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Cobertura contra HPV cresce no RN, mas segue abaixo da meta

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Cobertura contra HPV cresce no RN, mas segue abaixo da meta

A cobertura vacinal contra o HPV no Rio Grande do Norte tem apresentado sinais de recuperação nos últimos anos, mas ainda permanece abaixo do patamar considerado ideal pelas autoridades de saúde. O cenário acompanha uma tendência nacional de baixa adesão à vacina, apesar da ampla oferta gratuita pelo SUS.

Os dados mais recentes apontam que cerca de 66,9% dos adolescentes potiguares entre 9 e 14 anos foram imunizados contra o HPV, percentual inferior à meta de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde. A diferença indica que uma parcela significativa do público-alvo ainda está desprotegida contra o vírus, responsável por diversos tipos de câncer.

No Brasil, a situação também preocupa. A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, na última quarta-feira (25), mostra que apenas 54,9% dos estudantes de 13 a 17 anos afirmaram com certeza já terem sido vacinados. Além disso, 34,6% disseram não saber se receberam a dose, evidenciando falhas no acompanhamento vacinal e no acesso à informação.

A vacina contra o HPV é considerada uma das principais estratégias de prevenção contra o câncer de colo do útero, além de tumores de ânus, pênis, boca e garganta. A recomendação é que a imunização seja feita entre os 9 e 14 anos, antes do início da vida sexual, período em que a resposta do organismo é mais eficaz.

Os dados da PeNSE revelam ainda que 30,4% dos estudantes brasileiros nessa faixa etária já iniciaram a vida sexual, com média de 13,3 anos entre meninos e 14,3 entre meninas. O cruzamento dessas informações reforça a importância de ampliar a cobertura vacinal, especialmente em estados como o RN, onde os índices ainda estão abaixo da meta.

Para a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, Isabela Ballalai, o principal entrave não é apenas a hesitação vacinal, mas a desinformação estrutural. “Muitas pessoas ainda não sabem quando devem se vacinar ou quais vacinas estão disponíveis. Isso mostra que o problema vai além das fake news e passa pela falta de orientação e acesso”, afirma.

Entre os principais obstáculos para a vacinação estão a falta de informação, a baixa percepção de risco e dificuldades de acesso aos serviços de saúde.

Apesar disso, o Rio Grande do Norte tem registrado avanços. Em 2023, houve aumento de cerca de 30% na aplicação de doses, indicando uma retomada após quedas observadas em anos anteriores. Para acelerar esse processo, estratégias como a vacinação em escolas e campanhas de resgate para jovens de 15 a 19 anos vêm sendo adotadas.

A ampliação da cobertura é considerada essencial para reduzir a circulação do vírus e, a longo prazo, diminuir a incidência de cânceres associados ao HPV.

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Fonte: saibamais.jor.br

Associação da PM diz que Styvenson “representa o pior nível de oficiais” da instituição

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Associação da PM diz que Styvenson “representa o pior nível de oficiais” da instituição

A Associação dos Oficiais Militares do RN (Assofme) divulgou uma nota repudiando as declarações do senador Styvenson Valentim (PSDB), durante um evento no município de Parelhas, no último domingo (29), dizendo que “coronel da PM não faz nada”.

“Eu podia tá de coronel hoje na PM, sem fazer nada, porque tu sabe que coronel não faz nada, né? Capitão já não fazia, só eu que trabalhava. Podia tá lá na PM ganhando dinheiro fácil, beirando me aposentar, mas não, fui lá fazer o que eu não sabia fazer”, disse o senador no evento de inauguração da reforma da Escola Municipal Vereador Inácio Miranda, na presença do prefeito Dr. Tiago Almeida (PSDB).

A fala provocou a repercussão imediata na categoria da segurança pública do Rio Grande do Norte. A Assofme, em comunicado interno, afirmou que o senador Styvenson Valentim “representa o pior nível de oficiais” que já passou pela instituição.

“Limitado intelectualmente, desagregador, inadimplente com obrigações acadêmicas quando cadete, causou constrangimento em ambiente familiar como a festa dos 100 dias da turma dele. Enfim, sempre foi um oficial de baixo nível. Não seria agora que mudaria”, diz a nota da entidade, que é presidida pelo Cel. da PM Antoniel Jorge dos Santos Moreira.

O comunicado afirma ainda que a atuação de Styvenson Valentim no Senado Federal “está pondo em risco o sistema de proteção social dos militares estaduais”.

“Tudo isso em busca de se manter no mandato de senador. Certamente, ele está querendo engajamento nas redes sociais com uma reação nossa. Vamos deixar esse senhor seguir o caminho dele, afinal, como diz o ditado: uma pessoa pode enganar muitas pessoas por muito tempo, mas não conseguirá enganar todas as pessoas por todo tempo”, completa a nota.

Calado, o senador até parece poeta”, critica Samanda Alves

A fala também foi criticada pela vereadora de Natal e pré-candidata ao Senado, Samanda Alves (PT), que ironizou o adversário afirmando que “calado, o senador até parece poeta”.

“O senador capitão Styvenson mede toda uma corporação pela própria régua. Um desrespeito com os agentes de segurança pública que dão duro todos os dias para manter o RN entre os estados mais seguros do país e o mais seguro do Nordeste”, comentou a petista em publicação nas redes sociais.

Samanda ainda acusou Styvenson Valentim de “usar a polícia como palanque” para se eleger em 2028, mas “agora escolhe desvalorizar quem trabalha na Polícia Militar do Rio Grande do Norte”.

Ex-capitão da PM, Styvenson Valentim ganhou fama no Rio Grande do Norte quando comandava as blitz da Lei Seca em Natal. A atuação lhe rendeu o apelido de “Robocop da Lei Seca” devido a sua postura de linha dura.

A notoriedade repentina fez dele um fenômeno da chamada “nova política” em 2018, que foi impulsionada pela onda do antipetismo, do voto “antissistema” e da rejeição aos partidos tradicionais.

Ele decidiu abandonar a PM, disputou as eleições e foi eleito o senador mais votado com 745.827 votos, desbancando o ex-governador, ex-senador e ex-ministro Garibaldi Alves Filho (MDB), que à época era um dos nomes mais tradicionais da política do Rio Grande do Norte.

O senador, até o fechamento dessa matéria, não havia se pronunciado sobre as críticas que recebeu pelas suas declarações. O espaço segue aberto.

