizou as críticas sobre as obras inacabadas deixadas pelo ex-prefeito Álvaro Dias (Republicanos) em Natal. Em entrevista à Rádio FM Universitária, ele afirmou “houve uma ou duas obras” que não foram concluídas, mas citou que a maioria delas “foi concluída e entregue”.

A declaração, no entanto, contraria a informação do relatório da Comissão de Transição, coordenada pela vice-prefeita Joanna Guerra (Republicanos), que foi entregue no início de 2025 ao Tribunal de Contas do Estado (TCE). De acordo com o documento, o ex-gestor transferiu a administração municipal ao prefeito Paulinho Freire (União) com pelo menos 46 obras paralisadas ou inacabadas, além de uma dívida de quase R$ 900 milhões.

Essas obras, ainda segundo o relatório, estão concentradas nas secretarias municipais de Educação e de Serviços Urbanos. A paralisação delas “compromete a infraestrutura e a prestação de serviços, impactando diretamente a população”, aponta o documento.

Prefeito das obras inacabadas”

A defesa de Babá Ferreira vem após as críticas feitas pelo secretário estadual da Fazenda e pré-candidato do PT ao Governo do Estado, Cadu Xavier. O petista apelidou Álvaro Dias de “prefeito das obras inacabadas”.

Ao rebater a acusação de “gestão fracassada” de Álvaro Dias contra a governadora Fátima Bezerra (PT), Cadu Xavier contra-atacou o ex-prefeito citando as obras inacabadas da administração dele, entre as quais o Hospital Municipal de Natal e o mirante da Ladeira do Sol.

“Prefeito, gestão fracassada foi a sua. Tá aqui o mirante inacabado, mais de um ano que o seu governo acabou, você inaugurou e não tá funcionando. O Hospital Municipal foi inaugurado, mas também não está funcionando”, disse o secretário em vídeo publicado nas redes sociais.

Babá Pereira saiu em defesa de Álvaro Dias, que lançará sua pré-candidatura a governadora oficialmente neste sábado (21), em evento que contará com a presença do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O evento também marcará a filiação do ex-prefeito ao PL do ex-presidente Jair Bolsonaro.

SAIBA MAIS: Cadu Xavier sobe tom contra Álvaro Dias: “Prefeito das obras inacabadas”

Babá cita “entraves financeiros” para conclusão das obras

De acordo com Babá, as críticas às obras inacabadas desconsideram entraves financeiros, principalmente a dependência de recursos federais para a conclusão dos projetos.

Ele citou que o Hospital Municipal de Natal, inaugurado no fim da gestão do ex-prefeito, apesar de não ter sido concluído, ainda precisa de R$ 30 milhões para finalizar a infraestrutura.

Já o mirante da Ladeira do Sol, também inaugurado sem ter sido concluído, precisariam de mais R$ 8 milhões, segundo o pré-candidato a vice-governador na chapa de Álvaro Dias.

Pré-candidato também defendeu engorda de Ponta Negra

Babá Pereira também defendeu a engorda de Ponta Negra, inciada na gestão de Álvaro Dias, mas inaugurada no início da administração do prefeito Paulinho Freire (União).

Cadu Xavier afirmou que a obra foi uma “gambiarra”, citando os constantes alagamentos ocorridos na orla de Ponta Negra. O pré-candidato a vice-governadora disse que se a obra não tivesse sido feita, a faixa de areia “já tinha ido embora”.

Especialistas, no entanto, apontam que a obra foi feita sem um projeto definitivo de drenagem da obra, resultando nos alagamentos em períodos de chuvas mais fortes em Natal.

O próprio Álvaro Dias se defendeu das críticas de Cadu Xavier. Em vídeo postado nas redes sociais, ele citou as reformas da Praça Cívica e da Praça de Candelária como exemplos de entregas realizadas durante a sua gestão.

O ex-prefeito, no entanto, não mencionou as obras que, apesar de não terem sido concluídas, ele inaugurou nos últimos dias da sua gestão, como o Hospital Municipal de Natal e o mirante da Ladeira do Sol.

SAIBA MAIS: Álvaro Dias ignora obras inacabadas ao rebater críticas de Cadu Xavier

Fonte: saibamais.jor.br

Após ser confirmada pelo PT ao Senado, Samanda critica “machismo” de Styvenson

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Após ser confirmada pelo PT ao Senado, Samanda critica “machismo” de Styvenson
Foto: Divulgação

Após ser confirmada pelo PT como pré-candidata ao Senado, a presidente estadual do partido e vereadora de Natal, Samanda Alves, relembrou o histórico de declarações “machistas” e “misóginas” do senador Styvenson Valentim (PSDB), contra quem disputará uma das duas vagas majoritárias em jogo nas eleições de 2026.

“Styvenson tem uma postura machista, misógina. Inclusive, cresceu na opinião popular a partir disso, com misoginia, em cima da governadora Fátima Bezerra”, declarou a pré-candidata em entrevista ao jornal “O Correio de Hoje”.

Samanda demarcou também que seu campo político é “bem oposto” ao do senador Styvenson Valentim, que apesar de rejeitar o rótulo de “bolsonarista”, fechou aliança com o PL do senador Rogério Marinho e do ex-presidente Jair Bolsonaro para buscar a sua reeleição.

Essa, no entanto, não é a primeira vez que Samanda critica a postura de Styvenson Valentim. Em julho do ano passado, após o senador dizer que iria “esfregar na cara” da governadora Fátima (PT) documentos relativos à compra de laptops para as escolas da rede estadual, ela afirmou que o parlamentar faz “oposição desrespeitosa”, além de adjetivá-lo como “misógino, machista, arrogante, prepotente”.

“Ele é misógino, ele é machista, ele é arrogante, ele é prepotente e a única questão que ele tem é que diz que traz recurso pro Rio Grande do Norte e traz por causa do presidente Lula”, disse a agora pré-candidata a senadora, em entrevista à época a uma rádio local.

Na ocasião, Styvenson mais uma vez ele fez alusão à violência contras as mulheres ao citar, em vídeo publicado nas suas redes sociais, a governadora Fátima Bezerra.

Aproveitando-se da notícia de que o Tribunal de Contas da União (TCU) havia suspendido uma licitação do Governo do RN para locação de laptops para as escolas da rede estadual, o parlamentar fez ataques em tom machista, ofensas pessoais e acusações à gestora.

Em tom agressivo, ele afirmou no vídeo que “o único erro” da governadora era “existir”, acusou a gestora de se “deleitar mentindo para as pessoas” e a classificou como “incompetente, irresponsável” e alguém que “não entende nada de economicidade”.

