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Sumarenta

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Sumarenta

Um dia, me deparei com um poema de Mario Quintana que trazia os seguintes versos: “Eu sonho com um poema/ cujas palavras sumarentas escorram/ como a polpa de um fruto maduro em tua boca, (…)”. Era a primeira vez que eu lia aquela palavra: SUMARENTAS…

Lembro-me que naquela ocasião veio-me a sensação de um caju maduro na boca (carne suculenta, porém firme, cheia de água, de sumo, se seiva doce e fresca). Esta que é uma das experiências sensoriais mais incríveis que já experimentei na vida: chupar um caju. (Sou louca por esse pseudofruto que me lembra um pequeno coração cheio de vida).

Alguns anos depois, a palavra SUMARENTA explodiu na minha frente, quando, lendo Água Viva de Clarice Lispector me deparo com este fragmento: “Quanto à suculenta flor de cáctus (Vou usar essa forma de registro durante esse texto!), é grande e cheirosa e de cor brilhante. É a vingança sumarenta que faz a planta desértica. É o esplendor nascendo da esterilidade despótica.”

Naquele dia, não sei se estava mais sensível, ou se foi por que ela veio até mim através de Clarice… a palavra SUMARENTA pulou do papel, projetou-se diante de mim de forma tridimensional, aquosa, redonda, como bolhas que se movimentavam de forma sinuosa, num ritmo de marola, ondulante e movediça, escorregadia, lisa, pingando seiva…

Ela não tinha só forma, volume, movimento… Ela tinha gosto… Produziu em mim um encher de água na boca como se eu estivesse experimentando morder um caju vermelho e viçoso da Serra de Sant’Ana pela primeira vez – “polpa de um fruto maduro em tua boca” disse o poeta. Salivei!!! Desejei chupar um caju só para ter certeza de que aquilo que a palavra SUMARENTA me provocava já fora, repetidas vezes, uma experiência sensorial deliciosamente real na minha existência.

Eu estava vivenciando um episódio sinestésico como nunca havia vivido antes. E aquilo mexeu profundamente comigo. Tomei a palavra como um amuleto, tatuei-a em mim, e fiz dela uma bandeira. Sendo quem sou, uma Travesti nordestina, vivendo no interior onde valores tradicionais são tão celebrados, me vi como essa flor de cáctus descrita por Clarice: SUMARENTA, vigando-me do deserto.

A imagem da flor do cáctus clariceana remetera-me às coisas que nascem em condições extremas. Logo pensei que se autoafirmar, se autodeclarar Travesti é (re)nascer em condições muito extremas. Então quando Clarice descreve essa flor como “vingança sumarenta”, sugeriu-me que, assim como a vida responde à hostilidade do semiárido não com escassez, mas com excesso, intensidade, exuberância e vida, uma Travesti deve fazer o mesmo.

A flor de cáctus clariceana aponta para a existência humana, que mesmo atravessada por dureza, escassez, brutalidade, pode produzir beleza como forma de resistência, quase uma revanche contra o que a oprime. Eu era aquela flor, eu sou esta flor da qual Clarice escreveu. Em 2011, eu havia publicado, em meu blog, uma ode a mim chamada Flor de Mandacaru, pois eu já me entendia flor, já me percebia cáctus, já me reconhecia resistência…

E ser uma flor de mandacaru SUMARENTA é uma metáfora perfeita para a pulsão vital e até erótica, que irrompe mesmo em contextos de repressão. Essa pulsão habita em mim… “Tenho sede de viver”, escrevi isso em outra crônica… Bebo do meu próprio sumo, alimento-me de mim… Sou flor, sou corpo, sou desejo, escapando ao controle do “cistema”.

Minha “vingança sumarenta”, como diz a autora, explode em vida, sobretudo quando escrevo. Escrever é meu instante. Momento em que a linguagem ou a arte rompe o estado de esterilidade, de inércia… Eu escrevo, logo existo! Tenho um bordão que imprime essa relação entre mim e a palavra: “A palavra me faz existir”. – hei de tatuá-lo algum dia desses.

E apesar de existir uma “esterilidade despótica”, como se fosse uma força dominante, quase tirânica, que tenta impedir a minha existência, a legitimidade de uma mulher Trans e Travesti de ser e de estar, me faço flor… Faço-me o milagre do existir: mesmo sob domínio da aridez (ódio, invalidez, desumanização, violências tantas…), a vida insiste, eu insisto, e mais do que isso, floresço com esplendor como contra-ataque.

A flor do cáctus clariceana não sinaliza só sobrevivência num ambiente hostil: é excesso, beleza inesperada, afirmação radical da vida diante do que tenta negá-la. A flor de cáctus é SUMARENTA, e é como ela que tendo me expressar no mundo: nascendo e florescendo… Porque a maior vingança de uma Travesti, é envelhecer… Tenho feito isso, envelheço, como assinalaram Clarice e Quintana: “grande e cheirosa e de cor brilhante.”, “como a polpa de um fruto maduro em tua boca,”… como a SUMARENTA polpa de um caju vermelho, firme e viçoso da Serra de Sant’Ana

Fonte: saibamais.jor.br

Ato dia 6 em Natal cobra cachês atrasados há mais de um ano

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Ato dia 6 em Natal cobra cachês atrasados há mais de um ano

Cachês atrasados, projetos parados e nenhuma previsão de pagamento. É nesse cenário que artistas de Natal convocaram um ato para a próxima segunda-feira (6), às 9h, em frente à Prefeitura, cobrando a regularização de débitos acumulados pela gestão municipal.