SAIBA MAIS: De “outsider antipolítica” a aliado de Rogério Marinho: a guinada de Styvenson Valentim

Fonte: saibamais.jor.br

Fátima anuncia mudanças no secretariado de olho nas eleições de 2026

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Fátima anuncia mudanças no secretariado de olho nas eleições de 2026
Adriano Gadelha deixou a Secretaria Extraordinária de Governo e Relações Institucionais. Foto: Reprodução

A semana se inicia com a expectativa de mudanças no secretariado do Governo do Estado em razão da proximidade do fim do prazo para desincompatibilização daqueles que pretendem disputar as eleições de 2026. Nesta segunda-feira (30), a governadora Fátima Bezerra (PT) anunciou o nome do secretário Executivo do Tesouro, Álvaro Luiz, como substituto de Cadu Xavier na Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz).

Cadu Xavier deixa a Sefaz para se dedicar à pré-candidatura a governador pelo PT. A desincompatibilização oficial, no entanto, deverá ser publicada até o próximo sábado (4) no Diário Oficial do Estado (DOE).

A previsão é que, a partir da próxima semana, quando já não estiver mais no cargo, ele intensifique as articulações para fechar a chapa majoritária do PT. A expectativa maior é em torno do nome da sua vice. Nos últimos dias, o nome que vem sendo especulado para a vaga é o da secretária estadual de Turismo, Marinha Marinho (PT).

Fontes próximas à secretária confirmaram que essa possibilidade vem sendo discutida pelo partido, mas o martelo ainda não foi batido. Ela também teve o nome citado para uma possível pré-candidatura a deputada estadual, mas essa hipótese foi descartada.

De acordo com as mesmas fontes, Marina só deixará o cargo se for para compor a chapa majoritária ao lado de Cadu. Caso isso não se confirme, a tendência é que ela permaneça no governo, só não está definido se continuará ou não na Setur.

A governadora também anunciou o nome da secretária-executiva da fazenda, Jane Araújo, como substituta de Pedro Lopes na Secretaria Estadual da Administração (Sead). O ex-secretário é cogitado para compor a nominata a deputado estadual do PT.

Em publicação nas redes sociais, a governadora desejou aos novos secretários “uma gestão exitosa, pautada pelo espírito público, pelo diálogo e pelo trabalho em defesa do povo do RN”.

Adriano Gadelha poderá coordenar campanha de Cadu Xavier

Adriano Gadelha deixou a Secretaria Extraordinária de Governo e Relações Institucionais. Foto: Reprodução

No último sábado (28), o governo havia comunicado a saída de Adriano Gadelha do cargo de Secretário Extraordinário de Governo e Relações Institucionais. A exoneração, a pedido dele, foi publicada na edição de sexta-feira (27) do Diário Oficial do Estado.

De acordo com o governo, Adriano deixou o cargo para “assumir novos compromissos profissionais”. Em 2014, quando Fátima Bezerra foi eleita para o Senado, ele foi candidato a deputado federal, mas ficou na suplência ao conquistar 34.727 votos.

Um dos principais articuladores políticos da governadora Fátima Bezerra, Adriano Gadelha é cotado para ser coordenador-geral da campanha de Cadu Xavier, mas fontes próximas a ele disseram que essa informação não está confirmada.

Outros secretários poderão sair para disputar vaga na Câmara dos Deputados

Alexandre Motta (Sesap) e Alexandre Lima (Sedraf) também poderão deixar os cargos para disputar eleições de 2026. Fotos: Reprodução

As mudanças, no entanto, não devem parar por aí. O secretário Alexandre Motta também poderá deixar a Secretaria Estadual da Saúde Pública (Sesap) para compor a nominata a deputado federal do PT.

Em 2028, ele foi candidato a senador, fazendo dobradinha com a senadora Zenaide Maia (PSD). Na ocasião, ficou em sexto lugar, com 242.465 votos. Em 2022, ele tentou conquistar uma vaga na Câmara dos Deputados, mas obteve apenas 4.615 votos.

Quem também poderá deixar o cargo para se candidatar a uma vaga de deputado federal pelo PT é o secretário estadual de Desenvolvimento Rural e da Agricultura Familiar, Alexandre Lima.

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o prazo para os pré-candidatos que pretendem disputar as próximas eleições se desincompatibilizarem termina no próximo sábado (4).

A exigência, ainda segundo o TSE, é válida para quem ocupa mandato, cargo ou função e pretenda disputar, nas próximas eleições, um mandato eletivo diferente do que exerce. A legislação eleitoral estabelece que um pré-candidato deve se afastar de forma temporária ou definitiva do cargo ou da função que ocupa para concorrer a uma vaga com no mínimo seis meses de antecedência das eleições.

O objetivo da exigência da desincompatibilização é evitar que candidatos utilizem a estrutura e os recursos públicos para obter algum tipo de vantagem eleitoral diante dos concorrentes.

Fonte: saibamais.jor.br

Festival abre inscrições e amplia formação no interior do RN

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Cinema no Seridó: Festival abre inscrições e amplia formação no interior do RN

O Curta Caicó abriu inscrições para sua 9ª edição. O Festival funciona como uma vitrine do audiovisual produzido fora dos grandes centros no Rio Grande do Norte. Com participação gratuita e abrangência nacional, o evento segue mobilizando realizadores de diferentes regiões do país, ao mesmo tempo em que mantém o olhar atento para a potência criativa do Seridó.

As inscrições ficam abertas até 12 de abril e podem ser feitas pelo site oficial ou pelas redes sociais do evento. Podem concorrer curtas-metragens com até 20 minutos de duração, independentemente de gênero, linguagem ou temática. A proposta é justamente refletir a diversidade da produção contemporânea, reunindo obras que transitam entre o documental, a ficção, o experimental e o híbrido.

A estrutura competitiva se organiza em três mostras principais: Nacional, Potiguar e Seridó, esta última voltada especificamente para produções da região. Paralelamente, o festival também aposta em recortes curatoriais temáticos, com sessões dedicadas à diversidade, ao público infantojuvenil, às questões ambientais e ao cinema fantástico, além de um espaço voltado à produção nordestina.

O crescimento do evento é evidenciado pelos números da última edição. Em 2025, o Curta Caicó registrou 1.225 filmes inscritos, um recorde que não apenas amplia sua dimensão, mas também reforça sua inserção no circuito de festivais independentes do Nordeste.

Mais do que uma mostra de filmes, o Curta Caicó se estrutura como um projeto contínuo de formação e fortalecimento do setor audiovisual no interior do estado. Oficinas, laboratórios de roteiro e ações em escolas públicas integram a programação, criando pontes entre a produção cinematográfica e novos públicos, especialmente jovens de cidades do Seridó.

