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Faculdade pública de teatro em SP abre inscrições até dia 15

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© Escola Superior de Teatro

Estão abertas até o dia 15 de maio as inscrições para turmas da SP Escola Superior de Teatro – Faculdade das Artes do Palco, inaugurada em 2010, pelo governo estadual. São 109 vagas para o curso superior de tecnologia em produção cênica, com aulas presenciais, gratuitas e duração de dois anos.

A formação de tecnólogo é reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC) e, em termos de diploma, equivale ao nível superior com validade em todo o território nacional. Os candidatos devem optar por uma das oito linhas de capacitação: atuação, cenografia e figurino, fireção, dramaturgia, humor, iluminação, sonoplastia e técnicas de palco.

Cada linha tem turmas com aulas pela manhã (período matutino) e à tarde (turno vespertino). As atividades se dividem nas duas unidades da instituição, ambas localizadas na capital paulista: uma na Praça Roosevelt, equipada com estúdio de som, quatro salas multiuso e um salão reservado para a realização de eventos culturais, e a outra no Brás, que conta com espaço para desenvolvimento de habilidades circenses, uma biblioteca, o acervo Antônio Abujamra e um auditório.

A primeira etapa do processo seletivo, de entrevistas online e prova de redação, está prevista para a primeira metade de junho. A segunda fase, de prova prática, em formato presencial, deve ocorrer na primeira semana de julho. 

Ainda segundo o calendário divulgado, o resultado final será divulgado em 15 de julho. As aulas estão programadas para ter início no dia 1ª de agosto.

O edital com as informações detalhadas sobre o processo e inscrição podem ser acessados no site da Fundação Universidade Empresa de Tecnologia e Ciências (Fundatec). No site também estão disponíveis as orientações na Língua Brasileira dos Sinais (Libras) para inscrições.

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Lula lembra centenário de geógrafo brasileiro Milton Santos

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© Acervo Milton Santos/Divulgação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lembrou, neste domingo (3), o centenário de nascimento do geógrafo brasileiro Milton Santos. Crítico da globalização, Milton Santos tornou-se uma referência na sua área em todo o mundo.  

“Sua obra é referência para entendermos as desigualdades da globalização e os potenciais de transformação que vêm das periferias. Pouca gente conseguiu compreender o Brasil como este intelectual baiano que, não por acaso, é considerado um dos mais importantes geógrafos de nosso país – e de todo mundo”, disse.  

O presidente Lula fez a manifestação em uma rede social, destacando ainda a atualidade do pensamento de Milton Santos.  

“Em tempos como o que vivemos hoje, com grandes mudanças geopolíticas, a obra de Milton Santos continua extremamente atual – e necessária”, concluiu.  

Falecido em 2001, aos 75 anos, as ideias de Milton Santos continuam sendo referência para análises socioeconômicas no Brasil e no mundo, com sua teoria aparecendo em pesquisas que abordam desde às dinâmicas urbanas em Gana, na África, até Londres e Paris, na Europa.   

No livro Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal, Milton Santos descreve a globalização como “perversa”, sendo vendida a promessa de integração e progresso, mas que, na prática, aprofunda desigualdades mundiais. 

“Um mercado avassalador dito global é apresentado como capaz de homogeneizar o planeta quando, na verdade, as diferenças locais são aprofundadas. Há uma busca de uniformidade, ao serviço de atores hegemônicos, mas o mundo se torna menos unido, tornando mais distante o sonho de uma cidadania verdadeiramente universal”, escreveu Milton Santos em obra publicada no ano 2000.  

Conheça mais sobre a obra e o pensamento de Milton Santos no site dedicado ao geógrafo. 

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Debate sobre democracia no cinema latino-americano reflete tensões

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© Busca Vida Filmes/Divulgação

Na América Latina, o cinema permanece um importante espaço de debate sobre a democracia, a memória política e o legado do autoritarismo. O fato de o tema ser recorrente nas telas reflete tensões presentes na região, de acordo com especialistas em regimes ditatoriais e em cinema ouvidos pela Agência Brasil.