A mobilização reúne trabalhadores da cultura que denunciam atrasos que, em alguns casos, ultrapassam um ano. “Os cachês estão atrasados, pelo menos os meus, há mais de um ano. Tem músicos que estão há mais de dois anos esperando”, afirmou a cantora Cida Lobo.

Segundo ela, a situação não é recente nem isolada. Os atrasos, de acordo com a artista, são recorrentes e atravessam diferentes gestões municipais. “Isso acontece sempre. A prefeitura não tem o mínimo respeito com os artistas locais”, disse.

Além dos cachês por apresentações já realizadas, artistas também relatam a não liberação de recursos oriundos de emendas parlamentares destinadas a projetos culturais. “São emendas que os vereadores repassam, mas o dinheiro não chega nas nossas mãos para que a gente possa realizar os projetos”, afirmou.

Entre os casos citados estão iniciativas previstas desde 2025 que seguem sem execução. A falta de repasse tem impactado diretamente a realização de eventos e a continuidade de ações culturais na cidade.

A principal reivindicação do ato é a regularização dos pagamentos em aberto, além de mais transparência na gestão dos recursos públicos destinados à cultura. “É uma situação de extrema urgência. A gente não pode continuar nessa condição, sempre tendo que cobrar o que é nosso”, disse a cantora.

A mobilização também conta com o apoio de outros artistas, entidades representativas e parlamentares que buscam esclarecimentos sobre a não execução das emendas. Sem respostas concretas do poder público e sem previsão de pagamento, a categoria tem intensificado a articulação coletiva.

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Fonte: saibamais.jor.br

Projeto ocupa ruas de Natal com homenagens à poesia potiguar

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Projeto ocupa ruas de Natal com homenagens à poesia potiguar

Em um estado onde “em cada esquina há um poeta”, a rua deixa de ser apenas passagem e se transforma em arquivo e corpo de escuta. É dessa provocação que nasce o projeto audiovisual Poesia Pede Rua, iniciativa potiguar que começa a circular nas redes sociais, propondo um deslocamento da poesia para o espaço público e ampliando as formas de encontro entre palavra, cidade e memória.

Idealizado pela poeta e pesquisadora Gessyka Santos, o projeto reúne quatro episódios gravados em diferentes pontos de Natal, tendo como protagonistas os poetas Thiago Medeiros, Amém Ore, Christalina e Gabrielle Dal Molin. Mais do que registros performáticos, os vídeos constroem uma cartografia afetiva da cidade, em que cada território escolhido dialoga diretamente com a trajetória e a poética de quem o ocupa.

“Trabalho com poesia há cerca de 10 anos e, ao longo desse percurso, conheci muita gente incrível produzindo na cidade e no estado. Em contrapartida, ainda vejo pouco espaço e reconhecimento para que esses poetas alcancem um público maior”, afirma Gessyka, em entrevista à Agência Saiba Mais. Segundo ela, a ideia do projeto surge também a partir de uma inquietação com os limites tradicionais de circulação da poesia. “A poesia, muitas vezes, ainda é vista como algo distante, restrito a determinados espaços. Quando ela ocupa a rua, se torna acessível, cotidiana, viva.”

O ponto de partida para Poesia Pede Rua foi o mês de março, reconhecido no Rio Grande do Norte como o mês da poesia. Sem financiamento, a equipe decidiu concentrar toda a produção em um único dia de gravação, contando com o apoio colaborativo de artistas e produtoras locais. “Esse primeiro momento foi totalmente independente. Mas existe um desejo muito grande de continuidade. Para isso, é fundamental que haja apoio financeiro, para que possamos remunerar todas as pessoas envolvidas e ampliar o alcance do projeto”, explica.

A escolha pela rua como cenário não é apenas estética, mas conceitual. Inspirada pela leitura de Além do Nome, de Marize Castro, Gessyka passou a refletir sobre a relação entre território e afeto. “Pensei: e se esses episódios acontecessem nas ruas da nossa cidade? Se tanto se diz que em cada esquina do RN há um poeta, por que não apresentá-los justamente nesses espaços?”, conta. O resultado é uma série que reposiciona o olhar sobre a cidade, transformando lugares cotidianos em territórios simbólicos atravessados pela palavra.

Esse deslocamento, segundo a diretora, também produz novas camadas de leitura urbana. “A partir desses registros, os espaços passam a carregar outros significados. Eu, por exemplo, não consigo mais olhar para o Cemitério do Alecrim sem lembrar da poesia de Thiago Medeiros”, relata. A proposta, diz, é justamente provocar esse tipo de experiência no público: “que as pessoas passem a perceber a poesia que já existe ali, mesmo antes de ser nomeada”.

A curadoria dos nomes participantes buscou refletir a diversidade da cena potiguar, tanto em termos geracionais quanto estéticos. Thiago Medeiros, com duas décadas de atuação, aparece como uma referência consolidada e articuladora da cena. Amém Ore, por sua vez, traz a força do slam e das batalhas de rima, com uma produção marcada pela crítica social e pela vivência periférica. Já Christalina explora linguagens híbridas entre poesia e imagem, enquanto Gabrielle Dal Molin articula uma escrita que combina delicadeza e intensidade.

Apesar do recorte inicial, Gessyka reconhece que o projeto é apenas um começo. “Quatro ainda é muito pouco diante da quantidade de poetas incríveis que temos no RN. Poderiam ser 400, 4.000.” A ambição é expandir a iniciativa, alcançando novos territórios e vozes, e consolidando uma rede de valorização da poesia local.

