Início Site Página 46

Polícia Civil investiga suposto desvio milionário em agência do BRB

0
© Joédson Alves/Agência Brasil

A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou, nesta quinta-feira (7), operação para aprofundar investigação sobre dois funcionários do Banco de Brasília (BRB), um servidor público federal e empresários suspeitos de movimentar, irregularmente, cerca de R$ 15 milhões.
 
Os alvos da Operação Insider, cujos nomes não foram divulgados à imprensa, são suspeitos de lavagem de dinheiro e corrupção. 

O BRB identificou e denunciou às autoridades financeiras e policiais as operações suspeitas ocorridas com o aval do gerente de uma de suas agências.
 
Dezessete mandados judiciais de busca e apreensão estão sendo cumpridos no Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo, com o apoio do Ministério Público distrital e da Polícia Civil fluminense. 

>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp

A Justiça também determinou o bloqueio financeiro de R$ 15 milhões das contas bancários dos investigados e da eventual transferência de oito veículos de luxo e de um imóvel no Distrito Federal.

Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal, investigadores já reuniram indícios de transferências bancárias entre os investigados, inclusive por meio de contas ligadas a empresas dos suspeitos. Há ainda possibilidade de ocultação patrimonial, feita por meio da aquisição de veículos de alto valor e circulação fracionada de recursos.

A investigação também apura possíveis irregularidades envolvendo operações estruturadas no âmbito da BRB DTVM (Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários).

Se condenados, os suspeitos podem responder pelos crimes de corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro, com pena somada de até 30 anos de prisão.

Consultado pela Agência Brasil, o BRB não havia se pronunciado sobre a operação até a publicação desta reportagem.

Operação Compliance Zero

Criado em 1964 e controlado pelo Governo do Distrito Federal, o banco enfrenta crise institucional em meio à Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025. A PF expôs esquema fraudulento comandado pelo Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro.

O BRB, que adquiriu bilhões em créditos financeiros do Master, somou prejuízo bilionário com a negociação. Técnicos haviam recomendado que a diretoria do BRB não avançasse. Os fatos revelados pela PF resultaram no afastamento e posterior prisão do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
 
Esta manhã, a PF deflagrou a 5ª fase da Operação Compliance Zero. Os alvos são o senador e presidente do Partido Progressista (PP), Ciro Nogueira; seu irmão, Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima; um primo de Daniel Vorcaro, Felipe Cançado Vorcaro, e outros suspeitos de participação em um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Justiça decreta prisão de dirigentes da empresa de transporte UPBus

0
© Transwolf/Facebook

O presidente afastado da empresa de ônibus UPBus, Ubiratan Antônio da Cunha, foi preso novamente hoje (7) em São Paulo. Alvo da Operação Fim da Linha, que foi deflagrada em 2024, Cunha estava em liberdade desde janeiro, beneficiado por uma decisão da Justiça. Além dele, também foi preso novamente um sócio da empresa.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP/SP) eles foram presos por envolvimento com organização criminosa e por lavagem de dinheiro.

Cunha já havia sido preso em julho de 2024 durante a Operação Fim da Linha, que investigou a ligação de empresas de ônibus que operam na capital paulista com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Os dois investigados deixaram a prisão em janeiro deste ano, após uma decisão judicial que substituiu a custódia preventiva por medidas cautelares. O Ministério Público interpôs recurso contra essa libertação e a Justiça acabou decretando novamente a prisão de Cunha e do sócio da UPBus.

No início deste ano, a prefeitura retirou a empresa UPBus do sistema de ônibus de São Paulo, em despacho que foi publicado em Diário Oficial em fevereiro. O contrato de concessão foi transferido para a empresa Alfa RodoBus.

A operação

A Operação Fim da Linha foi deflagrada em 2024 para desbaratar esquema de lavagem de recursos obtidos de forma ilícita pela facção criminosa conhecida como PCC. Os envolvidos no crime usavam a exploração do serviço de transporte público por ônibus na capital para esconder a origem ilícita de ativos ou capital provenientes de tráfico de drogas, roubos e outros delitos.

No mesmo dia em que a operação foi deflagrada, a prefeitura de São Paulo anunciou que assumiria a operação das linhas de ônibus da UPBus, nomeando um interventor.

A denúncia feita pelo Ministério Público revelou que, entre os anos de 2014 e 2024, uma pessoa que coordenava as atividades de tráfico do PCC e mais um outro indivíduo injetaram mais de R$ 20 milhões em recursos obtidos de forma ilícita em uma cooperativa de transporte público da zona leste, que viria a se transformar na UPBus. Fato viabilizou a participação da empresa na concorrência promovida pela prefeitura de São Paulo em 2015. Essas duas pessoas, segundo o MP, integravam o quadro societário da UPBus.