Como novidade desta edição, o festival lança a Escola de Cinema do Seridó, iniciativa que busca ampliar o acesso à formação técnica e artística na região. A proposta contempla áreas estratégicas da cadeia produtiva do audiovisual, como direção, produção executiva, captação de som, montagem, fotografia e atuação, contribuindo para a profissionalização de novos agentes culturais.

“Nos últimos anos, o Seridó vem ganhando destaque no cenário audiovisual. Entendemos que o festival tem o papel de fomentar essa produção regional, e a criação da Escola de Cinema do Seridó surge como mais uma ação para incentivar pessoas interessadas em trabalhar com audiovisual na região”, afirma o diretor do festival, Raildon Lucena.

Outra frente importante da programação é o 5º LAB RN – Laboratório de Roteiro para Jovens do Rio Grande do Norte, que segue com inscrições abertas até 5 de abril. Voltado a jovens do Seridó, o laboratório tem como objetivo identificar e desenvolver novos roteiristas por meio de processos de mentoria e criação coletiva.

Os participantes selecionados passam por uma imersão com acompanhamento de profissionais do setor, em um ambiente que estimula trocas criativas, experimentação e construção colaborativa de narrativas audiovisuais.

A iniciativa dialoga com experiências já consolidadas no Nordeste, como o laboratório Jabre, da Paraíba, que se tornou referência na formação de realizadores de pequenas cidades e contribuiu para projetar produções locais em festivais nacionais e internacionais.

Trajetória

Realizado desde 2018, o Curta Caicó nasceu com o objetivo de fomentar o audiovisual no Seridó e, ao longo de suas edições, ampliou significativamente seu alcance. Além das exibições, o festival passou a investir de forma sistemática na formação de público e na circulação de conhecimento, promovendo debates, encontros com realizadores e ações educativas.

Em edições anteriores, o evento também expandiu suas atividades para outros municípios da região, como São José do Seridó, Cruzeta, Acari, Carnaúba dos Dantas e São João do Sabugi, reforçando a proposta de interiorização do cinema e descentralização do acesso à cultura.

A 9ª edição do Curta Caicó é realizada pela Agência Referência, com patrocínio da Neoenergia Cosern, Instituto Neoenergia, Governo do Rio Grande do Norte, Secretaria Estadual de Cultura e Fundação José Augusto, por meio do Programa Cultural Câmara Cascudo.

SAIBA MAIS:
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Fonte: saibamais.jor.br

IFRN divulga nota sobre episódio de hostilidade contra reitor José Arnóbio

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IFRN divulga nota sobre episódio de hostilidade contra reitor José Arnóbio

O Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) divulgou uma nota oficial nesta segunda-feira (30) para se posicionar sobre o tumulto registrado durante a solenidade de formatura realizada no último sábado (28), no Campus Natal-Zona Norte. O episódio ganhou repercussão após o reitor, José Arnóbio, ser hostilizado ao fazer referência em seu discurso ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Na nota, a instituição reforça o caráter institucional das cerimônias de formatura, destacando que se tratam de “momentos simbólicos de grande relevância acadêmica e social”, que seguem protocolos previamente estabelecidos para garantir organização, respeito e segurança.

O IFRN também enfatiza que a presença do reitor — ou de seu representante — faz parte do cerimonial oficial. O posicionamento ocorre após os atos de hostilidade contra o reitor, com direito a vaias de parte do público, dedo em riste em direção ao gestor e desligamento do disjuntor de fornecimento de energia elétrica, interrompendo a continuidade da cerimônia.

Apesar de não citar diretamente o episódio contra o reitor, a instituição manifestou “repúdio às manifestações que comprometeram o ambiente de respeito esperado para a ocasião”, destacando especialmente a interrupção de energia.

De acordo com a instituição, a ação colocou em risco a segurança dos presentes e prejudicou um momento considerado significativo para os formandos e seus familiares.

O instituto informou ainda que está adotando medidas legais para identificar e responsabilizar os envolvidos.

A nota também traz uma mensagem de solidariedade aos estudantes concluintes, familiares e servidores que tiveram a cerimônia afetada.

O IFRN reafirma, por fim, seu compromisso com a educação pública, gratuita e de qualidade, além da defesa de espaços institucionais baseados no respeito, no diálogo e na convivência democrática.

A fala que provocou a reação de parte do público presente ao evento foi quando o reitor afirmou que a expansão dos Institutos Federais, especialmente nos governos do presidente Lula, “permitiu levar escolas técnicas, laboratórios, pesquisa e formação crítica para onde antes só havia negação de direitos”.

“Não foi caridade. Foi justiça social. Foi a compreensão de que investir em educação profissional é investir em soberania nacional, em desenvolvimento regional e em democracia”, disse ele em um trecho do discurso.

O reitor relatou à Agência Saiba Mais que a quadra estava lotada, com 135 estudantes concluintes, cada um acompanhado por um padrinho. No início do discurso, ele condenou a violência contra a mulher e citou dados sobre feminicídio.

Pouco depois, ainda segundo seu relato, houve citação a Lula, que desencadeou a reação negativa de parte do público, enquanto a outra parte aplaudiu. Nesse momento, houve o primeiro desligamento do disjuntor.

“Quando voltou, comecei a fazer o discurso novamente e aí mais uma vez o disjuntor foi desligado. A gente ficou esperando, os alunos começaram a se dispersar, as famílias também e na verdade a solenidade não foi encerrada”, explicou o reitor.

SAIBA MAIS: Reitor do IFRN é hostilizado ao citar Lula em discurso sobre expansão dos IF

Leia a íntegra da nota do IFRN:

O Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) vem a público manifestar-se acerca dos acontecimentos registrados durante a solenidade de formatura realizada no último sábado (28), no Campus Natal-Zona Norte.

As cerimônias de formatura no IFRN constituem momentos simbólicos de grande relevância acadêmica e social. Mais do que eventos festivos, são rituais institucionais que marcam a conclusão de um ciclo formativo e celebram, junto à comunidade, a formação de profissionais-cidadãos aptos a atuar no mundo do trabalho e na sociedade.

Essas solenidades seguem protocolos institucionais previamente estabelecidos, que asseguram a organização, o respeito e a valorização de todos os envolvidos: estudantes, familiares, servidores e autoridades. Nesse contexto, a presença do reitor, que preside a mesa diretiva ou se faz representar, integra o cerimonial oficial da Instituição, sendo parte constitutiva do ato público de formatura.

O IFRN reforça que o bom andamento das cerimônias depende do respeito às normas estabelecidas, que vedam expressamente quaisquer manifestações ou ações que comprometam a ordem, a segurança e a integridade do evento, podendo inclusive acarretar sua interrupção.