Produzido pela Anzóis Produtora em parceria com a Nobir Produtora e o projeto Sarau Dentro da Noite, Poesia Pede Rua envolve uma equipe colaborativa que inclui nomes como Lanuk Nagibson na curadoria, Mateus de Araújo na edição e Nandrill na trilha sonora. O projeto conta ainda com apoio do Lado B e parcerias de divulgação com plataformas locais.

Todos os episódios já estão disponíveis no Instagram (@gessykapoesia). Mais do que uma série audiovisual, Poesia Pede Rua se apresenta como gesto político e sensível: uma tentativa de reinscrever a poesia no cotidiano da cidade e de afirmar que ela não apenas pertence à rua, mas sempre esteve lá.

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Fonte: saibamais.jor.br

Curso de gastronomia fortalece autonomia de mulheres na Zona Norte

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Curso de gastronomia fortalece autonomia de mulheres na Zona Norte

Estão abertas, em Natal, as inscrições para o curso gratuito de capacitação gastronômica promovido pela Cozinha Escola Solidária, iniciativa da Associação S19 em parceria com a Caixa. A formação é voltada prioritariamente para mulheres e será realizada na Casa Confluências, no bairro Potengi, zona Norte da capital.

Com carga horária de 108 horas, o curso oferece formação completa em técnicas culinárias, boas práticas sanitárias e estratégias de geração de renda. A proposta inclui ainda conteúdos de marketing digital, precificação e gestão de pequenos empreendimentos, com foco no fortalecimento do empreendedorismo popular. Se inscreva aqui.

As aulas acontecem três vezes por semana, às terças, quintas e sábados, na sede da Casa Confluências, localizada na Rua Largo do Eucalípto, nº 3, próxima à Escola Estadual Padre João Maria. As inscrições já estão abertas e as vagas são limitadas.

A capacitação integra um projeto mais amplo de atuação social no território. A Cozinha Escola Solidária combina formação profissional com ações de segurança alimentar, prevendo a distribuição de cerca de 4.800 refeições gratuitas ao longo de cinco meses para pessoas em situação de vulnerabilidade social. A estimativa é atender aproximadamente mil pessoas com um cardápio nutritivo e baseado em alimentos regionais.

Além disso, o projeto oferece orientação para formalização de negócios gastronômicos, uso de plataformas digitais e organização financeira, buscando ampliar as possibilidades de geração de renda entre as participantes.

Inaugurada recentemente, a Casa Confluências Marielle Franco foi pensada como um espaço comunitário multifuncional, voltado não apenas à alimentação, mas também à educação popular e ao fortalecimento de vínculos no bairro. “A Casa Confluências é um sonho nosso que a gente sonhava junto há muitos anos e que agora está na realidade. É um mar de possibilidades. A gente começa com a cozinha escola, mas certamente não será o único processo que nós vamos abrir aqui”, afirmou a coordenadora nacional do Confluência de Educação Popular e tesoureira da S19, Tatiane Ribeiro, em entrevista à Agência Saiba Mais.

Segundo ela, a proposta no Rio Grande do Norte amplia experiências anteriores da organização. “A gente entendeu que aqui no estado poderia dar um novo passo: não só fazer as entregas de refeições, mas também ter um espaço de educação, conectado com o nosso trabalho de educação popular”, explicou.

O público atendido inclui moradores da região, pessoas em situação de rua, entregadores de aplicativos e estudantes de cursinhos populares. O espaço também funciona como ponto de apoio, oferecendo estrutura para estudo, descanso e acesso à internet.

Outro eixo central da iniciativa é a formação de mulheres em situação de vulnerabilidade, especialmente mães solo. “A gente quer que essas mulheres aprendam a cozinhar, mas também aprendam como abrir um negócio, usar aplicativos para vender alimentos e fazer cálculos de custo. Muitos empreendimentos do setor de alimentação fecham porque os donos não sabem calcular corretamente os preços”, destacou Tatiane.

A proposta pedagógica segue diretrizes do Guia Alimentar para a População Brasileira, priorizando alimentos frescos e da agricultura familiar. “Queremos levar comida de qualidade, diversa, colorida e muito regional, valorizando os produtos do nosso território e promovendo o próprio Guia Alimentar”, disse.

Com atuação baseada em metodologias participativas e na mobilização comunitária, o projeto também prevê o engajamento de voluntários e doadores, além da construção coletiva de novas atividades para o espaço. A expectativa é que a Casa Confluências se consolide como um polo de transformação social na zona Norte de Natal, articulando formação, cultura e segurança alimentar em um mesmo território.

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Projeto em Natal promove capacitação para mulheres trans em vulnerabilidade social



Fonte: saibamais.jor.br

Exposição investiga corpo, deslocamento e memória em Natal

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Exposição investiga corpo, deslocamento e memória em Natal

A exposição individual “Tudo respira aqui”, do artista potiguar Diego Dionisio, segue aberta para visitação após a abertura realizada no último dia 2 de abril, na Galeria Margem Hub. A mostra reúne trabalhos que articulam corpo, território e memória a partir de processos que atravessam diferentes paisagens do Rio Grande do Norte e da Paraíba.

Partindo de uma pesquisa que se constrói no deslocamento, o artista desenvolve obras a partir de ações como caminhar, coletar, repetir e registrar. Esses gestos, segundo ele, não se separam, mas constituem um mesmo campo de experimentação entre presença, arquivo e envolvimento com outras formas de vida.

