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RN é atingido por mais de 4 mil raios em 24 horas

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Entre as 17h da quarta-feira (4) e as 15h da quinta-feira (5), o Rio Grande do Norte foi atingido por 4.740 raios em aproximadamente 24 horas. O levantamento é da Neoenergia Cosern com base em dados da Plataforma Climatempo. A maioria das descargas atmosféricas ocorreu na região Oeste, também atingida por fortes chuvas na madrugada e início da manhã desta quinta. No período citado, caíram 555 raios em Mossoró, 417 em Governador Dix-Sept Rosado e 285 em Upanema.

O número de descargas atmosféricas nas últimas 24 horas chama atenção pelo alto volume. Como forma de prevenirmos ocorrências, somente de 2023 para 2025, ampliamos a instalação de para-raios em 64% em todas as regiões do estado como uma forma de ampliar a qualidade da energia distribuída, bem como a segurança da operação”, destaca Daniel Burgos, supervisor da Neoenergia Cosern.

Com 43.832 quedas de raios ao longo de 2025, as regiões Oeste e Seridó do Rio Grande do Norte lideraram o ranking como as localidades com as maiores incidências desse fenômeno natural. Mossoró encabeçou a lista com 3.120 raios. Em seguida ficou Upanema, com 3.091 e Santana do Matos, com 2.195 casos. Os dados apontam que, de 2024 para 2025, houve redução de 55% no número global de descargas atmosféricas em todo o estado.

Já na manhã desta sexta (06), o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) publicou um alerta laranja de chuvas intensas que cobre todo o Rio Grande do Norte. O aviso é válido até as 10h do domingo (08). Estão previstas chuvas de 30 a 60 mm por hora, podendo variar de 50 a 100 mm por dia. Por causa da chuva e ocorrência de ventos mais fortes, há risco de cortes no fornecimento de energia, queda de galhos e árvores, além de alagamentos e descargas elétricas.

Orientações de segurança em casos de chuvas com raios:

  • Busque abrigo tão logo veja nuvens carregadas no céu ou escute um trovão;
  • Evite colher frutas, legumes ou verduras, abrigar-se ou caminhar perto de árvores;
  • Não fique próximo a animais e nem ande a cavalo;
  • Não fique próximo a cercas de arame;
  • Não fique próximo a objetos metálicos pontiagudos como enxadas, pás e facões;
  • Não se abrigue debaixo de varandas, barracos e celeiros;
  • Não caminhe em áreas descampadas;
  • Não fique parado em rodovias, ruas ou estradas;
  • Não suba em locais como telhados, terraços e montanhas;
  • Não tome banho em praia, rio, açude ou piscina durante uma tempestade;
  • Não utilize equipamentos elétricos ligados à rede elétrica;
  • Não fale ao telefone com fio ou utilizar o celular conectado ao carregador;
  • Não tome banho utilizando o chuveiro elétrico.

Canais de atendimento Neoenergia Cosern | Teleatendimento: 116

Município Raios
Mossoró 555
Gov Dix-Sept Rosado 417
Upanema 285
Baraúna 251
Serra Negra do Norte 192
Caraúbas 176
Açu 151
Serra do Mel 128
Marcelino Vieira 126
Areia Branca 124
Tenente Ananias 122
Alexandria 121
Patu 108
Fernando Pedroza 103
Santana do Matos 96
Paraná 90
Rafael Fernandes 90
São João do Sabugi 82
Pau dos Ferros 81
Caicó 78
Encanto 77
Jardim de Piranhas 73
Francisco Dantas 55
Luís Gomes 54
São Fernando 52
Rafael Godeiro 50
José da Penha 50
Olho d´Água do Borges 49
Porto do Mangue 47
Timbaúba dos Batistas 42
Umarizal 41
Campo Grande 40
Angicos 38
Coronel João Pessoa 36
Apodi 35
Lajes 34
Portalegre 33
Grossos 28
São Tomé 27
Cerro Corá 26
Almino Afonso 26
Venha-Ver 25
São Miguel 24
Riacho de Santana 22
Felipe Guerra 22
Carnaubais 21
Antônio Martins 21
Serrinha dos Pintos 21
Pilões 20
Ipueira 20
Água Nova 15
João Dias 15
Paraú 14
Tibau 14
Martins 13
Major Sales 13
Tenente Laurentino Cruz 9
Messias Targino 8
Frutuoso Gomes 8
Currais Novos 7
Triunfo Potiguar 7
Itaú 7
Pedra Preta 7
Janduís 7
Touros 7
Bodó 7
Jucurutu 7
Ouro Branco 6
Pedro Avelino 6
Campo Redondo 6
Lagoa Nova 6
Lucrécia 6
Guamaré 5
Severiano Melo 4
Viçosa 4
São Miguel do Gostoso 4
São Francisco do Oeste 4
Santana do Seridó 3
Galinhos 3
Florânia 3
Pureza 3
Jandaíra 3
São Vicente 3
Santa Cruz 2
Rodolfo Fernandes 2
Caiçara do Rio do Vento 2
Doutor Severiano 2
Poço Branco 2
Ipanguaçu 2
Riacho da Cruz 1
Macau 1
São José do Seridó 1
Parelhas 1
Acari 1
Cruzeta 1
Jardim do Seridó 1
Bento Fernandes 1
Taboleiro Grande 1
Total Geral 4.740

Fonte: saibamais.jor.br

Bailes da Cinelândia transformam o centro do Rio com shows ao vivo

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Os tradicionais bailes da Cinelândia prometem transformar o centro do Rio de Janeiro em um grande salão a céu aberto durante o carnaval, de sábado (14) a terça-feira (17), reunindo público de todas as idades ao som de artistas consagrados e da Orquestra Tupy.