Diante disso, a Instituição manifesta seu repúdio às manifestações que comprometeram o ambiente de respeito esperado para a ocasião, em especial ao ato deliberado de interrupção do fornecimento de energia elétrica durante a solenidade. Tal conduta colocou em risco a segurança dos presentes e prejudicou um momento significativo para os formandos e seus familiares. A Instituição informa, ainda, que está adotando todas as medidas legais cabíveis para a devida responsabilização dos envolvidos.

A instituição se solidariza com os estudantes concluintes, seus familiares e servidores que tiveram esse momento comprometido, reiterando que seguirá trabalhando para garantir a realização de solenidades à altura da importância que representam.

Por fim, o IFRN reafirma seu compromisso com a formação pública, gratuita e de qualidade, bem como com a promoção de espaços institucionais pautados pelo respeito, pelo diálogo e pela convivência democrática.

Fonte: saibamais.jor.br

Carito Cavalcanti lança livro de crônicas autobiográficas em Natal

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Carito Cavalcanti lança livro de crônicas autobiográficas em Natal

O escritor, poeta e artista multimídia Carito Cavalcanti lança nesta quinta-feira, 2 de abril, o livro “O tênis da foto da capa e outras histórias”, publicado pela Escribas Editora. O evento será realizado no Seburubu, em Petrópolis, das 18h às 23h, com entrada gratuita e discotecagem de Isaac Ribeiro. A noite marca a apresentação ao público de uma obra construída a partir de lembranças, episódios pessoais e passagens de uma trajetória artística extensa e múltipla.

A nova publicação reúne textos curtos em que Carito transforma vivências em narrativas marcadas pela memória, pela observação e por um modo próprio de contar histórias. O livro parte de acontecimentos atravessados pelo cotidiano e pela experiência pessoal do autor, compondo um conjunto de crônicas autobiográficas que percorrem diferentes momentos de sua vida, desde a infância. O resultado é uma obra formada por episódios diversos, costurados por uma escrita que aproxima prosa, ritmo e lembrança.

A proposta do livro dialoga diretamente com a trajetória de Carito Cavalcanti, que acumulou ao longo das décadas experiências em diferentes campos da cultura. Nascido em Natal, em 1964, ele construiu uma atuação que passa pela poesia, música, cinema, teatro, fotografia, performance e arquitetura. Essa diversidade de percursos aparece refletida na matéria-prima do livro, alimentado por encontros, projetos, memórias e passagens acumuladas ao longo de uma vida ligada à produção artística e cultural.

Ao reunir essas histórias em um único volume, o autor leva para a literatura não apenas recordações pessoais, mas também fragmentos de experiências vividas em distintos ambientes de criação. O lançamento apresenta ao leitor um conjunto de textos em que as lembranças ganham forma breve, fluida e dinâmica, sem perder a dimensão literária. A proposta é transformar episódios marcantes em narrativas capazes de condensar humor, afeto, estranhamento e observação.

A obra também incorpora contribuições de outros nomes, com textos assinados por Sheyla Azevedo, Pablo Capistrano, Mario Ivo Cavalcanti e Carlos Fialho. As participações ampliam o diálogo em torno do livro e ajudam a situar a escrita de Carito dentro de uma rede de interlocução artística e literária. O conjunto reforça o caráter plural da publicação, que nasce do percurso de um autor com trânsito por diferentes linguagens e espaços de criação.

Carito Cavalcanti tem uma trajetória consolidada na cena cultural potiguar. Foi vocalista e um dos fundadores das bandas Fluidos, entre 1982 e 1985, e Modus Vivendi, entre 1986 e 1999, grupos apontados no release como pioneiros no rock do Rio Grande do Norte. Nessas experiências, também atuou como produtor. Participou ainda do projeto experimental Os Poetas Elétricos, desenvolvido ao lado de Edu Gomez e de outros convidados, iniciativa que uniu música e poesia e resultou no lançamento de três discos, além de prêmios e indicações em nível nacional.

Trabalhou, no teatro, na Stabanada Companhia de Teatro como ator, assistente de direção e diretor musical. Também atuou como arquiteto da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Sua formação acadêmica inclui pós-graduação em Teoria e História da Arquitetura pela Universidade Politécnica de Madrid, na Espanha, e especialização em Ensino de Arte pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Em outra frente de atuação, foi empreendedor no ecoturismo do litoral norte potiguar, à frente da Pousada Costa Branca, na Praia de Ponta do Mel, em Areia Branca, em projeto desenvolvido com o irmão João Hélder.

Já publicou pela Escribas Editora os livros de poesia “Atestado de Órbita”, de 2012, “Entendeu ou quer que desenhe?”, de 2017, com ilustrações de Flávio Freitas, e “Minha Amásia Paranormal”, de 2024, com ilustrações de Paula Vanina. Além disso, escreveu em blogs, participou de livros coletivos e publicou em fanzines e jornais culturais, entre eles “Delírio Urbano” e “O Galo”. A experiência acumulada em diferentes formatos de escrita e criação ajuda a explicar o tom híbrido que atravessa seu novo livro.

No audiovisual, Carito realiza filmes de ficção, documentários, aftermovies, experimentais, videoclipes, webséries, conteúdos institucionais e peças publicitárias. À frente da Praieira Filmes, trabalha com direção, roteiro e fotografia, com participação em mostras e festivais e prêmios no portfólio. Também ministra cursos e oficinas. Esse percurso reforça a dimensão multifacetada de sua produção e ajuda a compreender a amplitude das referências que alimentam sua escrita.

“O tênis da foto da capa e outras histórias” surge, assim, como uma espécie de reunião literária dessas camadas de experiência. O livro condensa a trajetória de um autor que passou por áreas distintas, conviveu com diferentes pessoas e transformou essas passagens em narrativas curtas. A publicação se estrutura em textos breves, mas ancorados em uma vida artística ampla, marcada pela circulação entre linguagens, projetos e ambientes de criação.

O lançamento no Seburubu reúne esse novo trabalho em um encontro aberto ao público. Com entrada gratuita, a programação combina literatura e música em uma noite voltada ao lançamento da obra em Natal. O evento será realizado na Avenida Deodoro da Fonseca, 307, em Petrópolis.

