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Toffoli admite sociedade em resort, mas nega pagamentos de Vorcaro

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O gabinete do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou nova nota na manhã desta quinta-feira (12) em que explica a sociedade do magistrado em uma empresa que vendeu uma participação em um resort no Paraná a fundos ligados ao banco Master. 

Toffoli é relator do inquérito que apura a prática de fraudes financeiras no Master, sobretudo numa tentativa de venda da instituição ao banco BRB, cujo maior acionista é o governo do Distrito Federal. A operação acabou barrada pelo Banco Central. 

O ministro se manifestou pela primeira vez sobre as suspeitas em torno da participação da empresa de sua família no resort Tayaya, em Ribeirão Claro (PR), depois de vir à tona o relatório em que a Polícia Federal (PF) alerta para a menção ao próprio Toffoli em conversas extraídas do celular de Daniel Vorcaro, dono do Master e principal investigado no caso. O documento foi entregue ao presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, que notificou Toffoli a se manifestar. 

Na nota desta quinta (12), o gabinete de Toffoli afirma que o ministro é sócio de uma empresa familiar chamada Maridt, da qual são sócios também irmãos e outros parentes. O texto diz que, pela Lei Orgânica da Magistratura, o ministro “pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador”

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O texto diz ainda que a participação da Maridt no resort Tayaya foi vendida em duas etapas: parte para um fundo chamado Arllen, em 27 de setembro de 2021, e parte para a empresa PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025. Segundo o gabinete, tudo foi declarado à Receita Federal. 

A nota destaca ainda que o inquérito sobre o Master chegou ao gabinete e novembro do ano passado, quando a Maridt já não tinha mais participação no Tayaya.  O texto conclui afirmando que Toffoli “jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro. Por fim, o Ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”.

Relatório 

O relatório da PF que menciona a possível suspeição de Toffoli no caso Master foi entregue em 9 de fevereiro ao presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, que notificou Toffoli a se manifestar. 

Em nota anterior, divulgada na noite de quarta (11), o gabinete de Toffoli afirmou que um pedido de suspeição feito pela PF “trata de ilações” e que a corporação não tem legitimidade para pedir a suspeição  magistrados. Segundo o texto, as explicações serão enviadas a Fachin.

No relatório, cujo teor foi vazado pela imprensa, a PF apresenta citações a Toffoli em conversas entre Vorcaro e seu cunhado, Fábio Zettel, que seria uma espécie de contador informal do banqueiro. As conversas estariam relacionadas ao resort Tayaya. 

Toffoli tem sido alvo de pressão e questionamentos sobre sua relatoria do caso Master desde que foi revelada uma viagem feita por ele em um jatinho particular no qual estava o advogado de um dos investigados, ainda em dezembro. 

Posteriormente, decisões consideradas atípicas lançaram mais questionamentos sobre a condução do caso pelo ministro. Numa delas, por exemplo, Toffoli determinou que as provas colhidas em uma das fases da Operação Compliance Zero fosse enviadas diretamente ao Supremo, mesmo antes de passarem pela perícia da PF. Ele depois recuou, apesar em insistir na escolha dos peritos responsáveis. 

Em seguida, o ministro passou a ser pressionado também com a revelação do negócio envolvendo a venda da participação de sua família no Tayaya para fundos ligados a Vorcaro.

 

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Área da engorda da praia de Ponta Negra volta a alagar após chuvas

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A praia de Ponta Negra, na zona Sul de Natal, voltou a apresentar pontos de alagamento na manhã desta quarta-feira (11), após as chuvas que atingem a capital desde a madrugada. O acúmulo de água foi registrado em trechos da faixa de areia ampliada pela obra de engorda, entregue há cerca de um ano, que incluiu intervenções de drenagem. A engorda foi executada com o objetivo de conter a erosão costeira, problema histórico da região, especialmente nas proximidades do Morro do Careca. A intervenção recebeu investimento superior a R$ 100 milhões e passou a ser testada, desde a entrega, por episódios de chuvas intensas e marés elevadas.

Imagens feitas ao longo da manhã pelo canal de transmissão ao vivo WebcamNatal, mostram água acumulada próxima ao mar, dificultando o acesso à faixa de areia em alguns pontos. Comerciantes que atuam na orla relatam impactos diretos na rotina de trabalho: “Sempre que chove, surge essas lagoas que se formam aqui na praia. A água fica acumulada e dificulta a circulação das pessoas, o que acaba afetando também nossas vendas”, afirmou Joana Santos, comerciante de biquínis na praia de Ponta Negra.

Um anos após a obra, falta de drenagem é principal problema da engorda

Em janeiro passado, a Agência SAIBA MAIS fez uma sequência de reportagens mostrando os problemas resultantes da engorda de Ponta Negra. A obra foi inaugurada há um ano e a falta de um projeto de drenagem continua sendo o principal problema, segundo especialistas.

A Prefeitura do Natal afirma ter concluído a drenagem com a construção de caixas dissipadoras que, em dias de chuva mais forte, não aguentam o volume de água, transbordam e formam “lagoas” na faixa de areia de aspecto questionável, deixando a praia com aparência insalubre. O problema, que já foi apontado por estudiosos e população, segue sendo uma interrogação diante do projeto da “Nova Ponta Negra”, que prevê uma reforma geral para requalificação com mudanças na urbanização e paisagismos da praia.

