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Ataque a tiros em escola no Canadá deixa 10 mortos

Dez pessoas, incluindo a suspeita de praticar o crime, morreram depois que uma mulher abriu fogo em uma escola secundária no oeste do Canadá nessa terça-feira (9), em um dos eventos com maior número de vítimas da história recente do país.

O incidente levou ao Canadá o tipo de tiroteio em massa mais comum nos Estados Unidos, e foi realizado por um atirador do sexo feminino, informou a polícia.

Seis pessoas foram encontradas mortas dentro de uma escola secundária na cidade de Tumbler Ridge, na Colúmbia Britânica, duas em uma residência que se acredita estar relacionada ao incidente, e outra pessoa morreu a caminho do hospital, segundo a Polícia Montada Real Canadense.

Pelo menos mais duas pessoas foram hospitalizadas com ferimentos graves ou com risco de vida, e cerca de 25 estão sendo tratadas por ferimentos sem risco de vida.

A suposta atiradora também foi encontrada morta, aparentemente por ferimento autoinfligido, informou a polícia, acrescentando que não acredita haver mais suspeitos ou ameaças contínuas ao público.

“É difícil saber o que dizer em uma noite como essa. É o tipo de coisa que parece ocorrer em outros lugares e não perto de casa”, disse o primeiro-ministro da Colúmbia Britânica, David Eby, aos repórteres.

A polícia não divulgou detalhes sobre a atiradora, exceto para dizer que a pessoa foi descrita como uma mulher — desenvolvimento potencialmente incomum, já que os tiroteios em massa na América do Norte são quase sempre realizados por homens.

Um alerta da polícia sobre um atirador ativo disse que a suspeita foi descrita como “uma mulher vestida com um vestido e cabelos castanhos”. O superintendente da polícia, Ken Floyd, confirmou mais tarde, em entrevista, que a suspeita descrita no alerta era a mesma pessoa encontrada morta na escola. A polícia não informou quantas vítimas são menores de idade.

Comunidade unida

Tumbler Ridge é um pequeno município com uma população de 2.400 pessoas no norte da Colúmbia Britânica, aproximadamente a 1.150 km a nordeste de Vancouver. Imagens da cidade mostram uma paisagem coberta de neve e repleta de pinheiros.

A Tumbler Ridge Secondary School tem 160 alunos do 7º ao 12º ano, com idades entre 12 e 18 anos, de acordo com seu site. A escola foi fechada pelo resto da semana e mais informações são disponibilizadas para aqueles que precisarem, disseram afministradores da escola.

A pequena força policial da cidade chegou ao local dois minutos após receber a chamada e as vítimas ainda estavam sendo avaliadas horas após o incidente.

“Esta é uma comunidade pequena e unida, com pequeno destacamento da RCMP (Polícia Montada Real Canadense), que respondeu em dois minutos, sem dúvida salvando vidas”, disse Nina Krieger, ministra da Segurança Pública da Colúmbia Britânica, aos repórteres.

O tiroteio está entre os mais mortais da história do Canadá.

 

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Movimentos sociais protestam contra lei que criminaliza luta pelo direito à moradia no RN

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Integrantes do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e do Movimento Nacional da População em Situação de Rua (MNPR), além de militantes do partido Unidade Popular (UP), fizeram uma manifestação em frente a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN), nesta terça-feira (10), em protesto contra a derrubada do veto do projeto de lei 53/2024, que criminaliza movimentos sociais que lutam pelo direito à moradia. De autoria do deputado estadual Gustavo Carvalho (PL), a matéria foi aprovada pela maioria dos parlamentares potiguares no final de dezembro de 2024. Os únicos votos contrários foram da bancada do PT (Isolda Dantas, Divaneide Basílio e Francisco do PT).

O projeto de lei foi vetado pela governadora em fevereiro de 2025, mas o veto foi derrubado em votação realizada no início de dezembro do mesmo ano na ALRN. Fátima alegou que o texto seria inconstitucional por pretender estabelecer, através lei estadual, a promoção de ações no âmbito do Direito Civil, ainda que esta seja de competência da União.

A lei prevê sanções a pessoas que participarem de ocupações urbanas que incluem a proibição de receber auxílios e benefícios de programas sociais, tomar posse em cargos públicos, contratar com o poder público e até realizar concursos no âmbito estadual.

O projeto foi motivado pela ocupação do terreno da antiga sede do extinto jornal “Diário de Natal”, localizado na Avenida Deodoro da Fonseca, no bairro de Petrópolis, Zona Leste de Natal, pelo MLB, no final de janeiro de 2024. Na época, cerca de 30 famílias organizaram a “Ocupação Emmanuel Bezerra”.

Para Bia Soares, integrante da coordenação nacional do MLB, o projeto “criminaliza as ocupações urbanas”, prevendo inclusive a perda de direitos para integrantes desses movimentos de luta pelo direito à moradia.

“É uma lei inconstitucional, que em vez de debater um problema central, que é o déficit habitacional, criminaliza aqueles que lutam por um direito constitucional, que é o de ter um teto sobre sua cabeça”, denunciou.

Saiba Mais: ALRN derruba veto e restabelece lei que criminaliza ocupações sem-teto

Manifestantes caminharam do Viaduto do Baldo à Praça Sete de Setembro

A manifestação teve início no final da manhã, com uma marcha que saiu do Viaduto do Baldo em direção à Praça Sete de Setembro, onde ficaram concentrados os integrantes do MLB.

Durante o dia, eles realizaram mesas de debate, apresentações culturais e denunciaram o que a coordenadora do movimento classificou como “descaso com luta pela moradia”.

“Essa é uma luta inclusive histórica, que tem sua origem desde o início da propriedade privada, quando se aboliu a escravidão para garantir que os ricos continuassem ricos. Foi criada a lei das terras, que impera até hoje. Os que têm terra nos dias atuais são os descentes dos donos de terra daquela época, continuando essa lógica do direito à terra ser um monopólio de poucos”, refletiu.

Bia Soares, coordenadora nacional do MLB. Foto: Alisson Almeida

Para Bia Soares, o direito à moradia vai além de “ter um teto”: “A moradia representa também o direito de colocar os seus filhos na escola, de ter um atendimento médico, de ter uma segurança, de ter um lazer e ter uma formação de um ser humano com dignidade”.

A coordenadora do movimento lembrou que existem direitos básicos, como a possibilidade de tomar um banho com tranquilidade, mas que são negados às pessoas em situação de rua.