SAIBA MAIS: Nova presidente do PT RN diz que Styvenson é “misógino, machista e arrogante”

Styvenson relativizou agressão de policial militar a mulher

Samanda relembrou que essa não foi a primeira vez que o senador fez alusão à violência de gênero. Ela relembrou que Styvenson Valentim, ao comentar o caso de uma mulher que foi agredida por um policial militar, relativizou o ataque contra a vítima.

O episódio citado pela vereadora ocorreu em julho de 2021, no município de Santo Antônio. Ao atender uma ocorrência de violência doméstica, o policial agrediu física e verbalmente a própria vítima.

Na época, ao comentar o episódio, durante uma live transmitida em suas redes sociais, o senador disse que não sabia o que a mulher teria feito para “merecer dois tapas”.

O comentário levou a uma denúncia contra o senador no Conselho de Ética, apresentada pela deputada federal Natália Bonavides (PT), que, ao comentar o novo ataque do senador contra a governadora, afirmou que ele “está lado a lado com o pior da política, o bolsonarismo que usa de polêmica na internet para tentar conseguir voto”.

“O senador deveria estar preocupado em explicar aos seus eleitores sua participação no orçamento secreto, a relação dele com a liberação de uma emenda para comprar asfalto de baixa qualidade que virou alvo da Controladoria Geral da União. Mas eles agem assim: fazem cortina de fumaça com declarações agressivas para se esconder da verdade”, acusou a petista.

Styvenson também debochou de agressões denunciadas pela ex-deputada Joice Hasselmann

Na mesma live, Styvenson também debochou das agressões sofridas e denunciadas à Polícia Legislativa pela ex-deputada federal Joice Hasselmann (Podemos).

O senador potiguar acusou a ex-deputada de ter cheirado cocaína e chegou a fazer menção a uma suposta traição conjugal.

A deputada federal Tereza Neuma (PSD-AL), então procuradora da Mulher, em ofício enviado à época ao ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), afirmou que os comentários de Styvenson Valentim denotavam “clara incitação à violência política de gênero e atenta contra a postura exigida a um parlamentar representante do povo”.

“Esse tipo de agressão mostra a face da violência que as mulheres sofrem ao ingressar na política. Não recuaremos de continuar defendendo a autonomia e a representação política das mulheres nos parlamentos”, afirmou a ex-procuradora.

Pré-candidatura confirmada pelo PT

Foto: Divulgação

Na última quinta-feira (19), Samanda Alves foi confirmada pela Direção do PT-RN como pré-candidata ao Senado Federal. Ela vai substituir a governadora Fátima Bezerra, que desistiu de disputar as eleições para permanecer à frente do Executivo do RN.

A mudança de estratégia veio após o rompimento político com o vice-governador Walter Alves (MDB), que inviabilizou o plano inicial de renúncia de Fátima Bezerra. A governadora citou que a “decisão abrupta” do ex-aliado fazia parte de um “movimento articulado para tirar o PT do Senado”.

O partido ressaltou que o Senado Federal “terá papel decisivo na conjuntura nacional, exigindo representantes com posicionamento firme, coerência política e compromisso inequívoco com o projeto democrático e popular”.

“O Partido dos Trabalhadores reafirma a necessidade de que essa representação esteja fortemente alinhada com os interesses da classe trabalhadora e com a defesa da democracia”, diz trecho da resolução do PT.

O PT aposta que o nome Samanda Alves reúne condições de representar a “unidade partidária, a renovação política e o compromisso com a democracia, os direitos do povo e os interesses do Rio Grande do Norte”.

“A indicação da companheira Samanda expressa a confiança do PT em uma liderança comprometida com a luta social, com a construção coletiva e com a continuidade do projeto político que transformou o Rio Grande do Norte”, completa a resolução.

Fonte: saibamais.jor.br

TCE barra prorrogação de concessões de terrenos a empresários na Via Costeira

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TCE barra prorrogação de concessões de terrenos a empresários na Via Costeira

O Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN) determinou a suspensão de atos do Governo do Estado que ampliavam prazos de concessões de terrenos à iniciativa privada para construção de hotéis e outros empreendimentos na Via Costeira. Na decisão, o órgão também recomendou que a gestão estadual priorize a realização de uma nova licitação para uso das áreas.

A decisão, em caráter cautelar, foi tomada após auditoria apontar indícios de irregularidades na manutenção dos contratos com empresas privadas que não cumpriram as obrigações assumidas, como a construção de empreendimentos turísticos. O processo foi relatado pelo conselheiro Antônio Ed Souza Santana.

De acordo com o TCE, ao longo dos anos, os prazos dessas concessões vêm sendo sucessivamente prorrogados, mesmo sem a implantação dos projetos previstos. Em 2024, o governo chegou a firmar novos termos aditivos redefinindo os prazos — novamente sem que as obras saíssem do papel.

Ao todo, a medida atinge sete contratos vinculados a diferentes empresas. Ainda segundo o TCE, uma análise preliminar da Diretoria de Controle Externo de Contas de Gestão e Despesa Pública (DCD) identificou um cenário de descumprimento dos contratos ao longo de décadas, marcado pela não execução dos projetos originalmente previstos.

Foram identificados ainda indícios de fragilidade técnico-financeira das concessionárias, possíveis irregularidades societárias, dúvidas quanto à regularidade dominial de parte das áreas e elementos que sugerem desvio de finalidade na utilização dos imóveis públicos.

Histórico das concessões na Via Costeira

Os terrenos da Via Costeira foram cedidos pelo Governo do Estado à iniciativa privada, com o objetivo de impulsionar o turismo, ainda nas décadas de 1980 e 1990.

Em contrapartida, as empresas deveriam construir e operar hotéis dentro de prazos definidos — o que, em muitos casos, não ocorreu.

Diante do descumprimento, parte dessas concessões chegou a ser considerada extinta, com a retomada dos terrenos pelo poder público.

Apesar disso, nos últimos anos, a gestão estadual, através da Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e da Datanorte, tentou viabilizar novos acordos com antigos concessionários, oferecendo novos prazos para a execução dos projetos, mas essas iniciativas passaram a ser questionadas por órgãos de controle e entidades da sociedade civil.

SAIBA MAIS: PGE tenta aprovar acordos para concessão de terrenos da Via Costeira a empresários

Ministério Público também questionou concessões

A tentativa de renovar os acordos foi alvo de representação no próprio TCE, apresentada por um observatório ligado à UFRN, que apontou possíveis irregularidades e falta de interesse público nas renegociações.

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) também contestou mudanças nos contratos e nos critérios de concessão, citando problemas como insegurança jurídica e ausência de clareza sobre prazos e regras.

