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RN registra os dois casos de monkeypox em 2026 em Natal e São Gonçalo

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RN registra os dois casos de monkeypox em 2026 em Natal e São Gonçalo

O Rio Grande do Norte confirmou, nesta semana, os dois primeiros casos de monkeypox em 2026. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), as ocorrências foram identificadas entre 15 de fevereiro e 7 de março em pacientes residentes em Natal e em São Gonçalo do Amarante, na Região Metropolitana. Nenhum dos dois precisou de internação, e o Estado informou que mantém o monitoramento da situação.

As notificações passaram por análise das equipes de vigilância epidemiológica, que seguem os protocolos recomendados para acompanhamento e controle da doença. A secretaria não divulgou detalhes sobre o prontuário dos pacientes e afirmou que os dados de saúde são protegidos por sigilo.

De acordo com a Sesap, até agora não há registro de internações relacionadas aos casos confirmados. O acompanhamento está sendo feito pelas equipes responsáveis, que observam a possibilidade de novos registros e orientam medidas de prevenção e controle.

A confirmação dos casos recoloca em evidência a atenção da rede de saúde para a circulação da doença, sobretudo em Natal e nos municípios da Região Metropolitana. A monkeypox é uma infecção viral e exige atenção aos sintomas, além de procura por atendimento médico em caso de suspeita.

A secretaria informou ainda que segue monitorando continuamente o cenário epidemiológico no estado e mantém as orientações técnicas em vigor para o acompanhamento dos casos confirmados. Segundo o órgão, a atualização das informações integra o protocolo de transparência da rede pública de saúde.

Fonte: saibamais.jor.br

Festival leva Hip Hop feito por mulheres à Praia do Meio, em Natal

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Festival leva Hip Hop feito por mulheres à Praia do Meio, em Natal

Natal recebe neste domingo, 15 de março, a primeira edição do Festival de Hip Hop “Elas Por Elas”, evento gratuito que aposta no protagonismo feminino dentro da cultura urbana potiguar. A programação será realizada no Skate Park da Praia do Meio e reúne batalhas, shows, slam, DJs, feira de artesanato e uma roda de conversa voltada à presença das mulheres e de corpos dissidentes no Hip Hop.

A proposta do festival é fortalecer, valorizar e ampliar a visibilidade da atuação feminina na cena do Rio Grande do Norte. A iniciativa foi idealizada pela rapper, cantora e trancista potiguar Pretta Soul e por Silmara Rodrigues, agente da cultura hip-hop, produtora cultural e gestora do Africores. O projeto é realizado por meio do Studio Aruandê e do Movimento Cultural Nossos Valores.

Mais do que ocupar o espaço com apresentações artísticas, o evento foi pensado como uma intervenção cultural voltada à resistência e à afirmação de mulheres na cultura urbana e periférica de Natal. A programação inclui batalhas de breaking, rima e tags, além de shows, apresentações de slam, discotecagem com DJs e feira de artesanato.

Um dos eixos do encontro será a roda de conversa “Hip Hop é Coisa de Mulher”. A proposta do debate é promover fortalecimento individual e coletivo a partir da troca de saberes, com base em práticas de ação política orientadas por afeto, cuidado e acolhimento entre mulheres e corpos dissidentes.

Segundo Pretta Soul, a construção do festival partiu da experiência de ser mulher no território em que essas artistas vivem e atuam. “Para além das artistas que vão participar das batalhas e apresentações, a produção e execução do projeto também estão sendo feitas por outras mulheres — da apresentação à fotografia, assessoria e divulgação. Estamos seguindo à risca o nome do nosso festival: é uma produção totalmente feminina, com mulheres como protagonistas de suas próprias histórias. Aqui realmente são elas por elas!”, afirma a idealizadora.

A organização destaca que a lógica do evento também está refletida nos bastidores. A presença feminina, segundo o projeto, não se limita ao palco e às batalhas, mas aparece em diferentes frentes da execução, da produção à comunicação.

O festival foi aprovado na Seleção Pública Semana de Arte Urbana de Natal 2024 e conta com auxílio financeiro do Fundo de Incentivo à Cultura (FIC), da Prefeitura de Natal e da Funcarte.