“ALRN criminaliza luta pelo direito à moradia, enquanto população em situação de rua cresce 100% no RN”, denuncia coordenadora

Foto: Alisson Almeida

“Ao mesmo tempo que a Assembleia Legislativa aprova uma lei criminalizando a luta pelo direito à moradia, nós vemos o número de pessoas vivendo em situação de rua crescer 100% no Rio Grande do Norte, enquanto temos imóveis abandonados que seriam suficientes para zerar o nosso déficit habitacional”, apontou.

Bia Soares atribui a criminalização da luta pelo direito à moradia ao avanço da especulação imobiliária, que, na opinião dela, “tem como prioridade a manutenção dos altos lucros”.

“Preferem que os imóveis se destruam com o tempo e com a ação da depredação a assegurar o direito de moradia ao povo”, avaliou.

De acordo com Bia Soares, além do protesto, o movimento está se organizando para entrar com uma ação judicial pedindo a derrubada da lei, considerada inconstitucional pelo MLB.

“A gente quer que o direito constitucional de você se manifestar e o direito à moradia, que estão sendo violados, sejam assegurados. Essa lei é inconstitucional, por isso nós queremos que os deputados se posicionem, coloquem de novo em pauta e realizem outra votação”, explicou.

Fonte: saibamais.jor.br

Carnaval pode ser plataforma central para expandir economia criativa

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O retorno para a economia de cada real investido em cultura e artes – o que inclui o Carnaval – é maior que o de investimentos em algumas áreas tradicionais da indústria, como a automobilística. Em entrevista à Agência Brasil, durante sua passagem pelo país para estudar a economia criativa em torno da folia, a economista ítalo-americana Mariana Mazzucato destacou a potência da maior festa brasileira.

“O investimento público em artes e cultura contribui muito mais para a economia do que grande parte da indústria manufatureira tradicional”, disse Mazzucato.

“No entanto, os governos continuam investindo mais nesses setores tradicionais da indústria, mesmo que as evidências estejam aí. Não é verdade que não temos as evidências”.

No Brasil, enquanto um real investido em cultura pode render R$ 7,59 em retorno para sociedade por meio de empregos e renda, um real investido no setor de automóveis e caminhões tem um impacto multiplicador de R$ 3,76, conforme estudos da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial. 

 


Brasília (DF), 10/02/2026 –  ECONOMIA CARNAVAL -Entrevista com Mariana Mazzucato, economista italiana. A cultura pode ajudar a repensar o que deve ser financiado, como deve ser financiado e com quais objetivos. 
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Brasília (DF), 10/02/2026 –  ECONOMIA CARNAVAL -Entrevista com Mariana Mazzucato, economista italiana. A cultura pode ajudar a repensar o que deve ser financiado, como deve ser financiado e com quais objetivos. 
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Economista Mariana Mazzucato está no Brasil para estudar a economia criativa do carnaval Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Uma das mais influentes economistas do mundo, a autora do livro O Estado Empreendedor acrescentou que o Carnaval traz benefícios sociais, de bem-estar e saúde mental para diversas comunidades, muitas delas vulneráveis.  

“Mais do que apenas falar da comida, da bebida, dos hotéis e do turismo durante o Carnaval, é o impacto social das habilidades, das escolas, das redes, do valor da coesão social, do senso de identidade e patrimônio”.

Mazzucato visitou Rio de Janeiro e Salvador para conhecer a economia por trás das festas, e promete ir para Recife na próxima visita.

A economista lidera pesquisa da University College London (UCL), com cooperação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que investiga o papel das artes e da cultura para o desenvolvimento econômico de um país.

Economia criativa do Carnaval

Ao passar por Brasília para reuniões com gestores públicos federais, Mazzucato defendeu que o Carnaval seja o centro de uma plataforma para expandir no Brasil a economia criativa, que é um modelo de negócios baseado no capital intelectual, cultural e na criatividade para gerar emprego e renda.

 


Rio de Janeiro (RJ), 07/02/2025 - Confecção de fantasias para o carnaval no barracão da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis, na Cidade do Samba, zona portuária. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 07/02/2025 - Confecção de fantasias para o carnaval no barracão da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis, na Cidade do Samba, zona portuária. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Confecção de fantasias para o carnaval no barracão da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis, na Cidade do Samba, zona portuária. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A economista ainda questionou a tese de que “não há dinheiro” para investimentos em cultura; lembrou que o setor contribui para redução da criminalidade; e alertou para os riscos de o Carnaval gerar mais concentração de renda.

“Devemos sempre lembrar que existem relações de poder. Quem tem acesso [ao Carnaval]? Está se tornando muito comercial? Para onde vai o dinheiro? Os patrocínios, por exemplo, estão sendo reinvestidos nas comunidades e no ecossistema que cria essa incrível criatividade?”, questionou.

A visita ao Brasil é parte de parceria com Ministério da Cultura para elaborar indicadores econômicos que auxiliem o governo brasileiro a construir políticas públicas que impulsionem a economia em torno do Carnaval, da cultura e das artes.

 


Rio de Janeiro (RJ), 08/02/2026 - Bloco latino tradicional do Rio, Bésame Mucho, desce ladeira do morro da Providência, no centro da cidade, com o tema da imigração e a revolta contra as sanções e perseguições impostas pelos Estados Unidos.
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 08/02/2026 - Bloco latino tradicional do Rio, Bésame Mucho, desce ladeira do morro da Providência, no centro da cidade, com o tema da imigração e a revolta contra as sanções e perseguições impostas pelos Estados Unidos.
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Bloco latino tradicional do Rio, Bésame Mucho desce ladeira do morro da Providência, no centro da cidade, com o tema da imigração e a revolta contra as sanções e perseguições impostas pelos Estados Unidos. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Confirma a entrevista exclusiva abaixo:

Agência Brasil: Sua pesquisa afirma que as artes e a cultura são essenciais, e não periféricas, para o desenvolvimento econômico. Em um país como o Brasil, como a cultura, a arte e o Carnaval podem impulsionar a prosperidade econômica?

Mazzucato: O que venho defendendo é que não devemos pensar em crescimento ou desenvolvimento em nível setorial, na indústria ou outro setor. Devemos pensar em missões, por exemplo, saúde para todos, uma economia mais sustentável e inclusiva, e questionar o que isso significa para todos os diferentes setores da economia.

O Carnaval é um microcosmo. Acontece em uma época específica do ano, mas, na verdade, durante o ano todo existe uma incrível cadeia de atividades nas áreas artísticas e culturais, seja música e percussão, canto, fantasias, trajes, seja o incrível desfile.