“O meu processo se dá muito pelo percurso vivente, pelas experiências que eu tenho nos lugares”, afirma em entrevista à Agência Saiba Mais. Ele explica que suas criações emergem de vivências em feiras populares, quintais, terreiros e áreas periféricas de Natal, especialmente na Zona Oeste, onde cresceu.

A exposição propõe uma leitura multiespécie do mundo, tensionando a centralidade humana. Em vez de hierarquias, o artista busca relações de coexistência. “Eu utilizo terra, frutas, plantas. Da terra eu fabrico tintas, também faço tintas vegetais com urucum, couve, açafrão. São materialidades que vêm de outras espécies para falar delas mesmas”, diz.

Esse pensamento aparece também na ideia de “florestas do cotidiano”, conceito que atravessa a mostra. Para ele, esses espaços não se limitam a áreas preservadas, mas incluem territórios urbanos muitas vezes invisibilizados. “São florestas das beiras da linha de trem, das praças improvisadas, dos quintais, das plantas em baldes. Lugares onde a comunidade constrói possibilidades de vida, mesmo em contextos de ausência de infraestrutura”, explica.

A crítica ao capitalismo e à colonialidade aparece como um eixo importante da exposição, atravessando tanto a dimensão poética quanto a biográfica. O artista relaciona essa discussão à história de sua própria família, originária da região do Agreste.

“Percebi gradativamente um processo de devastação, seja pela monocultura ou pela expulsão de comunidades. Meus bisavós foram expulsos de um lugar chamado Riachão, com violência mesmo. Chegavam armados, atirando, até que eles saíssem. Hoje, quando eu penso nesse território, penso também nas ruínas que ficaram”, relata.

Essa memória de deslocamento forçado e transformação do território se desdobra nos trabalhos expostos, que operam como registros sensíveis de experiências individuais e coletivas. Ao mesmo tempo, a mostra incorpora práticas compartilhadas, como performances e proposições participativas.

Entre elas está o trabalho “Traço, Traço, Colheita”, em que o artista cria uma cartografia performática a partir de sons e movimentos do corpo. “É uma ação que começa comigo, mas que também se abre para o outro. Existe esse desejo de compartilhar o processo”, afirma.

Outro aspecto marcante da exposição é o uso de plantas alimentares não convencionais (PANCs), que aparecem como matéria e memória em obras que articulam cultivo, alimentação e conhecimento tradicional.

A exposição conta ainda com acessibilidade dialógica e ações de arte-educação conduzidas pelo próprio artista. A curadoria e expografia são assinadas por Sanzia Pinheiro.

Realizado com recursos do Edital de Fomento das Artes Visuais 09/2024 da Política Nacional Aldir Blanc no Rio Grande do Norte, o projeto tem produção da Margem Hub e apoio de instituições públicas de cultura.

Mais do que uma exposição, “Tudo respira aqui” se apresenta como um convite à escuta e à percepção ampliada dos territórios. “São dimensões de vida e de compartilhamento das experiências nesses espaços”, resume o artista.

Exposição: Tudo respira aqui
Local: Galeria Margem Hub
Visitação: de terça a sábado, das 10h às 19h
Entrada gratuita

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Arte e cannabis: exposição discute estigmas e resgata tradições em Natal



Fonte: saibamais.jor.br

Extremoz celebra 63 anos de emancipação política com história, cultura e tradição

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O município de Extremoz comemora neste dia 4 de abril seus 63 anos de emancipação política, uma data marcada por conquistas, identidade cultural e desenvolvimento ao longo das décadas.

A autonomia administrativa foi conquistada em 1963, por meio da Lei Estadual nº 2.876, quando a cidade se desmembrou de Ceará-Mirim após 105 anos de subordinação (de acordo com dados históricos do Idema). A medida consolidou um novo capítulo na história local, permitindo que Extremoz trilhasse seu próprio caminho político e administrativo.

O primeiro prefeito do município foi Daniel Pinheiro, responsável por conduzir os primeiros passos da gestão pública municipal. Já a instalação oficial da cidade ocorreu em 2 de fevereiro de 1964.

Antes da emancipação, Extremoz era distrito e já se destacava como uma das áreas de colonização mais antigas do Rio Grande do Norte, carregando em sua trajetória um rico patrimônio histórico e cultural.

“Mais do que um marco administrativo, o aniversário de Extremoz representa a resistência e a luta de seu povo ao longo dos anos, reafirmando sua importância na história do estado”, disse a prefeita Jussara Sales.

Mossoró volta a ter voos diretos para Recife em setembro

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Mossoró volta a ter voos diretos para Recife em setembro

A cidade de Mossoró voltará a ter voos comerciais diretos para Recife a partir de setembro. A rota será operada pela Azul Linhas Aéreas, com duas frequências semanais.

Segundo o governo do estado, os bilhetes começam a ser vendidos ainda em abril. Os voos sairão de Mossoró com destino à capital pernambucana, que funciona como um dos principais centros de conexão da companhia no Nordeste, permitindo acesso a dezenas de destinos no Brasil e no exterior.

A operação será feita com aeronaves do tipo ATR, com capacidade para até 70 passageiros.

O que muda com a nova rota

A retomada da linha aérea restabelece uma conexão direta que facilita deslocamentos entre o interior do Rio Grande do Norte e outros centros urbanos do país. A partir de Recife, os passageiros poderão fazer conexões para cerca de 70 destinos.

Para quem viaja a trabalho ou turismo, a nova rota reduz o tempo de deslocamento e amplia as opções de embarque sem a necessidade de sair de Mossoró por via terrestre até a capital.