A Agência Brasil não conseguiu contato com os advogados dos presos.

 


Fonte: Agência Brasil de Noticias

Mineiro e Natália são suplentes em comissão especial sobre fim da escala 6×1

0
Mineiro e Natália são suplentes em comissão especial sobre fim da escala 6x1

Os deputados federais Fernando Mineiro (PT) e Natália Bonavides são os únicos parlamentares do Rio Grande do Norte a participar da comissão especial que analisa a proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1. A primeira reunião do grupo ocorreu nesta terça-feira (5), com a aprovação de cinco requerimentos do petista para a realização de audiências públicas.

Mineiro e Natália estão na comissão na condição de suplentes, indicados pelo PT. O colegiado é presidido por Alencar Santana (PT-SP) e tem como relator Léo Prates (Republicanos-BA). Neste encontro inicial, a comissão definiu um calendário concentrado de audiências públicas, seminários regionais e participação de ministros. A pretensão é concluir a análise e votar o relatório final no dia 26 de maio, abrindo caminho para que o tema seja apreciado pelos deputados em plenário já nos dias 27 e 28.

A comissão aprovou os primeiros 50 requerimentos, a maioria relativa a audiências públicas e pedidos de estudos técnicos — apenas de Mineiro foram cinco, em que solicita o convite de diferentes agentes e órgãos públicos para apresentar suas posições sobre o tema. O deputado indica a oitiva de representantes do Departamento Intersindical, de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), Organização Internacional do Trabalho (OIT), Ministério Público do Trabalho (MPT), centrais sindicais, confederações patronais, dentre outros. Natália também teve um requerimento aprovado, subscrito ao lado de outros parlamentares do PT e PCdoB.

“A centralidade da redução da jornada, em momento das mudanças do modo produtivo contemporâneo com incremento da produtividade pela automação e incorporação de novas tecnologias, inclusive dos impactos da inteligência artificial, são todos assuntos essenciais aos parlamentares na formação do convencimento antes da deliberação de que trata matéria objeto desta Comissão Especial”, aponta Mineiro, em um dos requerimentos aprovados.

“As representações convidadas poderão contribuir com os trabalhos desta Comissão especial, com abordagens relativas aos impactos econômicos e sociais, na construção do diálogo social e das negociações inerentes ao mundo do trabalho e às condições reais existentes no país para a implementação da redução da jornada de trabalho sem diminuição salarial, que é um dos principais aspectos para a formação do convencimento dos parlamentares desta Comissão”, continua o deputado na justificativa.

Veja o calendário da comissão especial:

  • 6 de maio: 1ª audiência pública (uso do tempo no trabalho)
  • 12 e 13 de maio: debates sobre impactos econômicos e sociais
  • 14 e 21 de maio: seminários em Belo Horizonte e São Paulo
  • 18 e 19 de maio: audiências com empregadores e trabalhadores
  • 20 de maio: apresentação do relatório final
  • 26 de maio: votação na comissão

As reuniões ordinárias da comissão vão ocorrer às terças e quartas-feiras, às 14h — esta, que terá a presença do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho. Já as quintas serão reservadas a seminários regionais em João Pessoa-PB (7), Belo Horizonte-MG (14) e São Paulo-SP (21).

O ponto de partida para essas discussões são Propostas de Emenda à Constituição apresentadas pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e pela deputada Erika Hilton (Psol-SP): a primeira (PEC 221/19) com previsão de redução gradual da jornada semanal de trabalho de 44 para 36 horas; e a segunda (PEC 8/25) com escala de quatro dias de trabalho por semana, com limite de 36 horas no período.

Além desses dois textos, o presidente Lula também enviou ao Congresso, em abril, um projeto de lei que reduz o limite da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, garante dois dias de descanso remunerado e proíbe qualquer redução salarial. Na prática, o texto coloca fim à escala 6×1.

Fonte: saibamais.jor.br

Câmara permite usar fundos de minerais críticos para outros minérios

0
© Vale/Arquivo/Divulgação

Ao incluir os “minerais estratégicos” ao lado dos “minerais críticos”, o projeto de lei (PL) aprovado na Câmara dos Deputados, nessa quarta-feira (6), permite que políticas e recursos que poderiam beneficiar o desenvolvimento da mineração de terras raras e outros minerais críticos sejam usados para exploração, por exemplo, do minério de ferro.

Terceiro produto mais exportado pelo Brasil, o minério de ferro não figura na lista de minerais críticos ou terras raras que alimentam a disputa das super potências pelo controle de setores da tecnologia de ponta, defesa militar e transição energética.