Pelo menos três produções com essa discussão concorrem ao Platino, a principal premiação do cinema ibero-americano. Os vencedores serão anunciados em 9 de maio, no México. 

Entre os concorrentes que discutem regimes autoritários e a democracia abertamente estão os longas-metragens brasileiros O Agente Secreto, do diretor pernambucano Kleber Mendonça, que disputa o troféu de melhor filme do ano, e o documentário Apocalipse nos Trópicos, da diretora Petra Costa. 

Além deles, a memória sobre a ditadura militar está no documentário paraguaio Sob as bandeiras, o Sol, de Juanjo Pereira.

>> Documentários de Brasil e Paraguai pautam democracia no Prêmio Platino

>> Filmes dirigidos por mulheres são favoritos em prêmio ibero-americano

Democracia e direitos sociais

O Agente Secreto discute o apoio empresarial ao regime, a perseguição política e o apagamento da memória sobre a ditadura no Brasil, enquanto o documentário de Petra busca retrata a influência da religião evangélica nos rumos da política. Já o filme paraguaio recupera imagens raras para retratar a ditadura naquele país.

“Nossos países possuem populações privadas de direitos, como saúde, alimentação e moradia, e essas carências provocam insatisfações”, analisou o professor de História da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), Paulo Renato da Silva. 

Para ele, é na democracia, e não em regimes autoritários, que as demandas por direitos podem ser atendidas.

“É a democracia que permite você olhar para essas demandas [por direitos] e, como sociedade, buscar atendê-las”, afirmou.

Os regimes autoritários, explicou, tendem a favorecer certos grupos políticos e econômicos, que cerceiam a liberdade de expressão e outras manifestações de opositores.

Paulo Renato é um dos maiores pesquisadores da ditadura no Paraguai, regime que contou com apoio do Brasil em articulações como a Operação Condor, citada no documentário paraguaio.

“Pauta não resolvida”

A professora de cinema da Universidade Federal Fluminense Marina Tedesco, estudiosa da cinematografia latino-americana, acrescenta que a fragilidade democrática na América Latina é “uma pauta não resolvida”.

“Ainda vemos presidentes e importantes atores políticos defendendo o regime militar ou afirmando que não foram graves”, afirmou, tanto em relação à violação de direitos quanto aos casos de corrupção.

Ela lembrou que o presidente Alfredo Stroessner, do filme de Juanjo Pereira — líder de um regime corrupto e brutal que prendeu e torturou mais de 20 mil pessoas — foi reverenciado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

No cinema, segundo Tedesco, a democracia sempre esteve em pauta. Primeiro, clandestinamente, e, depois, no exílio, por pessoas perseguidas políticas.

“Pelo fato de a discussão incomodar, ainda vemos governos autoritários na América Latina atacando tanto o cinema ─ uma instância onde esses temas ainda são tratados”, reforçou.

Em 2025, o filme Ainda Estou Aqui, que retrata a ditadura brasileira pela perspectiva da família do ex-deputado Rubens Paiva, foi o grande vencedor do Prêmio Platino. 

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Milton Santos, 100 anos: geógrafo negro teorizou sobre desigualdades

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© Acervo Milton Santos/Divulgação

Em meio às grandes redes de supermercados em São Luís, no Maranhão, surgem mercadinhos e feiras populares adaptados à realidade de quem tem poucos recursos. O contraste entre os tipos de estabelecimentos e os modos de consumo revelam dinâmicas de exclusão e de desigualdade na cidade.

O cenário foi objeto de estudo de Livia Cangiano, pós-doutoranda na Universidade de São Paulo (USP), e professora colaboradora na Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Ela recorreu a uma teoria formulada na década de 1970 por Milton Santos.

Neste dia 3 de maio, são comemorados os 100 anos de nascimento do geógrafo. Ele faleceu em 2001, aos 75 anos, mas suas ideias continuam sendo referências para análises socioeconômicas no Brasil e no mundo.