Além disso, o debate ocorre em um cenário mais amplo de disputas judiciais e legislativas sobre o uso e ocupação da Via Costeira, incluindo mudanças recentes em normas urbanísticas e ambientais que regulam a área.

O que muda com a decisão do TCE

Após a medida cautelar do TCE, ficam suspensas as prorrogações concedidas às empresas. O Governo do Estado, agora, deverá reavaliar o destino dos terrenos.

Na prática, o órgão orienta que a solução mais adequada é abrir uma nova licitação — o que permitiria escolher de forma mais transparente e competitiva quem terá direito de explorar as áreas. A decisão ainda será analisada no mérito, mas já produz efeitos imediatos.

O TCE também deu prazo de 90 dias para que Datanorte apresente um Plano de Ação Estratégico e de Destinação Imobiliária para as áreas envolvidas.

O documento, segundo a determinação do órgão, deverá contemplar diretrizes para a regularização da situação dos imóveis, avaliação individualizada das concessões e definição de alternativas para sua adequada destinação – inclusive com cronograma para a implementação das medidas necessárias, voltadas à transparência, eficiência e alinhamento com o interesse público.

Campanha Via Costeira do Povo

O ativista socioambiental Lourenço Capriglione, idealizador da campanha Via Costeira do Povo, denunciou que a área – um dos mais importantes patrimônios naturais e paisagísticos do Rio Grande do Norte – “está prestes a ser entregue ao mercado imobiliário, com anuência da Prefeitura de Natal e do Governo do Estado”.

Ele questiona a legalidade das concessões: “Estamos falando de empresas que foram escolhidas sem critérios claros, transparência ou ampla concorrência, há mais de 30 anos. Renovar o direito delas de construir é burlar o processo de licitação pública”.

Lourença afirma que a proposta da campanha “não é o abandono, mas uma ocupação de baixo impacto voltada para o lazer, esporte e cultura”, citando como exemplo a implantação do Costeira Parque pelo Governo do Estado, com entrega prevista para 2027.

A campanha defende ainda a construção de mirantes e espaços de contemplação da paisagem; parques e infraestrutura esportiva de baixo impacto ambiental; e equipamentos de lazer, cultura e convivência voltados para a população.

Fonte: saibamais.jor.br

Estudo potiguar convida pessoas trans e travestis a analisar impactos da hormonização na voz

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Estudo potiguar convida pessoas trans e travestis a analisar impactos da hormonização na voz

Na rotina de quem atravessa processos de afirmação de gênero, a voz costuma ocupar um lugar íntimo e, ao mesmo tempo, profundamente social. É por meio dela que emoções se revelam, identidades se afirmam e, muitas vezes, também se enfrentam desconfortos. É nesse território sensível que nasce a pesquisa “Efeitos da hormonização na voz de pessoas trans e travestis”, desenvolvida no âmbito da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, pelo grupo LaVoz.

Quem quiser participar pode acessar o formulário pelo link: https://forms.gle/Kf7Egwq8aQnf34tK7

Coordenado pela pesquisadora Juliana Godoy e pela fonoaudióloga e pesquisadora Akira Silva Lima, vinculadas ao Programa de Pós-Graduação em Fonoaudiologia (PPGFon), o estudo convida pessoas trans e travestis, com mais de 18 anos, a participarem de um mapeamento ainda pouco explorado pela ciência: como a hormonização impacta a voz.

A pesquisa está aberta inclusive para quem não realiza hormonização, o que amplia o alcance e a qualidade dos dados. A participação acontece de forma simples, por meio de um formulário online, e inclui uma avaliação vocal com orientações personalizadas.

A iniciativa tem raízes práticas. “A motivação para a pesquisa surgiu ainda em 2023, durante os atendimentos do projeto de voz com pessoas trans e travestis, o Transvox”, explica Akira em entrevista à Agência Saiba Mais. Segundo ela, o contato direto com pessoas transmasculinas em processo de hormonização despertou uma inquietação científica. “Já existem estudos que investigaram esses efeitos, mas ainda são escassos.”

Do ponto de vista fonoaudiológico, alguns caminhos já são conhecidos, mas ainda há muitas lacunas. “O principal efeito da hormonização na voz de pessoas transmasculinas é o aumento do trato vocal e o surgimento de uma voz mais grave”, afirma a pesquisadora. Essas mudanças podem ser percebidas após alguns meses de tratamento hormonal.

Por outro lado, quando se trata de pessoas transfemininas, o cenário ainda é de incerteza. “Ainda não é claro como a hormonização pode afetar a voz”, diz Akira. A ausência de respostas mais consolidadas revela uma urgência: produzir conhecimento que ajude a orientar práticas clínicas mais eficazes e sensíveis.

Falar de voz, nesse contexto, é falar de qualidade de vida. “A voz é fundamental para a comunicação humana. Ela nos representa como indivíduos e carrega diversas mensagens”, destaca. Para muitas pessoas trans e travestis, a chamada disforia vocal pode ser um fator de sofrimento cotidiano. A atuação fonoaudiológica, nesse caso, busca algo mais do que técnica: “promover uma voz que melhor represente cada indivíduo, proporcionando mais segurança, conforto e qualidade de vida”.

Entre as hipóteses do estudo, está a possibilidade de confirmar tendências já apontadas na literatura, como o agravamento da voz em pessoas transmasculinas, mas com a permanência de certos traços vocais associados socialmente ao feminino. Isso, segundo Akira, indicaria a importância do acompanhamento fonoaudiológico contínuo.

Já em relação às pessoas transfemininas, a expectativa é que a hormonização não produza efeitos significativos na voz, hipótese que ainda precisa ser testada. “É necessário comprovar por meio do estudo, verificando se elas se confirmam ou não”, pondera.

A inclusão de pessoas que não fazem hormonização é estratégica. “Os dados vocais desse recorte são muito importantes para comparação”, explica. A diversidade de participantes permitirá compreender com mais precisão o que, de fato, pode ser atribuído à hormonização.

Mais do que produzir dados acadêmicos, a pesquisa também oferece retorno direto a quem participa. Ao responder ao formulário, cada pessoa passa por uma avaliação vocal e recebe orientações sobre cuidados com a voz, um gesto que aproxima ciência e comunidade.

Para Akira, que também se apresenta como travesti, fonoaudióloga e pesquisadora, há uma dimensão política e afetiva no trabalho. Ampliar o conhecimento sobre a voz de pessoas trans e travestis é, também, ampliar possibilidades de existência com mais autonomia e reconhecimento.