Com shows ao vivo, repertórios clássicos e apresentações, o evento reforça a vocação da praça como um dos palcos históricos da folia na cidade.

A agenda inclui, ainda, o animado Concurso de Foliões, que acontece no domingo, na segunda e na terça-feira, incentivando a criatividade, o humor e a irreverência das fantasias. A programação gratuita começa todos os dias, a partir das 16h.

Dia de shows

No sábado (14), uma das apresentações mais aguardadas da noite é a cantora Dorina. Com voz marcante e repertório elegante, ela transita entre o samba-canção, a música popular brasileira e os clássicos do carnaval.

Ao longo do dia, o público também poderá curtir shows de Osmar do Breque, Ellen de Lima, Paulo Nunes, Tom da Bahia, Márcio Gomes, Selma Costa, Alfredo Del Penho, Luis Cesar, Reginaldo Bessa, Gotsha, Alberto Gino e Wladimir Cabanas, acompanhados da Orquestra Tupy, responsável por encerrar a programação com seu repertório repleto de clássicos do carnaval, convidando foliões de todas as idades a ocuparem a pista de dança.

Concurso de Foliões

No domingo (15), além das atrações musicais, a Cinelândia recebe o Concurso de Foliões, iniciativa que se repete na segunda e na terça-feira e que valoriza a originalidade dos participantes, premiando fantasias criativas, performances irreverentes e o espírito carnavalesco.

A programação musical segue com apresentações de Osmar do Breque, Ellen de Lima, Paulo Nunes, Tom da Bahia, Márcio Gomes, Selma Costa, Luis Cesar, Reginaldo Bessa, Gotsha, Alberto Gino, Wladimir Cabanas com a Orquestra Tupy, mantendo o clima de festa ao longo de toda a tarde e da noite.

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Assistência jurídica facilita retificação de nome e gênero para pessoas trans em Macaíba

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Desde 2025, o acesso ao direito ao próprio nome tem ganhado um novo caminho em Macaíba. Por meio do Núcleo de Assistência Jurídica Gratuita (NAJG), vinculado à Secretaria Municipal de Trabalho, Habitação e Assistência Social (SEMTHAS), pessoas trans e travestis do município passaram a contar com acompanhamento jurídico gratuito para a retificação de nome e gênero nos documentos civis, um passo fundamental para a garantia da cidadania.

O serviço funciona como porta de entrada para quem deseja compreender e iniciar o processo. A equipe do núcleo orienta sobre os procedimentos legais, auxilia na organização da documentação exigida pelos cartórios e esclarece dúvidas sobre direitos e garantias assegurados por lei. Em situações específicas, quando o trâmite administrativo não é suficiente, também são realizados os devidos encaminhamentos para a via judicial.

Mais do que uma questão burocrática, a retificação de nome representa a possibilidade concreta de reconhecimento social. Em 2024, uma das pessoas atendidas pelo NAJG foi a jovem Palloma do Nascimento, que aguardava havia mais de quatro anos para conseguir adequar seus documentos à sua identidade de gênero. Com o apoio do núcleo, o processo foi finalmente viabilizado.

Desde 2018, após decisão do Supremo Tribunal Federal e regulamentação do Conselho Nacional de Justiça, a retificação de nome e gênero pode ser feita diretamente em cartório, sem necessidade de ação judicial. Também não é exigida a apresentação de laudos médicos, psicológicos, cirurgias ou tratamentos hormonais, o que representa um avanço importante no reconhecimento da autodeterminação das pessoas trans.

Apesar dos avanços legais, o acesso ao direito ainda esbarra em desigualdades sociais. Para Aisha Lemos, militante travesti e uma das fundadoras do Coletivo LGBT+ Leilane Assunção, a retificação de nome está diretamente ligada à saúde, à dignidade e à segurança cotidiana.

“A partir do momento em que a gente tem o nome respeitado, a gente se sente mais segura para ir a um hospital, para procurar ajuda médica. O nome retificado também facilita o acesso ao mercado de trabalho, porque evita constrangimentos constantes com o uso do nome morto”, afirma.

Segundo Aisha, quando o nome civil não corresponde à identidade da pessoa, isso se transforma em um instrumento recorrente de violência. “Quando descobrem que você não tem o nome retificado, muitas pessoas passam a usar só o nome morto. O nome social vira uma opção, como se fosse escolha de quem chama. Mas o meu nome não é uma opção, é um direito”, destaca.

Ela também chama atenção para o impacto financeiro do processo, que ainda dificulta o acesso para pessoas em situação de vulnerabilidade. “Mesmo com os facilitadores legais, a retificação ainda é cara para corpos marginalizados, que muitas vezes enfrentam fome, falta de moradia e desemprego. Por isso, quando a prefeitura ou uma ONG assume esse papel de facilitador, isso vira um respiro. Gera segurança, gera liberdade de ir e vir”, explica.