Serviço
Festival de Hip Hop “Elas Por Elas”
Local: Skate Park da Praia do Meio, Natal/RN
Data: 15 de março, domingo
Entrada: gratuita
Inscrições para batalhas: até 8 de março
Informações: Instagram @studioaruande
Assessoria de comunicação: (84) 99448-3280, com Thalia Varela

Fonte: saibamais.jor.br

Motivação da saída do MBL anunciada por Faustino é contestada pelo movimento

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Motivação da saída do MBL anunciada por Faustino é contestada pelo movimento

O vereador de Natal Matheus Faustino (União Brasil) divulgou uma nota pública informando seu desligamento do Movimento Brasil Livre (MBL). Na mensagem, o parlamentar afirma que a decisão ocorreu em razão de uma determinação do seu partido que impediria mandatários de disputar eleições por outra sigla sem perder o mandato.

No texto, Faustino afirma que seu “desligamento, de forma pacífica, do Movimento Brasil Livre (MBL) em razão da recente decisão do meu atual partido, União Brasil, de não liberar nenhum mandatário para participar da eleição deste ano por outra sigla sem perder o mandato de vereador da capital potiguar.”

Ainda segundo o vereador, a decisão busca preservar sua permanência na Câmara Municipal e viabilizar uma pré-candidatura a deputado federal nas próximas eleições.

MBL contesta versão

Após a divulgação da nota do vereador, o Movimento Brasil Livre divulgou um comunicado afirmando que Faustino não integra mais os quadros do movimento.

Na nota, o grupo afirma:

“O vereador de Natal, Matheus Faustino (União), não integra mais os quadros do MBL. Reforçamos que nunca exigimos que ele deixasse seu partido ou colocasse seu mandato em risco.”

A manifestação do movimento contradiz parcialmente o conteúdo da nota divulgada pelo vereador, ao indicar que o desligamento não teria ocorrido por uma decisão recente motivada pela regra partidária mencionada por ele.

Trajetória política

Matheus Faustino ganhou projeção política a partir da militância ligada ao MBL e da produção de vídeos nas redes sociais, nos quais realiza fiscalizações e confrontos políticos.

Natural da Grande Natal, ele foi eleito vereador da capital potiguar em 2024 pelo União Brasil, com pouco mais de cinco mil votos.

Antes da eleição, Faustino já produzia conteúdos digitais confrontando autoridades públicas e parlamentares de esquerda. Esse modelo de atuação, baseado na gravação de abordagens se manteve após a posse no Legislativo municipal.

Atuação e controvérsias

A estratégia de comunicação do vereador também gerou conflitos.

Entidades profissionais, como o Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Norte, chegaram a questionar judicialmente episódios em que o parlamentar entrou em unidades de saúde gravando profissionais durante atendimentos, alegando exercer fiscalização.

Além disso, Faustino tem protagonizado confrontos políticos frequentes na Câmara Municipal e nas redes sociais.

Um dos episódios mais recentes envolve a vereadora Brisa Bracchi (PT). O vereador protocolou um pedido de cassação do mandato da parlamentar, relacionado à destinação de recursos para um evento cultural denominado “Rolé Vermelho”.

Brisa, por sua vez, denunciou o vereador por violência política de gênero, apontando publicações que considera ataques reiterados ao seu mandato nas redes sociais.

Disputa política e projeção eleitoral

Com pouco tempo de mandato, Faustino já se movimenta para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.

A saída formal do MBL ocorre nesse contexto de reorganização política, em meio a disputas na Câmara Municipal e à preparação para a eleição federal.

O episódio também evidencia uma divergência pública entre o vereador e o movimento político que marcou o início de sua trajetória no debate público.

Fonte: saibamais.jor.br

Pesquisa potiguar sobre Taylor Swift e botânica ganha repercussão internacional

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Pesquisa potiguar sobre Taylor Swift e botânica ganha repercussão internacional

Reconhecida internacionalmente desde 2024, uma metodologia de ensino desenvolvida por uma pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) voltou ao centro do debate acadêmico após surgirem acusações de que a proposta teria sido reproduzida por uma instituição europeia sem o devido crédito. O método, criado pela bióloga e doutoranda Gláucia Silva, utiliza referências à cantora Taylor Swift para facilitar o ensino de botânica.

A proposta pedagógica ficou conhecida como “Método Taylor Swift” e foi apresentada em artigo publicado na revista científica Annals of Botany, ligada à Universidade de Oxford. A repercussão do estudo ampliou a visibilidade da pesquisadora, mas também levou a um episódio recente de suspeita de uso indevido da metodologia por um grupo de pesquisadores da Universidad Miguel Hernández, na Espanha.

