Sem categoriaBotânico potiguar preserva memória da Caatinga em acervo com 11 mil registros

Botânico potiguar preserva memória da Caatinga em acervo com 11 mil registros

Quando Alan Roque começou a trabalhar no Herbário Parque das Dunas RN, o espaço reunia cerca de 200 amostras catalogadas, poucos recursos e uma estrutura quase esquecida dentro da unidade de conservação. Anos depois, o acervo ultrapassa 11 mil exsicatas, integra redes nacionais e internacionais de pesquisa botânica e se tornou referência para estudos sobre a flora potiguar e a Caatinga. Parte dessa transformação passa diretamente pelo trabalho do botânico e geógrafo potiguar.

Nascido em Caicó, Alan cresceu cercado pela curiosidade sobre a natureza. Ainda criança, recolhia flores pelo caminho e organizava tudo sobre a mesa de casa. O interesse pelas plantas surgiu cedo, influenciado pela mãe, Maria do Socorro, que costumava chamar atenção para detalhes simples da paisagem cotidiana. “Minha mãe era observadora das pequenas coisas”, lembra.

Apesar da paixão pela botânica, sua trajetória acadêmica começou pela Geografia, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Caicó. Mais tarde, já trabalhando no Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema), conseguiu cursar Ciências Biológicas em Natal e aprofundar o vínculo com a pesquisa ambiental.

O encontro com o Parque das Dunas aconteceu em 2004, durante uma aula de campo. Anos depois, ao descobrir que o herbário da unidade estava praticamente desativado, decidiu ajudar voluntariamente. Na época, o espaço reunia poucas amostras catalogadas e enfrentava problemas de estrutura e organização.

Alan passou a reorganizar coleções, revisar identificações botânicas e ampliar o número de espécies registradas. O trabalho, feito inicialmente após o expediente, ajudou a transformar o herbário em referência para pesquisas sobre a flora potiguar e conservação ambiental.

Para ele, um herbário está longe de ser apenas um conjunto de plantas prensadas. “Esse material vai continuar aqui quando eu não estiver mais vivo”, afirma. Segundo Alan, cada exsicata preserva informações sobre clima, território, vegetação e mudanças ambientais ao longo do tempo. “Um herbário é memória material da natureza. É prova de que determinada espécie existiu naquele lugar.”

Grande parte de seu trabalho está ligada à defesa da Caatinga, bioma historicamente associado apenas à seca. Alan costuma destacar a capacidade de adaptação das espécies e a diversidade da vegetação sertaneja. “A Caatinga é uma fênix. Ela renasce”, diz. Para ele, preservar coleções botânicas significa proteger parte da memória ambiental do país e impedir que espécies desapareçam sem registro.

Hoje, Alan Roque dedica a vida a documentar a flora potiguar. Seu trabalho ajuda a conservar histórias, paisagens e formas de vida que resistem em meio às transformações do território nordestino.

*Texto realizado com informações do IDEMA

SAIBA MAIS:
RN tem 172 espécies de animais ameaçadas de extinção, aponta 1ª lista do Idema
Biodiversidade “adormecida” é descoberta em águas subterrâneas da Caatinga no RN

Fonte: saibamais.jor.br

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