O substitutivo do PL 2780 de 2024, do relator Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), ao criar a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), classifica os minerais estratégicos como aqueles recursos relevantes para o país:

“Decorrentes de reservas significativas e que sejam essenciais para a economia na geração de superávit da balança comercial, para desenvolvimento tecnológico, para o desenvolvimento regional, ainda que não diretamente vinculados à transição energética, ou para a redução das emissões de Gases de Efeito Estufa.”

O professor de geografia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), engenheiro Bruno Milanez, alertou à Agência Brasil que qualquer mineral que seja exportado gera superávit primário da balança comercial.

“O PL gera uma série de benefícios econômicos, fiscais, tributários e creditícios para o setor mineral como um todo. Isso porque ele trata da mesma forma minerais críticos e estratégicos. Apesar de distinguir os dois no projeto, os benefícios valem para os dois tipos”, afirmou o especialista.

Aprovado na Câmara, o PL que agora segue para análise do Senado cria um Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM) com recursos públicos da União, estimados em RS 2 bilhões, além de aportes de empresas privadas, o que poderia chegar, inicialmente, a R$ 5 bilhões, segundo estimativas.

O texto do projeto ainda prevê uma série de benefícios fiscais estimados em até outros RS 5 bilhões, a partir de 2030, tanto para minerais críticos, quanto para os minerais considerados estratégicos, por meio do Programa Federal de Beneficiamento e Transformação de Minerais Críticos e Estratégicos (PFMCE).

O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), que reúne as empresas do setor, avalia que o projeto é positivo por trazer incentivos para industrialização e processamento mineral no Brasil.

Em entrevista à Agência Brasil, o presidente do Ibram Pablo Cesário não vê riscos em utilizar recursos que poderiam ser usados para minerais críticos em cadeias de outros minerais, uma vez que o Brasil já é competitivo em outros produtos.

“Cada minério desse, inclusive de terras raras, tem um mercado muito diferente do outro. E é papel do governo dizer o que é necessário em cada mercado. Não faz sentido você incentivar a exportação de minérios de ferro. Nós já somos altamente competitivos. Basta não atrapalhar, neste caso”, respondeu.

Com cerca de 21 milhões de toneladas, a reserva brasileira de terras raras é a segunda maior já mapeada no mundo, ficando atrás apenas da China, que detém aproximadamente 44 milhões de toneladas.

A posição geográfica do Brasil tem sido apontada como uma vantagem importante em um mercado em pleno desenvolvimento que opõem China e Estados Unidos (EUA) em uma disputa pelo controle desses materiais. 

>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp

Beneficiamento

O professor Bruno Milanez, que coordena o projeto Justiça na Transição Energética, acrescentou que, ao não distinguir beneficiamento de transformação mineral, o PL da Câmara ainda permite a destinação de recursos para atividades que não agregam valor ao produto no Brasil e que já é feito atualmente pelas mineradoras.  

“Todo o minerador já faz beneficiamento. O PL coloca todos os recursos, esses benefícios e incentivos, para as mineradoras, mesmo que elas continuem fazendo a mesma coisa que elas já fazem”, disse Bruno.

O especialista explicou que o beneficiamento é o processo de limpar o material extraído da terra para separar, o que é minério, do que é barro ou terra. “O beneficiamento é aquela coisa mais básica que toda mineradora faz”, pontuou.

O presidente do Ibram, Pablo Cesário, por outro lado, argumentou que não há como separar beneficiamento de outros processos, pois são a mesma cadeia produtiva.

“Isso vai até mais à frente na venda desses produtos, especialmente para esses produtos que são de nicho, tipo terras raras, que não são grandes volumes. Se não tem as primeiras etapas, não tem a segunda ou a terceira”, argumentou Cesário.

Industrialização

O professor da UFJF Bruno Milanez acrescentou que exportar minério acaba sendo mais lucrativo que transformar o produto internamente, o que é um dos objetivos anunciados pelo PL aprovado na Câmara.

“O setor mineral tem tantos benefícios já, antes dessa lei, que, na verdade, o quadro tributário do Brasil desestimula a industrialização. A Lei Kandir, ao isentar as exportações, contribui para esse quadro”, disse Bruno.

Para o especialista, como os incentivos criados pelo PL beneficiam toda a cadeia da mineração e existe uma parte que é mais estruturada e lucrativa, como a de extração e beneficiamento, ela deve drenar os recursos que deveriam ir para outros pontos da cadeia, que o Brasil ainda não domina.

O projeto estabelece no Artigo 18, parágrafo 12, que o crédito fiscal concedido às empresas deve ser “proporcional à agregação de valor na cadeia dos minerais” críticos ou estratégicos, “cabendo ao regulamento estabelecer os critérios e os patamares”.

Milanez diz que esse é o único dispositivo da lei que induz ao favorecimento das etapas mais desenvolvidas da cadeia de produção, mas que essa diferenciação “não está nos outros dispositivos”, como do Fundo para atividade mineral.