Para Aisha, políticas públicas voltadas à retificação de nome são essenciais para garantir direitos básicos. “Ter o nome assegurado permite coisas simples, como ir a um shopping, procurar um emprego ou atendimento médico. São funções básicas do ser humano em sociedade, mas que ainda não são acessíveis para todo mundo.”

Em Macaíba, o atendimento para quem deseja iniciar o processo de retificação acontece no setor jurídico da SEMTHAS, na sede da secretaria, localizada na Rua Frei Miguelinho, por trás da Prefeitura. O serviço funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 15h. Entre os documentos exigidos estão certidão de nascimento atualizada, RG, CPF, comprovante de residência e certidões negativas, conforme exigência do cartório.

Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (84) 99935-0234.

SAIBA+
SUS passa a garantir nome social de pessoas trans e travestis em todos os atendimentos
Periferia Transborda leva talentos trans e travestis ao Centro Histórico de Natal

Fonte: saibamais.jor.br

“Nenhum governador tem poder pleno sobre polícias”, diz pesquisadora

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Poucos dias depois de completar três meses, a operação policial mais letal da história do Brasil foi destaque no alerta feito nesta semana pela organização não governamental Human Rights Watch, que apontou que o uso irrestrito da força letal pela polícia como estratégia de segurança tem resultado em mais violência e insegurança no país.

Forças policiais mataram 5.920 pessoas no Brasil de janeiro a novembro de 2025, e o episódio de maior letalidade foi a Operação Contenção, no Rio de Janeiro, em 28 de outubro, quando 122 pessoas morreram ─ incluindo cinco policiais. 

O relatório cita ainda que 185 policiais foram mortos no ano passado, segundo dados do Ministério da Justiça. E outros 131 cometeram suicídio.

A especialista em conflitos, crimes e violência e professora do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) Carolina Grillo vê um empobrecimento do debate sobre segurança pública no país, com a insistência em repetir e intensificar modelos que não tem produzido resultados há décadas.

“O que a gente observa em alguns estados, como a Bahia e como São Paulo, é que eles estão copiando o modus operandi das polícias do Rio de Janeiro e agravando o problema de segurança pública que existia lá”.

Ela acrescenta que essa replicação agrava a impunidade dos crimes cometidos por agentes do Estado e chancela uma atuação mais letal por parte de policiais que já agem com relativa autonomia e discricionariedade nas ruas.

“Em nenhum estado se pode dizer que o governador possui efetivo controle das forças de segurança. As instituições policiais possuem grupos muito poderosos no seu interior e uma relativa autonomia. Os próprios agentes na rua possuem discricionariedade”, afirma. “A promessa de impunidade estimula a atuação policial violenta”.

 


São Paulo (SP), 25/03/2024 - Audiência Pública Operação Escudo/Verão, organizada pela Ouvidoria de Polícia de São Paulo e Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo - USP. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
São Paulo (SP), 25/03/2024 - Audiência Pública Operação Escudo/Verão, organizada pela Ouvidoria de Polícia de São Paulo e Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo - USP. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Audiência Pública sobre Operação Escudo/Verão, organizada pela Ouvidoria de Polícia de São Paulo e Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo – USP. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Confira os principais trechos da entrevista

Agência Brasil: Por que você acredita que há insistência em grandes operações com muitas mortes de pessoas supostamente envolvidas com crime?

Carolina Grillo: É complicado eu supor as intenções por trás das atitudes políticas. As operações policiais e as altas taxas de letalidade policial são empregadas com o principal método de controle do crime no Rio de Janeiro há décadas, e a gente observa um aumento constante do controle territorial armado. E, embora a própria polícia saiba da ineficiência, essas operações trazem retornos eleitorais. 

Há um empobrecimento do debate público no campo da segurança pública, em que há uma insistência em acreditar que fazer mais do mesmo, mais daquilo que se faz há décadas e não funciona, se for intensificado, vai funcionar. 

A cada nova operação espetaculosa, a gente observa um aumento da popularidade dos mandatários que a autorizaram, em virtude de criar a sensação na população de que ‘estão fazendo alguma coisa’.

Ações de inteligência, como as investigações do Gaeco [Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado] e as investigações da Polícia Federal, que têm efeito muito mais consistente no desmantelamento do crime organizado, são ações silenciosas. Não são ações como a Operação Contenção, com impacto social muito grande.

Agência Brasil: Podemos acrescentar que essas ações de inteligência são pouco imagéticas para a televisão, e nós, jornalistas, contribuímos para dilatar esses efeitos, fazendo espetáculo das operações?

Carolina Grillo: A minha crítica à imprensa, no caso específico da Operação Contenção, é que a cobertura foi bastante tendenciosa de uma maneira geral. Havia diversos discursos competindo sobre como interpretar essa operação, e o discurso do governo do Estado do Rio de Janeiro predominou nas narrativas da imprensa nacional. 

O fato de se ter sido uma chacina, um massacre com um número muito elevado de mortos, escandalizou a imprensa internacional e não escandalizou a imprensa nacional, que já naturalizou essas mortes. O que, de alguma forma, contribui para reiterar uma narrativa oficial de que a operação tinha como objetivo o combate ao Comando Vermelho.