Segundo Gláucia em entrevista à Agência Saiba Mais, ao comparar o conteúdo de seu artigo com o material divulgado pela universidade espanhola, foi possível identificar trechos e conceitos semelhantes. A análise indicaria uma correspondência significativa entre os textos, levantando questionamentos sobre a ausência de referência à autoria original.

A origem do método remonta a 2020, período marcado pelas dificuldades do ensino durante a pandemia de Covid-19. Na época, Gláucia precisava lecionar botânica para estudantes que demonstravam pouco interesse pela disciplina, um problema recorrente na área.

Diante desse desafio, ela buscou alternativas para aproximar o conteúdo científico do universo cultural dos alunos. Foi nesse contexto que percebeu que diversos videoclipes da cantora Taylor Swift traziam referências visuais e simbólicas relacionadas a plantas.

A observação inspirou a criação de uma estratégia pedagógica que conecta cultura pop e ciência. A partir de análises de letras e videoclipes, os estudantes são convidados a identificar elementos botânicos e relacioná-los aos conteúdos estudados em sala.

De acordo com a pesquisadora, a iniciativa também busca enfrentar um fenômeno conhecido na literatura científica como “impercepção botânica” — a dificuldade das pessoas em perceber e valorizar as plantas no ambiente ao seu redor. Esse distanciamento, explica, pode afetar tanto o aprendizado quanto a forma como a sociedade se posiciona diante de questões ambientais.

Videoclipes como ferramenta de aprendizagem

No método desenvolvido pela professora, cada aula utiliza um videoclipe como ponto de partida para discutir conceitos da botânica. A estratégia consiste em analisar imagens, cenários e metáforas presentes nas músicas da artista, relacionando-os a diferentes grupos de plantas.

Entre os exemplos usados nas aulas está o videoclipe de “Cardigan”, que ajuda a introduzir discussões sobre briófitas e pteridófitas. Já “Out of the Woods” serve de base para abordar as gimnospermas, a partir da ambientação em uma floresta sem flores ou frutos. A música “Willow”, cujo título faz referência ao salgueiro, é utilizada para discutir as angiospermas.

A proposta surgiu da combinação entre duas paixões da pesquisadora: a botânica e o interesse pela obra de Taylor Swift. Ao unir esses universos, ela buscou tornar o conteúdo mais acessível e despertar maior curiosidade entre os estudantes.

Apesar das inseguranças iniciais, Gláucia decidiu apresentar o método em um congresso internacional de botânica. O trabalho foi selecionado entre mais de 1.500 propostas para uma apresentação oral em um simpósio dedicado a metodologias de ensino.

Segundo a pesquisadora, o retorno do público foi surpreendente. Ao final da apresentação, realizada para uma plateia de especialistas da área, a recepção foi marcada por aplausos e interesse pela proposta pedagógica.

Para ela, o episódio representou um momento de validação científica do projeto, demonstrando que a combinação entre ciência e referências culturais pode ser uma ferramenta legítima de ensino.

Suspeita de apropriação indevida

A controvérsia envolvendo a autoria da metodologia surgiu de forma inesperada. Em uma busca rotineira na internet sobre associações entre Taylor Swift e botânica, a pesquisadora encontrou reportagens que atribuíam a criação do método a um professor da Universidad Miguel Hernández.

“Cada matéria que eu lia parecia um choque”, relata. “Todas falavam dele como se fosse o criador da proposta.”

Para Gláucia, o problema não está no uso da metodologia em si. Na ciência, explica, é comum que pesquisadores reproduzam ou adaptem métodos desenvolvidos por outros. O ponto central da crítica é a ausência de referência ao trabalho original.

“A ciência se constrói a partir da replicação de ideias, mas o básico é citar quem desenvolveu a proposta”, afirma.

O episódio também reacendeu discussões sobre um fenômeno conhecido como extrativismo epistêmico, a apropriação de conhecimentos produzidos no Sul Global por instituições ou pesquisadores do Norte Global sem o devido reconhecimento.

Para a pesquisadora, cientistas brasileiros frequentemente enfrentam dificuldades adicionais para que suas contribuições sejam valorizadas internacionalmente. Ainda assim, ela destaca que o próprio alcance da metodologia demonstra a capacidade de inovação da ciência produzida no país.

“O fato de outras pessoas quererem usar o método também mostra que ele funciona”, diz. “Mas é importante deixar claro quem o desenvolveu.”