A própria escola de samba é uma oportunidade incrível para o desenvolvimento de habilidades, para a formação de redes de contatos, para o aumento da autoconfiança e para que as pessoas se sintam mais valorizadas.

É verdade que o setor cultural tem um alto poder multiplicador, pois envolve muitas pessoas, mas seu impacto é muito mais amplo.

Mais do que apenas falar da comida, da bebida, dos hotéis e do turismo durante o Carnaval, é o impacto social das habilidades, das escolas, das redes, do valor, da coesão social, do senso de identidade e de patrimônio.

 


Brasília (DF), 10/02/2026 –  ECONOMIA CARNAVAL -Entrevista com Mariana Mazzucato, economista italiana. A cultura pode ajudar a repensar o que deve ser financiado, como deve ser financiado e com quais objetivos. 
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Brasília (DF), 10/02/2026 –  ECONOMIA CARNAVAL -Entrevista com Mariana Mazzucato, economista italiana. A cultura pode ajudar a repensar o que deve ser financiado, como deve ser financiado e com quais objetivos. 
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Economista Mariana Mazzucato em entrevista à Agência Brasil. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Agência Brasil: Você tem defendido que o papel das artes e da cultura na economia é subestimado por governos e especialistas. Por quê?

Mazzucato: Para cada real investido, o retorno para a economia como um todo é maior do que na indústria automobilística. Isso é verdade globalmente: o investimento público em artes e cultura contribui muito mais para a economia do que grande parte da indústria manufatureira tradicional.

No entanto, os governos continuam investindo mais nesses setores tradicionais da indústria, mesmo que as evidências estejam aí. Não é verdade que não temos as evidências.

Mas acho que, no fim das contas, devemos admitir que talvez não nos importemos o suficiente com as artes e a cultura e é, por isso, que não investimos nelas. Não é porque não haja nenhum relatório econômico dizendo que deveríamos.

 


Rio de Janeiro (RJ), 06/02/2026 - Turma de bate-bola feminino, Brilhetes de Anchieta, se prepara para o carnaval 2026, em Anchieta, zona norte da cidade.  Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 06/02/2026 - Turma de bate-bola feminino, Brilhetes de Anchieta, se prepara para o carnaval 2026, em Anchieta, zona norte da cidade.  Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Turma de bate-bola feminino, Brilhetes de Anchieta, se prepara para o carnaval 2026, em Anchieta, zona norte da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Agência Brasil: Alguns especialistas defendem limites fiscais rigorosos para gastos públicos. Isso obstrui a capacidade de impulsionar a economia criativa em torno do Carnaval?

Mazzucato: É interessante ver que para guerras e Defesa, o dinheiro surge do nada. Ninguém diz: “Ah, primeiro precisamos da arrecadação de impostos e depois investimos”. Eles usam acordos de compra antecipada porque há um objetivo.

Eles não criam essas narrativas falsas de que “ah, não há dinheiro”. Mas, em outras áreas, como educação, saúde e cultura, de repente dizemos: “Ah, não há dinheiro”. Ou dizemos que se você investir mais em saúde, deve investir menos em educação, ou mais em educação, menos em cultura.

Essas são maneiras falsas de entender a economia. Ao ter metas estratégicas, ousadas e inspiradoras que exigem investimento em diferentes áreas, você pode catalisar e expandir a capacidade produtiva de uma economia. Mesmo que custe dinheiro, o PIB acaba aumentando.

A questão é: em que estamos investindo? E eu acho que a cultura é muito importante como um setor ─ teatro e artes visuais, Carnaval e toda essa cadeia de atividades. Devemos investir nisso para nos ajudar a reimaginar o propósito da economia.

Agência Brasil: Qual o papel das artes e da cultura para a segurança pública?

Mazzucato: Há altos índices de criminalidade entre jovens, geralmente, em lugares onde esses jovens se sentem muito marginalizados. Se o corpo de alguém não tem valor, então o corpo de outra pessoa também não tem.

Portanto, investir em artes, cultura e na economia criativa é uma forma de diminuir a criminalidade. Esse não deve ser o único motivo para investirmos nisso, mas há evidências muito interessantes em nível comunitário de que os benefícios sociais e de bem-estar do investimento em artes e cultura são muito amplos.

Eles podem ajudar na sensação de bem-estar, na coesão social, na resiliência e, em última análise, na redução da criminalidade.

Agência Brasil: No Brasil, há setores sociais e políticos que questionam o investimento público em artes e cultura. Qual é o papel do Estado no desenvolvimento dessa economia?

Mazzucato: Essas mesmas pessoas, que reclamam do desperdício, não reclamam dos enormes subsídios concedidos ao agronegócio ou a outros setores. Voltamos à questão: o que valorizamos?

É verdade, porém, que, às vezes, a forma como o subsídio é estruturado pode ser problemática. Precisamos de melhores medidas e métricas. Acho que não deveríamos perguntar se o Estado deve investir em cultura, mas, sim, como o Estado deve investir.

Os investimentos públicos, em muitos países diferentes, têm sido cruciais para atrair investimentos privados.  

 


Recife (PE), 27/01/2026 - FOTO DE ARQUIVO. Bloco de carnaval Galo da Madrugada. Foto: Sérgio Bernardo/Arquivo/PCR
Recife (PE), 27/01/2026 - FOTO DE ARQUIVO. Bloco de carnaval Galo da Madrugada. Foto: Sérgio Bernardo/Arquivo/PCR

Bloco de carnaval Galo da Madrugada, no Recife. Foto: Sérgio Bernardo/Arquivo/PCR

Agência Brasil: Qual o papel do setor privado na economia criativa em torno do Carnaval?

Mazzucato: É preciso trabalhar com o setor privado de forma orientada a objetivos públicos, catalisando experimentação, inovação e investimento da iniciativa privada em diferentes áreas. Esse é um desafio de planejamento.

Não queremos simplesmente dar dinheiro ao setor privado para patrocinar um projeto aleatório, escolhido por um indivíduo que, em vez de pagar impostos, financia um projeto que considera valioso. Não acho que isso seja necessariamente o ideal.

Agência Brasil: O que você observou no Carnaval brasileiro que te chamou atenção?

Mazzucato: O Carnaval no Brasil é famoso no mundo todo. É por isso que ele tem um grande efeito multiplicador e gera mais de US$ 2 bilhões em receita. Mas é muito mais do que isso.