Rio de Janeiro (RJ), 01/05/2026 –  Livia Cangiano, pós-doutoranda na Universidade de São Paulo (USP), e professora colaboradora na Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) Milton Santos, 100 anos: geógrafo negro teorizou sobre desigualdades
Foto: Livia Cangiano/Arquivo pessoal
Rio de Janeiro (RJ), 01/05/2026 –  Livia Cangiano, pós-doutoranda na Universidade de São Paulo (USP), e professora colaboradora na Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) Milton Santos, 100 anos: geógrafo negro teorizou sobre desigualdades
Foto: Livia Cangiano/Arquivo pessoal

Livia Cangiano, pós-doutoranda na Universidade de São Paulo (USP), e professora colaboradora na Universidade Estadual do Maranhão. Foto: Arquivo pessoal

A teoria de Milton divide a economia urbana em dois circuitos: superior, concentrado nas grandes empresas, com alto nível de tecnologia, capital e organização; e inferior, formado por pequenos comércios e serviços, com menor acesso a recursos, mas altamente adaptável às necessidades da população.

“É muito difícil para as pessoas da periferia deixarem o espaço onde vivem e se deslocarem até o centro para consumir. As populações que vivem na periferia abrem seus próprios comércios, quitandas, mercadinhos, pequenas lojas”, diz Livia.

“Para dar um exemplo, nesse circuito inferior, pensando em alimentação, é o lugar onde a pessoa que não consegue comprar a dúzia do ovo, consegue comprar um ovo apenas. Eles vendem separadamente. As formas de comércio são menos endurecidas do que em uma grande rede supermercadista, onde só seria possível comprar a dúzia”, exemplifica.

A atualidade da teoria também aparece em pesquisas fora do Brasil. O projeto de pesquisa do qual Lívia faz parte aplica as ideias de Milton às dinâmicas urbanas em Gana, na África, e em Londres e Paris, na Europa.

Biografia

Milton Santos nasceu em 3 de maio de 1926, em Brotas de Macaúbas, na Bahia, e se tornou um dos principais nomes da geografia mundial. Ele concluiu o bacharelado na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e o doutorado na Universidade de Strasbourg, na França.

Exilado durante a ditadura militar, lecionou em universidades na Europa, África e América Latina, antes de retornar ao Brasil, onde consolidou sua produção intelectual. Foi professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade de São Paulo (USP).

Negro, enfrentou o racismo estrutural dentro da academia e construiu uma obra que redefiniu a forma de compreender o espaço geográfico, articulando economia, política e sociedade. Ele se tornou inspiração e referência para outros intelectuais negros, como a também geógrafa Catia Antonia da Silva, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

“Eu sou uma mulher negra de 60 anos. Entrei na UFRJ na década de 80, onde a maior parte dos meus colegas na universidade não eram negros. Então, o Milton foi muito importante para a minha formação, não só do ponto de vista cognitivo e técnico, mas também na dimensão humana”, diz Catia.

 


Rio de Janeiro (RJ), 01/05/2026 – Catia Antonia da Silva, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
Milton Santos, 100 anos: geógrafo negro teorizou sobre desigualdades
Foto: Catia Antonia da Silva/Arquivo pessoal
Rio de Janeiro (RJ), 01/05/2026 – Catia Antonia da Silva, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
Milton Santos, 100 anos: geógrafo negro teorizou sobre desigualdades
Foto: Catia Antonia da Silva/Arquivo pessoal

Rio de Janeiro (RJ), 01/05/2026 – Catia Antonia da Silva, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Milton Santos, 100 anos: geógrafo negro teorizou sobre desigualdades Foto: Catia Antonia da Silva/Arquivo pessoal – Catia Antonia da Silva/Arquivo pessoal

A professora explica que a obra de Milton não trouxe como tema central a negritude, nem a dimensão política da relação entre classe social e raça. Porém, ele produziu uma teoria social crítica das desigualdades que ajuda a analisar as questões raciais. E nunca ignorou o tema quando era necessário se posicionar na vida pública.