Em ocasiões anteriores, a Prefeitura do Natal informou que o sistema de drenagem da área foi concluído após a finalização da engorda e que estaria operando conforme o previsto. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo destacou que a intervenção teve como finalidade principal a proteção ambiental da orla.

Construíram caixas de descarga para permitir que a água saísse por cima do aterro, com isso criou dois problemas: a criação das ‘lagoas’ e a pressurização da rede de drenagem. Isso vai se inviabilizar com grandes chuvas, interferir no esgotamento sanitário, porque todos reservatórios estão na praia e há uma conexão dos reservatórios porque eles transbordam para o sistema de drenagem”, alertou o engenheiro e professor aposentado, fundador do curso de pós-graduação de Engenharia Ambiental da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), João Abner.

O engenheiro explicou que o problema começou ainda na fase de elaboração de estudos, com a ausência de indicações de como seria feita a drenagem da praia. “A Tetratek, que entregou os estudos de impactos ambientais em 2016, alega que os documentos se basearam no termo de referência feito pelo Idema [Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente]. O problema vem desde aí, quando chega no licenciamento e o Idema cobra a drenagem. A prefeitura não tinha contratado a drenagem e preço podia ser o mesmo de uma engorda, os dois deveriam ter sido contratados. Isso começou com Carlos Eduardo, seguiu com Álvaro Dias e continua agora com Paulinho Freire. Como fazem estudo de uma obra sem considerar o principal impacto físico?”, questiona Abner.

A ausência de estudos persistiu ao longo da obra, que foi questionada em vários momentos de sua execução. Primeiro, o professor aposentado da UFRN aponta a ausência de exigências de drenagem no termo de referência entregue pelo Idema. Depois a Prefeitura do Natal não conseguia responder às perguntas feitas pelo Instituto como parte das condicionantes para obter a Licença de Instalação e Operação (LIO). Para pressionar politicamente o órgão, o então prefeito Álvaro Dias, junto com Paulinho Freire (União), que viria a ser o atual prefeito de Natal, aliados a vereadores e correligionários, invadiram a sede e tentaram derrubar o portão do Idema. Depois veio a questão da areia insuficiente na jazida que seria explorada. A obra foi paralisada e retomada depois que Álvaro Dias emitiu um decreto de estado de emergência em Ponta Negra e na Via Costeira pela erosão causada pelo avanço da maré. Essa foi a solução encontrada para a falta do licenciamento necessário para explorar a nova jazida, cujo banco de areia serviria de fonte para fazer a engorda da praia.

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Chuvas afetam outras áreas de Natal

Os efeitos das chuvas desta quarta-feira foram registrados em outras áreas da cidade. De acordo com boletim da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU), vias em bairros como Ribeira, Planalto e Lagoa Nova apresentaram pontos de intransitabilidade ao longo da manhã, além de lentidão no trânsito em corredores viários importantes.

Na Zona Norte, moradores do bairro Jardim Primavera voltaram a enfrentar transtornos provocados pelo transbordamento da lagoa de captação da região. O problema já havia sido registrado no fim de semana e se agravou com as novas chuvas. A Secretaria Municipal de Infraestrutura havia informado a instalação de uma segunda bomba de drenagem no local, mas moradores relataram que os equipamentos não estavam funcionando nas primeiras horas da manhã. Um morador classificou a situação como “tragédia anunciada”. A pasta foi procurada e aguarda retorno.

Segundo dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn), choveu 38 milímetros em Natal nas últimas seis horas, volume que contribuiu para alagamentos em diferentes pontos da capital. Confira ao vivo a situação da orla:

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Fonte: saibamais.jor.br

Operação desarticula esquema de lavagem com movimentação de R$ 1,1 bi

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A Polícia Civil de São Paulo, o Ministério Público (MPSP) e a Secretaria da Fazenda (Sefaz-SP) realizam operação conjunta, nesta quinta-feira (12), para desarticular esquema de lavagem de dinheiro com movimentação de R$ 1,1 bilhão. O esquema envolve grupo empresarial do mercado de distribuição de produtos eletrônicos a partir da capital paulista para todo o país.

Estão sendo cumpridos 20 mandados de busca e três de prisões nos estados de São Paulo e Santa Catarina. A força-tarefa mobiliza 100 policiais civis, 20 auditores fiscais da Receita Estadual e dois promotores de Justiça em quatro endereços ligados ao grupo.

As vendas de produtos eletrônicos eram feitas pela plataforma principal, mas os pagamentos eram redirecionados para empresas de fachada, que funcionavam como contas de passagem. Já as notas fiscais eram emitidas por outras empresas.

“Essa engenharia financeira permitiu a movimentação de ao menos R$ 1,1 bilhão em apenas sete meses, criando uma discrepância massiva entre o fluxo de caixa real e o patrimônio auditável das empresas operacionais”, diz nota da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP).

O grupo utilizava ainda pessoas com histórico criminal ligado a facções criminosas como sócios de fachada e beneficiários de imóveis de alto valor, com a intenção de blindagem patrimonial.

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A operação comprovou, afirma a SSP, uma sistemática confusão patrimonial com o objetivo de fraudar o fisco, credores e o sistema judiciário.

“Enquanto a investigação atual foca na lavagem de capitais através da mescla de recursos ilícitos com negócios lícitos, os crimes fiscais identificados serão comunicados formalmente aos órgãos competentes para as devidas providências”, afirma a pasta. 