SAIBA MAIS:
Akira Lima: uma voz trans na ciência potiguar
IBRAT lança pesquisa inédita sobre transmasculinidades no RN

Fonte: saibamais.jor.br

Em carta, MAR denuncia impactos da expansão de energias renováveis no Brasil

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Em carta, MAR denuncia impactos da expansão de energias renováveis no Brasil

O Movimento de Atingidas e Atingidos pelas Renováveis (MAR) tornou pública a Carta de Lagoa Seca, documento que consolida os princípios, a missão, a forma de organização e as principais reivindicações de comunidades impactadas pela expansão de projetos de energia renovável no Brasil. O movimento foi oficialmente criado em maio de 2025, durante um encontro realizado em Lagoa Seca, na Paraíba.

Na carta, o MAR reconhece a gravidade da emergência climática e a necessidade de transformar com urgência a forma como a energia é produzida. Ao mesmo tempo, sustenta que a chamada transição energética não pode repetir práticas de exploração que aprofundam desigualdades sociais, territoriais e ambientais. Segundo o movimento, a implantação de grandes empreendimentos renováveis, sobretudo no Nordeste, tem provocado violações de direitos em áreas ocupadas por povos e comunidades tradicionais, agricultores, pescadores, quilombolas, indígenas e populações costeiras.

O documento também faz uma crítica direta ao que classifica como “neocolonialismo energético”, conceito usado para denunciar projetos implantados sem participação efetiva das comunidades atingidas, enquanto os ganhos econômicos permanecem concentrados em grandes empresas e investidores. Para o MAR, esse modelo transfere aos territórios os danos socioambientais da expansão energética, sem assegurar contrapartidas justas nem respeito aos modos de vida locais.

Entre as principais reivindicações do movimento estão o cumprimento da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, com garantia de consulta prévia, livre e informada às comunidades afetadas; a proteção dos direitos territoriais diante do avanço de megaprojetos; o acompanhamento jurídico e popular de licenciamentos ambientais e contratos de arrendamento; e a criação de mecanismos transparentes e participativos para avaliação dos impactos sociais e ambientais.

A carta também defende uma política de soberania energética popular, com produção descentralizada e voltada prioritariamente às necessidades das populações locais, e não apenas aos interesses do mercado. O movimento ainda reivindica políticas públicas de fortalecimento da agroecologia, da economia solidária e da soberania alimentar, como alternativas para garantir justiça social, climática e territorial.

Atualizada pela coordenação do movimento em fevereiro de 2026, após reunião realizada no Ceará, a Carta de Lagoa Seca reafirma que a transição energética só será justa se for construída com participação popular, respeito aos territórios e centralidade na defesa da vida.

Leia a íntegra da carta:

CARTA DE LAGOA SECA NA PARAÍBA – BRASIL
MOVIMENTO DE ATINGIDAS E ATINGIDOS PELAS
RENOVÁVEIS – MAR

A emergência climática atinge o mundo de forma incontornável, exigindo dos Estados, dos governos e das sociedades um esforço nunca antes visto em defesa da vida no planeta Terra. O caos produzido pelas estruturas capitalistas nos envolveu em uma trajetória de destruição e terror que, verdadeiramente, necessita de uma resposta urgente. Sobretudo, em defesa daqueles que mais sofrem: os mais empobrecidos, as vítimas das guerras e dos genocídios, o sul global e a própria natureza humana e não humana (seus biomas, ecossistemas, entre outros).

Segundo dados dos últimos relatórios da Organização das Nações Unidas (ONU), até o final do século, levando em conta os atuais planos climáticos nacionais, o aquecimento global deve chegar aos 3,2º C. O planeta passa por duras mudanças climáticas. Em meio a essa conjuntura de problemas que derivam, direta e indiretamente, do aquecimento global, as soluções são vendidas a preços módicos, aproveitando todo o potencial energético renovável, em substituição às energias fósseis.

Nesse cenário, nos dias 23, 24 e 25 de maio de 2025, reunidos em Lagoa Seca, na Paraíba, nasce oficialmente o MAR – Movimento de Atingidas e Atingidos pelas Renováveis, um marco da luta e organização das populações atingidas, decididos a somar forças e buscar unidade com outros movimentos irmãos para dar continuidade à luta por justiça social e climática, em defesa da vida, dos territórios, das comunidades, do verdadeiro e legítimo  desenvolvimento humano, social e sustentável, e do bem comum para todas as vidas humanas e não humanas na Terra. Movidos pela esperança, pela serenidade e pelo desejo de transformação global, apresentamos esta Carta, na qual expomos nossos princípios, nossa missão, nossa forma de organização e nossas demandas. Tudo ainda em construção.

NOSSOS PRINCÍPIOS 

  • Autonomia Política, Popular ePrioridade à proteção dos territórios e maretórios

A defesa dos territórios e maretórios é condição fundamental para continuidade da vida, dos modos de existência e da autonomia dos povos e comunidades tradicionais. Acreditamos na força das comunidades para decidir sobre seus territórios. Lutamos pela autodeterminação dos povos e contra todas as formas de imposição externa. 

  • Combate ao Neocolonialismo Energético e ao Racismo Ambiental

Opomo-nos às novas formas de colonização que se apresentam sob o discurso da transição energética que na prática reproduzem desigualdades históricas e aprofundam o racismo ambiental. No Nordeste do Brasil, esse modelo tem sido implementado à custa da exploração de territórios e da violação de direitos de povos e comunidades tradicionais, populações negras, indígenas e costeiras, que passam a arcar desproporcionalmente com os danos socioambientais desses empreendimentos, enquanto os benefícios econômicos se concentram em grandes empresas e investidores.

Lutamos pela preservação, conservação e proteção da água, da terra, do ar, do oceano, da biodiversidade e da energia como bens comuns, que não podem ser apropriados por interesses privados.

  • Compromisso Anticapitalista

Manifestamos a nossa oposição a um sistema que transforma a vida e a natureza    em mercadoria. Defendemos um novo modelo baseado na solidariedade, justiça e cooperação entre os povos.       

  • Raiz Territorial e Construção Popular 

Somos povos do campo, das florestas, das águas, agricultores (as), povos originários, quilombolas, pescadores (as) tradicionais, extrativistas, caatingueiros, sertanejos, entre outros povos e comunidades tradicionais, pesquisadores (as), representantes de pastorais sociais, fóruns, sindicatos, organizações e movimentos sociais, entidades de ensino e pesquisa, representando uma significativa mostra da expressão das identidades coletivas dos territórios e da diversidade da população brasileira. 