SAIBA MAIS:

Ciência responsável: conheça o biotério da UFRN, referência em ética e pesquisa

Fonte: saibamais.jor.br

Serviço da UFRN oferece acompanhamento em saúde para pessoas trans e travestis

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Serviço da UFRN oferece acompanhamento em saúde para pessoas trans e travestis

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) mantém um serviço voltado ao cuidado em saúde de pessoas trans vinculadas à instituição. Criado pela Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Progesp), por meio da Diretoria de Qualidade de Vida, Saúde e Segurança no Trabalho (DAS), o Ambulatório Trans busca ampliar o acesso à saúde, promover a despatologização das identidades de gênero e oferecer um espaço de acolhimento pautado no respeito e na dignidade.

O serviço atende pessoas trans que possuam vínculo com a universidade, incluindo estudantes, servidoras e servidores ativos ou aposentados, trabalhadoras e trabalhadores terceirizados e dependentes dessas categorias.

Segundo a equipe do ambulatório, a criação do serviço foi motivada pelo aumento da procura de pessoas trans pelos serviços de saúde da UFRN. “Realizamos atividades de capacitação com a equipe para acolher de forma humanizada esses pacientes, compartilhando o dever da universidade de respeito à diversidade”, explicam.

O acolhimento inicial acontece às quartas-feiras, das 8h às 10h, na sede da DAS, localizada ao lado do Departamento de Artes (Deart), no campus central. Não é necessário agendamento prévio: o atendimento ocorre por ordem de chegada. Após o primeiro contato, são realizados os encaminhamentos e agendamentos para as especialidades necessárias.

Entre os serviços oferecidos estão acompanhamento em psiquiatria, ginecologia e endocrinologia, além de plantão psicológico com até quatro sessões e atendimentos com assistente social. O ambulatório também promove ações mensais de promoção à saúde e organizará, a partir de março, um grupo terapêutico voltado a pessoas trans usuárias do serviço, com encontros semanais. Também está previsto um grupo de apoio para familiares de pessoas em transição de gênero, com reuniões mensais.

De acordo com a equipe, a atuação multiprofissional é um dos pilares do ambulatório. Muitas pessoas trans evitam procurar serviços de saúde não especializados por receio de enfrentar situações de preconceito, como o desrespeito ao nome social. “Nem todos necessitam de atendimento voltado apenas para questões relacionadas à identidade de gênero. Com uma equipe multidisciplinar, é possível identificar vulnerabilidades e fatores de risco para adoecimento, além de trabalhar na prevenção”, destacam.

O acompanhamento também busca reduzir danos associados à automedicação, prática comum entre pessoas trans diante das dificuldades de acesso a serviços de saúde especializados.

Apesar dos avanços, o serviço ainda enfrenta limitações. A equipe aponta que o ambulatório oferece atendimento especializado, mas não dispõe de recursos para fornecer exames ou medicações, além de lidar com a realidade de pacientes que frequentemente vivem em situação de vulnerabilidade social e financeira.

Além do atendimento clínico, a Progesp e a DAS convidam pessoas trans e familiares em processo de transição de gênero a participarem de um mapeamento de saúde e acolhimento. A participação é voluntária, e as informações coletadas serão utilizadas para orientar o planejamento de políticas e ações voltadas a esse público dentro da universidade.

Mais informações sobre o Ambulatório Trans podem ser obtidas exclusivamente pelo WhatsApp: (84) 9 9480-6815. O formulário de mapeamento está disponível online para quem desejar contribuir com o levantamento de dados sobre saúde e necessidades da população trans vinculada à UFRN.

SAIBA MAIS:

Dia da Visibilidade: conheça ambulatórios para pessoas trans no RN

Fonte: saibamais.jor.br

Ocupação de mulheres contra violência de gênero em Natal tem ação truculenta da PM

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Ocupação de mulheres contra violência de gênero em Natal tem ação truculenta da PM

Eram cerca de três da manhã quando o silêncio da Rua das Nogueiras, no bairro Pitimbu, zona Sul de Natal, foi quebrado pela chegada da Polícia Militar do Rio Grande do Norte. Dentro do prédio ocupado por mulheres, algumas ainda limpavam o espaço coberto de poeira, outras acompanhavam crianças que estavam no local.

Do lado de fora, policiais pediam silêncio. Em determinado momento, um dos agentes ordena a um colega: “Pega o spray de pimenta agora”. O diálogo, gravado em vídeo pelas participantes da ação, marca o início da tensão entre policiais e integrantes do Movimento de Mulheres Olga Benário, que realizam a ocupação no imóvel.