É um momento em que muitas atividades diferentes ligadas às artes e à cultura se unem com o que chamamos de bem viver, também cheio de alegria. Muitas vezes acontece em comunidades carentes, como as escolas de samba nas favelas, algumas das comunidades mais vulneráveis.

Gostaria que o Carnaval pudesse se tornar uma plataforma, um sistema como elemento central de uma economia criativa. Os brasileiros devem se orgulhar muito disso, mas também devemos sempre lembrar que existem relações de poder. Quem tem acesso? Está se tornando muito comercial? Para onde vai o dinheiro?

Os patrocínios, por exemplo, estão sendo reinvestido nas comunidades e no ecossistema que cria essa incrível criatividade? Acho que essas são as perguntas mais importantes para o futuro.

Eu venho da região da Itália perto de Veneza, em Pádua, e temos o nosso próprio Carnaval, mas não está enraizado no território, não é algo para o qual os jovens são preparados para participar. É uma espécie de carnaval morto, se posso dizer.

Aqui, vocês têm um carnaval vivo. Acho que vocês devem pensar nisso como um investimento a longo prazo, no centro de uma economia criativa.

 


Rio de Janeiro (RJ), 05/01/2025 – A vendedora ambulante, Jaqueline dos Santos Pereira com sua barraca na Rua do Mercado, no centro do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 05/01/2025 – A vendedora ambulante, Jaqueline dos Santos Pereira com sua barraca na Rua do Mercado, no centro do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A vendedora ambulante Jaqueline dos Santos Pereira, em janeiro de 2025, com sua barraca na Rua do Mercado, no centro do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

 

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Vila Isabel pagará “dívida” da Sapucaí com Heitor dos Prazeres

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Como alguém que fundou cinco escolas de samba ainda não tinha sido homenageado em nenhum enredo no Grupo Especial do Rio de Janeiro? A dívida do carnaval carioca com Heitor dos Prazeres será paga neste ano pela Vila Isabel, que levará à Marquês de Sapucaí o enredo Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África.

Além de músicas e quadros, o cantor, compositor e pintor assina também a fundação das agremiações Mangueira, Portela, Unidos da Tijuca, Vizinha Faladeira e Deixa Falar. 

“Como um fundador de escola de samba, um grande pintor, grande músico, costureiro, cenógrafo ainda não tinha sido enredo?, questionou, em entrevista à Agência Brasil, Gabriel Haddad, que junto com Leonardo Bora, são os carnavalescos da Vila.

Haddad lembrou que Heitor já tinha sido citado algumas vezes em outras escolas e foi enredo no grupo chamado de acesso, mas no Grupo Especial, ainda não.

“São diversos caminhos, porque só essa atuação múltipla do Heitor já revela muitos Heitores, e a gente foi percebendo isso, um artista, um sambista, uma pessoa, uma entidade. Por isso, o enredo segue estas transformações” revelou Leonardo Bora à Agência Brasil.

>> Enredos das escolas de samba contam a história não oficial

>> Conheça os enredos das escolas do Grupo Especial do Rio em 2026

>> Acompanhe a cobertura do carnaval na Agência Brasil

 


Rio de Janeiro (RJ), 14/01/2026 - Gabriel Haddad e Leonardo Bora, carnavalescos da Unidos de Vila Isabel, que homenageará o multifacetado artista Heitor dos Prazeres em seu enredo para o Carnaval de 2026,, no barracão da escola, na Cidade do Samba.  Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 14/01/2026 - Gabriel Haddad e Leonardo Bora, carnavalescos da Unidos de Vila Isabel, que homenageará o multifacetado artista Heitor dos Prazeres em seu enredo para o Carnaval de 2026,, no barracão da escola, na Cidade do Samba.  Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Gabriel Haddad e Leonardo Bora, carnavalescos da Unidos de Vila Isabel, que homenageará o multifacetado artista Heitor dos Prazeres em seu enredo para o Carnaval de 2026: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Sonhos

A ideia dos carnavalescos foi trazer os diversos sonhos do Heitor como se a Vila os estivesse sonhando. A linha temática dividiu os setores a partir dos nomes que o artista teve na vida, o menino Lino, o Ogã Alabê-Nilu, o Mano Heitor do Cavaco, o afro-rei Pierrot e o grande final da vida de Heitor, quando foi considerado embaixador por toda a sociedade e representou o Brasil no Primeiro Festival Mundial de Artes Negras, realizado em Dakar.

A pesquisa que Bora e Haddad desenvolveram para uma exposição sobre o artista no CCBB RJ em 2023 gerou nos dois o desejo de fazer este enredo. Eles destacam que, nesse trabalho, se depararam com o pensamento de Heitor de que samba é macumba, e macumba é samba, como indica o samba-enredo do carnaval 2026.

Os dois chegaram neste ano à escola, com a responsabilidade de propor o enredo, e encontraram o pesquisador Vinícius Natal, com quem já tinham trabalhado e que também tinha vontade de homenagear Heitor dos Prazeres.

“Foi uma sinergia boa que aconteceu entre a gente, o Vini e a própria escola. Todo mundo topou o enredo e começamos a construir tudo”, contou Haddad.

Os carnavalescos veem como uma responsabilidade muito grande encarar a difícil tarefa de concentrar em apenas um desfile toda a obra de Heitor dos Prazeres.

Leonardo Bora disse que a ideia foi começar a costurar essas relações do enredo e da história do homenageado com a própria agremiação sua comunidade. Martinho da Vila, por exemplo, gravou Pierrô Apaixonado, que é uma composição de Heitor dos Prazeres com Noel Rosa, conhecido como o poeta da Vila.

“Só aí já tem uma conexão dupla com a Vila Isabel”, pontuou ele, que incluiu a música no desfile.”Vai ser retratada por conta dessa importância do Heitor cronista do cotidiano nas suas pinturas e na sua musicalidade”.

Com este enredo, os carnavalescos querem também valorizar a amplitude artística de Heitor, que, como entendem, nem sempre teve o reconhecimento devido. Nem mesmo o termo de multiartista era usado na época dele, o que está sendo considerado, agora, neste enredo.

“Uma das grandes contribuições desse enredo é para esse reposicionamento do Heitor dos Prazeres enquanto grande artista da história da arte brasileira, grande pintor moderno, grande representante da modernidade carioca, desse projeto modernista que tem o samba como carro chefe”, apontou Bora.

“Essa produção extraordinária dele acabou sendo colocada em rótulos que nunca competiram a ela, de pintura naif, primitiva. São termos que, de tão enferrujados, não param de pé”, criticou.