  • Pressão Direta sobre o Poder Público e Empresas

Exercemos pressão constante sobre governos, empresas, corporações e instituições, exigindo políticas públicas que respeitem os direitos dos povos e da natureza. 

Acreditamos na união dos movimentos sociais, populares, culturais, LGBTQIAPN+ e ambientais. Somamos forças para transformar estruturas econômicas, colonialistas, racistas, patriarcais e construir alternativas reais. 

  • Compensações Justas e Reparações

Exigimos medidas justas para reparar os danos causados às comunidades atingidas, com respeito à dignidade, à cultura e à autonomia local e aos modos de vida.

  • Saúde humana e ambiental 

Defendemos a saúde humana e ambiental como dimensões inseparáveis, reconhecendo que a saúde das pessoas depende do equilíbrio dos ecossistemas, da qualidade das águas, do ar, da terra e dos alimentos. A proteção dos territórios, dos bens comuns e dos modos de vida de povos e comunidades tradicionais é condição fundamental para a promoção da saúde, da dignidade e da continuidade da vida.

  • Proteção dos Corpos e da Vida das Mulheres, LGBTQIANP+, da População Infanto Juvenil e Idosos

Comprometemo-nos com a proteção das mulheres, LGBTQIANP+, da população infanto juvenile idosos, frente às múltiplas violências agravadas pela transição energética injusta. 

  • Incidência no Legislativo e nas Políticas Públicas 

Atuamos para influenciar leis e políticas que garantam justiça social, climática e energética, com a voz e a presença dos povos nos espaços de decisão.

  • Soberania Energética Popular 

Defendemos o direito dos povos de decidirem como, para quem e para que a energia será produzida, com controle social e gestão popular, priorizando a geração de energia descentralizada voltada à produção de alimentos, à reprodução da vida e ao fortalecimento dos povos do campo e da cidade.

  • Agroecologia e Soberania Alimentar e Economia Solidária

A agroecologia e economia solidária como forma de vida, resistência e cuidado com a terra, reconhecendo a soberania alimentar como parte essencial da soberania dos povos e dos territórios. Valorizamos e defendemos os modos de vida de povos e comunidades tradicionais, como pescadores e pescadoras artesanais, povos dos manguezais, comunidades de fundo e fecho de pasto, entre outros que garantem a produção de alimentos, a proteção dos ecossistemas e a reprodução da vida.

NOSSA MISSÃO 

Unir e fortalecer as populações atingidas pelas energias renováveis, promovendo a defesa intransigente dos direitos humanos, dos territórios e da natureza, construindo e fortalecendo alternativas agroecológicas e sustentáveis, justas e solidárias que assegurem a vida digna para todas as gerações presentes e futuras. 

NOSSAS DEMANDAS 

1. Garantir o respeito à Convenção Internacional 169 da OIT, assegurando consulta prévia, livre e informada às comunidades, quilombolas, tradicionais e indígenas afetadas. 

2. Garantia de direitos territoriais e ambientais frente à expansão descontrolada de mega projetos de energia renovável.

3. Acompanhamento jurídico e popular de processos de licenciamento ambiental e contratos de arrendamento de terras. 

4. Criação de mecanismos participativos e transparentes para avaliação dos impactos sociais e ambientais. Garantir uma representação no FONTE – Fórum Nacional da Transição Energética. 

5. Exigência de medidas de compensação justas, baseadas na escuta das comunidades e na reparação real dos danos causados.

6. Defesa da soberania energética popular e descentralizada, que assegure que a energia gerada beneficie primeiro as populações locais e não apenas grandes empresas.

7. Reivindicação de políticas públicas que promovam a regularização fundiária com participação efetiva das comunidades em todos os trâmites do processo, para que a titulação de terras seja um ato para a efetiva promoção da justiça sócio territorial no campo, e não mais um instrumento para transferência de terras para os setores hoteleiro, imobiliário , de grandes empreendimentos de energias renováveis, de mineração e outros setores produtivos, em detrimento dos direitos dos trabalhadores e trabalhadores do campo, das cidades, das águas e das florestas. 

8. Reivindicação de políticas públicas que promovam a agroecologia, economia solidária e alternativas energéticas descentralizadas, que respeitem os modos de vida locais, denominado de patrimônio biocultural. 

9. Repúdio à financeirização da natureza, que transforma os ecossistemas em ativos de mercado, violando o princípio da vida acima do lucro.

NOSSA FORMA DE ORGANIZAÇÃO 

● Coordenação Colegiada Nacional composta majoritariamente dos Territórios com representantes eleitos dos estados e regiões, garantindo atuação em rede e legitimidade popular. 

● Comitê Executivo: grupo com atribuições operacionais e estratégicas, responsável pela execução das ações definidas coletivamente. 

● Comitês Temáticos: áreas como Formação, Comunicação, Incidência Política, Gênero e Juventude, que fortalecem a atuação e ampliam as frentes de mobilização.

● A estrutura do movimento respeita os seguintes critérios: 

○ Paridade de gênero; 
○ Representatividade geracional;
○ Transmissão de saberes e memória histórica dos territórios; 
○ Autonomia organizativa dos estados e núcleos locais. 

Por fim, O MAR nasce da urgência e da esperança. Somos atingidas e atingidos que resistem, constroem e se organizam. Este manifesto é a nossa voz coletiva, nossa declaração de princípios e nossa convocação à ação. Convidamos organizações, comunidades, movimentos e pessoas comprometidas com a justiça socioambiental a se somarem a nós. A transição energética só será justa se for construída com os povos, pelos povos e para os povos. 
Por soberania energética popular, justiça climática e defesa da vida: somos MAR!

Fonte: saibamais.jor.br

Álvaro Dias ignora obras inacabadas ao rebater críticas de Cadu Xavier

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Álvaro Dias ignora obras inacabadas ao rebater críticas de Cadu Xavier

Os pré-candidatos a governador Álvaro Dias (Republicanos) e Cadu Xavier (PT), em troca recente de farpas, elevaram o tom da pré-campanha, antecipando a polarização na disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte. Chamado de “prefeito das obras inacabadas” pelo petista, o ex-gestor da capital reagiu dizendo que o adversário “não entende nada ou quase nada de gestão pública”.

Para se defender das críticas de Cadu, Álvaro citou, em vídeo postado nas redes sociais, as reformas da Praça Cívica e da Praça de Candelária como exemplos de entregas realizadas durante a sua gestão. O ex-prefeito, no entanto, não mencionou as obras que, apesar de não terem sido concluídas, foram inauguradas na bacia das almas da sua gestão.