A ação aconteceu na madrugada deste sábado (14), em um prédio público abandonado. A ocupação foi batizada de Ocupação da Mulher Trabalhadora Maria do Carmo e integra uma mobilização nacional do movimento para denunciar o aumento da violência contra mulheres no país e pressionar governos pela ampliação de políticas públicas de proteção.

Segundo a militante Kívia Moreira, integrante do movimento no Rio Grande do Norte, a ação faz parte de uma jornada nacional de ocupações organizada pelo coletivo.

Essa ação é uma ação nacional do Movimento de Mulheres Olga Benário em resposta aos casos de feminicídio e à violência contra as mulheres que têm acontecido no Brasil inteiro”, afirmou.

De acordo com ela, o movimento realizou uma série de ocupações simultâneas em diferentes estados.

A gente fez uma jornada de ocupações de mulheres em todo o Brasil, de norte a sul do país. Aqui no Rio Grande do Norte, fizemos em Natal, no bairro Pitimbu, como ferramenta de denúncia política sobre a violência contra as mulheres”, disse.

Reivindicações

Segundo Kívia Moreira, a mobilização busca pressionar o poder público por políticas estruturais de combate à violência de gênero.

O que de fato vai resolver a questão da violência contra as mulheres é ter políticas de emprego digno, moradia digna, alimentação, creche para as crianças. Não é apenas a punição dos agressores”, afirmou.

Entre as reivindicações apresentadas pelo movimento estão a implantação e ampliação de casas de acolhimento para mulheres vítimas de violência; a construção da Casa da Mulher Brasileira em Natal; a criação de novos espaços de acolhimento em diferentes regiões da cidade; e políticas públicas de habitação e combate à fome.

A militante também afirmou que o movimento reivindica a cessão do espaço de acolhimento às mulheres vítimas das múltiplas violências, físicas e psicológicas, sejam domésticas ou do Estado (pela ação ou omissão), a Ocupação Anatália Alves, a 1ª ocupação de mulheres do RN e 19ª do Brasil.

Uma das nossas demandas é a cessão do espaço que ocupamos, além da construção da Casa da Mulher Brasileira e de melhores políticas de habitação e combate à violência”, disse.

A reportagem tenta confirmar com o governo estadual a situação atual do projeto da Casa da Mulher Brasileira no estado.

Abordagem policial

Vídeos gravados durante a ocorrência mostram o momento em que policiais chegam ao local e iniciam a abordagem.

Nas imagens, o policial que conduz o diálogo, identificado como Sargento Diniz, afirma que a equipe foi acionada por moradores da região e questiona a ocupação do prédio público.

Vocês todos vão para a delegacia”, diz o agente em um dos trechos do vídeo.

Durante a conversa, o policial também interrompe repetidas vezes a fala de Kívia Moreira, que tentava explicar o objetivo da ocupação. Em diferentes momentos da gravação, ele exige que ela fale em um tom mais baixo e chega a mandar que ela se cale, enquanto ela tenta expor as razões da mobilização.

No diálogo registrado, o agente afirma que só permitiria a continuidade da conversa caso a militante falasse “no mesmo tom” que ele.

Segundo integrantes do movimento, a postura foi interpretada como uma tentativa de intimidação e de impedir que elas apresentassem os motivos da ocupação.

Kívia também afirmou que houve momentos em que policiais apontaram armas na direção das mulheres presentes no local.

Ele me mandou calar a boca várias vezes, apontou o dedo na minha cara e mirou a arma nas companheiras de forma totalmente desnecessária”, relatou.

Ela também criticou o fato de a abordagem ter sido feita por policiais homens enquanto a ocupação era composta majoritariamente por mulheres.

Todas as pessoas que estavam na operação eram homens. A nossa ocupação era de mulheres e a abordagem foi muito truculenta”, afirmou.

Após cerca de uma hora de negociação e contato do movimento com advogados e com o comando da corporação, a equipe policial deixou o local e solicitou que o grupo evitasse barulho.

A reportagem procurou a Polícia Militar do Rio Grande do Norte para comentar a abordagem e esclarecer os procedimentos adotados na ocorrência. Até o fechamento desta matéria, não houve resposta.

Violência contra mulheres no Brasil

A mobilização ocorre em um contexto de crescimento dos registros de violência de gênero no país.

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que o Brasil registrou 87.545 casos de estupro em 2024, o maior número da série histórica.

No mesmo cenário, o país também registrou 1.470 feminicídios em 2025, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Situação no Rio Grande do Norte

No Rio Grande do Norte, 21 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública.