 


Rio de Janeiro (RJ), 22/12/2025 - Retrospectiva 2025 - Foto feita em 26/10/2025 – Mesa com autoridades do Estado do Rio de Janeiro durante coletiva de imprensa sobre a Operação Contenção na Cidade da Polícia, no Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 22/12/2025 - Retrospectiva 2025 - Foto feita em 26/10/2025 – Mesa com autoridades do Estado do Rio de Janeiro durante coletiva de imprensa sobre a Operação Contenção na Cidade da Polícia, no Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Mesa com autoridades do Estado do Rio de Janeiro durante coletiva de imprensa sobre a Operação Contenção na Cidade da Polícia, no Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Agência Brasil: Neste ano, teremos eleições. Como vê o peso da segurança pública na pauta da próxima campanha eleitoral?

Carolina Grillo: Algumas pesquisas de opinião mostraram que, no ano passado, pela primeira vez na história, segurança pública despontou como principal preocupação da população brasileira, superando desigualdade [socioeconômica], saúde e educação. Isso é um fenômeno recente. 

O que a gente observa é que o espectro do debate público sobre a segurança pública é bastante limitado. Há, de um lado, uma extrema direita defendendo o extermínio aberto de criminosos; e, do outro lado, algumas posturas de esquerda não avançando muito além de oferecer um endurecimento penal e aumento de penas para determinados crimes. 

Há um desafio de que se elaborem alternativas de fato eficientes, diferentes daquelas que já são apresentadas como endurecimento de pena. O aumento do encarceramento acaba colaborando para o recrutamento por parte de organizações criminosas, porque aumenta justamente a população carcerária que está sob o domínio desses grupos. 

Agência Brasil: Há dificuldade de criar políticas alternativas de segurança pública?

Carolina Grillo: Sim. O que a gente observa em alguns estados, como a Bahia e São Paulo, é que eles estão copiando o modus operandi das polícias do Rio de Janeiro e agravando o problema de segurança pública que existia lá. 

São Paulo, por exemplo, historicamente não tinha problema de controle territorial armado. Nas operações que têm sido realizadas em São Paulo, tem havido um aumento muito grande da letalidade policial, o que pode ser um fator indutor de resistência armada à atuação da polícia em alguns territórios, algo que não existia em São Paulo, onde a polícia podia circular por todos os territórios da cidade [capital] e do estado de uma maneira geral.

Na Bahia, a gente observa o mesmo. A polícia tem copiado o modus operandi das polícias do Rio de Janeiro, muito inspiradas pela popularidade junto à população. A diferença é que existem, sim, alguns empreendimentos do governo do Estado da Bahia tentando oferecer novas alternativas, como a produção de alguma inteligência para que se possa enfim mudar esse caminho.

Agência Brasil: Essa repetição do modelo fluminense de atuação na segurança pública é deliberada pelas secretarias de segurança ou é uma iniciativa dos próprios policiais? As secretarias de segurança têm efetivo controle das polícias?

Carolina Grillo: Em nenhum estado se pode dizer que o governador possui efetivo controle das forças de segurança. As instituições policiais possuem grupos muito poderosos no seu interior e uma relativa autonomia. Os próprios agentes na rua possuem discricionariedade.

No entanto, quando se tem, como no caso do Rio de Janeiro ou de São Paulo, governadores que deliberadamente manifestam apoio e dão uma chancela à atuação policial letal, afirmando que certas mortes ocorreram de maneira legítima antes que elas sejam investigadas, a promessa de impunidade estimula a atuação ação policial violenta. 

É claro que, por meio de nomeações do alto comando, de troca de do comando de diferentes batalhões especiais e batalhões diários, os governadores e as secretarias de segurança pública conseguem ter algum poder sobre as polícias. Não é um poder pleno, efetivamente, mas há uma possibilidade de direcionar a atuação dessas forças. 

Em todos os estados brasileiros, o que a gente observa é uma repetição do respaldo institucional, não apenas por parte do Poder Executivo, que funciona como garantia da impunidade à ação policial letal.

Agência Brasil: Como isso se dá?

Carolina Grillo: Por exemplo, a maioria das mortes é praticada por policiais militares. A Polícia Civil, que também pratica mortes em serviço, quando investiga a Polícia Militar, não realiza investigações que cheguem a esclarecer as circunstâncias daquelas mortes. Assim, o Ministério Público tende a solicitar o arquivamento judicial do caso, a Justiça tende a aceitar, e a opinião pública tende a se dar por satisfeita. 

Então, há uma tendência de não esclarecimento de mortes praticadas por agentes policiais em serviço e, normalmente, a versão apresentada por esses policiais é a única prova utilizada para o arquivamento desses casos. Não havendo perícia no local, há um déficit muito grande de produção de evidências. 

É claro que não dá para afirmar que todas essas mortes sejam resultados de abuso da força. Muitas vezes pode, sim, haver uma legítima defesa, e a polícia está respaldada legalmente para utilizar da força em caso de legítima defesa.

 


Rio de Janeiro (RJ), 29/10/2025 - Dezenas de corpos são trazidos por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Operação Contenção.
Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 29/10/2025 - Dezenas de corpos são trazidos por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Operação Contenção.
Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil

Dezenas de corpos são trazidos por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Operação Contenção. Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil 

 

Fonte: Agência Brasil de Noticias

TV Brasil transmite desfile do Grupo de Acesso 2 de São Paulo

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Com exclusividade na televisão aberta, a TV Brasil exibe o desfile das escolas de samba do Grupo de Acesso 2 de São Paulo neste sábado (7), ao vivo, a partir das 21h, no Sambódromo do Anhembi, apenas para São Paulo. No YouTube da emissora, a programação começa mais cedo, às 20h.