“Ele dizia que o fato de ser um professor universitário não o impediu de viver experiências de racismo. Falava que os negros precisavam ter um esforço muito maior para o seu trabalho ter legitimidade. Mas ele nunca utilizou qualquer vitimização para se tornar um intelectual.”

Teorias das desigualdades

Além da teoria dos circuitos urbanos, o geógrafo trouxe ideias que aprofundaram a compreensão sobre as desigualdades. Para Milton Santos, o espaço nunca foi apenas o cenário onde a vida acontece, mas o resultado direto de decisões políticas e econômicas.

Isso significa que a distribuição desigual de infraestrutura nas cidades (como saneamento, transporte ou acesso à internet) não é acidental, mas fruto de escolhas que privilegiam determinados grupos e territórios.

Ao olhar para uma periferia sem serviços básicos ou para uma área valorizada com alta concentração de investimentos, o geógrafo propõe enxergar ali não um acaso, mas a materialização de relações de poder.

“Milton traz essa compreensão de uma geografia historicamente produzida pelos grandes aparatos do Estado. À medida que o capitalismo avança, processos de industrialização e urbanização no Brasil vão produzir desigualdades e destruição das economias locais. Seja do Nordeste, da Amazônia ou do interior dos estados. Determinados grupos sociais serão beneficiados pelo processo de modernização”, explica a geógrafa Catia.

 


Rio de Janeiro (RJ), 01/05/2026 – Milton Santos, 100 anos: geógrafo negro teorizou sobre desigualdades
Foto: Acervo Milton Santos/Divulgação
Rio de Janeiro (RJ), 01/05/2026 – Milton Santos, 100 anos: geógrafo negro teorizou sobre desigualdades
Foto: Acervo Milton Santos/Divulgação

Rio de Janeiro (RJ), 01/05/2026 – Milton Santos, 100 anos: geógrafo negro teorizou sobre desigualdades Foto: Acervo Milton Santos/Divulgação – Acervo Milton Santos/Divulgação

No livro Por uma outra globalização, Milton Santos descreve um sistema vendido como promessa de integração e progresso, mas que, na prática, aprofunda desigualdades mundiais. Grandes obras de infraestrutura, como portos e corredores logísticos, conectam países e mercados, mas também reorganizam territórios locais, pressionam comunidades e ampliam a concentração de riqueza.

Outro conceito bem conhecido do autor, o “meio técnico-científico-informacional”, descreve como tecnologia, ciência e infraestrutura passaram a moldar o território. Na prática, isso se traduz em regiões altamente conectadas, com redes digitais avançadas e logística eficiente, convivendo com áreas onde faltam serviços básicos. Enquanto alguns espaços são preparados para atender às exigências do mercado global, outros permanecem à margem desse processo.

Futuros possíveis

Apesar dos diagnósticos críticos, Milton Santos também apontou caminhos de transformação. Ele defendia que as mesmas redes e tecnologias que ampliam desigualdades podem ser apropriadas por populações locais para criar alternativas econômicas e sociais.

Iniciativas comunitárias, uso de tecnologia em periferias e formas cooperativas de organização mostram, segundo o autor, que o território também pode ser espaço de resistência e reinvenção.

“Ele propõe uma leitura sobre o território brasileiro, trazendo ferramentas para que a gente pense concretamente nas desigualdades, que não fique apenas no plano teórico, mas que nos induza a ir a campo, a conversar com essas pessoas, a entender o cotidiano delas no espaço”, diz a geógrafa Livia.

“Além disso, ele faz uma proposta muito generosa para pensar o espaço, que é pensar o quanto a periferia urbana brasileira como um todo é capaz de produzir outras racionalidades de existência”, completa.

Eventos

O centenário de nascimento de Milton Santos será celebrado com um conjunto de eventos pelo país. As programações ocorrem em formato híbrido e reúnem pesquisadores, ativistas e o público geral para debater o seu legado e a atualidade de sua obra.