O Grupo de Atuação Especial de Persecução Patrimonial (Gaepp), do MPSP, obteve o sequestro de valores de até R$ 1,1 bilhão. Entre os bens já identificados e bloqueados estão ao menos R$ 25 milhões em imóveis de luxo, veículos, dezenas de contas bancárias em nome de laranjas e diversas aplicações financeiras.

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Destaque em “O Agente Secreto”, Tânia Maria trata da saúde para ir ao Oscar 2026

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A atriz potiguar Tânia Maria, 79 anos, que ganhou destaque mundial ao dar vida à personagem Dona Sebastiana no filme “O Agente Secreto”, está cuidando da saúde para conseguir ir à cerimônia do Oscar 2026, que acontece no dia 15 de março, na cidade de Los Angeles (EUA). A notícia foi compartilhada nas redes sociais pela médica pneumatologista Zaida Cavalcanti.

“Ontem [terça-feira, 10], tive a honra de receber no consultório Dona Tânia Maria, a ‘Dona Sebastiana’ do filme ‘O Agente Secreto’. Essa estrela do cinema é exatamente como parece: generosa, espirituosa e extremamente gentil. Aproveito também para parabenizá-la não apenas pelo talento indiscutível, mas pela postura consciente e cuidadosa com a própria saúde”, escreveu a médica na postagem.

Zaida explicou que Tânia está em tratamento após ser diagnosticada com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), consequência dos 65 anos de tabagismo da artesã seridoense, natural do povoado de Santo Antônio da Cobra, no município de Parelhas.

“O Brasil inteiro torce para ver Dona Tânia no Oscar. Como a viagem de avião é longa, seguiremos avaliando com responsabilidade se ela poderá realizá-la com segurança. Estarei ao lado dela nesse processo”, completou a médica.

Após a estreia do filme “O Agente Secreto”, dirigido pelo pernambucano Kleber Mendonça Filho e estrelado pelo ator Wagner Moura, Tânia Maria foi apontada pelas revistas “Variety” e “The Hollywood Reporter” entre as cotadas para a indicação ao Oscar 2026 de “Melhor Atriz Coadjuvante”, ao lado de estrelas como Emma Stone (Bugonia), Kate Hudson (Song Sung Blue) e Samantha Morton (Anemone).

A indicação acabou não acontecendo, mas isso não diminuiu o reconhecimento internacional da artesã que virou atriz quase “por acaso” após estrear nas telonas aos 72 anos como figurante em “Bacurau” (2019), dirigido pelo mesmo Kleber Mendonça Filho.

Saiba Mais: Tânia Maria: a artesã potiguar que costurou seu destino no cinema e é cotada ao Oscar

Cigarro impediu Tânia Maria de ir a Cannes

Foto: Divulgação

Em entrevista à Agência Saiba Mais, em setembro do ano passado, após ser citada pelas revistas norte-americanas, Tânia Maria contou que o cigarro tinha impedido ela de ir à estreia de “O Agente Secreto” no Festival de Cannes (França), em maio de 2025.

“O cigarro me empatou de ir, aí eu disse: então pronto, a partir de hoje não fumo mais. O último cigarro que fumei foi no dia 30 de maio de 2025. De lá pra cá, nenhum cigarro mais. Já engordei 8 kg. Vou ter que renovar o guarda-roupa”, revelou.

O sucesso de “O Agente Secreto”, ganhador do Globo de Ouro nas categorias de “Melhor Filme em Língua Estrangeira” e “Melhor Ator em Filme Dramático” para Wagner Moura, impulsionou a popularidade de Tânia Maria.

De repente, a artesã de um pequeno distrito rural do interior potiguar virou uma estrela mundial do cinema, ganhando destaque duas vezes no jornal “The New York Times, que a incluiu em sua lista dedicada às “atuações loucas e inesperadas do ano”, na categoria “Melhor Atuação com um Cigarro” de 2025.

Não sei nem o que é Oscar”, reagiu Tânia Maria

Foto: Cedida

A primeira reação de Tânia Maria quando figurou como possível indicada ao Oscar 2026 foi de espanto: “Não sei nem o que é Oscar”, disse ela.

Depois, mais familiarizada com a ideia, revelou que seu sonho era ir a Hollywood. “Botei isso na cabeça. Eu quero ir, eu vou”, declarou, contando que ela mesma costuraria o vestido vermelho que pretendia usar na noite do prêmio.

Tânia, para tristeza dos seus milhares de fãs, terminou não sendo confirmada à indicação de “Melhor Atriz Coadjuvante”. O filme, no entanto, recebeu três indicações: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator (Wagner Moura) e Melhor Elenco.

A julgar pela disposição da atriz, é quase certo que em março veremos Tânia Maria, ao lado do elenco de “O Agente Secreto”, desfilar pelo tapete vermelho do Teatro Dolby, em Los Angeles.

Saiba Mais: Depois de “O Agente Secreto”, Tânia Maria arrebata a crítica em “Yellow Cake”



Fonte: saibamais.jor.br

Pernambuco vai à Sapucaí com desfile da Grande Rio sobre o Manguebeat

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A lama do manguezal do Rio Capiberibe, no Recife, vai se juntar à do Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, no desfile da Grande Rio sobre o movimento Manguebeat.

Para o carnavalesco Antônio Gonzaga, responsável pelo enredo A Nação do Mangue, o ritmo pernambucano e a escola da Baixada Fluminense têm confluências e, entre elas, a transformação social de suas regiões.