Nos últimos cinco anos, o estado registrou cerca de 100 feminicídios, além de centenas de ocorrências de violência sexual, muitas delas envolvendo crianças e adolescentes.

Quem foi Maria do Carmo

A ocupação realizada em Natal recebeu o nome de Ocupação da Mulher Trabalhadora Maria do Carmo, em homenagem a uma militante política cuja trajetória atravessa o período da ditadura militar brasileira.

Maria do Carmo nasceu em 10 de junho de 1947, em Bananeiras, na Paraíba, e passou a infância e a adolescência em São José do Campestre, no interior do Rio Grande do Norte.

Na década de 1960, mudou-se para Natal para cursar o ensino médio. Na capital potiguar, morou na Casa da Estudante do Rio Grande do Norte e estudou no Colégio Estadual, onde entrou em contato com militantes do Partido Comunista Revolucionário.

Durante a ditadura militar, diante da perseguição a militantes do partido no estado, foi transferida para Recife. Na capital pernambucana, passou a viver com nova identidade e trabalhou por anos em uma fábrica de confecções no bairro da Torre, atuando nos setores de tinturaria e estamparia.

Posteriormente, foi processada pela Justiça Militar durante o regime e cumpriu pena determinada pela 7ª Auditoria Militar da 7ª Região do Exército.

Após esse período, mudou-se para São Paulo, onde trabalhou, constituiu família e teve filhos. Mais tarde retornou ao Rio Grande do Norte, onde criou os três filhos e participou da criação dos netos.

Maria do Carmo morreu após complicações de saúde durante tratamento contra leucemia. Seu corpo foi sepultado no Cemitério Morada da Paz.

Segundo o movimento, dar seu nome à ocupação busca reconhecer a trajetória de uma mulher trabalhadora que enfrentou a repressão da ditadura e manteve uma história de militância política.



Fonte: saibamais.jor.br

Sonhos são inegociáveis

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Sonhos são inegociáveis

“Sonhos são inegociáveis”, me disse um amigo enquanto jogávamos conversa fora. Deitado em uma rede, ele falava isso como quem estivesse testemunhando seus próprios sonhos se fazendo realidade. Seu olhar distanciou-se antes de encontrar os meus, como quem assiste a um filme daqueles que não desgrudamos os olhos da tela.

Pensei, no momento, que eu tenho sonhos inegociáveis, mas que não tenho pressa para que eles ocorram, não sou ansiosa a ponto de sofrer pela urgência de suas materializações. Gosto de vê-los marinar, seguir seu fluxo natural, maturar até o ponto de resistir. Isso me faz entendê-los como bússolas, como nortes a serem perseguidos de alguma forma, não com ânsia, mas com gana.

Eu tinha, naquele momento, um sonho, uma imagem passando diante de mim. Prostrada na minha frente. Daqueles que quando esfumaçam nossa mente, preenchem o coração de calor e a alma de quietude, delicadeza e mansidão. Sedutor, eu diria…

Meu amigo sabia que sonho era. Talvez ele, mais que qualquer outra pessoa, tinha ciência dele e da paciência e tranquilidade com que espero que ele (o sonho ou meu amigo?!) me belisque e me diga que acordei dentro desse desejo.

Sim, sonhos são desejos! E precisam ser alimentados com sua própria lembrança. Lembrar que temos sonhos, mantém-nos vivos e esperançosos. Deixá-los vivos em nossa memória é realizá-los de alguma forma. É permitir que eles não percam tração, que eles não esmoreçam e não sejam guardados na caixinha dos esquecimentos que trazemos conosco.

Sonho em viver o dobro do que já vivi. Sonho em ter o direito envelhecer sem perder minha energia, meu dinamismo, minha inquietude… Sonho em viver sem medo e ocupada para que esse medo e seus companheiros não me sucumbam. Sonho que um sonho não me rejeite. Sonho com toques e carícias e amor verdadeiro. Daqueles que o respeito é o principal ingrediente.

