O vereador Daniel Valença (PT) assumiu, desde a semana passada, a função de líder da oposição na Câmara Municipal de Natal. É a primeira vez que ele assume tal responsabilidade e sucede Brisa Bracchi (PT), como parte de um acordo de rotação acordado entre os quatro vereadores que não compõem a base do prefeito Paulinho Freire (União). O parlamentar vê uma orientação neoliberal na atual gestão do Executivo e diz que a oposição tem feito denúncias em relação a temas importantes para a cidade — como os casos da engorda de Ponta Negra, Mercado da Redinha, tentativa de terceirização das UPAs, dentre outros. Para o próximo período, destaca ainda a necessidade de eleger mais vereadores da oposição, que hoje é menos de 14% do parlamento municipal.
Valença assumiu uma cadeira como vereador pela primeira vez em 2023 e foi reeleito em 2024. Tendo acompanhado parte da gestão Álvaro Dias (PL) e agora com Paulinho, diz que ambos fazem parte de um mesmo projeto e reafirma que a oposição seguirá fiscalizando o Executivo.
“Me parece que a gestão Paulinho Freire não transparece aquele perfil de gestão de coronel de Álvaro Dias. Ela aparenta ser mais moderna. Mas, na realidade, isso se materializa num governo para os ricos da cidade de uma maneira mais disfarçada. Imagina, por exemplo, a tentativa deles de terceirizar as UPAs da cidade. E é o que eles estão fazendo na merenda escolar, que eles estão buscando fazer na assistência. É um projeto de cunho neoliberal muito mais forte do que na gestão Álvaro Dias, sem carregar aquela carga ou aquela aparência de autoritarismo que marcou a gestão Alvaro Dias”, afirma.
“Mas, sem dúvida alguma, são duas partes do mesmo projeto. Então, eu diria, inclusive, que o atual é ainda mais danoso do que o anterior. E, nesse cenário, na nossa opinião, o papel da oposição é seguir exatamente como estamos atuando nesses últimos anos, com uma oposição firme, qualificada e que denuncia as ações da Prefeitura, mesmo tendo um circuito de mídia que a Prefeitura controla e por vezes coloca para atacar a oposição”, aponta o vereador.
Além de Brisa e Daniel, a bancada de oposição é formada também por Samanda Alves (PT) e Thabatta Pimenta (PV). São quatro de 29 vereadores, o que traz dificuldades no dia a dia. Um exemplo é recente: Brisa pediu a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar a obra da engorda de Ponta Negra, mas das 10 assinaturas necessárias, só cinco foram alcançadas até o momento.
“A partir do momento em que a Prefeitura tem 25 de 29 votos, isso significa que a Prefeitura pode aprovar qualquer matéria em regime de urgência, de um dia para o outro. E a oposição, infelizmente, por mais capacidade de mobilização, de pressão, de diálogo com os pares, não vai obter um resultado positivo, porque numericamente é totalmente impossível. Então isso reforça que a eleição para o Legislativo não pode ser dissociada da eleição para o Executivo”, destaca o líder petista.
“Assim como a gente diz que precisamos votar em Lula e no time de Lula para termos um outro governo que não seja tão refém de um Congresso inimigo do povo, da mesma forma, se nós votamos em Natália para a Prefeitura do Natal, mas no vereador que é do meu bairro, meu amigo, meu parente, necessariamente a gente fortalece uma bancada de situação e que vai impedir uma perspectiva de maior fiscalização e autonomia da Câmara”, diz.
“Então, concordo que nós tivemos um papel imprescindível nos temas centrais da cidade, seja a engorda, seja o Mercado da Redinha, a trincheira da Hermes, a questão da educação, dos direitos dos servidores públicos em geral, mas gera-se uma realidade, uma conjuntura muito difícil no parlamento e isso facilita com que matérias muito ruins sejam aprovadas sem desgaste público, já que elas passam do dia para a noite, literalmente”, prossegue.
O parlamentar, presidente do PT Natal, vê ainda outro papel no parlamento: um espaço de denúncia pública e de fortalecimento da organização popular na cidade, orientação que pretende continuar seguindo.
“Então, a gente não acredita em uma posição meramente legislativa. A gente acredita que, estando ali, está cumprindo o papel de ser um instrumento das lutas populares da cidade. E quando falo lutas populares, me refiro a todas elas, desde a luta dos servidores, a de ambientalistas, a de pessoas com deficiência, enfim, todas as pautas. E a gente acha que precisamos aprofundar essa orientação de atuação política. É desse jeito que nós vamos acumular forças para uma outra realidade que acredito eu está bem mais perto do que longe para vir acontecer na cidade de Natal”, afirma.
Fonte: saibamais.jor.br