Nos demais estados, a TV Brasil apresenta a segunda noite do desfile do Grupo Especial do Carnaval de Vitória, em parceria com a TVE/ES, direto do Sambão do Povo, a partir das 22h. 

A TV Brasil está com uma programação temática com várias atrações da folia na faixa especial Carnavais do Brasil que exibe a festa momesca de diversas regiões do país, com blocos de rua e shows nos principais circuitos de Salvador – Barra-Ondina, Campo Grande e Pelourinho – em parceria com a TVE Bahia

A transmissão do Grupo de Acesso 2 de São Paulo será conduzida pelos jornalistas Bárbara Pereira e Muka, com a participação de comentaristas no estúdio. Os apresentadores recebem como convidados especiais a jornalista Suelen Martins, o pesquisador Felipe Gabriel Oliveira e o jornalista Felipe Rangel. O repórter Lincoln Chaves traz as notícias direto do Sambódromo do Anhembi.

O desfile paulista reúne dez tradicionais escolas de samba que buscam garantir presença no Grupo de Acesso 1 do Carnaval de São Paulo em 2027. Este ano, duas agremiações sobem, enquanto outras duas são rebaixadas para o Grupo Especial de Bairros.

A programação dos desfiles prevê a entrada no Anhembi das escolas de samba na seguinte ordem: Amizade Zona Leste, Imperatriz da Pauliceia, Torcida Jovem, X-9 Paulistana, Unidos de São Lucas, Unidos do Peruche, Morro da Casa Verde, Imperador do Ipiranga, Uirapuru da Mooca e Primeira da Cidade Líder.

O regulamento exige no mínimo 500 componentes para a apresentação de 40 a 50 minutos. As agremiações do Grupo 2 precisam percorrer o Sambódromo com duas alegorias. A comissão de frente tem que reunir entre cinco e 15 integrantes. As escolas de samba ainda devem desfilar com no mínimo seis alas de enredo, 20 baianas e um casal de mestre-sala e porta-bandeira.

Serviço 

Programação da faixa Carnavais do Brasil na TV Brasil
Desfile das Escolas do Grupo de Acesso 2 de São Paulo  
7 de fevereiro (sábado), às 21h, exclusivo para São Paulo, na TV Brasil
7 de fevereiro (sábado), às 20h, no YouTube da TV Brasil

TV Brasil na internet e nas redes sociais  

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Fonte: Agência Brasil de Noticias

Ministério Público Federal encaminha denúncia sobre atuação de Epstein em Natal

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O Ministério Público Federal no Rio Grande do Norte confirmou à Agência SAIBA MAIS que encaminhou uma denúncia sobre a atuação de Jeffrey Epstein em Natal à Unidade Nacional de Enfrentamento ao Tráfico Internacional de Pessoas e ao Contrabando de Migrantes (UNTC). A manifestação cita indícios de aliciamento a partir de uma conversa que revela a tentativa de envio de uma mulher que mora nos arredores de Natal para a prática de atos sexuais nos Estados Unidos com o bilionário norte-americano, preso por comandar uma rede de tráfico sexual.

O documento é assinado pelo Procurador-Chefe da República no Rio Grande do Norte Gilberto Barroso de Carvalho Júnior, que ressalta o histórico existente contra Epstein envolvendo menores de idade para considerar os fatos e encaminhá-los para a devida análise. Além disso, o Procurador cita o artigo 4º, inciso X, da Resolução nº 230 de 02 de abril de 2024 do Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF), que autoriza os membros da UNTC a receberem representações e petições de qualquer pessoa ou entidade, desde que esteja relacionada à sua área de atuação.

Arquivos do caso Epstein liberados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos cita o possível agenciamento de mulheres no Rio Grande do Norte pelo bilionário norte-americano. Num e-mail datado de janeiro de 2011 é possível ler uma conversa entre o magnata e uma mulher que pede dinheiro para tirar o passaporte de uma menina e levá-la até Nova Iorque. Ela pergunta a Epstein como proceder, diz que a jovem nunca viajou e não fala inglês, que vem de uma cidade pequena nos arredores de Natal e é de uma família muito simples e pobre. 

Imagem: reprodução

Quem foi Jeffrey Epstein

Jeffrey Epstein era um bilionário norte-americano condenado por comandar uma rede de tráfico sexual. As investigações apontam que o magnata abusou de meninas menores de idade durante o início dos anos 2000. Ele foi preso em 2019, mas morreu um mês depois. As autoridades concluíram que ele tirou a própria vida na prisão.

A acusação diz que Epstein pagava em dinheiro para que meninas fossem até imóveis de propriedade do bilionário e praticassem atos sexuais. As meninas também eram pagas para recrutar outras garotas com a mesma finalidade. Segundo o governo dos Estados Unidos, Epstein abusou de mais de 250 meninas menores de idade.