“Tem a ver com o modo da escola de fazer carnaval, com o estilo estético e com o discurso da escola“, disse em entrevista à Agência Brasil.

>> Enredos das escolas de samba contam a história não oficial

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Nos anos 1990, a biodiversidade do manguezal serviu de inspiração para músicos de Recife que fundiram guitarras do heavy metal e do reggae com tambores do maracatu, do coco e da ciranda ─ entre outras misturas e combinações peculiares, experimentadas pelas bandas Mundo Livre S/A, Chico Science & Nação Zumbi.

Esses músicos criaram o movimento Manguebeat e mudaram a cena cultural de sua cidade a partir da lama dos manguezais, usada como como metáfora da resistência e criatividade que existe nas periferias da capital pernambucana e também longe do eixo Rio-São Paulo.

“O que fazer para não afundar na depressão crônica que paralisa os cidadãos? Como devolver o ânimo, deslobotomizar e recarregar as baterias da cidade? Simples! Basta injetar um pouco de energia na lama e estimular o que ainda resta de fertilidade nas veias do Recife”, recomendava o manifesto “Caranguejos com cérebro” (1992), escrito pelo jornalista Fred Zero Quatro, vocalista da Mundo Livre S/A.

Mais jovem que a Grande Rio e que o Manguebeat, o carnavalesco, nascido em 1994, conta que a inspiração para o enredo veio de uma conversa com o pai, o jornalista e escritor Renato Lemos, autor do livro Inventores do Carnaval (editora Verso Brasil), e fã de Chico Science & Nação Zumbi e do Mundo Livre S/A.

“Eu sempre gostei de Nação Zumbi. Meu pai [que também assina a sinopse do enredo] escutava em casa, e eu criança escutava por tabela e curtia muito e entendia que seria importante o Manguebeat ser enredo em qualquer momento. Acho estranho que isso não tenha acontecido ainda”, disse ao participar do programa Sem Censura, da TV Brasil.

As semelhanças geográficas e sociais entre Duque de Caxias e a região onde nasceu o movimento cultural se somaram a essa afeição.

“Pesquisando, achei essa conexão de a região da escola, Caxias, ser uma cidade cercada por manguezais. Então, fazer esse paralelo com os movimentos de periferia da baixada fluminense acho que foi o pulo do gato para fazer esse enredo dar certo”.


Rio de Janeiro (RJ), 03/02/2026 – O carnavalesco da escola de samba Acadêmicos do Grande Rio, Antônio Gonzaga, durante participação no programa Sem Censura, da TV Brasil. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 03/02/2026 – O carnavalesco da escola de samba Acadêmicos do Grande Rio, Antônio Gonzaga, durante participação no programa Sem Censura, da TV Brasil. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O carnavalesco da escola de samba Acadêmicos do Grande Rio, Antônio Gonzaga, durante participação no programa Sem Censura, da TV Brasil. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil.

Segundo Gonzaga, a capital de Pernambuco estará representada nas fantasias e nas alegorias ─ serão seis setores, com cinco carros alegóricos e três tripés. Bem trajadas, várias personalidades recifenses cairão no samba em um carnaval colorido para disputar o bicampeonato, promete o carnavalesco.

Ritmos do Recife

O mestre de bateria Fabrício Machado de Lima, o Mestre Fafá, de 34 anos, garante que os 270 ritmistas da escola estão prontos para sustentar o desfile tocando seus surdos de primeira, segunda e terceira, caixas, repiques, agogôs, chocalhos e tamborins.

Segundo Fafá, o arranjo será inspirado nas inovações do Manguebeat e fará referências ao frevo e ao maracatu, além de seguir “as viagens” musicais e rítmicas de Chico Science.

“Pode esperar muita alegria, muita bossa inspirada no trabalho de Chico [Science], um cara que misturava muitos ritmos”, disse Fafá também no programa Sem Censura, da TV Brasil.

Além da percussão, as referências estarão também na fantasia da ala que é o coração do carnaval.

“A nossa fantasia [da bateria] representa o bloco afro Lamento Negro [bairro popular de Olinda na divisa com Recife], que é um dos blocos que o Chico [Science] ajudou a fundar”.

 


Rio de Janeiro (RJ), 03/02/2026 – Mestre Fafá e a bateria da escola de samba Acadêmicos do Grande Rio durante participação no programa Sem Censura, da TV Brasil. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 03/02/2026 – Mestre Fafá e a bateria da escola de samba Acadêmicos do Grande Rio durante participação no programa Sem Censura, da TV Brasil. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

 Mestre Fafá e a bateria da escola de samba Acadêmicos do Grande Rio durante participação no programa Sem Censura, da TV Brasil. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil.

O som da bateria promete reforçar a identificação cultural entre quem vive nos mangues de Recife e nas margens sociais da baixada fluminense, como faz a letra do samba enredo:

“Eu também sou caranguejo à beira do igarapé / Gabiru trabalha cedo, cata o lixo da maré.”

A letra é assinada por Ailson Picanço, Marquinho Paloma, Davison Wendel, Xande Pieroni, Marcelo Moraes e Guga Martins.

A Grande Rio é a penúltima escola a desfilar na terça-feira (17), último dia de desfile do grupo especial do carnaval do Rio de Janeiro.