“A diferença do percentual de crédito concedido para quem está na industrialização, fabricando ímã ou bateria, teria que ser muito grande, de 50%, 100% ou mais. Tem que ser gigantesca para realmente compensar as vantagens comparativas que as extrações de minérios têm”, justificou.

Essa diferença deve ser definida, posteriormente, em regulamento do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), criado pelo projeto de lei, que deve regular essa política no Brasil, controlado majoritariamente por indicados pelo Executivo federal.

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Cadu prega cautela na escolha do vice por histórico de “traição” de Walter

0
Cadu prega cautela na escolha do vice por histórico de “traição” de Walter

Cadu Xavier (PT) pregou cautela nesta terça-feira (5) ao comentar sobre a definição de quem vai lhe acompanhar na chapa para as eleições ao Governo do Rio Grande do Norte — entre os três principais pré-candidatos, ele é o único ainda sem vice anunciado. Segundo Xavier, essa cautela se dá devido à “traição” feita pelo vice de Fátima Bezerra, Walter Alves (MDB), que trocou o palanque governista pelo grupo de Allyson Bezerra (União).

As declarações foram dadas em entrevista ao programa Contraponto, da 96FM. “A gente tem tido muita cautela nesse processo de escolha do vice ou da vice, até por tudo que a gente viveu, que a governadora Fátima viveu agora há pouco tempo. Está muito próximo dessa mudança de lado, dessa traição mesmo que aconteceu do vice-governador mudar de lado durante o caminho da jornada, o que não é esperado e não é desejável”, afirmou.

Ele citou três pontos que não abre mão para o perfil do vice: confiança, conteúdo programático e potencial eleitoral. O pré-candidato petista também comentou sobre as possibilidades da ex-secretária de Assú, a advogada Luciana Soares, ocupar a vaga. Ela é irmã do ex-prefeito do município, Gustavo Soares (PSDB), e se filiou ao PV durante a janela partidária, tendo se desincompatibilizado do cargo de secretária municipal de Planejamento e Finanças que ocupava até então. Cadu esteve na cidade no sábado (2) e se encontrou com o grupo político da família Soares.

“É um grupo político que tem uma parceria com o Partido dos Trabalhadores, administrativa e política, há muitos anos, que se reverteu em benefícios para a população do Assú e do Vale do Assú. A doutora Luciana Soares é sim um potencial nome, assim como outros. Não nos falta nomes”, destacou.

Ezequiel segue no radar

Cadu foi questionado sobre a possibilidade do vice vir do PSDB, partido comandado no estado pelo presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira.

“Eu diria que é uma possibilidade. O presidente Ezequiel é um quadro que eu tenho profundo respeito, que é presidente da Assembleia hoje, é aliado do governo Fátima Bezerra. O presidente Ezequiel tem indicados no governo da professora Fátima”, disse na entrevista.

Fonte: saibamais.jor.br

MMA lança edital para arborizar periferia urbana de pequenas cidades

0
© Bruno Peres/Agência Brasil

Com objetivo de aumentar as áreas verdes de cidades com população entre 20 mil e 750 mil habitantes, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) lançou nesta quinta-feira (7) o edital de chamamento público ArborizaCidades.

Ele prevê a liberação de R$ 19 milhões a projetos de implantação de áreas arborizadas a fim de combater o calor extremo. Segundo o ministro do MMA, João Paulo Capobianco, a ideia é equilibrar as áreas verdes que hoje são mais presentes em bairros nobres, plantando mais árvores nas periferias.

“O que estamos fazendo é muito mais que plantar árvores, estamos salvando vidas, estamos promovendo inclusão social e democracia “, destacou.

Propostas

Até o dia 6 de julho, os municípios poderão apresentar propostas com valores entre R$ 1 milhão  e R$ 2 milhões, para pagamento de despesas correntes como aquisição de mudas e serviço de plantio. Não serão contempladas obras.

“Já foi demonstrado claramente que áreas urbanas com cobertura arbórea acima de 40% proporciona uma redução de temperatura de até 5 graus”, reforçou Capobianco.

A abertura do edital ocorreu durante o 3° Encontro do Programa Cidades Verdes Resilientes, em Brasília, quando também foi lançada a Coletânea Brasileira de Arborização Urbana, desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Alagoas, a Sociedade Brasileira de Arborização Urbana e o Instituto de Estudos Socioeconômicos.