Saiba +

Fonte: saibamais.jor.br

Após mobilização indígena, governo suspende dragagem do Rio Tapajós

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O governo federal decidiu suspender, nesta sexta-feira (6), o processo de contratação de uma empresa para realizar a dragagem do Rio Tapajós, no Pará.

A decisão foi comunicada em uma nota oficial  assinada pelos ministros Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência), Sílvio Costa Filho (Portos e Aeroportos) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas), e é uma resposta às mobilizações de povos indígenas, comunidades tradicionais e organizações sociais que atuam na região.

Há 15 dias, liderados por indígenas, esses grupos mantêm ocupações e atos de protesto em Santarém, no oeste paraense. A principal reivindicação é a revogação do Decreto 12.600, editado no ano passado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que prevê a concessão da hidrovia do Rio Tapajós à iniciativa privada.

O modal aquaviário é considerado importante corredor logístico para escoar produtos do agronegócio, mas enfrenta resistência das comunidades instaladas nas áreas ribeirinhas. Estima-se que cerca de 7 mil indígenas, de 14 etnias diferentes, vivam no Baixo Tapajós, segundo o Conselho Indígena Tapajós Arapiuns (CITA), que representa os povos da região.

Na nota do governo, os ministros informam que a suspensão das obras de dragagem é um gesto de negociação, mas o empreendimento não têm relação direta com a concessão da hidrovia.

“É importante mencionar que as obras de dragagem anunciadas pelo Ministério de Portos e Aeroportos constituem ação de rotina, feitas igualmente em anos anteriores, e respondem à necessidade de garantir o tráfego fluviário na Hidrovia do Tapajós diante dos períodos de baixa das águas. Ou seja, essas obras não têm relação com os estudos de concessão da hidrovia, previstos no Decreto 12.600”, diz a manifestação.

Protesto na COP30

No ano passado, após o protesto de indígenas Muduruku que interditou a entrada da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, o governo se comprometeu com a realização da consulta prévia aos povos do Rio Tapajós sobre o projeto de hidrovia na região. Este compromisso foi novamente reforçado na nota assinada pelos ministros.

“Em relação às reivindicações apresentadas, o governo federal vem a público reiterar o compromisso assumido durante a COP30 de que todo e qualquer empreendimento vinculado à hidrovia do Rio Tapajós será precedido da realização de consulta livre, prévia e informada, nos termos da Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT)”, diz o texto.

Grupo de trabalho

Além disso, diante das mobilizações de povos indígenas, o governo federal confirmou o envio de representantes à Santarém, para estabelecerem processo de negociação com os manifestantes, com acompanhamento do Ministério Público Federal (MPF).

Também foi anunciada a instituição de um grupo de trabalho interministerial, com a participação de órgãos e entidades da administração pública federal, bem como de representantes indicados pelos povos indígenas da região do Rio Tapajós com a finalidade de discutir, sistematizar e orientar os processos de consulta livre, prévia e informada.

O outro compromisso assumido é o de apresentação de um cronograma dos processos de consulta prévia sobre a concessão da hidrovia do Tapajós, em diálogo com as comunidades.

Riscos socioambientais

Em nota, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) manifestou apoio às mobilizações indígenas e criticou o projeto de concessão da hidrovia à iniciativa privada, que pode causar impactos graves sobre territórios tradicionais, modos de vida e espiritualidade do povos.

“A entidade também alerta para os riscos ambientais e sociais associados à dragagem do Rio Tapajós, como impactos sobre a pesca, erosão das margens, ressuspensão de contaminantes e danos irreversíveis a um dos principais corredores ecológicos da Amazônia, sem a apresentação de estudos de impacto ambiental completos às comunidades afetadas”, disse a Coiab.

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Justiça manda soltar turista argentina acusada de injúria racial

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A Justiça do Rio de Janeiro revogou no final da tarde desta sexta-feira (6) a prisão preventiva da advogada e influencer argentina, Agostina Paez, acusada de ter cometido ofensas racistas, no dia 14 de janeiro, contra quatro funcionários de um bar em Ipanema. Agostina Paez foi liberada agora à noite na delegacia.

A turista argentina foi presa pela manhã em cumprimento a um mandado de prisão preventiva expedido pela 37ª Vara Criminal da capital. Ela foi localizada em um apartamento alugado na Vargem Pequena.

Como o processo está em segredo de Justiça, a assessoria do Tribunal de Justiça limitou-se a informar que “a ordem de prisão preventiva foi revogada pelo juízo de primeira instância”.

O crime ocorreu no dia 14 de janeiro, quando uma das vítimas compareceu à delegacia e relatou ter sido alvo de xingamentos de cunho racial durante uma discussão envolvendo o pagamento da conta do estabelecimento. Conforme apurado, a turista apontou o dedo para o trabalhador, utilizou a palavra mono, que significa macaco em espanhol, e passou a imitar gestos e reproduzir sons do animal.

As condutas criminosas foram registradas em vídeo pela própria vítima e confirmadas após análise das imagens de câmeras de segurança. Ao longo da apuração, de acordo com a Polícia Civil, agentes ouviram testemunhas e reuniram elementos probatórios que permitiram esclarecer completamente a dinâmica dos fatos.

Antes de decretar a prisão preventiva, a Justiça do Rio, a pedido do Ministério Público, já tinha proibido a denunciada de deixar o país, reteve o passaporte dela e determinou o uso de tornozeleira eletrônica.