Ogã Alabê-Nilu

A religiosidade do homenageado também estará na avenida. Heitor dos Prazeres começou a frequentar casas de candomblé ainda criança e foi no terreiro de sua madrinha, Tia Ciata, baiana considerada uma das criadoras do samba no Rio e de importante participação para o fortalecimento da cultura negra na cidade, que Heitor se tornou o Ogã Alabê-Nilu.

“É o chefe dos tambores, aquele que toca e canta. Ele tinha, no terreiro da Tia Ciata, esse lugar mítico tão importante para a compreensão dos sambas e macumbas cariocas, uma posição de líder dos tambores. O Heitor entendia que isso que se entende por samba nasce dessa macumba do Rio de Janeiro que é uma mistura de ritmos e de geografias”, disse Bora.

E é justamente onde existia o terreiro de Tia Ciata que a Vila Isabel vai se concentrar para entrar na avenida este ano. É a concentração chamada de “Balança”, em referência a um prédio construído no local, o famoso Edifício Balança Mas Não Cai. Ali, era a Praça Onze, origem do samba no Rio e de manifestações de cultura da população preta. Também ali fica o busto de Zumbi dos Palmares.

“Coincidência Incrível. Exatamente onde era a antiga Praça Onze”, comemorou Haddad.

 


Rio de Janeiro (RJ), 14/01/2026 - Gabriel Haddad e Leonardo Bora, carnavalescos da Unidos de Vila Isabel, que homenageará o multifacetado artista Heitor dos Prazeres em seu enredo para o Carnaval de 2026,, no barracão da escola, na Cidade do Samba.  Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 14/01/2026 - Gabriel Haddad e Leonardo Bora, carnavalescos da Unidos de Vila Isabel, que homenageará o multifacetado artista Heitor dos Prazeres em seu enredo para o Carnaval de 2026,, no barracão da escola, na Cidade do Samba.  Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Gabriel Haddad e Leonardo Bora, carnavalescos da Unidos de Vila Isabel, que homenageará o multifacetado artista Heitor dos Prazeres em seu enredo para o Carnaval de 2026. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Recepção da comunidade

O anúncio do enredo foi na Pedra do Sal, ponto de encontro para samba e celebrações da cultura negra na região conhecida como Pequena África. A apresentação teve direito a roda de samba e convite a intérpretes de outras agremiações, o que agradou a comunidade da Vila, que imediatamente se envolveu com o enredo.

“O momento do anúncio foi o ápice, de reencontro da comunidade com o enredo que ela se identificasse diretamente, um enredo que falasse sobre o próprio carnaval, a história do samba, que envolvesse a parte também de todas as religiões de matrizes africanas”, afirmou Haddad.

“A comunidade recebeu da melhor maneira possível, tinha muita gente emocionada, chorando feliz de estar vivendo aquele momento ali com a Vila”, observou.

Escola popular

Leonardo Bora destacou que a Vila é considerada uma escola de rua, que gosta dessas festividades da rua, da calçada, da esquina e do botequim.

Para ele, é um enredo que acaba necessariamente transitando por este universo, porque o Heitor também é um personagem das ruas do Rio de Janeiro, do carnaval brincado no bonde, da memória de uma cidade que pode ser tão festiva e agregadora como era a antiga Praça Onze, onde tantas famílias migrantes de diferentes origens conviviam.

Na visão do carnavalesco, a Vila tem apreço por esta nostalgia carnavalesca, já cantada em vários sambas belíssimos como do próprio Martinho da Vila.

Por outro lado, é uma escola muito aguerrida, muito orgulhosa das suas raízes negras, das comunidades que formam a sua base, o Morro dos Macacos e o Morro do Pau da Bandeira.

“É um enredo que pegou na veia do componente da Vila Isabel e o agradou muito, porque não tem como não se identificar”.

Comissão de frente

Para Alex Neoral, que assina com Márcio Jahú a coreografia da Comissão de Frente, este enredo, que é o primeiro deles com Bora e Haddad, está sendo bastante desafiador, mas ao mesmo tempo muito emocionante.

“Desenvolver uma comissão a partir dessa personalidade é uma responsabilidade. Às vezes é também um poço sem fundo de possibilidades, porque ele era um artista múltiplo”,disse à Agência Brasil.

“Ali, a gente tem a oportunidade de trabalhar ele como alfaiate, como compositor, como pintor, como sambista, como ogã, como macumbeiro, como um homem negro importante e atuante naquela época, amigo de Noel Rosa, de Cartola, fundando as escolas que hoje em dia são a Portela, a Mangueira”.

Esse é o 17º ano que Alex faz a coreografia de uma Comissão de Frente. Ele avaliou que o trabalho está cada vez mais desafiador.

“As comissões, como um todo e em todas as escolas, são quase um espetáculo independente do desfile. É uma responsabilidade muito grande”, pontuou.

Neoral confirmou que haverá surpresas na apresentação, fato que costuma empolgar o público na avenida.

“Não é no sentido de uma mágica, não é só isso. É uma surpresa de pegar no inesperado. Pegar o público despercebido e emocionar, e aí a emoção vai no coração, em algo que é mais virtuoso”.

Como a coreografia é feita a partir da música, Neoral elogiou o samba, o qual considerou excelente para a apresentação da Comissão. Ele explica que um bom samba impulsiona o movimento e dá motivação, e aposta que a Vila tem um dos melhores sambas deste ano.

“Na prática, é muito fácil coreografar um samba bom, bonito e que faz mover. Isso também faz diferença na questão da emoção, da execução, do resultado. Estou muito feliz com a escola este ano, com o enredo, com os carnavalescos e com a comunidade. Muito confiante e feliz”, concluiu empolgado.

Conheça os enredos e a ordem dos desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro

1º dia – domingo (15/2)

  • Acadêmicos de Niterói – Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil;
  • Imperatriz Leopoldinense – Camaleônico;
  • Portela – O Mistério do Príncipe do Bará;
  • Estação Primeira de Mangueira – Mestre Sacacá do Encanto Tucuju – o Guardião da Amazônia Negra

2º dia – segunda-feira (16/2)

  • Mocidade Independente de Padre Miguel – Rita Lee, a Padroeira da Liberdade;
  • Beija‑Flor de Nilópolis – Bembé do Mercado;
  • Unidos do Viradouro – Pra Cima, Ciça;
  • Unidos da Tijuca – Carolina Maria de Jesus.

3º dia – terça-feira (17/2)

  • Paraíso do Tuiuti  – Lonã Ifá Lukumi;
  • Unidos de Vila Isabel – Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África;
  • Acadêmicos do Grande Rio – A Nação do Mangue;
  • Acadêmicos do Salgueiro – A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau.