>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp

 


Brasília (DF) 14/04/2026  - O ministro do Meio Ambiente e Mudança de Clima, João Paulo Capobianco, participa do programa Bom Dia, MInistro.  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Brasília (DF) 14/04/2026  - O ministro do Meio Ambiente e Mudança de Clima, João Paulo Capobianco, participa do programa Bom Dia, MInistro.  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Brasília (DF) 14/04/2026 – O ministro do Meio Ambiente e Mudança de Clima, João Paulo Capobianco, a ideia do ArborizaCidades é equilibrar as áreas verdes que hoje são mais presentes em bairros nobres, plantando mais árvores nas periferias. Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil – Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A coletânea reúne cinco manuais de arborização com orientações de manejo e gestão, além de informações sobre biodiversidade e serviços ecossistêmicos, por região do país. Também inclui o estudo Saúde e Ondas de Calor no Brasil: evidências sobre mortalidade, morbidade hospitalar e implicações para o SUS.

“As cidades brasileiras, os nossos gestores, vão ter agora um guia para saber que árvores nativas brasileiras a gente pode plantar, quais são adequadas para o ambiente urbano, para não estourar fio e calcada, quais que atraem mais espécies da nossa fauna nativa para cada região”, explica o ministro.

As iniciativas integram o Plano Nacional de Arborização Urbana (PlaNAU), uma política pública de orientação e financiamento  para aumentar e qualificar a cobertura verde urbana, com o objetivo em enfrentar o calor extremo, uma das consequências da mudança climática.

 

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Câmara aprova aumento de penas para estupro e assédio sexual

0
© Fernando Frazão/Agência Brasil

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (6), projeto de lei que aumenta as penas pelos crimes de estupro, assédio sexual e registro não autorizado da intimidade sexual. O PL nº 3984/25 institui a Lei da Dignidade Sexual e também prevê punição maior para os crimes relacionados a pedofilia no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

A proposta ainda passará pela análise do Senado.

A lei define que a pena por estupro passa de 6 a 10 anos de reclusão para 8 a 12 anos. Caso o ato resulte em lesão grave, a pena atual de 8 a 12 anos será de 10 a 14 anos. Se resultar em morte da vítima, a reclusão de 12 a 30 anos passa a ser de 14 a 32 anos.

O assédio sexual, cuja pena atual é de detenção de 1 a 2 anos, será punido com pena de detenção de 2 a 4 anos.

O registro não autorizado da intimidade sexual, como fotos e vídeos, atualmente punível com detenção de 6 meses a 1 ano, passa para detenção de 1 a 3 anos.

Foi definido ainda o aumento de um terço a dois terços da pena se os crimes contra a dignidade sexual forem cometidos por razões da condição do sexo feminino; contra pessoa com deficiência ou maior de 60 anos; ou nas dependências de instituição de ensino, hospitalar ou de saúde, de abrigamento, unidade policial ou prisional.

No ECA, o projeto aumenta as penas de reclusão para os seguintes crimes:

  •  vender ou expor registro de pornografia envolvendo criança ou adolescente: de 4 a 8 anos para 6 a 10 anos;
  •  disseminar essa pornografia por qualquer meio: de 3 a 6 anos para 5 a 8 anos;
  •  adquirir ou armazenar por qualquer meio esse tipo de pornografia: de 1 a 4 anos para 3 a 6 anos;
  •  simular participação de criança ou adolescente em cena de sexo explícito ou pornografia com montagem ou adulterações: de 1 a 3 anos para 3 a 5 anos; e
  •  aliciar por qualquer meio de comunicação criança ou adolescente com o fim de praticar com ela ato libidinoso: de 1 a 3 anos para 3 a 5 anos.

>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp

Outras ações

O PL também altera a Lei de Execução Penal ao proibir condenados por estupro ou estupro de vulnerável de usufruírem de visitas íntimas no presídio.

Já na lei que instituiu a campanha Maio Laranja, com ações de combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes, o projeto cria a Semana Nacional de Enfrentamento aos Crimes Sexuais, a ser realizada todos os anos na última semana do mês de maio.

Em relação à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), o projeto determina que sejam trabalhados conteúdos sobre violência sexual, tratando da compreensão do consentimento e da difusão de canais de denúncia. 

Os conteúdos devem ser incluídos junto ao ensino sobre prevenção de todas as formas de violência contra a criança ou adolescente e a mulher, já previsto na LDB.

Por fim, o texto aprovado prevê, como efeito automático da condenação por crimes contra a dignidade sexual tipificados no Código Penal, a perda do poder familiar se o crime for cometido contra pessoa igualmente titular do mesmo poder familiar, contra filho, filha ou outro descendente, tutelado ou curatelado.

Se a pena for superior a 4 anos de reclusão, haverá a perda de cargo, função pública ou mandato eletivo, se for o caso. Será proibida, ainda, a nomeação do condenado para qualquer cargo, função pública ou mandato eletivo entre o trânsito em julgado da condenação e o efetivo cumprimento da pena.

O PL é de autoria da deputada Delegada Katarina (PSD-SE), aprovado com o substitutivo da relatora, deputada Delegada Ione (Avante-MG).