A retomada dos voos ocorre após negociações entre o governo estadual e a companhia aérea e deve impactar diretamente o fluxo de passageiros na região Oeste do estado.

Fonte: saibamais.jor.br

Pesquisa revela novas espécies em cavernas da Caatinga potiguar

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Pesquisa revela novas espécies em cavernas da Caatinga potiguar

Uma pesquisa em cavernas da Caatinga potiguar revelou que a biodiversidade subterrânea do Rio Grande do Norte, o estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) em parceria com a Universidade Federal do Piauí (UFPI), Universidade Federal de Lavras (UFLA) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), identificou novas espécies de aracnídeos no Monumento Natural Cavernas de Martins.

O estudo revela que o que antes era tratado como uma única espécie, Rowlandius potiguar, na verdade é um conjunto de três espécies distintas. A reclassificação só foi possível graças ao uso combinado de análises morfológicas e dados moleculares, uma abordagem mais recente na ciência. Duas dessas espécies são novas para a ciência: Rowlandius tybykyra e Rowlandius itaoca, ambas encontradas em ambientes cavernícolas do semiárido.

Para a bióloga Bruna Pessoa, atualmente mestranda na área de biologia parasitária, esse tipo de revisão é mais comum do que parece e diz muito sobre os limites do conhecimento científico. “Isso acontece com bastante frequência. Às vezes a gente acha que está lidando com uma única espécie, mas podem ser duas, três ou até mais. Hoje, com a taxonomia integrativa e o uso de ferramentas moleculares, conseguimos refinar muito essa identificação”, explica.

Entre os achados, chama atenção a espécie Rowlandius itaoca, registrada até agora apenas na caverna Casa de Pedra, dentro do MONA Martins. A ocorrência restrita levanta um alerta sobre a vulnerabilidade desses organismos. Segundo Bruna, isso tem relação direta com a biologia desses animais. “Os esquizomídeos têm uma cutícula muito fina, perdem água com facilidade e, por isso, precisam de ambientes úmidos. É comum que fiquem restritos a locais como a serrapilheira ou cavernas, que oferecem essas condições”, detalha.

Esse tipo de adaptação ajuda a explicar por que a fauna cavernícola costuma ser tão específica e, muitas vezes, endêmica. Ao mesmo tempo, reforça a importância de áreas protegidas. O Monumento Natural Cavernas de Martins é uma Unidade de Conservação de Proteção Integral administrada pelo Idema, o que garante maior resguardo a esses ecossistemas frágeis.

O supervisor do Núcleo de Fauna do Idema, Marcelo Silvia, destaca o peso da descoberta. “Esse achado reforça a relevância do Rio Grande do Norte como um importante polo de diversidade de organismos cavernícolas e chama atenção para a necessidade de conservação desses ambientes”, afirma.

Apesar dos avanços, os esquizomídeos ainda seguem pouco estudados. Bruna aponta que isso se deve, em parte, à própria dimensão do grupo. “Quando você compara com aranhas, que têm mais de 48 mil espécies descritas, os esquizomídeos somam cerca de 380 no mundo inteiro. É um grupo naturalmente menos diverso e, por isso, acaba sendo menos pesquisado”, diz. Ainda assim, ela vê com entusiasmo o aumento do interesse científico. “A gente fica muito feliz quando mais pesquisadores passam a olhar para esses grupos que foram deixados de lado”, completa.

A pesquisa foi financiada por meio de projetos vinculados aos Termos de Compromisso de Compensação Espeleológica (TCCE) nº 01/2018 e nº 01/2022, firmados entre o ICMBio e a Vale S.A., com gestão do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS). O estudo foi publicado no periódico científico Zoological Journal of the Linnean Society.

Assinam o trabalho Bezerra Dantas, Iara Siqueira Santos Silva, Leonardo Sousa Carvalho, Rodrigo Lopes Ferreira, Diego de Medeiros Bento e Sergio Maia Queiroz Lima.

Para acessar o artigo completo – AQUI!

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Fonte: saibamais.jor.br

Disputa pelo Senado no RN começa a ganhar forma para 2026

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Disputa pelo Senado no RN começa a ganhar forma para 2026

A corrida eleitoral de 2026 já começa a ganhar forma no Rio Grande do Norte, e uma das disputas mais estratégicas será pelas duas vagas ao Senado em jogo no estado. Faltando alguns meses para o pleito, nomes de diferentes campos políticos se movimentam nos bastidores, articulam alianças e testam a viabilidade de suas candidaturas junto a partidos e eleitores. Entre lideranças já consolidadas, possíveis retornos ao cenário eleitoral e apostas de renovação, o tabuleiro político potiguar começa a se desenhar. 

Mais de 2,6 milhões de pessoas devem ir às urnas no Rio Grande do Norte no pleito de outubro. Os atuais mandatários do Senado são Zenaide Maia (PSD), Styvenson Valentim (PSDB) e Rogério Marinho (PL). Os dois primeiros venceram em 2018 e vão à reeleição neste ano, enquanto Rogério tem a garantia de mais quatro anos de mandato pela frente e é o responsável pela coordenação da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à presidência.

A Agência SAIBA MAIS buscou os principais pré-candidatos à Casa Alta para saber quais devem ser suas principais bandeiras e prioridades na eleição. Além de Zenaide e Styvenson, foram procurados, diretamente ou por meio da assessoria, Samanda Alves (PT), Jean Paul Prates (PDT), Sandro Pimentel (PSOL) e Coronel Hélio (PL). Recebemos retorno das pré-candidaturas de Samanda, Jean Paul Prates e Sandro Pimentel. Nesta quinta-feira (2), quando a reportagem já estava em desenvolvimento, Rafael Motta se filiou ao PDT e também poderá ser candidato ao Senado ou primeiro suplente, em discussão que ainda será feita internamente na sigla.