Conheça os enredos e a ordem dos desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro

1º dia – domingo (15/2)

  • Acadêmicos de Niterói – Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil;
  • Imperatriz Leopoldinense – Camaleônico;
  • Portela – O Mistério do Príncipe do Bará;
  • Estação Primeira de Mangueira – Mestre Sacacá do Encanto Tucuju – o Guardião da Amazônia Negra.

2º dia – segunda-feira (16/2)

  • Mocidade Independente de Padre Miguel – Rita Lee, a Padroeira da Liberdade;
  • Beija‑Flor de Nilópolis – Bembé do Mercado;
  • Unidos do Viradouro – Pra Cima, Ciça;
  • Unidos da Tijuca – Carolina Maria de Jesus.

3º dia – terça-feira (17/2)

  • Paraíso do Tuiuti  – Lonã Ifá Lukumi;
  • Unidos de Vila Isabel – Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África;
  • Acadêmicos do Grande Rio – A Nação do Mangue;
  • Acadêmicos do Salgueiro – A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau.

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Carnaval: pais não devem postar imagens de crianças, diz pesquisador

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A pureza de crianças brincando livremente o carnaval ilumina os olhares e as lembranças do momento. Por outro lado, as famílias, a sociedade e o poder público devem ficar muito mais atentos com o avanço de violações contra os pequenos nesse período.

Pesquisador em políticas públicas para infância e adolescência, o presidente da organização social internacional ChildFund no Brasil, Maurício Cunha, alerta que se trata de uma época de maior vulnerabilidade dos pequenos.

Essas violações, segundo explicou em entrevista à Agência Brasil, estão no mundo virtual e também nos cenários reais. Cunha recomenda, inclusive, que as famílias evitem postar imagens de crianças em redes sociais e que a sociedade seja estimulada a denunciar ameaças e violências diversas. 

Cunha vai ser uma dos participantes de uma audiência pública nesta quinta-feira (12) na Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal, a partir das 10h. O encontro vai debater os riscos e violações de direitos enfrentados por crianças e adolescentes no contexto do carnaval, como adultização, erotização, desaparecimento, trabalho infantil e exploração sexual.

O especialista explicou que dados do Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, revelam que mais de 26 mil casos suspeitos de crimes contra crianças e adolescentes foram registrados durante o carnaval de 2024.

O pesquisador aponta que o quadro é agravado pelos riscos da internet por haver exposição de imagens de crianças e adolescentes em fóruns, grupos fechados e redes sociais, além de violência sexual na internet, conforme apontou o estudo do ChildFund Mapeamento dos Fatores de Vulnerabilidade de Adolescentes Brasileiros na Internet, publicado no ano passado 

 A pesquisa com mais de 8 mil adolescentes de 13 a 18 anos de todas as regiões do país mostrou que 54% dos entrevistados já sofreram algum tipo de violência sexual online.

Confira abaixo trechos da entrevista

Agência Brasil – Por que as crianças e adolescentes estão ainda mais vulneráveis no carnaval? 

Maurício Cunha – Acaba sendo um período em que as crianças e adolescentes estão mais vulneráveis a todo tipo de violência. Isso pode ser comprovado com evidências. A própria Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, o Disque 100, apontou, por exemplo, o registro, no ano passado,  de 26 mil denúncias de violações ou de crimes contra criança e adolescente nesse período. 

Isso significou um crescimento de 38% em relação ao ano anterior. É um dado alarmante, porque quase 40% de todas as violações registradas no período se referiam à violência contra a criança. 

Agência Brasil – Quais são as principais preocupações em relação às violências que elas sofrem?

Maurício Cunha – As crianças sofrem mais violência nesse período por uma série de razões. Existe uma superexposição, aumento da circulação, disposição de eventos de massa. O debate da sociedade sobre a da adultização, que foi o termo usado, mas seria mesmo a erotização precoce, que é uma violação dos direitos, considerando o próprio Estatuto da Criança e do Adolescente.

>>Saiba mais sobre ECA

A criança precisa ser preservada de situações e conteúdos. Então, é um período também de mais desaparecimentos de crianças pelas grandes aglomerações, além de aumento de crianças também em atividades informais e que exploram o trabalho infantil. Há um aumento também da exploração sexual e precisamos chamar muita atenção dos riscos digitais. 

Agência Brasil – Isso ocorre com o aumento da exposição de imagens de crianças?

Maurício Cunha – Sim. A gente orienta as famílias a desligar localização e evitar fotos, vídeos e lives.

O que para as famílias é um conteúdo simples pode gerar exposição dos filhos.  Aquilo pode parar em uma rede em que essa foto pode ser manipulada. 

Agência Brasil – Como é possível prevenir?

Maurício Cunha – Nós orientamos às famílias a utilizar ferramentas de segurança como controles parentais, limitar mensagens desconhecidas para as crianças e revisar a privacidade dos aplicativos.

Temos pesquisas que mostram, por exemplo, que adolescentes no Brasil passam, em média, quatro horas por dia nas redes sociais. É muito  tempo. Ao menos, 30% dos adolescentes passam mais de 6 horas de dia nas redes sociais. 

Quanto mais tempo ali, mais a criança está exposta também a violações. Há riscos no mundo offline e também no online. 

Agência Brasil – Em ambos, a família deve estar vigilante, certo?

Maurício Cunha – O Estatuto da Criança e do Adolescente é claro ao mostrar que o dever da família, da comunidade, da sociedade e do poder público é assegurar os direitos da criança.  A gente fez recentemente uma pesquisa com nove mil adolescentes de todos os estados do Brasil mostrando que apenas cerca de 35% dos adolescentes brasileiros têm algum tipo de supervisão parental no que diz respeito ao uso da internet. 