* Com informações da Agência Câmara de Notícias

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Os arquivos da ditadura existem. Por que seguem ocultos?

0
Os arquivos da ditadura existem. Por que seguem ocultos?

Há uma pergunta que atravessa gerações e insiste em não ser respondida pelo Estado brasileiro: onde estão os arquivos da repressão?

A recente campanha “Arquivos da Memória: Onde Estão?”, lançada pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, recoloca no centro do debate público uma reivindicação histórica dos familiares de mortos e desaparecidos políticos, dos movimentos de direitos humanos e de todos aqueles comprometidos com a democracia: a abertura irrestrita dos arquivos militares e a revelação integral da verdade sobre os crimes cometidos durante a ditadura civil-militar brasileira.

Não se trata de uma demanda nostálgica ou de um acerto de contas com um passado encerrado. O passado brasileiro não passou. Ele segue presente nas ausências, nos corpos não localizados, nos documentos ocultados, na impunidade dos perpetradores e na permanência de estruturas autoritárias que ainda atravessam nossas instituições.

Durante décadas, familiares ouviram a mesma narrativa oficial: os arquivos não existem, foram destruídos ou jamais existiram. A divulgação recente de documentos inéditos, revelados pelo trabalho jornalístico rigoroso e investigativo da jornalista Juliana Dal Piva, desmonta mais uma vez essa versão. Se documentos seguem aparecendo em acervos privados, sob posse de ex-militares ou suas famílias, então nunca faltaram registros. Faltou transparência. Faltou compromisso institucional com a verdade. Faltou vontade política.

Como jornalista, sei que o jornalismo investigativo cumpre uma função pública essencial, especialmente em democracias marcadas por pactos de silêncio. Investigar, revelar e contextualizar fatos ocultados é também disputar memória. É romper com versões oficiais construídas para legitimar violência de Estado e apagar responsabilidades históricas.

Não por acaso, esse debate ressurge em um momento de renovado interesse social e cultural sobre nossa memória política. O Brasil volta a olhar para sua história recente não apenas por meio de documentos e pesquisas acadêmicas, mas também pela potência da arte e da cultura. Produções como Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto ajudam a recolocar a ditadura no imaginário coletivo, oferecendo novas formas de elaboração pública sobre trauma, silêncio e resistência.

Isso importa porque memória não é arquivo morto. Memória é campo de disputa política.

Países que não enfrentam seus passados autoritários carregam suas continuidades. O Brasil jamais realizou plenamente sua justiça de transição. Não responsabilizou torturadores, não abriu integralmente arquivos, não garantiu plenamente o direito à verdade e, por isso, permitiu que discursos autoritários fossem reciclados e normalizados no espaço público.

A luta por memória, verdade e justiça nunca foi apenas sobre o passado. É sobre o presente e o futuro da democracia brasileira.

A campanha da CEMDP é, portanto, estratégica e urgente. Ao criar um canal permanente para recebimento de documentos e informações, reconhece uma realidade que familiares denunciam há décadas: a verdade histórica brasileira permanece fragmentada, dispersa, sequestrada por pactos familiares, institucionais e militares.

Cada documento recuperado pode significar uma pista sobre o destino de alguém. Pode representar uma peça fundamental para reconstruir trajetórias interrompidas, localizar restos mortais, confirmar circunstâncias de morte, desmontar mentiras oficiais e oferecer, ainda que tardiamente, algum tipo de reparação.

Mas há algo ainda maior em jogo: o direito coletivo à verdade.

Uma democracia não se consolida sobre ocultamentos. Não há pacto democrático sustentável quando crimes de Estado permanecem envoltos em segredo, negacionismo e impunidade.

Como presidenta do Comitê Estadual de Memória, Verdade e Justiça do Rio Grande do Norte, integrante do Coletivo Filhos e Netos por Memória, Verdade e Justiça e filha de duas vítimas da ditadura, reafirmo a importância histórica e política dessa campanha. Minha trajetória também é atravessada por essa busca permanente: até hoje, nossa família procura documentos e informações que seguem ocultados pelo Estado brasileiro sobre as circunstâncias da morte de meu pai, apresentada oficialmente em uma versão marcada por contradições, lacunas e silêncios que jamais foram devidamente esclarecidos.

Sei, portanto, que cada documento recuperado pode significar muito mais que um dado histórico. Pode representar uma pista, uma reparação possível, uma resposta aguardada há décadas por famílias inteiras condenadas a viver entre a ausência e a dúvida.

Por isso, conclamo a sociedade brasileira a compreender que documentos relacionados ao período da ditadura não pertencem ao âmbito privado de famílias de ex-agentes da repressão ou a arquivos militares fechados. Tratam-se de documentos de interesse público, fundamentais para a reconstrução da verdade histórica e para o fortalecimento da democracia.