O Seminário Internacional Milton Santos 100 anos: um geógrafo do Século 21 acontece de 4 a 8 de maio na USP, com transmissão virtual. O encontro é feito em parceria com o Instituto de Estudos Brasileiros (IEB).

No Rio de Janeiro, o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabi) do Sesc vai oferecer, ao longo do mês de maio, um ciclo de palestras sobre geógrafo.

A Universidade Federal do Tocantins realizará, entre os dias 26 e 29 de agosto, o evento Tocantins como Fronteira do Meio Técnico-Científico-Informacional, para debater, em âmbito internacional, o pensamento e a obra de Milton Santos.

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Chuvas fortes mantêm alerta e expõem gargalos no RN

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Chuvas fortes mantêm alerta e expõem gargalos no RN

As chuvas que atingem o Rio Grande do Norte desde o feriado do Dia do Trabalhador mudaram de intensidade e de rota em menos de 48 horas, espalhando volumes expressivos por diferentes regiões do estado e mantendo municípios sob alerta para novos transtornos neste fim de semana. Depois de um primeiro momento de maior concentração no Leste potiguar, as precipitações avançaram com mais força sobre o Oeste entre a sexta-feira (1º) e a manhã deste sábado (2), segundo boletins da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn).

Na quinta (30) e sexta-feira (1º), os maiores acumulados foram registrados no Leste. Pureza liderou com 86,8 milímetros, seguida por Tibau do Sul, com 80,4 mm. Também houve chuva forte em Nísia Floresta (53,4 mm), Parnamirim (52,4 mm) e Natal (50,9 mm), além de volumes elevados em Macaíba, Taipu e São Gonçalo do Amarante. O cenário pressionou áreas urbanas da Grande Natal e acendeu o alerta para alagamentos em pontos críticos da capital e da região metropolitana.

Já nas 24 horas seguintes, o eixo das chuvas mais intensas se deslocou para o Oeste potiguar. O maior volume do estado foi registrado em Severiano Melo, com 52,6 mm. Em seguida apareceram Encanto (37 mm), Mossoró (36,8 mm) e Governador Dix-Sept Rosado (32 mm). Também houve acumulados relevantes em Olho d’Água do Borges (28,6 mm), Pau dos Ferros (27,6 mm) e Serra do Mel (27,4 mm), indicando a persistência das instabilidades no interior.

Em Natal, a chuva voltou a expor um dos principais pontos de debate urbano da capital, a drenagem da engorda de Ponta Negra. Com a faixa de areia novamente tomada por lâminas d’água após as precipitações, a obra voltou ao centro das discussões sobre escoamento e adaptação da orla em períodos de chuva intensa. A Prefeitura sustenta que os chamados “espelhos d’água” fazem parte do sistema implantado para desacelerar o escoamento e reduzir o impacto da água sobre a faixa de areia, evitando processos erosivos mais severos. Confira ao vivo a situação de Ponta Negra nas chuvas:

Concluída em janeiro de 2025, a engorda ampliou a faixa de areia de Ponta Negra em até 100 metros na maré baixa ao longo de cerca de 4 quilômetros entre o Morro do Careca e a Via Costeira. A intervenção consumiu mais de R$ 100 milhões em recursos públicos e utilizou mais de 1 milhão de metros cúbicos de sedimentos retirados do fundo do mar. Desde então, no entanto, a drenagem da área tem sido alvo recorrente de questionamentos em períodos de chuva, especialmente após a formação de alagamentos na areia.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) afirma que o novo sistema de drenagem foi projetado para conter a velocidade da água da chuva e impedir que ela desça em enxurrada em direção ao mar, como ocorria antes da obra. Para isso, foram instalados 16 dissipadores de energia ao longo da orla, estruturas que funcionam como reservatórios temporários e liberam a água de forma mais lenta. Segundo a pasta, o acúmulo visível na areia é temporário e tende a desaparecer por infiltração.