Ao rebater a acusação de “gestão fracassada” de Álvaro Dias contra a governadora Fátima Bezerra (PT), Cadu Xavier contra-atacou o ex-prefeito citando as obras inacabadas da administração dele, entre as quais o Hospital Municipal de Natal e o mirante da Ladeira do Sol.

“Prefeito, gestão fracassada foi a sua. Tá aqui o mirante inacabado, mais de um ano que o seu governo acabou, você inaugurou e não tá funcionando”, disse o secretário em vídeo publicado nas redes sociais.

“O Hospital Municipal foi inaugurado, mas também não está funcionando. Hoje é dia de chuva, que infelizmente é um problema aqui na nossa cidade. A engorda, que foi uma gambiarra que você fez, tá alagada. É isso, gestão fracassada é a sua, prefeito”, completou.

Álvaro Dias, além de acusar o adversário de não entender nada sobre gestão pública, chamou o secretário de “grande cobrador de impostos”.

“Por que é que ele não fala na Praça Cívica, que modernizou o bairro de Petrópolis, ou da Praça de Candelária? Eu sei que o secretário criticou a engorda de Ponta Negra. Agora é um crime falar mal da engorda de Ponta Negra. Essa é uma obra revolucionária. Você não fala, secretário, porque realmente você é um grande cobrador de impostos, mas de gestão pública você não entende nada ou quase nada”, disse.

SAIBA MAIS: Cadu Xavier sobe tom contra Álvaro Dias: “Prefeito das obras inacabadas”

Embate antecipa discurso de campanha

O embate entre os dois pré-candidatos antecipa o tom da disputa eleitoral de 2026 no RN, dando uma prévia das estratégias que ambos deverão colocar em prática na campanha que se avizinha.

De um lado, o pré-candidato petista busca associar a imagem do ex-prefeito a obras inacabadas. Do outro, o bolsonarista, além de defender as realizações da sua gestão, tentará colar no adversário a pecha de “cobrador de impostos”, valendo-se do fato de Cadu Xavier comandar a Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz).

O líder do governo na Assembleia Legislativa, Francisco do PT, em entrevista a uma rádio local, confirmou que o partido apostará na associação de Álvaro Dias com as obras inacabadas que ele deixou na Prefeitura de Natal.

“A governadora Fátima não entrega a obra inacabada, ao contrário do que a gente já viu recentemente aqui no Rio Grande do Norte. Hospital inacabado sendo inaugurado, obra inacabada sendo entregue à população, a gente não vai fazer isso”, declarou o parlamentar, em alfinetada dirigida a Álvaro Dias.

Ex-prefeito deixou 46 obras paralisadas ou inacabadas, além de dívida de quase R$ 900 milhões

Álvaro Dias transferiu a administração municipal ao prefeito Paulinho Freire com menos 46 obras paralisadas ou inacabadas, conforme apontado em relatório da Comissão de Transição, coordenada pela vice-prefeita Joanna Guerra (Republicanos), que foi entregue ao Tribunal de Contas do Estado (TCE). Além disso, o ex-prefeito deixou uma dívida de quase R$ 900 milhões.

De acordo com o relatório, essas obras estão concentradas nas secretarias municipais de Educação e de Serviços Urbanos. A paralisação delas, ainda segundo o documento, “compromete a infraestrutura e a prestação de serviços, impactando diretamente a população”.

Uma das principais obras inacabadas deixadas pelo ex-prefeito é o Hospital Municipal de Natal, que segue sem funcionar, apesar de ter sido inaugurado no final de dezembro de 2024 pelo pré-candidato a governador Álvaro Dias, como lembrou o secretário Cadu Xavier.

Em novembro do ano passado, durante reunião da bancada federal potiguar, a atual administração municipal disse que, para concluir a obra, precisaria de mais R$ 110 milhões.

SAIBA MAIS: “Herança maldita”: Álvaro Dias deixou dívida de quase R$ 900 milhões em Natal



Fonte: saibamais.jor.br

Carol leva o RN à semifinal do Slam BR

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Poesia, maternidade e palco: Carol leva o RN à semifinal do Slam BR

Por trás da voz firme e da presença que atravessa o palco, a trajetória de Carol na poesia falada começa como tantas outras histórias contemporâneas: pela internet. Foi durante a pandemia, acompanhando os vídeos do artista Amém Ore no Instagram, que ela teve o primeiro contato com o slam. Mas o encontro decisivo veio depois, já presencial, em Natal.

Em 2024, ao assistir uma edição do Slam do Mirante, em Mãe Luiza, Carol percebeu que não dava mais para ficar apenas na plateia. “É impossível não se apaixonar pela cultura de poesia falada naquele espaço”, comenta em entrevista à Agência Saiba Mais. Naquele dia, foi ver de perto artistas que já admirava: Frizzy, seu cunhado, e Nanduzz, seu esposo, e saiu de lá “em êxtase”, com a certeza de que queria fazer parte daquilo.

A relação com a escrita, no entanto, vem de muito antes. Carol começou a escrever ainda criança, por volta dos 11 anos, criando perfis na internet para compartilhar seus textos. A poesia, desde cedo, se apresentou como ferramenta de sobrevivência emocional. “Sempre foi um alívio rápido, uma fonte de escape e uma maneira de me entender”, conta.

Mais do que expressão individual, a poesia também se tornou instrumento de leitura de mundo. Foi na poesia marginal que ela encontrou caminhos para compreender sua realidade e a do seu povo. “Me deu de volta a identidade que o eurocentrismo roubou”, afirma. Suas “escrivivências”, como define, atravessam temas que vão da maternidade ao sistema capitalista, passando pelas tensões de existir enquanto mulher indígena em um país estruturado para silenciar essas vozes.

Há cerca de um ano e sete meses, Carol passou a frequentar rodas de slam de forma contínua, sem pausas, mesmo durante a gestação e o puerpério. “Até gravidíssima eu nunca neguei uma roda”, diz. Em 2025, a poesia deixou de ser apenas prática artística para se tornar também suporte vital. “Eu vivi poesia, gestei poesia e pari poesia.”

A gestação, marcada por dúvidas e ansiedade, encontrou na escrita um território de equilíbrio. Já no pós-parto, após uma experiência que ela descreve como traumática, foi no palco que reafirmou a própria força. “Poder declamar com minha menina nos braços foi a maior prova de mim para mim mesma de que eu sou uma mulher forte.”

Mãe de Agnes, Carol fala da maternidade como transformação profunda. “Eu me tornei minha melhor versão. Meu coração dobrou de tamanho”, resume. A filha, hoje, é presença e impulso ,na vida e na arte.