A verdade não pode seguir tratada como segredo de família ou espólio de guerra.

Abrir arquivos militares é uma dívida histórica com as famílias, com a democracia e com o país.

Porque sem memória, não há verdade. Sem verdade, não há justiça. E sem justiça, seguimos condenados a repetir as sombras que insistimos em não enfrentar.

Fonte: saibamais.jor.br

Mesada e viagens internacionais: veja o que PF diz sobre Ciro Nogueira

0
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) afirma ter indícios de que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) recebia pagamentos mensais que variaram entre R$ 300 mil e R$ 500 mil do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. 

Ele também teria outras benesses, como o custeio de viagens internacionais, hospedagens e despesas em restaurantes. Também desfrutava de voos privados e de imóveis de alto padrão pertencentes a Vorcaro. 

Essas informações constam da representação que a PF apresentou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e que resultou na deflagração da 5ª fase da Operação Compliance Zero, nesta quinta-feira (7).

Em troca dessas vantagens, o senador apresentava projetos de lei de interesse do banqueiro, como a Emenda nº 11, que Nogueira apresentou à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 65, em agosto de 2024.

O texto, que depois ficou conhecido como Emenda Master, ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) dos atuais R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. 

>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp

De acordo com os investigadores, o texto foi elaborada por assessores do Banco Master e entregue na residência de Ciro Nogueira, para que ele apresentasse ao Congresso.

Segundo as investigações da PF, Vorcaro teria dito a interlocutores que a emenda “saiu exatamente como mandei” – fato que, segundo os mesmos interlocutores, tinha potencial para “sextuplicar” os negócios do Master, provocando verdadeira “hecatombe” no mercado.  

Ainda segundo as diligências, por conta da suposta conduta parlamentar em favor de Vorcaro, Nogueira recebeu outras vantagens econômicas indevidas, como a aquisição, por apenas R$ 1 milhão, de participação societária na empresa Green Investimentos S.A. equivalente a R$ 13 milhões.

A participação societária na Green foi formalmente adquirida pela CNLF Empreendimentos Imobiliários, administrada por Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão de Ciro Nogueira.

O senador Ciro Nogueira é o atual presidente do Partido Progressista (PP) e foi ministro-chefe da Casa Civil em 2021 e 2022, no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Decisão do STF

Analisando as informações da Polícia Federal, o ministro André Mendonça afirma que “os autos reúnem diversos elementos de prova, dentre os quais se destacam comprovantes bancários de transferências, registros de viagens e mensagens eletrônicas trocadas, em tese, entre integrantes da organização criminosa”.

“Os elementos descritos na representação são suficientes para indicar, em tese, o estabelecimento de um arranjo funcional e instrumentalmente orientado para obtenção de benefícios mútuos, extrapolando relações de mera amizade, entre o senador Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro.”

Com base nos indícios apresentados pela PF e no parecer do Ministério Público, o ministro André Mendonça proibiu Ciro Nogueira de manter qualquer tipo de contato com investigados na Operação Compliance Zero, bem como testemunhas no inquérito.

Também decretou a prisão temporária, por cinco dias, do primo de Daniel Vorcaro, Felipe Cançado Vorcaro, apontado como operador financeiro do banqueiro e operador da aquisição societária da Green Investimentos pela CNLF. Cançado foi detido na manhã de hoje.

Mendonça também proibiu o irmão de Ciro Nogueira de deixar o país. Silva Nogueira Lima terá de usar tornozeleira eletrônica e está proibido de manter contato com investigados e testemunhas do inquérito da Compliance Zero.

Defesa

Em nota, o advogado do senador repudiou “qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”, reiterando o compromisso de “contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos”.

“Pondera, por fim, que medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas”, completa.

A reportagem não conseguiu contato com as defesas de Felipe Cançado Vorcaro e de Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima.

Fonte: Agência Brasil de Noticias

É o fresco, é?

0
É o fresco, é?

Adoro refletir e debater sobre comportamentos humanos. E também amo me debruçar sobre particularidades de linguagem, em especial as regionais. A junção entre esses aspectos pode levar a boas análises sociais e comportamentais, além de permitirem investigações sobre identidade regional. Recordo de um texto sensacional e divertido do amigo escritor e editor Carlos Fialho sobre a palavra “galado”, que como todo potiguar sabe, possui dezenas de significados e abrange um léxico riquíssimo.

Dia desses refleti sobre uma expressão também genuinamente norte-riograndense e que se presta a um universo de análises e significantes: “é o fresco, é?” A princípio, principalmente para sudestinos e sulistas, pouco afeitos às variantes do léxico nordestino, a frase pode parecer incompreensível. Mesmo para nordestinos de outras cepas e estados talvez ela não seja familiar nem de fácil assimilação.