Serviço
Lançamento de “O tênis da foto da capa e outras histórias”
Autor: Carito Cavalcanti
Editora: Escribas Editora
Data: quinta-feira, 2 de abril
Horário: das 18h às 23h
Local: Seburubu, Avenida Deodoro da Fonseca, 307, Petrópolis, Natal

Fonte: saibamais.jor.br

da Ballroom à música, a construção de uma voz potiguar que ecoa

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YO: da Ballroom à música, a construção de uma voz potiguar que ecoa

A trajetória da artista potiguar não binária YO é marcada por deslocamentos contínuos que atravessam linguagem, território, identidade e formas de atuação artística. Longe de um percurso linear, sua caminhada se constrói a partir do acúmulo de experiências que convergem para o seu fazer artístico, conectando dança, militância, produção cultural, Ballroom e, mais recentemente, a música.

Esse caminho começa ainda na adolescência, dentro do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), onde YO cursava edificações. Embora a formação técnica não tivesse relação direta com o campo artístico, foi nesse ambiente que surgiram as primeiras oportunidades concretas de experimentar novas linguagens.

“A minha primeira veia artística foi a dança, desde sempre”, afirma, em entrevista à Agência Saiba Mais.

No instituto, a entrada em um projeto de danças urbanas, com aulas regulares e apresentações institucionais, abriu espaço para as primeiras experiências de palco. Após um processo seletivo interno, YO passou a integrar um grupo que se apresentava em eventos oficiais do IFRN, consolidando ali seus primeiros passos como performer.

Mas esse início não aconteceu isoladamente. Ele se cruza com um momento político intenso. Em 2016, ano de forte mobilização estudantil no país, YO se envolve diretamente com o movimento estudantil e é eleita para a diretoria de Arte e Cultura do grêmio do IFRN. A função amplia seu campo de atuação: além de performer, passa a organizar festas, eventos e ações culturais, descobrindo, na prática, os bastidores da produção.

“Foi ali que eu tive meu primeiro contato com produção cultural. A diretoria de Arte e Cultura era responsável por organizar as festas, então a gente fazia São João, Halloween, tudo.”

É também nesse período que surge a drag América Bracchi, primeira persona artística estruturada por YO. Com recursos limitados — muitas vezes vindos de uma bolsa estudantil —, a montação acontecia de forma improvisada e, por vezes, escondida.

“Eu guardava minhas coisas de drag no grêmio, porque não podia levar para casa. Eu tinha que me montar escondido.”

Escolha do nome tem influência de vereadora

A escolha do nome não é aleatória. Influenciada por Brisa Bracchi, que, à época, já era uma referência na militância, YO buscava construir uma drag que também fosse um posicionamento político. A performance, então, passa a ocupar espaços de protesto, ocupações estudantis e manifestações, conectando estética e discurso. Nesse momento, a arte deixa de se separar da militância — torna-se, ela própria, uma linguagem de atuação política.

Paralelamente, YO começa a circular como DJ. Sua atuação se expande principalmente pelo interior do estado, onde constrói uma rede própria de contatos e reconhecimento. Cidades como Santa Cruz, Caicó, Currais Novos e Mossoró entram no circuito, consolidando uma presença que, curiosamente, ainda não se refletia com a mesma força na capital.

“Eu acabei criando uma fama no interior que eu não tinha em Natal, porque aqui o acesso à cena também depende muito de contatos, que, na época, eu ainda não tinha”, relata.

Essa fase de expansão, no entanto, é atravessada por um processo de desgaste. A necessidade constante de esconder a própria identidade cobra um preço alto.

“Era muito cansativo. Eu tinha que sair de casa, me montar em outro lugar, performar, depois me desmontar e voltar.”

O afastamento da drag e da produção cultural acontece nesse contexto, em meio a um período de dificuldades. A saída do IFRN marca uma ruptura: YO se afasta da cena artística e passa a focar na entrada na universidade e na busca por estabilidade financeira.

A virada acontece durante a pandemia. Ao dividir casa com outras pessoas trans, YO vivencia um processo profundo de reconhecimento identitário, que redefine sua relação com o corpo e com a arte.

“Eu virei pras pessoas que moravam comigo e falei: ‘gente, eu sou uma pessoa não-binária’.”

Essa descoberta transforma sua expressão artística. A montação deixa de ser uma construção de personagem e passa a ser extensão de si.

“Eu percebi que não era mais uma drag. Era eu, explorando minha feminilidade, sem precisar me esconder atrás de uma persona.”

A Ballroom potiguar

É nesse ambiente de convivência e experimentação coletiva que surge o embrião da inserção de YO na cultura Ballroom.

Embora o contato mais estruturado venha depois, as primeiras aproximações com o vogue remontam ao período escolar. Ainda no IFRN, YO chegou a coreografar uma apresentação inspirada no universo da dança, utilizando referências difusas — como o clipe “Vogue”, de Madonna, e vídeos encontrados na internet.

“A gente fazia sem saber exatamente o que era. Não tinha ninguém pra ensinar, nem acesso fácil à informação.”

Esse cenário começa a mudar no período pré-pandemia, com a realização de batalhas de vogue em Natal, ainda desconectadas da estrutura formal da Ballroom. Sem domínio dos protocolos ou das categorias da cultura, artistas locais se reuniam para experimentar a linguagem.

Durante a pandemia, com a circulação de conteúdos online e a realização de bailes virtuais, o acesso ao conhecimento se amplia. Treinos, workshops e trocas com pessoas de outras cenas permitem um aprofundamento mais consistente.

É nesse contexto que YO, junto a outras pessoas, passa a articular a construção de uma cena Ballroom em Natal. Antes mesmo da formalização de uma casa, já havia um movimento de organização coletiva. Ao lado de Aisha Lemos — figura importante na cena potiguar —, YO discutia nomes, formatos e possibilidades.

O processo ganha força a partir de encontros com pessoas mais experientes da cena nacional, que ajudam a orientar os primeiros passos.

A virada definitiva acontece com o convite para integrar a Casixtranha. A partir daí, o movimento se estrutura. Entre o fim de 2022 e o início de 2023, YO participa de momentos decisivos: viagens para balls em outros estados, como a Paraíba, realização de performances locais e, principalmente, a criação dos primeiros treinos abertos de Ballroom em Natal.u

“Quando a gente voltou, já chegamos dizendo: existe Ballroom no RN!”

Nesse processo, YO assume um papel central na formação da comunidade. Com mais experiência em dança e facilidade de comunicação, passa a conduzir treinos, sistematizar conteúdos e produzir materiais pedagógicos sobre a cultura Ballroom.

“Eu pesquisava muito pra poder ensinar. Juntava tudo em documentos, estudava história, categorias e repassava.”