Samanda Alves

No campo governista, Samanda é o nome colocado para representar o PT na disputa. Engenheira, feminista e presidenta do PT no estado, ela foi eleita vereadora da capital potiguar com 5.189 votos em 2024. 

Samanda atuou por 20 anos como assessora de Fátima Bezerra nos mandatos de deputada federal e senadora, foi secretária adjunta do Gabinete Civil e subsecretária do Trabalho Emprego e Renda do Governo do RN na gestão de Fátima e exerceu o cargo de chefe de gabinete do deputado Francisco do PT.

Durante o governo da presidenta Dilma Roussellf, a parlamentar foi vice-presidenta e coordenadora geral do Conselho Nacional de Combate à Discriminação de LGBT e, também, atuou como Coordenadora Nacional de Políticas LGBT. 

Até março, ela era pré-candidata a deputada federal, mas a postulação mudou depois que Fátima recuou de disputar o Senado para concluir o mandato de governadora, deixando a vaga do PT em aberto. A escolha de Samanda como pré-candidata a senadora foi confirmada em resolução da legenda petista.

Saiba Mais: Direção do PT confirma indicação de Cadu ao Governo do RN e Samanda ao Senado

“O Senado vai ser o campo central da disputa no Brasil e a extrema direita já deixou claro que quer usar esse espaço para atacar a democracia e pressionar outros Poderes, inclusive com ameaças ao STF”, afirmou a pré-candidata.

A petista afirmou que quer chegar ao Senado para defender o país do autoritarismo e pautar os temas de interesse do povo brasileiro.

“Nossa luta é para taxar super-ricos, ampliar a isenção do Imposto de Renda, acabar com a escala 6×1 e garantir direitos para quem trabalha, inclusive os trabalhadores de aplicativo. Defender o SUS, a educação pública, que precisam de maior financiamento, regular as plataformas digitais e enfrentar a violência contra as mulheres também são bandeiras centrais que carregamos”, defendeu.

“O Senado não pode ser instrumento de retrocesso. Vai ser espaço de enfrentamento e de construção de um Brasil mais justo”, continuou a liderança petista.

Jean Paul Prates

Como possível companheiro na chapa governista, está Jean Paul Prates (PDT), que se filiou à legenda trabalhista em dezembro para tentar retornar ao Senado, onde ocupou mandato entre 2019 e 2023. Ele também foi presidente da Petrobras no governo Lula. 

“Minha atuação política sempre esteve orientada por planejamento, responsabilidade e entrega de resultados. Ao longo do mandato no Senado e à frente da Petrobras, procurei demonstrar que é possível conciliar desenvolvimento econômico, segurança energética e compromisso social”, disse à reportagem.

Prates possui atuação nas áreas de petróleo, gás natural, biocombustíveis e energias renováveis há mais de 20 anos e esteve na linha de frente das campanhas de 2014 e 2018, na candidatura à Prefeitura de Natal em 2020, época da pandemia de Covid-19, e foi senador após a renúncia de Fátima Bezerra em 2019 – que foi eleita governadora, tornando-se o líder do PT no Senado durante o governo de Jair Bolsonaro.

Ele afirma que sua prioridade absoluta será a educação voltada ao presente e ao futuro. “Precisamos de uma transformação estrutural das escolas, com digitalização, modernização dos espaços e formação voltada às novas atividades sociais e profissionais. Isso inclui a implantação de mediatecas, a inspiração nos CIEPs em uma versão contemporânea e integrada, além da continuidade de iniciativas que já demonstraram impacto concreto, como as Areninhas Potiguares, que já somam 72 unidades no estado, e o programa Escolas Solares, que alia autossuficiência energética à formação científica e socioambiental dos alunos.”

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Em paralelo, defende uma agenda forte de infraestrutura e desenvolvimento produtivo, com foco na integração logística do estado e na valorização do potencial energético local. Segundo o pedetista, o RN reúne condições excepcionais em energias renováveis, vantagem que pode ser convertida em empregos, industrialização e renda.

“Outro eixo fundamental é a mobilidade urbana e regional. É possível avançar para modelos de transporte mais acessíveis e eficientes, com eletrificação das frotas em cidades pequenas e médias e soluções progressivas de gratuidade em centros maiores, como a Região Metropolitana de Natal e Mossoró, apoiadas em sistemas digitais de acesso que ampliem a inclusão e a racionalidade do sistema”, apontou.

Sandro Pimentel

Ainda no campo da esquerda, Sandro Pimentel vai voltar às disputas após oito anos. Sua última campanha foi para deputado estadual em 2018, quando foi eleito. Presidente do PSOL no Rio Grande do Norte, ele deverá compor a mesma chapa que hoje tem Robério Paulino como pré-candidato a governador. 

Sandro Pimentel é graduado em gestão pública e mestre em estudos urbanos e regionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Trabalha na mesma universidade como vigilante e tem atuação voltada ao sindicalismo, sendo ex-dirigente do Sindicato dos Estadual dos Trabalhadores em Educação no Ensino Superior (Sintest) e coordenador da Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra). 

O líder psolista diz que vai priorizar a educação pública, gratuita e de qualidade na sua campanha, com fortalecimento das universidades, institutos federais e assistência estudantil. Defende a recomposição do orçamento do CNPq, CAPES e FINEP para incentivar a produção tecnológica nacional e combater a dependência científica e tecnológica externa.