A explicação, porém, é contestada por especialistas. Pesquisadores da UFRN e técnicos que acompanham a dinâmica costeira apontam que os alagamentos recorrentes indicam fragilidades no sistema e alertam para o risco de perda de sedimentos, sobretudo nas imediações do Morro do Careca, onde a pressão da água é maior. Relatório preliminar do Tribunal de Contas da União (TCU) também apontou falhas técnicas e questionou a suficiência da drenagem implantada, além de registrar perda de material menos de um ano após a conclusão da obra.

SAIBA MAIS: Chuvas podem causar danos severos à engorda de Ponta Negra, diz especialista

Com o avanço das precipitações, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) manteve alertas de chuvas intensas para o estado neste sábado. Todo o Rio Grande do Norte está sob aviso de perigo potencial, com previsão de chuva entre 20 e 30 milímetros por hora ou até 50 mm por dia e ventos de até 60 km/h. Em paralelo, 112 municípios seguem sob alerta de perigo, nível mais severo, com possibilidade de acumulados entre 50 e 100 mm por dia e rajadas que podem chegar a 100 km/h.

Na capital, a sequência de chuvas levou a Prefeitura do Natal a decretar estágio de alerta na noite de sexta-feira (1º). Segundo o município, equipes técnicas e operacionais foram mobilizadas para monitorar áreas vulneráveis e responder a possíveis ocorrências. A preocupação maior está em regiões historicamente suscetíveis a alagamentos, agravados pela combinação entre chuva persistente e maré alta, que dificulta o escoamento da água em parte da cidade.

Em caso de rajadas de vento, a orientação é evitar abrigo sob árvores, não estacionar veículos próximos a estruturas metálicas e reduzir o uso de aparelhos ligados à tomada. Em situações de emergência, a população deve acionar a Defesa Civil pelo 199 e o Corpo de Bombeiros pelo 193.

A previsão para este fim de semana é de continuidade das instabilidades em diferentes regiões do estado. Entre acumulados elevados no interior, alertas meteorológicos e novos testes para a drenagem urbana de Natal, as chuvas voltam a colocar em evidência a vulnerabilidade da infraestrutura potiguar diante de eventos cada vez mais intensos.

SAIBA MAIS: Barragens reagem às chuvas recentes, mas seca ainda afeta o RN

Fonte: saibamais.jor.br

Discol transforma calçada em pista e celebra a música no Centro Histórico

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Discol transforma calçada em pista e celebra a música no Centro Histórico

A Cidade Alta recebe muita música neste sábado (2), com a segunda edição do SABADISCO B2B. A partir das 14h, a calçada em frente à Discol se transforma em pista para uma programação que reúne DJs de diferentes gerações em sets no formato back-to-back, quando dois artistas dividem a cabine e constroem juntos, ao vivo, o caminho da música.

O evento propões uma troca entre repertórios, referências e formas de escuta. A proposta é fazer da rua um espaço de convivência e experimentação sonora, conectando artistas de trajetórias distintas em combinações que atravessam épocas, gêneros e linguagens.

Entre os encontros da programação, Solon Silvestre, nome histórico das pistas natalenses desde os anos 1980, divide os toca-discos com Desktop is em um diálogo entre diferentes tempos da música eletrônica. Em outro momento, Maya, artista e pesquisadora sonora, se junta a May Sally, que traz ao set influências que passam pelo synthpop e pela house. Já DJ Papel, conhecido por misturar música nordestina, bass culture e eletrônica urbana, ocupa a cabine ao lado de Elisa Bacche, artista que combina percussão, voz e live act em performances de forte presença cênica.

Além das discotecagens, a programação inclui o workshop “Do vinil ao digital: caminhos da discotecagem potiguar”, das 14h às 15h30, com Brisa e Bruno Cocão. A atividade propõe um percurso pelas transformações da discotecagem em Natal, revisitando mudanças técnicas, estéticas e tecnológicas que moldaram a cultura do DJ ao longo das décadas.