As primeiras ações públicas da Casixtranha seguem uma lógica de mediação cultural. Performances em festas funcionavam como verdadeiros showcases — uma forma de apresentar a Ballroom a um público que, em grande parte, ainda não conhecia a cultura.

“A gente fazia questão de explicar. Não era só performar, era ensinar enquanto mostrava”, relembra.

SAIBA MAIS: Ballroom: entenda como a comunidade cresceu no RN

Esse movimento se intensifica com a ocupação de diferentes espaços da cidade, inicialmente de forma independente e sem remuneração. A abertura de rodas de vogue em festas se torna uma estratégia de visibilidade e formação de público. Com o tempo, produtores culturais passam a reconhecer o potencial dessas performances, ampliando convites e profissionalizando a atuação da casa. Eventos maiores, como festivais e festas de grande porte, passam a incluir a Ballroom em suas programações.

Paralelamente, YO se consolida como commentator, figura central dentro da Ballroom responsável por conduzir os bailes com a voz, animar o público e, sobretudo, narrar a história da comunidade com o uso da voz.

A musicalidade, que já fazia parte de sua formação desde o coral no IFRN, mas encontra na Ballroom, uma nova possibilidade de expansão. A prática, inicialmente restrita às balls, começa a transbordar para a música gravada.

Incentivada por outras artistas no cenário nacional da Ballroom, YO realiza suas primeiras gravações e passa a disponibilizar faixas em plataformas digitais de maneira independente. A inserção em projetos maiores aconteceu neste ano. A artista potiguar compõe o projeto Hype do Vogue 3 de R2POT, ao lado de outras colaborações com nomes importantes da cena Ballroom brasileira, o que marca um novo momento na carreira:

“Eu não acreditava que estava acontecendo. Só acreditei quando vi a música no Spotify.”

Ouça a faixa:

Mesmo com o reconhecimento, a artista mantém uma visão pragmática sobre os desafios do mercado musical, especialmente para artistas do Nordeste. A produção independente, a dificuldade de circulação e a necessidade de investimento próprio são obstáculos constantes. Ainda assim, os planos são concretos, ela sonha com um EP autoral e ampliar sua presença em festivais e premiações.

Paralelo a esse movimento, YO continua atuando na formação e fortalecimento da cena Ballroom local como Overall Imperatriz YO Ixtranha, uma das lideranças da cena. Eventos como Balls locais, categorias com grande número de participantes e o surgimento de novas lideranças indicam um cenário em expansão, vizualiza ela: “Hoje a comunidade anda com os próprios pés.”

A Ballroom no Rio Grande do Norte deixou de ser uma experiência embrionária e se tornou uma cena estruturada, com impacto regional e reconhecimento nacional. Para YO, no entanto, o aspecto mais importante permanece sendo o coletivo. A criação de espaços seguros, onde corpos dissidentes possam se expressar, continua sendo o eixo central de sua atuação.

“Eu sempre quis criar um lugar onde as pessoas pudessem ser aplaudidas, onde elas se sentissem confortáveis no corpo delas.”

Ao revisitar a própria trajetória, a artista reconhece que muitos dos sonhos da infância se concretizaram. A “bixinha”, como ela mesma se refere, que cantava usando um cabo de vassoura como microfone, hoje, aos 28 anos, ocupa palcos como o do Festival MADA e do Bloquíssimo, além de atuar na formação de artistas e contribuir diretamente para a construção da cena cultural de Natal.

Mas, para além das conquistas individuais, o que permanece é a continuidade. A capacidade de fortalecer uma comunidade e abrir caminhos para que outras pessoas, com vivências semelhantes, também possam existir e se reconhecer:

“Quando alguém chega e diz que começou a se entender como pessoa não-binária depois de me ver, eu penso: é isso. É sobre isso. Fico feliz”, finaliza ela.


Esta reportagem faz parte da série Traquejo, da Agência Saiba Mais. O nome remete à habilidade de “se virar”, de encontrar experiências e seguir em movimento. A proposta é contar histórias de pessoas trans e travestis potiguares que, em contextos muitas vezes adversos, constroem seus próprios caminhos, criando estratégias e formas de fazer acontecer.

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Fonte: saibamais.jor.br

Entidade rebate PGE e diz que decisão do TCE não barra “progresso” na Via Costeira

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Entidade rebate PGE e diz que decisão do TCE não barra “progresso” na Via Costeira
Procurador-Geral do Estado, Antenor Roberto. Foto: Reprodução

O Observatório do Direito à Cidade Sustentável, Justa e Democrática (ObCiD), ligado à UFRN, rebateu as declarações do Procurador-Geral do Estado, Antenor Roberto, sobre a polêmica da renovação de concessões de terrenos a empresários na Via Costeira. Durante reunião da Comissão de Finanças e Fiscalização (CFF) da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN), na última quarta-feira (25), ele afirmou que há uma “resistência ao progresso” da área e uma leitura desatualizada sobre sua ocupação pelos órgãos de controle, como o Ministério Público do Estado (MPRN) e o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN).

O ObCiD argumenta que a decisão do TCE suspendendo a renovação das concessões de terrenos na Via Costeira, ao contrário do que afirmou Antenor Roberto, não impede o progresso naquela área, porque na determinação “não se discute áreas de preservação permanente, Plano Diretor ou quaisquer outras questões ambientais ou urbanísticas”.

“Não é nada disso que está sob análise do TCE-RN. As questões objeto de análise pelo TCE-RN são de ordem meramente patrimoniais, envolvendo patrimônio público. Isso porque a citada decisão teve como cerne a questão central posta na denúncia, qual seja: a revalidação, por parte do Governo do Estado, de concessões já extintas, com a celebração de novos acordos, ‘ressuscitando’ direitos de antigos concessionários que já não existiam no ordenamento jurídico, com graves ameaças ao interesse e patrimônio da sociedade potiguar”, diz a nota da entidade, que é autora da denúncia que provocou a decisão do TCE-RN.

O ObCiD aponta que o TCE-RN identificou diversas irregularidades na decisão que renovou as concessões dos terrenos na Via Costeira, entre as quais que nenhuma concessionaria edificou ou operou os empreendimentos nos prazos previstos; reativação irregular de concessões extintas, sem licitação, por meio de termos aditivos de 2024; a transferência de controle societário, por parte das empresas concessionárias, sem anuência prévia do poder concedente (Governo do Estado); extinção jurídica de empresas concessionárias sem extinção do vínculo da concessão; tentativa de alienação irregular de bem público; e desvio de finalidade: pedidos de licenciamento para ‘casas de festas’ em vez de hotéis.