Sua caminhada até o Slam BR 2025 também carrega as marcas das desigualdades estruturais que atravessam o campo cultural. Mulher, indígena Mendonça Amarelão, jovem artista periférica, Carol nomeia com precisão os enfrentamentos cotidianos:

“Ser uma mulher originária em um país que tenta apagar nossas culturas é viver uma busca constante pelas respostas que não nos foram dadas”, diz. Dentro da própria cena, aponta ainda para práticas de machismo e deslegitimação do trabalho feminino.

Apesar disso,e também por causa disso, sua presença no palco se afirma como gesto político.

O Slam BR 2025, realizado entre os dias 26 de fevereiro e 1º de março, marcou uma edição histórica do campeonato brasileiro de poesia falada. Pela primeira vez fora do eixo Sudeste, o evento aconteceu em Brasília e reuniu poetas de todas as regiões do país em uma programação que articulou batalhas, seminários, apresentações artísticas e feira cultural. Considerado o principal torneio de slam da América Latina, o encontro funciona não apenas como competição, mas como espaço de circulação de vozes, troca de experiências e afirmação de narrativas historicamente marginalizadas.

Representando o Rio Grande do Norte nesse cenário, Carol chegou à semifinal carregando não apenas seus versos, mas uma rede de afetos, apoios e resistências. O estado, historicamente reconhecido pela força na poesia falada, mais uma vez marca presença no circuito nacional.

“Viajei feliz, com a certeza de que estaríamos bem representados, mas sem a pressão de ganhar”, afirma. Para ela, embora a competição faça parte do slam, não é o elemento central. O que está em jogo é outra coisa: o encontro, a partilha, a possibilidade de dizer e ser ouvida.

Agora, de volta ao RN, Carol já projeta os próximos passos. O primeiro deles é retomar a graduação em Licenciatura em Teatro, um sonho que dialoga diretamente com sua prática artística. “Quero ser professora de artes”, diz.

O futuro, no entanto, segue em aberto, como costuma ser na vida de quem cria. Um livro, uma música, o retorno aos palcos teatrais: tudo é possibilidade. “A arte guia o artista, leva a caminhos inesperados”, reflete.

Entre certezas e incertezas, uma convicção permanece: Carol quer viver de poesia.

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Fonte: saibamais.jor.br

Direção do PT confirma indicação de Cadu ao Governo do RN e Samanda ao Senado

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Direção do PT confirma indicação de Cadu ao Governo do RN e Samanda ao Senado

A Direção Executiva do PT-RN aprovou, nesta quinta-feira (19), uma resolução política que reafirma o nome do secretário estadual da Fazenda Cadu Xavier como pré-candidato ao Governo do Estado e indica a presidente estadual do partido e vereadora de Natal Samanda Alves como pré-candidata ao Senado Federal.

A decisão ocorre após a governadora Fátima Bezerra, em carta aberta divulgada na terça-feira (17), anunciar que permanecerá no cargo até o fim do mandato, desistindo de disputar uma vaga no Senado.

A mudança de estratégia veio após o rompimento político com o vice-governador Walter Alves (MDB), que inviabilizou o plano inicial de renúncia de Fátima Bezerra. A governadora citou que a “decisão abrupta” do ex-aliado fazia parte de um “movimento articulado para tirar o PT do Senado”.

Na resolução, o partido afirma que a permanência de Fátima no Governo do Estado representa um “gesto de elevada responsabilidade política” e reforça o compromisso com a continuidade administrativa e a estabilidade institucional no estado.

“Trata-se de uma decisão que reafirma a prioridade na continuidade das ações de governo, na consolidação das conquistas alcançadas e na defesa do Rio Grande do Norte”, diz o texto, que ressalta ainda a “coragem” da governadora para “tomar decisões difíceis em nome de um projeto coletivo”.

O PT-RN também destaca que a decisão garante a sequência de obras e políticas públicas em andamento. A resolução cita ainda que a atual gestão “tem promovido a recuperação do estado, a valorização do serviço público, o fortalecimento das políticas sociais e a ampliação de oportunidades para o povo potiguar”.

Além disso, o texto destaca o papel da Federação Brasil da Esperança, formada pelo PT, PV e PCdoB, bem como a importância estratégia dos partidos aliados, como PSB, PDT, Cidadania e Rede, “na construção de uma frente ampla, democrática e comprometida com o desenvolvimento do estado”, assim como “com a defesa da democracia, da soberania e dos direitos da classe trabalhadora”.

SAIBA MAIS: Houve um “movimento articulado para tirar o PT do Senado”, afirmou governadora

Senado terá “papel decisivo na conjuntura nacional”, diz resolução do PT

O partido ressalta que o Senado Federal “terá papel decisivo na conjuntura nacional, exigindo representantes com posicionamento firme, coerência política e compromisso inequívoco com o projeto democrático e popular”.

“O Partido dos Trabalhadores reafirma a necessidade de que essa representação esteja fortemente alinhada com os interesses da classe trabalhadora e com a defesa da democracia”, diz outro trecho da resolução.

O PT aposta que o nome Samanda Alves reúne condições de representar a “unidade partidária, a renovação política e o compromisso com a democracia, os direitos do povo e os interesses do Rio Grande do Norte”.

“A indicação da companheira Samanda expressa a confiança do PT em uma liderança comprometida com a luta social, com a construção coletiva e com a continuidade do projeto político que transformou o Rio Grande do Norte”, completa a resolução.

O partido afirma ainda que “seguirá atuando, em unidade com seus aliados do campo democrático e popular, para garantir que o Rio Grande do Norte continue avançando, com desenvolvimento, inclusão social e democracia”.

Leia a íntegra da resolução política do PT-RN:

Fonte: saibamais.jor.br

Câmara rejeita título de cidadã natalense para Michelle Bolsonaro

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Câmara rejeita título de cidadã natalense para Michelle Bolsonaro

A Câmara Municipal de Natal rejeitou a concessão do título de cidadania natalense à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. A homenagem foi derrotada em votação nesta quinta-feira (19) e toda a oposição se mobilizou para votar contra. A vereadora Camila Araújo (União), autora da proposição, ainda se justificou após o resultado: “não dá para ganhar todas, realmente, mas estou orgulhosa do título que tentei que fosse aprovado”.

Foram 14 votos a favor, cinco contra e 10 ausências justificadas, mas por necessitar de maioria absoluta da Casa (15 votos dos 29 vereadores), o texto não passou. Os votos contrários vieram de Brisa Bracchi (PT), Daniel Valença (PT), Samanda Alves (PT), Thabatta Pimenta (PSOL) e Pedro Henrique (PP).

A justificativa para a concessão do título à Michelle cita os “pelos relevantes serviços prestados à sociedade natalense e sua contribuição para o engrandecimento do nome da nossa cidade”.