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Concurso 2.971: Mega-Sena acumula e prêmio vai a R$ 55 milhões

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O prêmio do concurso 2.971 da Mega-Sena acumulou nesta terça-feira (10). 

A estimativa de prêmio do próximo concurso, que será realizado no dia 12 de fevereiro, é de R$ 55 milhões

Nenhum apostador acertou as seis dezenas: 01 – 27 – 39 – 40 – 46 – 56

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Na quina, 33 apostas acertaram. Cada uma vai receber o valor de R$ 65.041,25.

Outras 2.294 apostas levaram a quadra, alcançando R$ 1.542,26 cada.


Fonte: Agência Brasil de Noticias

Petrobras bate recorde de produção e amplia exportações em 2025

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A Petrobras encerrou 2025 com a maior produção de petróleo e gás de sua história, com quase 3 milhões de barris diários, impulsionada pelo avanço do pré-sal e pela entrada de novas plataformas.

O desempenho operacional recorde sustentou também um salto nas exportações, que atingiram o maior volume anual já registrado pela estatal.

Segundo dados divulgados nesta terça-feira (10), a companhia superou com folga suas metas de produção e conseguiu renovar reservas mesmo em um ano marcado por paradas programadas para manutenção e declínio natural de campos maduros.

>> Principais números de produção em 2025:

  • Produção média anual própria: 2,99 milhões de barris de óleo equivalente (boe) por dia (+11%)
  • Produção total no 4º trimestre: 3,081 milhões de boe por dia
  • Alta no 4º trimestre: +18,6% em relação ao quarto trimestre de 2024
  • Queda trimestral: -1,1% frente ao terceiro trimestre de 2025
  • Produção no pré-sal: 82% do total no 4º trimestre
  • Pré-sal em 2025: 2,45 milhões de boe por dia (+11,4%)
  • Campo de Búzios: mais de 1 milhão de barris por dia (bpd) em outubro
  • Capacidade instalada em Búzios: cerca de 1,15 milhão de bpd

A Petrobras explicou que a leve retração no quarto trimestre frente ao período anterior foi causada principalmente por paradas para manutenção em plataformas da Bacia de Campos, como Marlim e Voador. O impacto foi parcialmente compensado pelo aumento de capacidade das unidades Flutuante de Produção, Armazenamento e Transferência (FPSO, na sigla em inglês) Almirante Tamandaré e Marechal Duque de Caxias, na Bacia de Santos.

A unidade Almirante Tamandaré, maior plataforma já instalada no país, produz cerca de 240 mil barris por dia. Já a plataforma P-79, que chegou ao campo de Búzios nesta semana, deverá acrescentar mais 180 mil barris diários à capacidade da estatal.

Reservas em alta

Mesmo com produção recorde, a companhia registrou o melhor desempenho em uma década na reposição de reservas:

  • Reservas adicionadas em 2025: 1,7 bilhão de boe
  • Índice de reposição de reservas (IRR): 175%
  • Relação entre as reservas provadas e a produção: 12,5 anos

Exportações também batem recorde

O avanço da produção se refletiu diretamente nas vendas externas de petróleo, que consolidaram 2025 como um ano histórico para a Petrobras e para a balança comercial brasileira.

  • Exportações médias em 2025: 765 mil barris/dia
  • Crescimento anual: +27%
  • Pico no 4º trimestre: cerca de 1 milhão de barris/dia

A China manteve a posição de principal destino do petróleo brasileiro. No quarto trimestre, a Índia passou a rivalizar com a Europa pela segunda colocação, com 12% do volume exportado, ante 13% dos países europeus.

Em nota, a Petrobras afirmou que os recordes são resultado de ganhos de eficiência operacional, otimização logística e da diversificação da carteira de clientes no mercado internacional.

Fonte: Agência Brasil de Noticias

FGC aprova plano emergencial para cobrir rombo do Banco Master

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O conselho do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) aprovou nesta terça-feira (10) um plano emergencial para recompor o caixa após o impacto financeiro provocado pela liquidação do Banco Master. A medida busca garantir que o fundo, mantido pelas instituições financeiras para cobrir eventuais quebras e liquidações, tenha liquidez compatível com os riscos do sistema financeiro já até o fim do primeiro trimestre.

O plano prevê a antecipação imediata do equivalente a cinco anos de contribuições futuras dos bancos associados, dividida em três parcelas mensais. O cronograma inclui ainda novos adiantamentos: mais 12 meses de aportes em 2027 e outros 12 meses em 2028, o que, na prática, representaria até sete anos de contribuições antecipadas.

Além disso, as instituições financeiras concordaram em elevar temporariamente o valor das contribuições mensais ao FGC. O aumento extraordinário deve variar entre 30% e 60% e valer por, no mínimo, cinco anos, segundo fontes envolvidas nas negociações.

Pelas regras atuais, os bancos associados recolhem mensalmente 0,01% sobre o total de instrumentos financeiros cobertos pela garantia do fundo. No caso dos Depósitos a Prazo com Garantia Especial (DPGE), as alíquotas são mais altas e variam de acordo com a estrutura das emissões.

Em nota, o FGC afirmou que discute a recomposição da própria liquidez com as instituições associadas e com o Banco Central, mas evitou detalhar as alternativas em análise. “As discussões estão em andamento e uma deliberação deverá ocorrer no curto prazo”, declarou.

Compulsórios

Outra alternativa em discussão no setor é a destinação de parte dos recursos do compulsório de depósitos à vista, reservas que os bancos são obrigados a manter no Banco Central (BC), para reforçar o caixa do FGC. A proposta, no entanto, depende de autorização do BC, que ainda não se manifestou sobre o tema.

Até o momento, o FGC desembolsou cerca de R$ 36 bilhões de um total superior a R$ 40 bilhões previstos para ressarcir os credores do Banco Master. O fundo ainda não iniciou os pagamentos relacionados ao Will Bank, que integrava o conglomerado e teve a liquidação decretada posteriormente. Nesse caso, a estimativa é de aproximadamente R$ 6,3 bilhões em garantias.

O restante das perdas está associado a linhas de crédito concedidas pelo próprio FGC a empresas do grupo Master.

Governança

A recomposição do caixa é vista pelo setor financeiro como etapa prévia a uma possível reforma nas regras do fundo. Entre as discussões preliminares estão medidas para ampliar a fiscalização da qualidade dos balanços das instituições associadas, restringir níveis elevados de alavancagem e reduzir a concentração da distribuição de produtos financeiros em poucas plataformas.