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Ele também defende a revogação de medidas como as reformas da previdência e trabalhista e, ainda, a defesa de concursos públicos e carreira estruturada, reduzindo o processo de terceirização crescente.

Ligado à causa animal, diz que pretende criar, caso eleito, o Programa Nacional de Proteção Animal, incluindo manejo ético, financiamento para castração pública e permanente e o combate aos maus-tratos com políticas integradas de saúde pública nacional. No tema do meio ambiente e combate à crise climática, aposta no enfrentamento ao desmatamento e crimes ambientais. 

Também deve ter como prioridade a defesa das liberdades democráticas e o combate às fake news e financiamento de milícias digitais, além da defesa de uma reforma tributária que reduza os impostos sobre consumo.

Zenaide Maia

Como vice-líder do governo Lula no Congresso, Zenaide defendeu abertamente a taxação dos super-ricos, votou a favor da agenda social e de direitos humanos e se opôs a medidas autoritárias durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ela já declarou, no aniversário de um ano da tentativa de golpe, que a ação foi uma “página infeliz da nossa história”.

A senadora foi eleita em 2018 em uma chapa majoritária encabeçada pela governadora Fátima Bezerra, com forte apoio da militância do PT. Em Brasília, sua atuação é marcadamente progressista, caracterizada pela afinidade com as pautas defendidas pelo Palácio do Planalto. 

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No período recente, porém, ela se aproximou do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), pré-candidato ao governo estadual e adversário declarado da governadora Fátima Bezerra (PT), com quem formará o palanque estadual na eleição deste ano, marcando um rompimento com o PT a nível local.

Presidente do PSD no Rio Grande do Norte, a médica infectologista já foi deputada federal e secretária municipal de Saúde do município de São Gonçalo do Amarante por dois períodos (1991-1992 e 2009-2011).

Styvenson Valentim

Styvenson Valentim estreou na política surfando na onda do antipetismo, do voto “antissistema” e da rejeição aos partidos tradicionais em 2018, tendo se notabilizado ao comandar a Operação Lei Seca no Rio Grande do Norte.

Depois de 2022, quando tentou se eleger governador, mas ficou apenas em terceiro lugar na disputa, ele deu uma guinada em seu perfil de “outsider”, aderiu ao pragmatismo e se aproximou de figuras como Rogério Marinho, um dos nomes mais representativos do “mainstream” político do estado. 

Desde 2018, o senador passou pelos partidos Rede Sustentabilidade, Podemos, PSDB e caminha para retornar ao Podemos. É um dos candidatos da chapa bolsonarista no Rio Grande do Norte e deverá formar dobradinha com Coronel Hélio (PL), tendo Álvaro Dias como candidato a governador. 

No último domingo (29), o parlamentar causou polêmica ao fazer um discurso no município de Parelhas em que disse que “coronel da PM não faz nada”.

“Eu podia tá de coronel hoje na PM, sem fazer nada, porque tu sabe que coronel não faz nada, né? Capitão já não fazia, só eu que trabalhava. Podia tá lá na PM ganhando dinheiro fácil, beirando me aposentar, mas não, fui lá fazer o que eu não sabia fazer”, disse o senador no evento de inauguração da reforma de uma escola municipal.

A fala provocou a repercussão imediata na categoria da segurança pública do Rio Grande do Norte. O comandante-geral da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, Cel. Alarico José Pessoa Azevedo Junior, emitiu uma nota oficial em que a instituição manifestava “seu profundo lamento e discordância em relação às recentes declarações proferidas” pelo parlamentar.

O comandante-geral da PM disse que causava “estranheza e indignação que tais palavras, que tentam desqualificar o trabalho de oficiais de alta patente, partam de um membro da reserva da nossa própria corporação”.

A Associação dos Oficiais Militares do RN (Assofme) também repudiou a declaração e afirmou que o senador Styvenson Valentim “representa o pior nível de oficiais” que já passou pela instituição.

Saiba Mais: PM afirma que Styvenson tenta “desqualificar trabalho de oficiais de alta patente”

“Limitado intelectualmente, desagregador, inadimplente com obrigações acadêmicas quando cadete, causou constrangimento em ambiente familiar como a festa dos 100 dias da turma dele. Enfim, sempre foi um oficial de baixo nível. Não seria agora que mudaria”, diz a nota da entidade, que é presidida pelo Cel. da PM Antoniel Jorge dos Santos Moreira.

O comunicado afirma ainda que a atuação de Styvenson Valentim no Senado Federal “está pondo em risco o sistema de proteção social dos militares estaduais”.

“Tudo isso em busca de se manter no mandato de senador. Certamente, ele está querendo engajamento nas redes sociais com uma reação nossa. Vamos deixar esse senhor seguir o caminho dele, afinal, como diz o ditado: uma pessoa pode enganar muitas pessoas por muito tempo, mas não conseguirá enganar todas as pessoas por todo tempo”, completa a nota.

Coronel Hélio

Hélio Oliveira é Coronel Aviador da reserva da Aeronáutica, graduado em Ciências Aeronáutica e diretor de Relações Institucionais da Associação dos Polos Industriais do Rio Grande do Norte (ASPIRN). O carioca já foi candidato a prefeito de Natal em 2020 pelo PRTB e atualmente é presidente do PL na capital potiguar. Representante do bolsonarismo “raiz” na disputa, ele é defensor da anistia para os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e costuma participar de atos da direita em Natal.