O processo foi relatado pelo conselheiro Antônio Ed Souza Santana. De acordo com ele, ao longo dos anos, os prazos dessas concessões vêm sendo sucessivamente prorrogados, mesmo sem a implantação dos projetos previstos. Em 2024, o governo estadual chegou a firmar novos termos aditivos redefinindo os prazos – novamente sem que as obras saíssem do papel.

Ao todo, a medida atinge sete contratos vinculados a diferentes empresas. Ainda segundo o TCE-RN, uma análise preliminar da Diretoria de Controle Externo de Contas de Gestão e Despesa Pública (DCD) identificou um cenário de descumprimento dos contratos ao longo de décadas, marcado pela não execução dos projetos originalmente previstos.

Foram identificados ainda indícios de fragilidade técnico-financeira das concessionárias, possíveis irregularidades societárias e dúvidas quanto à regularidade dominial de parte das áreas.

SAIBA MAIS: TCE barra prorrogação de concessões de terrenos a empresários na Via Costeira

Para Procurador-Geral, órgãos de controle analisam a Via Costeira com base “visão acadêmica de 30 anos atrás”

Procurador-Geral do Estado, Antenor Roberto. Foto: Reprodução

Para Antenor Roberto, os órgãos de controle analisam a Via Costeira com base em parâmetros ultrapassados, desconsiderando mudanças urbanísticas e ambientais ocorridas nas últimas décadas.

Ainda segundo ele, esses órgãos continuam se apoiando em visão acadêmica de cerca de 30 anos atrás que classificavam a área como de proteção permanente, ignorando transformações já consolidadas pelos novos códigos florestais.

“Todos vão a João Pessoa, dizem que a cidade está prosperando, voltam encantados de lá, mas esses mesmos promotores resistem ao progresso da nossa Via Costeira”, afirmou.

O ObCiD afirmou que as críticas de Antenor Roberto à determinação do TCE-RN traz “outras questões absolutamente alheias ao que foi decidido por aquela Corte de Contas, além de desrespeitar e desqualificar a atuação de órgãos de controle, como o próprio Tribunal, o Ministério Público, a academia e entidades da sociedade civil”.

“O Procurador-Geral encobre a gravíssima questão patrimonial que envolve a Via Costeira, que, como claramente expresso na robusta decisão do Tribunal de Contas, revela graves irregularidades e ilegalidades na renovação de contratos já extintos, que não encontram qualquer amparo no ordenamento jurídico vigente no país”, completa a nota.

SAIBA MAIS: Procurador-Geral do Estado afirma que órgãos “resistem ao progresso” da Via Costeira

Histórico das concessões na Via Costeira

Foto: Reprodução MPF

Os terrenos da Via Costeira foram cedidos pelo Governo do Estado à iniciativa privada, com o objetivo de impulsionar o turismo, ainda nas décadas de 1980 e 1990.

Em contrapartida, as empresas deveriam construir e operar hotéis dentro de prazos definidos — o que, em muitos casos, não ocorreu.

Diante do descumprimento, parte dessas concessões chegou a ser considerada extinta, com a retomada dos terrenos pelo poder público.

Apesar disso, nos últimos anos, a gestão estadual, através da Procuradoria-Geral do Estado e da Datanorte, tentou viabilizar novos acordos com antigos concessionários, oferecendo novos prazos para a execução dos projetos, mas essas iniciativas passaram a ser questionadas por órgãos de controle e entidades da sociedade civil.

Ministério Público também questionou concessões

A tentativa de renovar os acordos foi alvo de representação no próprio TCE-RN, apresentada pelo ObCiD, que apontou possíveis irregularidades e falta de interesse público nas renegociações.

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) também contestou mudanças nos contratos e nos critérios de concessão, citando problemas como insegurança jurídica e ausência de clareza sobre prazos e regras.

Além disso, o debate ocorre em um cenário mais amplo de disputas judiciais e legislativas sobre o uso e ocupação da Via Costeira, incluindo mudanças recentes em normas urbanísticas e ambientais que regulam a área.

Campanha Via Costeira do Povo

O ativista socioambiental Lourenço Capriglione, idealizador da campanha Via Costeira do Povo, denunciou que a área – um dos mais importantes patrimônios naturais e paisagísticos do Rio Grande do Norte – “está prestes a ser entregue ao mercado imobiliário, com anuência da Prefeitura de Natal e do Governo do Estado”.

Ele questiona a legalidade das concessões: “Estamos falando de empresas que foram escolhidas sem critérios claros, transparência ou ampla concorrência, há mais de 30 anos. Renovar o direito delas de construir é burlar o processo de licitação pública”.

Lourenço afirma que a proposta da campanha “não é o abandono, mas uma ocupação de baixo impacto voltada para o lazer, esporte e cultura”, citando como exemplo a implantação do Costeira Parque pelo Governo do Estado, com entrega prevista para 2027.

A campanha defende ainda a construção de mirantes e espaços de contemplação da paisagem; parques e infraestrutura esportiva de baixo impacto ambiental; e equipamentos de lazer, cultura e convivência voltados para a população.

Fonte: saibamais.jor.br

A Via Costeira e a “resistência ao progresso”: a quem querem enganar?

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A Via Costeira e a “resistência ao progresso”: a quem querem enganar?

Por Daniel Valença*

A decisão do TCE-RN de suspender novas construções na Via Costeira é, na prática, fundamental para a proteção da área e do patrimônio público. A insistência em criticá-la apenas reforça sua importância. Quando surgem — inclusive de onde menos se esperaria — argumentos como “resistência ao progresso”, fica claro que ou não se compreendeu o que de fato significa desenvolvimento para Natal, ou a defesa de interesses privados já se sobrepôs, há muito tempo, ao interesse coletivo.

Em 2008, durante meu mestrado em Arquitetura e Urbanismo na UFRN, ao estudar a função social dos terrenos de marinha — essas áreas à beira-mar —, já apontava que a Via Costeira poderia dar um salto de qualidade. E esse salto não passava pela construção de novos hotéis ou empreendimentos, mas por garantir que a população natalense e os turistas pudessem, de fato, usufruir daquele espaço.

São nove quilômetros de orla que poderiam ser muito melhor aproveitados se o Estado assegurasse os acessos ao mar, investisse em equipamentos públicos e adotasse medidas simples, como o fechamento parcial da via para atividades esportivas nos fins de semana.

A particularidade turística de Natal está justamente na preservação da sua paisagem natural. Enquanto outras capitais apresentam orlas densamente urbanizadas, Natal ainda se destaca por manter, do Morro do Careca à Redinha, uma paisagem relativamente preservada — apesar da crescente pressão imobiliária. Se o chamado “progresso” está vinculado ao turismo, é evidente que o que atrai visitantes é essa orla natural, e não uma paisagem tomada por edificações.