Nessa quinta-feira (5), em uma publicação no Instagram, Agostina diz que recebeu a notificação da prisão por perigo de fuga e disse que estava usando a tornozeleira eletrônica e estava à disposição da polícia. “Estou desesperada, estou morta de medo”.
Na ação, consta que a versão apresentada pela denunciada é que os gestos teriam sido meras brincadeiras dirigidas às amigas.

O crime de injúria racial – previsto no artigo 2º-A, caput, da Lei nº 7.716/89 – prevê pena de prisão de dois a cinco anos.

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Bloco mais antigo do Rio, Cordão da Bola Preta terá centro cultural

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Mais antigo bloco carnavalesco do Rio de Janeiro, o Cordão da Bola Preta ganhará um centro cultural, que irá funcionar na Rua da Relação 1, na região central da cidade e onde fica a sede do grupo.

As obras, executadas pela prefeitura, terão início no primeiro semestre deste ano e devem durar oito meses. O anúncio do centro cultural foi feito nesta sexta-feira (6) pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes, em visita ao bloco.

Desde 2007, Cordão da Bola Preta é reconhecido como bem cultural imaterial da cidade do Rio. No local, são realizadas atividades culturais ligadas ao samba.

“São 107 anos de existência e nós nunca conseguimos um momento tão importante para a história, futuro e sobrevivência da maior instituição cultural do carnaval carioca, quem sabe do Brasil. Essa obra representa tudo para o Bola Preta. É um momento de extrema emoção e felicidade. Finalmente, com essa obra, nós vamos implementar a história do carnaval do Bola Preta, que se confunde com a história do carnaval carioca”, disse o presidente do Cordão da Bola Preta, Pedro Ernesto Marinho.

De acordo com o projeto, serão reconstruídos um sobrado, fachadas e esquadrias, além da modernização das instalações. 

O centro cultural terá bistrô, cozinha, hall de entrada, recepção, espaço para shows e área de estar. No mezanino, serão implantados camarote, hall e sanitários. O pavimento superior abrigará a administração, copa e depósito.

A área total a ser recuperada é de 1,2 mil metros quadrados, com capacidade para receber cerca de 1.200 pessoas.

História do Bola Preta

Fundado em 13 de dezembro de 1918, o Cordão da Bola Preta surgiu a partir da reunião de amigos no bar Cave de Ouro, na Rua da Carioca, com o objetivo de preservar o carnaval de rua, em um momento que a cidade do Rio passava por transformações urbanas e culturais.

Desde sua criação, o bloco adotou as cores preto e branco. Entre as décadas de 1930 e 1970, o Bola Preta manteve o formato de cordão carnavalesco, com marchinhas, metais e percussão.

A sede do bloco, que já funcionou na Avenida Treze de Maio, está instalada atualmente na Rua da Relação, tornando-se ponto de encontro de músicos e foliões.

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Maryana Damasceno reposiciona o cordel nas redes sociais

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Lívia Cirne, Natal – RN

Entrar com o pé direito / Entrar com os pés no chão / Meter os dois pés na porta / Pra seguir com mais ação / E desejo pra vocês / Um dois mil e vinte seis / Com mais interpretação. Os versos abrem um dos cordéis mais compartilhados de Maryana Damasceno no Instagram e ajudam a compreender como seu trabalho vem extrapolando as fronteiras da literatura popular no ambiente digital. O texto dialoga diretamente com a polêmica envolvendo a campanha de fim de ano 2025-2026 da marca Havaianas, estrelada pela atriz Fernanda Torres. A peça publicitária provocou intenso debate nas redes sociais e resultou em pedidos de boicote por parte de apoiadores da direita, que interpretaram a frase dita pela atriz, “não comece com o pé direito”, como um suposto posicionamento político favorável à esquerda.

O cordel se encerra com versos igualmente incisivos. E aos extremos da direita / Venham cá pra aprender / Um tal Copérnico disse / Para quem quiser saber / Que a terra, meu rouxinol, / Gira em torno do sol / Não em torno de você. A publicação ultrapassou 5,3 milhões de visualizações, soma mais de 18,5 mil comentários e já foi repostada mais de 28,5 mil vezes. Números que poderiam parecer comuns quando comparados a conteúdos baseados em coreografias ou entretenimento imediato, mas que ganham outra dimensão ao se tratar da circulação de um cordel autoral, atravessado por acidez política e debate social consistente, sem recorrer a palavras difíceis ou afastamento do público. Popular no sentido mais rigoroso do termo, o texto dialoga com o cotidiano e com o momento político do país, reafirmando que o cordel, mesmo no feed, segue sendo ferramenta de leitura crítica do presente.

Jornalista, poeta, cordelista, escritora e produtora de conteúdo, Maryana Damasceno construiu uma presença digital que escapa do caminho mais previsível. Em vez de adaptar a tradição ao formato superficial das redes, levou para o centro da tela uma das manifestações mais antigas e simbólicas da cultura nordestina: a literatura de cordel. O encontro entre tradição e contemporaneidade tem rendido mais de 120 mil seguidores no Instagram e alguns vídeos que ultrapassam a marca de um milhão de visualizações. Seus conteúdos misturam versos autorais, crítica política, observação social e humor preciso. O cordel aparece como linguagem viva, capaz de falar sobre machismo, desigualdade, identidade nordestina, apagamentos históricos e disputas simbólicas que atravessam o Brasil contemporâneo.