Parte das instituições financeiras, principalmente os bancos tradicionais de maior porte, crítica o uso do FGC nos últimos anos. Segundo esse segmento, algumas plataformas e instituições de menor porte usaram o FGC para alavancar balanços (usando recursos emprestados para emprestar), com o fundo sendo usado arbitrariamente para recompor perdas de investidores num modelo de negócio insustentável.

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Cármen Lúcia apresenta regras para atuação de juízes nas eleições

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A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, apresentou nesta terça-feira (10) aos presidentes dos tribunais regionais eleitorais (TREs) dez recomendações que deverão ser seguidas pelos juízes eleitorais durante as eleições de outubro.

As orientações foram apresentadas em reunião realizada na tarde de hoje.

As regras deverão servir de parâmetro ético para disciplinar o comportamento dos magistrados da Justiça Eleitoral durante o pleito. Na semana passada, as orientações foram anunciadas pela ministra durante a sessão de abertura dos trabalhos de 2026. 

Entre as principais regras, os juízes eleitorais devem divulgar a agenda de audiências com partes e advogados.

Os magistrados não podem fazer manifestações sobre os processos que tramitam na Justiça Eleitoral e também estão proibidos de participar de eventos com candidatos ou seus aliados.

Eles também não podem publicar suas escolhas políticas nas redes sociais.

>> Confira as regras: 

  • Audiências: Garantir a publicidade das audiências com partes e advogados, candidatas ou candidatos e partidos políticos, divulgando previamente as agendas (que sejam realizadas dentro ou fora do ambiente institucional);
  • Manifestações: Manter postura comedida em intervenções e manifestações públicas ou privadas, inclusive em agendas profissionais ou pessoais, sobre temas relacionados ao processo eleitoral, estejam ou não submetidos à sua jurisdição;
  • Eventos: Evitar comparecer a eventos públicos ou privados que promovam confraternização com candidatas ou candidatos, seus representantes ou pessoas direta ou indiretamente interessadas na campanha, em razão do potencial conflito de interesses;
  • Redes sociais: Abster-se de manifestações, em qualquer meio, inclusive mídias digitais e redes sociais, sobre escolhas políticas pessoais, para não gerar dúvidas quanto à imparcialidade das decisões judiciais;
  • Presentes: Não receber ofertas, presentes ou favores que possam colocar em dúvida a imparcialidade no exercício da jurisdição;
  • Escritórios de advocacia: Ficar afastado de atos ou processos nos quais escritórios de advocacia dos quais façam parte estejam representando interesses;
  • Atividades privadas: Não assumir compromissos com atividades não judiciais que prejudiquem o cumprimento dos deveres funcionais;
  • Sinalizações: Evitar quaisquer sinalizações favoráveis ou contrárias a candidatas ou candidatos, partidos políticos ou ideologias, sob pena de suscitar ilações de favorecimento ou perseguição em julgamentos;
  • Divulgação: Assegurar que apenas a autoridade competente torne públicos atos judiciais e administrativos, evitando equívocos de interpretação ou divulgações precipitadas ou inadequadas sobre o processo eleitoral;
  • Transparência: Reafirmar a transparência como princípio republicano essencial, garantindo ampla publicidade dos atos da Justiça Eleitoral, de forma a assegurar ao eleitor o direito à informação segura e baseada em fatos.

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STF

No Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia é relatora do Código de Ética da Corte.

A proposta de criação do código foi feita pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin, na semana passada, após os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli serem criticados publicamente sobre as investigações envolvendo as fraudes no Banco Master.

No mês passado, Moraes negou ter participado de um encontro com o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, no primeiro semestre de 2025, na casa do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. 

O suposto encontro foi noticiado pelo Portal Metrópoles e teria ocorrido em meio ao processo de tentativa de compra do Master pelo BRB. Em nota à imprensa, Moraes classificou a reportagem como “falsa e mentirosa”.

Antes da liquidação do Master pelo Banco Central, o escritório de advocacia Barci de Moraes, que pertence à família do ministro, prestou serviços ao banco de Vorcaro. 

Toffoli passou a ser criticado por permanecer na condição de relator do caso após matérias jornalísticas informarem que a Polícia Federal encontrou irregularidades em um fundo de investimento ligado ao Banco Master. O fundo comprou uma participação no resort Tayayá, localizado no Paraná, que era de propriedade de familiares do ministro.

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Justiça do Rio condena assassinos de Marielle Franco a indenizar viúva

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O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro condenou os assassinos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, Ronnie Lessa e Élcio Vieira de Queiroz, ao pagamento de indenização por danos morais e pensão mensal à vereadora Mônica Benício, viúva de Marielle.

Marielle e Anderson foram assassinados em março de 2018, na região central do Rio de Janeiro, em uma emboscada pela qual Ronnie e Élcio foram condenados em outubro de 2024.

O juízo julgou procedente o pedido de reparação e fixou R$ 200 mil por danos morais reflexos, a serem pagos solidariamente pelos réus.

A decisão também determinou pensão de dois terços dos rendimentos de Marielle, com 13º salário e férias acrescidas de um terço, desde a data do crime até o limite da expectativa de vida da vítima (76 anos) ou até o falecimento da beneficiária. Marielle tinha 38 anos quando foi assassinada.

O juízo ainda assegurou reembolso e custeio de despesas médicas, psicológicas e psiquiátricas, a serem apuradas em liquidação.

Em nota, Mônica Benício afirmou que a decisão tem caráter simbólico:

“Essa é uma vitória simbólica, que reconhece a interrupção da história que construíamos juntas e o futuro que nos foi negado. A luta por Justiça por Marielle e Anderson não é sobre dinheiro”, disse.

Segundo ela, “a responsabilização dos mandantes é condição fundamental para que a democracia brasileira dê uma resposta à altura do que foi o assassinato de Marielle e Anderson”.

Julgamento dos mandantes

As investigações indicaram que os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão encomendaram o assassinato da vereadora a matadores de aluguel, e que o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa, planejou o ato, além de ter atrapalhado a investigação, chefiada pelo próprio, antes de o caso ter sido elevado à esfera federal. 

Os três são réus em ação que tramita no Supremo Tribunal Federal, com sessão marcada para 24 de fevereiro, uma terça-feira. Também responderão ao crime na Suprema Corte o major da Policia Militar Ronald Alves de Paula e o ex-policial militar Robson Calixto, assessor de Domingos. Todos estão presos preventivamente.