Vamos à ela. Formulada como uma pergunta, a partir da obrigatória inflexão interrogativa da frase, é na verdade um comentário afirmativo irônico indicando que o sujeito a quem a expressão é dirigida tem um defeito, gerado por algum dos dois possíveis significados da palavra “fresco” (além de suas implicações e expansões, claro).

Explica-se: usa-se “é o fresco, é?” perguntando mas, na verdade afirmando ou reforçando, quando, por exemplo, o sujeito é pego em situação de fragilidade ou fraqueza (uso do termo “fresco” referente à “frescura”, como sudestinos fazem). Exemplificando: um grupo de amigos tem o carro com pneu furado na estrada. Um deles diz que não quer trocá-lo para não sujar as mãos de graxa. Os outros disparam: “É o fresco, é?”, criticando a mania de limpeza em momento inadequado.

Mas há uma evidente pegada homofóbica no uso do termo à moda nordestina. Quando a frase serve para denotar qualquer indicativo, por mais idiota que seja, de homossxualidade (que historicamente não é aceita na vida social) real ou imaginada. Um amigo surge na festa com uma camisa cor-de-rosa. Algum cabra macho necessariamente vai comentar: “é o fresco, é?”.

Contudo, podemos usar essa gíria tradicional (e regional) para expandir o raciocínio e adentrar um tema muito em voga atualmente, o da masculinidade frágil e variantes como os incels e red pills (que em maior e menor escala geram um caldo sócio-cultural que deságua na violência contra a mulher e LGBTQIA+ e feminicídios). Homens normativos socialmente héteros têm imensa dificuldade em aceitar/entender qualquer comportamento que não esteja dentro de seu molde de “como deve ser um homem-macho como meu pai e meu avô”.

Dessa maneira a crítica debochada em “é o fresco, é?” serviria para uma gama imensa de comportamentos masculinos (de héteros ou gays) que não se adequem aos padrões rígidos (e também utópicos) da linha de pensamento do “macho tradicional”. Ouve música clássica? “É o fresco, é?”. Cuida das unhas? “É o fresco, é?”. Assistir patinação artística? “É o fresco, é?”. Não curte futebol ou UFC? “É o fresco, é?”. Em vez de cerveja, prefere drinks? “É o fresco, é?”. E por aí vai.

Recordo até de um momento divertido com um amigo querido, coração grande e um amor de pessoa, mas normativo e, digamos, tradicionalista. Uma vez ele me dava uma carona em seu carro e ligou o som numa rádio. De um rock bobo, a set list pulou para “Love hurts”, clássico da banda escocesa Nazareth, e quando eu começava a curtir a guitarra e a voz rasgada do vocalista ele disparou: “Dois machos no carro e uma música romântica dessas? Vou mudar de estação. É o fresco, é?”.

Em suma, o imenso leque de comportamentos que tornam o homem “fresco” deve colocar o percentual de “cabras machos” de verdade em níveis ínfimos. Estamos falando, claro, de vida social, pois predileções sexuais e desejos íntimos, ficam entre quatro paredes e acabam fugindo dos julgamentos contidos no “É o fresco, é?”. Lembro de uma reportagem que fiz nos anos 2000 para o finado Jornal de Natal sobre as travestis que faziam ponto na Avenida Engenheiro Roberto Freire, entre Capim Macio e Ponta Negra, Depois de muito diálogo, negociação e pagar umas bebidas, três concordaram em conversar comigo com o gravador ligado. Perguntei qual o perfil de cliente que elas atendiam. Todas responderam a mesma coisa, que quase 100% dos homens com quem saíam eram casados e com pinta de machões. Queriam ser passivos, não ativos.

Na verdade o uso da expressão e do termo “fresco” de forma pejorativa, evidencia a clara e terrível relação cultural entre termos que se referem à homossexualidade e ofensa. Não por acaso, sinônimos populares de homossexual masculino, como “viado”, “baitola”, “boiola” são xingamentos de um homem para outro quando quer odender, agredir e diminuir.

O vocabulário de diminuição da outra pessoa devido à sua orientação sexual atinge de igual forma histórica às mulheres (de “filho da puta” ao regional “rapariga”) e pode legitimar a misoginia, mas é outro assunto tão amplo que pode ser tema para outro texto. E muitas mulheres vem escrevendo textos excepcionais e didáticos sobre essa questão.

Sobre o amigo que não queria ouvir “Love hurts” no carro comigo, me dei conta que quando ele ler que citei o seu coração grande e o defini como um amor de pessoa, ele não vai se conter e vai pensar: “É o fresco, é?”. Imagine se ele soubesse que minha playlist preferida no Spotify é com músicas do ABBA?

The post É o fresco, é? appeared first on Saiba Mais.

Fonte: saibamais.jor.br