Nascida em Santana do Ipanema, no sertão de Alagoas, e radicada em Natal há mais de cinco anos, Maryana carrega no corpo e na voz as marcas dos territórios por onde circula. Viveu mais de uma década em Maceió, passou quatro anos no Recife, mantém vínculos familiares em João Pessoa e construiu afetos em diferentes estados do Nordeste. Essa experiência múltipla atravessa o conteúdo que produz. O Nordeste não aparece como ideia abstrata ou caricata, mas como vivência concreta, feita de costumes, contradições, artistas, conflitos sociais e potências culturais.

Sua relação com o cordel é afetiva e cotidiana. Foi aprendida no convívio familiar, especialmente com a tia cordelista, mas também aprofundada por meio do estudo, como uma pós-graduação em Escrita Criativa, e da prática constante da oralidade. Essa trajetória se consolidou a ponto de, em 2024, Maryana assumir a cadeira 44 da Academia Alagoana de Literatura de Cordel, espaço tradicional que reconhece sua atuação e sua contribuição para a continuidade da manifestação.

Literatura de cordel como linguagem política

A literatura de cordel surgiu como forma popular de narrar acontecimentos, criticar autoridades, contar histórias fantásticas e registrar o cotidiano do povo nordestino. Durante décadas, resistiu sobretudo nas feiras livres e por meio de esforços individuais, quase sempre protagonizados por homens. A presença feminina existiu, mas foi historicamente invisibilizada. Muitas mulheres foram impedidas de circular com legitimidade suas produções artísticas e, em não poucos casos, obrigadas a ceder seus textos para que fossem assinados por autores masculinos. A autoria feminina foi silenciada não por falta de produção, mas por uma estrutura que negava às mulheres o direito à palavra pública. Com o avanço dos meios de comunicação de massa e, posteriormente, da digitalização, o cordel perdeu espaço nos grandes fluxos de circulação, ainda que movimentos de resistência tenham mantido a tradição viva.

É justamente tensionando esse percurso que o trabalho de Maryana se destaca. A partir da pandemia e do isolamento social, ela identificou no ambiente digital uma possibilidade concreta de expansão da literatura popular. O Instagram tornou-se, em suas mãos, uma nova praça pública. Um espaço onde o cordel reaparece sem folhetos, cordões ou pregadores, mas alcança públicos diversos e novas camadas de leitura. Não se trata de abandonar o passado, mas de deslocá-lo, adaptá-lo e colocá-lo em diálogo com o presente e com as disputas que atravessam o tempo atual.

Sem recorrer a performances caricatas, Maryana aposta em um conteúdo marcado por posicionamentos claros e leitura atenta do contexto social. Em meio a tantos perfis que se medem apenas pelo número de seguidores, sua relevância se sustenta na densidade das discussões que propõe. Seus vídeos assumem escolhas, provocam os consensos e recusam neutralidades. Em um cordel sobre a barbárie da invasão antidemocrática de 8 de janeiro, declama: Lembremos da covardia / De um movimento hostil / Dos ataques violentos / Criminosos ao Brasil / Mas eu digo: quem diria / A nossa democracia / Balançou mas não caiu.

Entre os conteúdos mais virais do perfil @maryanadamasceno estão textos que dialogam diretamente com pautas de relevância social e política, em sintonia com debates que dominam o espaço público. São cordéis que abordam desigualdade, conservadorismo, preconceito, direitos das mulheres, identidades nordestinas e disputas narrativas em momentos de forte polarização política. Em outro exemplo, ao comentar o pedido de prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, após tentar violar a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda, Maryana recorre à ironia para apresentar o fato político: A musiquinha tocou / Na vinheta do plantão / A PF já chegou / Pra levar o capitão / Tudo certo, sem impulso / E de soluço em soluço / Chegamos na solução (…) Um curso de soldador / Faltou para o capitão / Mas siga se esforçando / Pois trago em primeira mão / Se quiser estudar mais / Dá para fazer Senai / Estudando da prisão.

O engajamento elevado não se explica apenas pela forma rimada ou pelo humor, mas pela capacidade de leitura do presente e pela escolha deliberada de não se omitir. Em um ambiente digital marcado por polarizações constantes, Maryana utiliza o cordel como ferramenta de intervenção, reafirmando a literatura popular como meio legítimo de posicionamento e crítica social.

Embora o cordel seja o eixo central de sua produção, o perfil também reúne dicas de leitura, indicações de obras audiovisuais, homenagens a artistas nordestinos e experimentações criativas, como a inserção de versos autorais em músicas conhecidas. Ao levar o cordel para o ambiente digital, Maryana Damasceno não apenas amplia o alcance da literatura popular nordestina. Ela reafirma o caráter político, transgressor e contemporâneo do gênero, que, historicamente, sempre se afirmou desse jeito. Mostra que tradição não é sinônimo de passado imutável, mas de permanência reinventada. Em tempos de excesso de influenciadores nas plataformas de conteúdo, sua produção aponta para outra lógica. A da palavra que permanece, da rima que provoca e da cultura que se recusa a caber em moldes estreitos.



Fonte: saibamais.jor.br