Sonho com safadeza, com troca de olhares e beijos. Cheiro no cangote e sarro. Pegada firme, mas sexo lento. Sonho com uma casa entupida de livros e cheia de gatos e música na vitrola e incenso aceso e miados e latidos e uma rede vermelha na sala, diante da estante enfeitada com fotos e jiboias. Sonho que não esquecerei das pessoas e que as pessoas não me esquecerão, nunca… Sonho que lembrem de mim quando escutarem uma música; que lembrem que eu não gosto de determinadas coisas, lugares e pessoas; que eu tenho sonhos a realizar e que tive sonhos que concretizei. Sonho que lembrem de coisas que eu disse. Como vou lembrar do que falou meu amigo, um sonho de amigo, diante de mim, deitado em uma rede, falando como quem estivesse testemunhando seus próprios sonhos se fazendo realidade: “Sonhos são inegociáveis”.

Fonte: saibamais.jor.br

Democracia, ditatura e o espírito da coisa

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Democracia, ditatura e o espírito da coisa

João Andrade, um poeta e amigo dos bons, cunhou uma frase há algum tempo que sempre guardo comigo para fazer uso quando preciso explicar a diferença entre democracia e ditadura e não quero recorrer aos tratados da Ciência Política para esclarecer a diferença entre esses dois regimes de governo: “Democracia é eu mandar em você, Ditadura é você mandar em mim”.

Simples assim…

               Fico sempre pensando nessa frase quando ouço os motivos que têm levado líderes da oposição às ruas para pedir liberdade e justiça, porque o ex-presidente Jair Bolsonaro está preso, comendo, bebendo e dormindo de graça no hotel de um quartel em Brasília, recebendo salário em dia e a visita de quem quiser.

               É nessas horas que fico me lembrando de um tempo infeliz da nossa história em que os militares prendiam e arrebentavam em quem ousasse discordar da truculência deles, sem direito a julgamento justo, conforto mínimo na cadeia, alimentação digna e respeito aos direitos mínimos de toda pessoa.

               Aos que reclamam da prisão do ex-presidente, pergunto: e se os torturadores que Bolsonaro tanto idolatra fossem seus algozes agora?… Ele ainda estaria vivo?… Se estivesse sumido, saber-se-ia de seu paradeiro?… Sua família seria informada de onde ele estava preso e poderia visita-lo livremente como o faz hoje?…

               Será o Coronel Brilhante Ustra e sua tropa de torturadores e assassinos, que ele tanto ama, dispensaria a ele o mesmo tratamento que levou o professor Luiz Maranhão, o jornalista Hiram Pereira ou o deputado Rubens Paiva à morte e o tratamento desumano com seus familiares, que não tiveram sequer o direito de confirmar sua morte e de receber seu corpo para enterrar?…

               É por essas e outras que tanta gente está indignada com esse discurso das viúvas da ditadura, que desrespeitam a democracia para fazer valer o seu direito de desrespeitar a lei, legislar em causa própria, agir sem qualquer respeito à lei e acharem que têm o direito à impunidade. Não é assim que a banda toca.

               É o mesmo que ouvir o ex-procurador Deltan Dallagnol, hoje deputado cassado, clamando agora por respeito à lei e às prerrogativas, quando ele e seu parceiro chefe Sérgio Moro abusaram do poder que tinham, rasgaram a lei e agiram descaradamente em defesa de seus interesses, numa ação vergonha e criminosa.

               Pelo que fizeram, os dois e outros tantos, deveriam todos estar na cadeia, que é lugar de quem desrespeita a lei, sobretudo em se tratando de quem jurou defendê-la.

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Fonte: saibamais.jor.br

Natal terá eventos para acompanhar a cerimônia do Oscar neste domingo

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Natal terá eventos para acompanhar a cerimônia do Oscar neste domingo

A cerimônia do Oscar movimenta programações culturais em Natal neste domingo (15). As atividades também dialogam com o interesse local pelo cinema brasileiro neste ano, especialmente pela presença de atores potiguares no elenco do filme “O Agente Secreto”.

Na Cervejaria Resistência, a programação começa às 17h, com a exibição de “O Agente Secreto” antes do início da transmissão da premiação. O evento acontece na Rua Leonora Armstrong, 35, e funciona como um “esquenta” para a noite do Oscar, reunindo público interessado no filme e na cerimônia.

Já o Clube Frisson promove o evento “Oscar na Frisson”, também no domingo (15), com entrada gratuita a partir das 17h. A programação inclui transmissão ao vivo da cerimônia, concurso de melhor fantasia inspirada em filmes e DJ sets de Santelli e Allen. A organização também incentiva o público a levar cadeira de praia, criando um ambiente mais descontraído para acompanhar a premiação.

Entre os nomes potiguares presentes no elenco de “O Agente Secreto” está o ator Kaiony Venâncio. Procurado pela reportagem, ele contou que não estará em Natal durante a transmissão. Segundo o ator, a cerimônia será acompanhada em um evento em Recife (PE).