O adolescente quer liberdade, mas a gente percebeu que esse mesmo adolescente se ressente do fato de não ter tanta proteção. 

Essa mesma pesquisa apontou um dado alarmante: 54% desses adolescentes relatam já haver sofrido alguma violência sexual no ambiente online. É gravíssimo. Isso é muito grave porque são marcas que vão ficar no desenvolvimento dessa pessoa, e que vão comprometer o seu desenvolvimento psíquico e emocional. 

Agência Brasil – O senhor recomenda que se evite imagens de crianças no carnaval?

Maurício Cunha – A imagem dessa criança pode ficar eternamente na internet, e compartilhada em redes de pedofilia. O que funciona é o diálogo: orientar crianças e adolescentes a não interagir com desconhecidos no ambiente digital, nem enviar fotos ou informações pessoais e ativar ferramentas de segurança. São ferramentas que as famílias desconhecem, mas que estão acessíveis a toda a população. 

Agência Brasil – Nesta semana, soubemos que um piloto de avião foi preso acusado de exploração sexual infantil. Uma avó de três crianças integrava o grupo. É possível identificar perfis desses criminosos?

Maurício Cunha –  Esse é um bom ponto. A gente precisa quebrar alguns tabus. A violação sexual contra criança não se dá, na absoluta maioria dos casos, por aquela figura do tarado babando na esquina, para usar um português claro. Mais de 85% das violações são cometidas por alguém de confiança da família ou da criança. 

São muitos casos de que as próprias famílias vendem imagens. Todas as pesquisas apontam que perto de 90% dos casos ocorrem em ambientes domiciliares, com familiares do convívio desta criança ou desta família. 

Agência Brasil – Em relação a isso, que a maior parte dos casos acontece em casa, é um papel difícil de monitorar, de fiscalizar e de denunciar? Qual é o papel da sociedade e do poder público?

Maurício Cunha – No que diz respeito à violência sexual online, a gente fez um grande avanço, que é o ECA Digital, que já foi sancionado e que a partir do mês que vem, agora em março, vai ser implementado e vai reduzir a violência contra a criança certamente. 

>>Saiba mais sobre o ECA digital 

Agência Brasil – O Disque 100 é uma importante conquista nesse contexto…

Maurício Cunha – Sim. Com o Disque 100, é possível ligar gratuitamente, 24 horas por dia, sem o ônus da prova. Isso é algo que a gente precisa dizer para a sociedade. Se há uma suspeita de crime contra a criança, ele já pode ligar para o Disque 100 e a denúncia é encaminhada para o município. 

Na dúvida, as pessoas devem fazer a denúncia porque aquela criança é hipervulnerável. Alguém vai precisar ver o que está acontecendo com ela e denunciar. Isso inibe muito a ação dos criminosos. Eles não vão parar se não houver uma reação forte  e vigilante da sociedade. 

Agência Brasil – E, na época do carnaval, podemos flagrar também crimes como o trabalho infantil…

Maurício Cunha – A gente precisa ter um olhar vigilante sobre isso. No Brasil, é proibido o trabalho até os 14 anos. Entre 14 e 16 é permitido uma condição de aprendiz. Criança tem que brincar, estudar e ser protegida. A criança é mais explorada porque é um trabalho mais barato. Isso é intolerável.

Fonte: Agência Brasil de Noticias

PF pede a Fachin suspeição de Toffoli no inquérito do Banco Master

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A Polícia Federal (PF) pediu ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, a suspeição do ministro Dias Toffoli (foto) como relator do inquérito que trata das investigações sobre fraudes no Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central.

O pedido foi feito, na última segunda-feira (9), após a PF informar a Fachin que encontrou uma menção ao nome de Toffoli em uma mensagem no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que é investigado no inquérito e teve o aparelho apreendido durante busca e apreensão. A menção está em segredo de Justiça.

Após ser informado do caso, Fachin abriu um processo interno e determinou a notificação de Toffoli para apresentar defesa. Caberá ao presidente do STF decidir se Toffoli continuará como relator da investigação do Master.

No mês passado, Toffoli passou a ser criticado por permanecer na condição de relator do caso após matérias jornalísticas informarem que a Polícia Federal encontrou irregularidades em um fundo de investimento ligado ao Banco Master. O fundo comprou uma participação no resort Tayayá, localizado no Paraná, que era de propriedade de familiares do ministro.

Defesa

Em nota à imprensa, o gabinete de Toffoli diz que a PF não pode solicitar sua suspeição e que o pedido trata de “ilações”.

“O gabinete do ministro Dias Toffoli esclarece que o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de ilações. Juridicamente, a instituição não tem legitimidade para o pedido, por não ser parte no processo, nos termos do artigo 145, do Código de Processo Civil. Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada pelo ministro ao presidente da Corte”, declarou.

Investigação

Em novembro de 2025, o banqueiro Daniel Vorcaro e outros acusados foram alvo da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) para investigar a concessão de créditos falsos pelo Banco Master, incluindo a tentativa de compra da instituição financeira pelo Banco de Brasília (BRB), banco público ligado ao governo do Distrito Federal.

De acordo com as investigações, as fraudes podem chegar a R$ 17 bilhões.