Brisa, DJ e produtora, desenvolve uma pesquisa musical guiada por house, disco e electro, com sets marcados por narrativa e construção de atmosfera. Bruno Cocão, ativo desde os anos 2000, transita entre a discotecagem e o trabalho técnico com equipamentos de som, somando à conversa uma perspectiva prática sobre formatos, suportes e tecnologias.

A edição também traz ativações visuais com exibição de shows em VHS, incorporando fragmentos de memória musical ao espaço público e reforçando a relação entre arquivo, cidade e cultura.

Realizado pela Discol, o SABADISCO amplia o papel da loja como um dos pontos de resistência cultural mais duradouros de Natal. Fundada em 1975, a Discol atravessou mudanças de suporte, de público e de cidade sem perder sua vocação de ponto de encontro para quem circula pela música. Aberta há mais de cinco décadas no mesmo endereço, em frente ao antigo Cinema Nordeste, a loja acompanhou a passagem do vinil ao CD, do DVD ao streaming, reinventando seu acervo e suas atividades sem se desconectar da memória afetiva que construiu no Centro.

Mais do que um comércio de discos, a Discol se consolidou como espaço de permanência em uma Cidade Alta marcada pelo esvaziamento e pela perda de vitalidade urbana. Nos últimos anos, passou a investir em feiras, discotecagens e eventos de rua como forma de reocupar o Centro Histórico e devolver movimento a uma área que carrega parte decisiva da memória de Natal.

É desse gesto que nasce o SABADISCO: uma ocupação cultural que transforma a rua em pista, convoca o público para o encontro e reafirma a Cidade Alta como território vivo de circulação, memória e criação.

O projeto é realizado pela Fundação José Augusto, Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Norte, Governo do Estado do Rio Grande do Norte, Sistema Nacional de Cultura, Ministério da Cultura e Governo Federal, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura.

SAIBA MAIS:
Discol: há 50 anos, loja de discos resiste na Cidade Alta



Fonte: saibamais.jor.br

Entre livros, afetos e uma Stella para Estela

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Entre livros, afetos e uma Stella para Estela

Diante da serra do Boqueirão, na extravagância de abundantes verdes, nos reunimos para experenciar o milagre discreto de uma tarde bem vivida. O Sertão vestiu-se de esperanças e perfumou-se. Havia um cheiro de terra úmida, de folha viva, de coisa que insiste em florescer mesmo quando o mundo parece dizer o contrário. E talvez por isso a gente tenha ido, porque ler também é um jeito de insistir.

O PaRoLei, nosso clube de leitores de Parelhas, se ajeitou ali como quem arma um pequeno território de afeto. Não era só sobre livros. Nunca é só sobre livros. É sobre gente que escolhe parar, olhar no olho e escutar com atenção. Chegamos aos poucos, trazendo histórias nas mãos e cansaços nos ombros, mas bastou a primeira conversa atravessar o ar para que tudo se reorganizasse dentro da gente.

Fomos recebidos com um banquete (e não há exagero nessa palavra). A comida também falava: maxixada fumegando, feijão preto encorpado, farofa dourada, arroz soltinho, vinagrete fresco. Havia um cuidado ali que não se aprende em receita, só na vontade de acolher. As frutas, melancia, abacaxi e laranja, cortadas em pedaços generosos, como se dissessem: fiquem, há lugar para todos.

E ficamos.

Tomamos cerveja Stella, em homenagem à Estela de Jeferson Tenório, personagem que nos convocou dessa vez através de Estela sem Deus para mais uma vez ficarmos juntos. E, entre goles e garfadas, fomos abrindo o livro outra vez, não mais nas páginas, mas na conversa. Porque ler junto é isso: deslocar o texto do papel para o corpo, deixar que ele ecoe, que incomode, que encontre morada nas experiências de cada um.