A expectativa em torno do Oscar deste ano mobiliza fãs de cinema em diferentes cidades, e eventos coletivos como os organizados em Natal têm se tornado uma forma de transformar a premiação em experiência compartilhada entre cinéfilos.

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Fonte: saibamais.jor.br

Paulo Betti retorna a Natal para encenar monólogo “Autobiografia Autorizada”

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Paulo Betti retorna a Natal para encenar monólogo “Autobiografia Autorizada”

O ator Paulo Betti volta a Natal para reapresentar o espetáculo “Autobiografia Autorizada”, monólogo estrelado e escrito pelo artista há mais de 10 anos, que celebra suas cinco décadas de carreira e já foi encenada em diversas cidades brasileiras e no exterior. A peça é o maior destaque da programação especial dedicada ao mês do teatro, comemorado em março, montada pelo Teatro Sesc Sandoval Wanderley.

A montagem ficará em cartaz de sexta (13) a domingo (15), às 19h, com ingresso gratuito retirado um dia antes de cada apresentação via Sympla, sendo solicitada apenas a doação de 1 kg de alimento não perecível para o projeto Sesc Mesa Brasil.

A programação do “Março em Cena – O mês do Teatro no Sesc Sandoval Wanderley”, além do monólogo de Paulo Betti, inclui espetáculos, oficinas formativas e ações comemorativas.

Paulo Betti encenou seu espetáculo pela primeira vez em Natal em fevereiro de 2025, com duas apresentações do Teatro Alberto Maranhão. O ator, que até então não conhecia a capital potiguar, disse que nem ele próprio entendia por que nunca tinha vindo aqui antes.

Ele conversou, à época, com a reportagem da Agência Saiba Mais. A respeito do espetáculo, com direção de Juliana Betti e Rafael Ponzi, contou que o monólogo de uma hora e meia de duração é sobre a transição que sua família fez da “roça para a cidade”.

Descendente de italianos, Paulo Betti nasceu numa pequena casa na zona rural de Rafard, no interior de São Paulo, mas se mudou ainda na infância com a sua família para a cidade de Sorocaba.

“Como descendente de italianos, a peça é um pouco também sobre os italianos no Brasil. Enfim, é uma comédia, porque eu faço o papel do meu pai, da minha mãe, da minha avó, do meu avô, eu represento os meus irmãos, sempre procurando o olhar de comédia para a história”, disse.

Espetáculo “instagramável”

A peça, segundo ele, não abrange a sua vasta carreira artística, que fez dele um dos nomes mais conhecidos do país, principalmente pelos seus papéis icônicos na TV, como o antológico Timóteo D’Alembert, da novela Tieta, sucesso de 1989.

“O espetáculo termina quando eu vou começar a carreira artística. Essa parte da minha história ficará para outra peça, mais um livro, será a peça final”, relevou, acrescentando que já começou a planejar essa segunda parte.

Paulo brinca dizendo que a peça “é muito instagramável”, porque há uma série de projeções para estimular o público a fotografar, publicar nas redes sociais e marcar o ator, que garante que reposta tudo em seu Instagram.

“Aparecem fotos incríveis, porque tem projeções de vídeos, mas basicamente todo mundo tem uma noção disso, desse olhar artístico”, comentou. Dessa forma, apesar de tratar de memórias passadas, dialoga com os tempos modernos da conectividade das redes sociais.

Depois de dez anos sendo apresentada nos palcos, ser encenada mais de mil vezes e ser vista por mais de 300 mil pessoas, a autobiografia autorizada do ator virou um livro de 128 páginas, lançado em dezembro de 2024 pela Geração Editorial.

Além de apresentar o seu espetáculo, Paulo Betti também participa no domingo, às 14h30, de um workshop sobre “Interpretação para Teatro e TV”, dentro da programação do “Mês do Teatro no Sesc Sandoval Wanderley”.

Serviço:

📌 Espetáculo: Autobiografia Autorizada – monólogo de Paulo Betti

📍 Local: Teatro Sesc Sandoval Wanderley (Alecrim – Natal/RN)

📅 Data: 13, 14 e 15/03 (sexta, sábado e domingo) | 19h

🎟 Ingressos: Gratuitos mediante doação de 1kg de alimento / retirada via Sympla: https://abre.ai/oYaM (um dia antes de cada apresentação)

Fonte: saibamais.jor.br