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Associações de juízes defendem no STF manutenção de penduricalhos

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O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu nesta quarta-feira (11) pedido de associações que representam juízes, promotores, defensores públicos e membros de tribunais de contas para manter o pagamento dos penduricalhos que foram suspensos por determinação do ministro Flávio Dino (foto).

O pedido foi feito por 11 associações, que também pediram para participar do processo. Estão entre as entidades a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) e Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR).

Na semana passada, Dino concedeu liminar para determinar que as verbas indenizatórias que não têm base legal devem ser suspensas no prazo de 60 dias nos Três Poderes. Penduricalhos são benefícios financeiros concedidos a servidores públicos e que não cumprem o teto remuneratório constitucional, que é de R$ 46,3 mil.  

No entendimento das entidades, todas os pagamentos que são realizados pelo Judiciário e Ministério Público estão previstos em lei ou em regras do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

“Está a se impor, no ponto, o acolhimento dos presentes embargos de declaração para, verificando que não tem havido pagamento a magistratura sem autorização prévia do CNJ, deixe de ser exigido dos tribunais a revisão dos atos normativos que concretizam os pagamentos previstos em lei”, afirmam as associações.

Mais cedo, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) também defendeu no STF a manutenção dos penduricalhos.

O plenário do Supremo marcou para o dia 25 de fevereiro o julgamento definitivo da decisão do ministro Flávio Dino que suspendeu o pagamento dos penduricalhos. 

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Banco do Brasil tem lucro de R$ 20,68 bilhões em 2025

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O Banco do Brasil teve lucro líquido ajustado de R$ 20,685 bilhões em 2025, queda de 45,4% em relação ao ano anterior, segundo balanço divulgado na noite desta quarta-feira (11) pela instituição. As novas regras contábeis e aumento da inadimplência pressionaram o resultado.

De outubro a dezembro, o BB lucrou R$ 5,742 bilhões, recuo de 47,2% em relação ao último trimestre de 2024. Em relação ao terceiro trimestre, no entanto, o lucro subiu 51,7%.

Em nota, o BB destacou que a geração de receitas está aumentando, apesar das pressões provocadas pela inadimplência. Segundo o banco, as receitas financeiras com crédito a pessoas físicas e com o Programa Crédito do Trabalhador, que unifica a contratação de crédito consignado de trabalhadores de empresas privadas, têm ajudado o banco.

“Foram desembolsados R$ 13 bilhões no crédito do trabalhador, uma demonstração que reafirma nossa expectativa declarada de que iríamos crescer em linhas com melhor retorno ajustado ao risco”, ressaltou a presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros.

Em janeiro do ano passado, entrou em vigor uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) que alterou a contabilidade das instituições financeiras e interferiu no resultado. Aprovadas em 2021, as novas regras só entraram em vigor em 2025.

A resolução muda o modelo de provisões (reservas financeiras para cobrir possíveis calotes) para perda esperada, feita com base em estimativas. Isso afetou a maneira como algumas despesas e receitas são reconhecidas, fazendo com que o banco deixasse de reconhecer R$ 1 bilhão em receitas de crédito.

Inadimplência

O índice de inadimplência, que considera atrasos de mais de 90 dias, subiu de 3,16% em dezembro de 2024 para 5,17% no fim de 2025. O resultado é influenciado principalmente pelo agronegócio, segmento onde o banco lidera na concessão de crédito, e na linha de cartões de crédito.

A inadimplência da carteira de crédito do agronegócio encerrou o ano passado em 6,09%, aumento de 1,25 ponto percentual no último trimestre de 2025.

A inadimplência da carteira de pessoas físicas encerrou o período em 6,56%, elevação de 0,55 ponto percentual.

Crescimento do crédito

Mesmo com o aumento dos juros, o BB emprestou mais em 2025, puxado principalmente pelo crédito às pessoas físicas. A carteira de crédito ampliada encerrou o ano passado em R$ 1,296 trilhão, alta de 1,4% no último trimestre e de 2,5% no ano.

Na distribuição por segmentos de crédito, os resultados foram os seguintes:

  • Pessoa Física: R$ 356,96 bilhões no fim de dezembro, alta de 1,8% no trimestre e de 7,6% em um ano, com destaque para a nova modalidade de crédito consignado para CLT, destinado a trabalhadores da iniciativa privada, com R$ 14,3 bilhões emprestados.
  • Pessoa Jurídica: R$ 455,15 bilhões, alta de 0,5% no trimestre e de 0,6% em um ano. A carteira para grandes empresas totalizou R$ 260,4 bilhões, com alta de 4,3% em 12 meses, enquanto a carteira para micro, pequenas e médias empresas somou R$ 115,2 bilhões, recuo de 7,9% no ano passado.
  • Agronegócios: R$ 406,13 bilhões, alta de 1,8% no trimestre e de 2,1% em um ano. Nos seis meses do Plano Safra 2025/2026, o Banco do Brasil R$ 103,9 bilhões em crédito ao agronegócio, além de R$ 12,3 bilhões em linhas para a cadeia de valor do agro.
  • Carteira de Crédito Sustentável: R$ 415,1 bilhões, financiando atividades que geram impactos sociais e ambientais positivos, com alta de 7,3% em 12 meses. Essa carteira corresponde a 32% do crédito total do banco.

Receitas e despesas

As receitas de prestação de serviços somaram R$ 34,813 bilhões em 2025. O valor representa queda de 1,9% em relação ao ano passado.