No texto, Camila Araújo destaca o período de Michelle como primeira-dama, sua defesa de causas sociais relacionadas às pessoas com deficiência e a sua atuação dentro da igreja evangélica. Parlamentares da oposição rechaçaram os argumentos. 

“Se é um governo que passa pra fora a imagem de que se preocupava com pessoas com deficiência, na prática fez o oposto. Desmantelou o que havia de conselhos, o que havia de estrutura no poder executivo para promover os direitos das pessoas com deficiência”, disse Valença. 

“E mais ainda, é um governo que levou quase um milhão de brasileiros à morte na pandemia, que levou o país à quebradeira, quatro anos sem reajuste do salário mínimo acima da inflação, quatro anos sem reajuste da tabela do Imposto de Renda. Então, sinceramente, da família de miliciano, a gente não tem que dar nenhuma honraria, nem prestar nenhum apoio”, continuou o parlamentar petista.

Brisa Bracchi disse ver uma contradição na proposta de Araújo, já que a vereadora bolsonarista deu um parecer contrário na Comissão de Constituição e Justiça ao título de cidadão natalense ao deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ), que tem família no Rio Grande do Norte.

“Não há nada em que a população de Natal foi beneficiada por Michelle Bolsonaro que faça ela ter legitimidade de ganhar um título de cidadã natalense, a maior honraria desta Casa”.

Samanda Alves afirmou que “jamais daria um voto favorável a quem contribuiu para atentar contra a democracia do nosso país”. Pimenta disse que no governo Bolsonaro só houve exclusão ao invés de inclusão. Já Pedro Henrique, que não integra a oposição, afirmou que só vota para conceder títulos de cidadania natalense a quem tem reconhecidamente relação com a cidade.

Fonte: saibamais.jor.br

A educação como ferramenta de transformação

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A educação como ferramenta de transformação

Por Lilian Mirelly | Estudante do IFRN Centro Histórico | Presidenta da UMES-Natal

O movimento secundarista no Brasil revela um cenário de encruzilhada, requer organização e muita esperança para ir de encontro com aqueles que tentam limitar o nosso saber. Após ciclos históricos de ocupações e intensa mobilização de rua, o que vemos hoje é o sistema capitalista impulsionando políticas que buscam esvaziar a escola de seu sentido crítico e político. Essa lógica aprofunda a evasão escolar, fragiliza o futuro da juventude e compromete a capacidade do Brasil de formar seu povo. Uma nação que abandona seus jovens jamais será soberana. A ofensiva conservadora, somada à precarização estrutural do ensino público, tenta transformar o espaço escolar em um mero centro de treinamento técnico ou, pior, em um ambiente de passividade, em que a organização coletiva e os grêmios estudantis são vistos como obstáculos. Mas a pergunta é: para quem e por quê?

A extrema direita tem atuado seguindo o seu projeto identitário com ataques e desmontes à educação e perseguição ao movimento estudantil. É preciso, no próximo período, muita mobilização social e estudantil para lutar contra todos aqueles que insistem em tratar os estudantes como os seus inimigos e fazer da precarização da educação pública o seu projeto. O desânimo que vemos nos corredores das escolas é o sintoma de uma crise de perspectiva. Quando a sobrevivência imediata se torna a única prioridade, olhar a transformação social pelo saber parece distante, e é justamente nessa brecha que o discurso do conformismo ganha terreno entre os jovens. Chega! Precisamos combater o bom combate. Desacreditar na educação não pode ser o caminho da nossa geração. A juventude organizada desempenha papel central nessa disputa, e a geração Z não pode ser descredibilizada, mas impulsionada a construir um novo projeto de desenvolvimento para o nosso país.

Parece que hoje em dia estão tentando transformar a gente em robô de tarefa, sabe? O sistema quer que a gente desista de estudar para virar “aluno-monitor” ou que a gente se jogue em um aplicativo de entrega só para ganhar um trocado rápido e sobreviver. Eles fazem a universidade parecer um sonho impossível ou algo que nem vale a pena, mas isso é uma armadilha pra gente não entender como eles exploram o nosso trabalho. Nós não podemos deixar que o desânimo e a descrença com a educação tomem conta, porque é exatamente o que o capitalismo quer, porque um povo sem consciência de classe é mais fácil de controlar. Por isso, a gente precisa bater o pé e dizer que a educação é, sim, a nossa maior arma para enxergar as ciladas do sistema e lutar por um futuro de verdade.

Portanto, a educação deve ser defendida não apenas como um degrau para o mercado de trabalho, mas como o motor principal da transformação da sociedade. Quando um jovem secundarista entende que o saber é um direito e não uma mercadoria, ele se torna uma ameaça ao sistema. Ora, agora faz sentido eles quererem limitar a nossa educação? A escola pública e a universidade são territórios de disputa, ocupá-las e permanecer nelas é o maior ato de resistência contra um sistema que quer o jovem trabalhando de forma precarizada e pensando pouco. Acreditar na educação é acreditar que o mundo não está pronto e que nós somos os sujeitos capazes de reescrevê-lo. Você já deve ter ouvido “os jovens são o futuro do nosso país”. Não é à toa!

Como bem nos ensinou Paulo Freire: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. A emancipação começa quando deixamos de nos ver como um indivíduo isolado e passamos a nos compreender como parte de um coletivo consciente de sua classe e de sua força. Por essa razão, o momento exige o resgate da nossa rebeldia e da resistência histórica dos secundaristas. Uma luta consequente não se faz isoladamente, mas ao lado dos nossos: na organização das bases, no fortalecimento dos grêmios e na construção de uma nova escola que tenha o nosso rosto e ocupe os debates sobre o nosso futuro. Precisamos pautar uma educação que nos eleve ao mercado que merecemos, garantindo formação técnica, mas nunca deixando de lado, o que eles tanto temem, a nossa consciência de classe.

A gente sabe que desenvolver o país de verdade é o único caminho para o povo viver com dignidade. O movimento secundarista carrega no seu DNA a defesa de uma bandeira que é única: a bandeira da educação! É com essa autoridade que devemos conquistar a maioria social para isolar a extrema direita e defender a escola e a educação frente ao autoritarismo!  Já transformamos muitas gerações, enfrentamos muitos generais e agora não será diferente. Quando nos organizamos, tudo ao nosso redor muda e, portanto, mudará. É hora de a resistência secundarista mostrar como se faz. Chegou a hora de entrar no “tudo ou nada” e aqui é tudo nosso pela educação, democracia e soberania dos povos!

Fonte: saibamais.jor.br