Conforme a delação premiada do ex-policial Ronnie Lessa, os irmãos Brazão e Barbosa atuaram como mandantes do crime e Rivaldo Barbosa teria participado dos preparativos da execução.

Ronald é acusado de realizar o monitoramento da rotina da vereadora e repassar as informações para o grupo. Robson Calixto teria entregue a arma utilizada no crime para Lessa. 

De acordo com a investigação realizada pela Polícia Federal, o assassinato de Marielle está relacionado ao posicionamento contrário da parlamentar aos interesses do grupo político liderado pelos irmãos Brazão, que têm ligação com questões fundiárias em áreas controladas por milícias no Rio.

Fonte: Agência Brasil de Noticias

TV Brasil e Rádio Nacional estreiam programas de Datena

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TV Brasil e a Rádio Nacional, veículos públicos da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), apresentam neste mês de fevereiro dois lançamentos voltados ao fortalecimento do jornalismo em suas grades. As atrações serão comandadas pelo jornalista José Luiz Datena.

Na Rádio Nacional, o programa Alô Alô Brasil terá início no dia 23 com edições ao vivo de segunda a sexta-feira, das 8h às 10h, em todas as emissoras da rede. Já na TV Brasil, o semanal Na Mesa com Datena terá estreia na terça-feira (24), às 21h, com análise dos principais temas da agenda nacional.

Datena é jornalista há mais de 50 anos, tendo passado pelas principais emissoras de televisão e rádio do país. Venceu duas edições do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos.

Sua chegada à EBC integra a estratégia da empresa de valorizar o jornalismo em seus veículos, com ampliação do tempo dedicado à cobertura factual, aprofundamento de temas de interesse público e ainda uma maior integração entre rádio e televisão. A iniciativa busca também fortalecer a comunicação pública enquanto espaço de informação confiável e acessível, em diálogo direto com a pluralidade de ideias que marca a sociedade brasileira.

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O presidente da EBC, Andre Basbaum, comenta que a atividade jornalística é um dos pilares da democracia, principalmente em um cenário marcado pela disseminação de informações falsas.

“No contexto em que vivemos, de intenso ruído informacional, o jornalismo é um ativo central. Precisamos fortalecê-lo para oferecer à população informação segura, contextualizada e com capacidade de gerar reflexão. Portanto, estamos reconhecendo o papel e a importância do jornalismo ao trazê-lo ainda mais para a grade da TV Brasil e da Rádio Nacional”, diz.

“Trazer um comunicador com a experiência e a trajetória do Datena para a comunicação pública também representa ampliar pontes com diferentes audiências do país. Os programas vão abordar os temas que fazem parte do cotidiano dos brasileiros, da política à economia, da cultura à segurança pública, sempre com responsabilidade editorial. Queremos uma TV Brasil e uma Rádio Nacional cada vez mais próximas das pessoas”, acrescenta Basbaum.

Datena afirma que é uma honra integrar a EBC e iniciar essa nova fase à frente de um programa de entrevistas, formato pelo qual tem grande apreço. Para ele, a essência de uma boa entrevista é garantir protagonismo ao convidado.

“É uma honra estar chegando à EBC. Primeiro para um programa de entrevistas, que eu adoro fazer. A arte da entrevista é dar espaço ao entrevistado. A grande estrela de uma entrevista é o entrevistado”, defende.

O comunicador também destaca sua trajetória no rádio e a importância da Rádio Nacional. Ele relembra que começou a atuar na área aos 15 anos e ressalta a tradição da emissora.

“O rádio é minha paixão, foi a minha vida. Comecei fazendo rádio com 15 anos de idade e sempre apresentei programas de rádio. A Rádio Nacional é uma das rádios mais tradicionais do país e o programa vai ser muito legal. O Brasil vai ficar representado na Rádio Nacional. Se liguem que vai ser muito bacana”, relata Datena.

Na Mesa com Datena                                                      

Na Mesa com Datena vai assumir formato de entrevistas aprofundadas e investigativas com duração e estrutura pensadas para privilegiar escuta ativa, contextualização histórica e social, e múltiplas perspectivas sobre temas centrais para a vida pública brasileira. Haverá um entrevistado por episódio, sempre uma figura relevante ao tema proposto.

A produção foi pensada para oferecer um serviço de utilidade pública que contribua para a formação da consciência crítica, amplie o acesso à informação qualificada e promova debates substantivos sobre questões de interesse permanente da sociedade. Destina‑se ao público que busca análises claras, rigorosas e aprofundadas, como gestores, pesquisadores, lideranças sociais e cidadãos em geral. 

Serão abordados temas como segurança pública, cidadania, direitos fundamentais, políticas sociais, desafios urbanos, desigualdade social, saúde, educação, mobilidade urbana, gestão pública, transparência, direitos humanos, tecnologia, meio ambiente e economia.

Participarão especialistas, autoridades, gestores públicos, pesquisadores, lideranças comunitárias e representantes da sociedade civil para debates plurais e comprometidos com a verdade factual, tratando cada assunto em sua complexidade e transversalidade.

Alô Alô Brasil

A atração comandada por Datena na Rádio Nacional será inspirada nos principais programas informativos matinais do rádio brasileiro, referência em agilidade, credibilidade e prestação de serviço aos ouvintes. A produção vai apostar em uma cobertura dinâmica dos fatos que impactam o cotidiano da população.

Serão veiculadas informações em tempo real, análise dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo, comentários diretos, entrevistas e prestação de serviço, mantendo linguagem clara e acessível. O objetivo é oferecer ao ouvinte um panorama completo do início do dia, reforçando o papel da Rádio Nacional como referência em jornalismo público, plural e de alcance nacional.

A estreia de Datena na Rádio Nacional ganha ainda mais significado por acontecer no ano em que a emissora celebra nove décadas de existência.

O próprio nome da atração foi criado como homenagem à frase que marcou sua inauguração, em 12 de setembro de 1936, às 21 horas, quando o locutor Celso Guimarães anunciou: “Alô, Alô Brasil! Aqui fala a Rádio Nacional do Rio de Janeiro!”. Na sequência, ecoaram os acordes da canção Luar do Sertão, dando início a uma trajetória que atravessa gerações e acompanha com protagonismo a história da radiodifusão brasileira.

Serviço

Alô Alô Brasil – Estreia segunda-feira (23), às 8h, na Rádio Nacional
Na Mesa com Datena – Estreia terça-feira (24), às 21h, na TV Brasil
 

Ao vivo e on demand

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Fonte: Agência Brasil de Noticias