Fonte: saibamais.jor.br

IFRN cria centro para transformar escassez de água em ciência no semiárido potiguar

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IFRN cria centro para transformar escassez de água em ciência no semiárido potiguar
Foto: IFRN

A escassez de água no semiárido nordestino não é apenas um desafio climático — é um fator que molda a vida social, econômica e ambiental da região. No Rio Grande do Norte, essa realidade tem impulsionado iniciativas que buscam transformar limitações em soluções. Uma delas é o Centro de Tecnologia de Águas do Semiárido, cuja sede será inaugurada em junho desse ano no Campus São Paulo do Potengi do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN).

Mais do que um novo prédio, o centro nasce como um espaço de convergência entre ciência, demandas locais e desenvolvimento regional. A proposta é atuar diretamente na pesquisa, no monitoramento e na criação de tecnologias voltadas à gestão dos recursos hídricos, com impacto tanto para comunidades quanto para atividades econômicas.

De acordo com o professor Renato Dantas, coordenador da iniciativa, os trabalhos já estão em andamento, mesmo antes da inauguração oficial. Atualmente, 28 estudantes participam de oito projetos de pesquisa, orientados por três professores doutores na área de recursos hídricos.

“O centro ainda será inaugurado fisicamente, mas já existe no campo da pesquisa. Temos publicações científicas, participação em congressos e relatórios técnicos sendo produzidos”, explica.

A estrutura em fase final de construção contará com oito laboratórios, incluindo espaços dedicados ao sensoriamento remoto, análise e tratamento de água, além do desenvolvimento de protótipos para simulação de processos.

A expectativa é ampliar a capacidade de pesquisa e também oferecer serviços à população, como análise da qualidade da água de poços, açudes e barreiros.

Ciência conectada ao território

Foto: IFRN

A escolha de São Paulo do Potengi para sediar o Centro de Tecnologia de Águas do Semiárido não é aleatória.

A região carrega uma forte relação histórica com a luta pelo acesso à água, simbolizada pela atuação do Monsenhor Expedito, conhecido como “missionário das águas”. Esse vínculo ajudou a consolidar a identidade do campus em torno da temática hídrica.

A implantação do campus, no início de outubro de 2013, foi precedida de diversas audiências públicas realizadas em vários municípios da região para ouvir as demandas da população, onde a questão da água apareceu como prioridade recorrente.

Esse alinhamento entre vocação institucional e necessidade social é, segundo o professor Renato Dantas, o que dá sentido ao centro.

“A gente não está criando tecnologia distante da realidade. Estamos respondendo a uma demanda concreta do território”, afirma.

Desenvolvimento limitado pela escassez da água

Foto: IFRN

No semiárido potiguar, a irregularidade no abastecimento ainda é um obstáculo significativo ao desenvolvimento. Em algumas localidades, a água chega a intervalos de até 12 dias, o que impacta diretamente a atividade econômica e a qualidade de vida.

“Não é apenas uma questão de sobrevivência. É uma limitação ao desenvolvimento. A instalação de indústrias, o crescimento do comércio — tudo depende de acesso regular à água”, destaca o professor.

Diante desse cenário, o centro pretende investir em soluções como dessalinização de água de poços e reuso de efluentes para produção agrícola. A ideia é integrar conhecimento científico e saberes tradicionais para criar alternativas viáveis em diferentes escalas.

Essa abordagem dialoga com experiências internacionais em regiões áridas, onde políticas públicas e inovação tecnológica permitiram superar limitações naturais e promover desenvolvimento sustentável.

Potencial da Caatinga como solução

O semiárido está inserido na Caatinga, que é o único bioma exclusivamente brasileiro. É justamente nesse ambiente, lembra o professor Renato Dantas, que pesquisadores têm encontrado parte das soluções.

Ele conta que há estudos que já investigam o uso de plantas nativas, como angico-vermelho e jurema-preta, no tratamento de água. Essas espécies possuem propriedades coagulantes que podem ser aplicadas no tratamento de efluentes.

A Caatinga, além disso, vem ganhando destaque como importante sumidouro de carbono, reforçando seu valor ambiental e estratégico.

“O potencial é enorme, mas ainda pouco explorado. Falta investimento em ciência e políticas públicas para transformar esse conhecimento em soluções mais amplas”, avalia Dantas.

Infraestrutura e financiamento

Foto: IFRN

A construção do centro é resultado da articulação de diferentes fontes de recursos. A obra, orçada em cerca de R$ 1,2 milhão, contou com emendas parlamentares — R$ 500 mil destinados pelo ex-senador Jean Paul Prates (PDT) e R$ 200 mil pela deputada Natália Bonavides (PT), além de recursos próprios do IFRN e financiamentos via editais da Finep.

Já foram investidos também, ainda segundo o professor, aproximadamente R$ 200 mil em equipamentos laboratoriais básicos.

A expectativa é que, com a inauguração, o centro amplie sua atuação e fortaleça parcerias com outras instituições, contribuindo para a formação de uma rede de pesquisa voltada à gestão hídrica no semiárido.

Ciência como resposta à escassez

O Centro de Tecnologia de Águas do Semiárido, para além da infraestrutura, representa uma mudança de perspectiva: tratar a escassez não apenas como problema, mas como ponto de partida para inovação.

Em uma região onde a água é elemento central da vida cotidiana, iniciativas como essa reforçam o papel das instituições públicas na produção de conhecimento aplicado e na promoção do desenvolvimento regional.

Como resume o professor Renato Dantas, “é possível construir soluções sustentáveis mesmo em contextos de limitação — desde que haja investimento, articulação e compromisso com o território”.

Fonte: saibamais.jor.br