Dados da Fecomércio (Perfil do Turista do RN, 2021) mostram que a renda média dos visitantes está abaixo de R$ 5 mil. Ou seja, apostar em hotéis de luxo e empreendimentos de alto padrão na Via Costeira não dialoga com o perfil real de quem visita o estado.

Poderíamos falar ainda dos impactos ambientais de novas construções ou da impropriedade de destinar terras públicas a interesses privados sem a devida contrapartida social. Mas o ponto central é outro.

Defender o adensamento da Via Costeira e da orla de Natal revela, no mínimo, um equívoco sobre o modelo de desenvolvimento que queremos para a cidade. No limite, significa priorizar projetos privados que podem, mais cedo ou mais tarde, comprometer justamente aquilo que Natal tem de mais valioso.

E é preciso dizer com clareza: a pressão por ocupação não se limita mais a novos hotéis. Avança também sobre propostas de moradia, o que representa uma forma ainda mais permanente de privatização de uma área pública estratégica, que pertence a toda a sociedade.

Transformar a Via Costeira em área residencial não apenas restringe o acesso da população a uma das paisagens mais emblemáticas da cidade, como também expõe futuros moradores e o próprio poder público a riscos crescentes — especialmente diante da crise climática, da elevação do nível do mar e da intensificação de eventos extremos.

Em vez de ampliar o acesso público e qualificar o uso desse espaço, insiste-se em um modelo que fecha, cerca e consolida a ocupação privada de uma área ambientalmente sensível e juridicamente especial. Esse, definitivamente, não é o caminho para o futuro que Natal precisa.

Daniel Valença é vereador pelo PT em Natal e professor da Universidade Federal Rural do semiárido – UFERSA

Fonte: saibamais.jor.br

A oclocracia no Brasil

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A oclocracia no Brasil

No dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, oclocracia é definida como o “exercício do poder ou do governo pela multidão, pela plebe”. Etimologicamente, o termo tem origem grega (ochlokratía), formado por ochlos (multidão) e kratos (poder). Segundo o Wisdom Library, kratos significa “força”, “poder”, “domínio” ou “soberania” e, na mitologia grega, é a personificação da força e do poder, associado à autoridade implacável. Assim, ochlokratía designa o governo exercido pela multidão.

O conceito é atribuído a Políbio, geógrafo e historiador grego do século II a.C. (203 a.C. – 120 a.C.). Ao estudar a sociedade de seu tempo, sistematizou reflexões posteriormente reunidas na obra Histórias (publicada no Brasil em 2016 pela Editora Perspectiva, com tradução, introdução e notas de Breno Battistin Sebastiani).

Entre outros aspectos, Políbio analisou o êxito militar e cultural do Império Romano, bem como a invasão da Grécia por Roma no início do século II a.C., examinando seus impactos políticos e culturais. A partir dessas observações, refletiu também sobre as formas de governo e identificou o que chamou de “governo da multidão”: situações em que há aparência de apoio popular, mas, na prática, o poder atende aos interesses de uma minoria.

Nesse sentido, a democracia — tal como concebida à época — poderia degenerar em oclocracia, entendida como o “governo dos piores”. Essa preocupação já havia sido antecipada por Aristóteles e Platão, que viam riscos quando as decisões políticas fossem capturadas pela irracionalidade das massas.

Ambos não eram defensores da democracia nos moldes modernos e alertavam para o perigo da demagogia. Platão, por exemplo, recorria à condenação de Sócrates como evidência dos excessos da decisão popular. Esse tipo de fenômeno se repetiu em diversos momentos históricos, quando multidões legitimaram a violência contra adversários, participando inclusive de execuções públicas.

No Brasil, ao longo da história — da Colônia à República —, é possível identificar momentos com traços de oclocracia. Em um exemplo mais recente, o artigo A oclocracia brasileira, publicado no Congresso em Foco em julho de 2021 por André Sather, Ricardo de João Braga, Sylvio Costa e Rudolfo Lago, utiliza o conceito para analisar o governo Bolsonaro (2019–2022).

Com base em pesquisas de opinião, como a do Datafolha realizada em julho de 2021, os autores apontaram níveis elevados de rejeição ao governo. Segundo o levantamento, 51% avaliavam a gestão como ruim ou péssima; 54% defendiam a abertura de impeachment; e 70% percebiam a existência de corrupção. A imagem pessoal do presidente também era amplamente negativa.

Ainda que pesquisas representem retratos momentâneos, houve esforços para reverter esse cenário às vésperas das eleições de 2022, incluindo a ampliação de benefícios sociais, como o Auxílio Brasil, e a criação de auxílios específicos para categorias profissionais.

Entretanto, tais medidas não foram suficientes para garantir a reeleição. Posteriormente, investigações da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República apontaram a existência de articulações golpistas, incluindo planos para impedir a posse do presidente eleito, o que culminou nos atos de 8 de janeiro de 2023.

Os autores também destacam o papel das redes sociais e das novas tecnologias na política contemporânea. Segundo essa análise, tratava-se de um governo fortemente influenciado pela lógica das redes, capaz de mobilizar apoiadores, mas não necessariamente de fortalecer práticas democráticas.

Outro ponto relevante é o papel simbólico da liderança. Teorias políticas e organizacionais indicam que líderes com forte rejeição tendem a produzir efeitos negativos que se irradiam pela sociedade, especialmente entre seus seguidores.

Cabe ainda observar que a vitória eleitoral de 2018 não representou o apoio da maioria absoluta da população, mas de uma parcela mobilizada politicamente — base que, em grande medida, permanece ativa. Isso ajuda a explicar a força eleitoral desse campo político em diferentes níveis institucionais.

Em artigo publicado no jornal O Globo em julho de 2022, a jornalista Dorrit Harazim faz uma crítica contundente ao ambiente político da época, apontando a degradação do debate público e a presença recorrente de figuras e práticas que tensionam os limites institucionais.

Esse cenário evidencia um dos grandes desafios da sociedade brasileira contemporânea: evitar retrocessos democráticos e impedir que práticas políticas marcadas pela irracionalidade, pela desinformação e pela mobilização acrítica das massas se consolidem como forma de governo.

Em outras palavras, trata-se de enfrentar, com maturidade política e compromisso democrático, o risco sempre presente daquilo que Políbio definiu como oclocracia — o governo dos piores.

Fonte: saibamais.jor.br