Segundo o BB, a queda foi amenizada pelo crescimento nas receitas com linhas de administração de fundos (+13,5%), taxas de administração de consórcios (+19,3%) e rendas do mercado de capitais (+7,9%).

As despesas administrativas totalizaram R$ 34,813 bilhões em 2025, alta de 5,1% em relação a 2024. O BB justificou a elevação com base no reajuste salarial e nos investimentos em tecnologia e cybersegurança.

Projeções para 2026

O BB divulgou as projeções para 2026. Após a redução do lucro em 2025, o banco prevê a recuperação dos ganhos neste ano.

Os números são os seguintes:

  • Lucro líquido ajustado: R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões;
  • Crescimento da carteira de crédito: de 0,5% a 4,5%; com alta de 6% a 10% para pessoas físicas; queda de 2% a alta de 2% para o agronegócio; e queda de 3% a alta de 1% para empresas;
  • Receitas de prestação de serviços: crescimento de 2% a 6%;
  • Despesas administrativas: crescimento de 5% a 9%;
  • Custo do crédito (perdas esperadas com inadimplência e outros riscos): R$ 53 bilhões a R$ 58 bilhões;

“Conseguimos nos adaptar ao cenário com transparência e muita dedicação de nossos funcionários para que tenhamos um 2026 com retomada de patamares de rentabilidade do tamanho do BB. Nosso guidance mostra isso e nossos resultados indicam que estamos dando os sinais da inflexão, com lucro de R$ 5,7 bilhões, um crescimento de 51,7% na comparação com o trimestre anterior”, afirmou Tarciana Medeiros. 

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Violações no Grok continuam, dizem MPF, ANPD e Senacon

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O Ministério Público Federal (MPF), a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) avaliaram as respostas apresentadas pela plataforma X e concluíram pela insuficiência das providências informadas pela empresa em relação à sua ferramenta de inteligência artificial (IA), o Grok, que vem sendo usada indevidamente para a geração e circulação de imagens de pessoas em contexto de sexualização, de forma não autorizada.

No mês passado, as três entidades emitiram uma série recomendações à plataforma X. Entre essas recomendações, estava a adoção de procedimentos técnicos e operacionais para identificar, revisar e remover conteúdos desse tipo que ainda estejam disponíveis no X, quando gerados pelo Grok a partir de comandos feitos por usuários.

“Em sua resposta à recomendação conjunta, a plataforma X afirmou ter removido milhares de publicações e suspendido centenas de contas por violação às suas políticas, além de declarar a adoção de medidas de segurança. Porém, na avaliação das instituições, as informações apresentadas não foram acompanhadas de evidências concretas, relatórios técnicos ou mecanismos de monitoramento que permitam aferir sua efetividade. Testes preliminares realizados pelas equipes técnicas das instituições indicam a persistência das falhas, com a continuidade da geração e da circulação de conteúdos incompatíveis com as recomendações já emitidas”, informaram MPF, ANPD e Senacon, em nota.

Em nova manifestação, divulgada nesta quarta-feira (11), os três órgãos determinaram que o X implemente, de forma imediata, medidas efetivas para impedir a produção, a partir do Grok, de conteúdo sexualizado ou erotizado de crianças e adolescentes e de adultos que não expressaram consentimento.

As instituições também determinaram a prestação de informações sobre as providências já adotadas pela empresa para sanar os problemas identificados na recomendação. O MPF, por sua vez, ordenou que o X forneça relatórios mensais sobre sua atuação a respeito do tema e ressaltou que a empresa não foi transparente em sua resposta.

A ANPD, o MPF e a Senacon atuam de forma coordenada na apuração dos fatos relacionados ao uso indevido da ferramenta de inteligência artificial Grok. Cada instituição tem um procedimento administrativo em aberto contra a plataforma, de acordo com a suas áreas de competência.

No caso da ANPD, a medida preventiva exige que os recursos que impedem o uso indevido da ferramenta de IA devem abranger todas as versões, planos e modalidades do Grok.

No âmbito do MPF, foi exigido o envio de relatórios mensais, a partir deste mês de fevereiro, com detalhes sobre como o X está atuando para impedir e reprimir a produção de deepfakes envolvendo crianças e adolescentes e maiores de idade sem sua autorização prévia, indicando o número de postagens nocivas que foram derrubadas e o número de contas envolvidas nessas práticas que foram suspensas, em cada período relatado, pelos controladores da plataforma.

Se não for cumprida, a empresa de rede social poderá ser multada diariamente. Os envolvidos também poderão responder pelo crime de desobediência e a empresa pode sofrer medidas investigatórias mais severas, além de ser alvo de ação judicial, informou o MPF.

Em medida cautelar administrativa, a Senacon cobrou a comprovação de providências já adotadas para conter os riscos identificados e sanar os problemas apontados na recomendação conjunta.

Também foi exigida a remessa de relatório métrico detalhado, contendo dados quantitativos verificáveis sobre identificação, moderação, remoção e indisponibilização de conteúdos sexualizados relacionados ao funcionamento do Grok, incluindo número de conteúdos identificados e removidos, prazos médios de resposta, critérios técnicos utilizados e eventual adoção de medidas corretivas adicionais, como suspensão de contas ou restrição de funcionalidades.

A reportagem tenta contato com a assessoria da Plataforma X no Brasil, para obter um posicionamento sobre essa nova manifestação conjunta do MPF, da ANPD e da Senacon.

Fonte: Agência Brasil de Noticias