Falamos de Estela como quem fala de alguém que conhecemos. Talvez porque conheçamos mesmo, nas meninas que crescem rápido demais, nos sonhos que precisam aprender a resistir antes mesmo de se consolidarem. Estela queria ser filósofa. Queria pensar o mundo, reorganizá-lo em ideias, compreender suas contradições. Mas o mundo, esse bicho áspero, se apresentou a ela como selva muito cedo.

E ali, naquela roda, a gente tentou fazer o que a literatura nos ensina: ver a humanidade cara a cara, ora bela, ora horrenda.

Nos debruçamos sobre as questões sociais que o texto trouxe: racismo, desigualdade, violência, pertencimento. Não a partir de discussões de conceitos distantes, mas, sobretudo, reconhecendo essas marcas no cotidiano. Houve momentos de silêncio, desses que não são vazios, mas densos de reflexão. Houve também discordâncias, olhares que se tensionaram, mas sempre com o respeito de quem sabe que ouvir é também um ato político.

Enquanto comíamos e dialogávamos, íamos, sem perceber, fiando horizontes para Estela, e para nós. Porque cada leitura também é um gesto de reconstrução. A gente pega o que dói, o que falta, o que atravessa, e tenta imaginar outros caminhos. Nem sempre conseguimos, mas o exercício já nos transforma.

Recebemos um novo membro, e isso sempre tem algo de festa. Gente que chega com timidez nos olhos e, aos poucos, vai encontrando lugar na roda. É bonito ver quando alguém percebe que pode falar, que sua leitura importa, que sua voz não precisa pedir licença. O grupo cresce, mas não se perde, talvez porque o que nos une não seja o tamanho, mas o sentido.

Celebrar o Dia do Trabalhador assim, entre livros e comida partilhada, é também ampliar o significado do trabalho. Há um esforço silencioso em manter espaços como esse, vivos: o trabalho de cuidar, de organizar, de insistir na cultura como direito, não como luxo. Há o trabalho de ler depois de um dia cansado, de comparecer, de se permitir sentir.

E há o trabalho, talvez o mais difícil de todos, de permanecer humano.

O sol foi descendo devagar, pintando a serra com tons que não cabem em nome. Alguém riu alto. Outro completou uma fala interrompida, fizemos sorteio de livro. As cadeiras já não estavam organizadas como no início, e isso dizia muito sobre o encontro. A formalidade tinha dado lugar à convivência, ao corpo solto, ao tempo vivido sem pressa.

Em algum momento, alguém disse, quase como quem pensa alto, que estar ali fazia bem. E fez eco. Porque faz mesmo. Num mundo que nos quer apressados, isolados, distraídos, sentar em roda para ler e conversar é um gesto quase revolucionário.

Quando nos despedimos, não havia pressa de ir embora. Ficava sempre um pouco mais, uma última frase, um último riso, um último olhar para a serra. Como se a gente soubesse que aquele encontro não terminava ali, mas seguia com cada um, atravessando a semana, reaparecendo em pensamentos, em lembranças, em novas leituras.

Voltamos diferentes. Não completamente outros, mas deslocados o suficiente para perceber o mundo com mais camadas.

E talvez seja isso o que o PaRoLei nos dá, encontro após encontro: a chance de existir com mais profundidade.

Porque estar juntos nos faz bem, mas, mais do que isso… nos refaz.

Fonte: saibamais.jor.br

Lajes celebra legado de Alzira Soriano, primeira prefeita da América Latina

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Lajes celebra legado de Alzira Soriano, primeira prefeita da América Latina

Muito antes de mulheres ocuparem com mais frequência os espaços de poder no Brasil, uma potiguar do sertão já havia rompido a barreira que parecia inacessível à época. Nascida em 29 de abril de 1897, em Jardim de Angicos, então distrito de Lajes, Luiza Alzira Teixeira Soriano entrou para a história ao se tornar, em 1928, a primeira mulher eleita prefeita no Brasil e na América Latina. Quase um século depois, sua trajetória segue mobilizando memória, política e celebração no Rio Grande do Norte.

Foi em torno desse legado que Lajes celebrou, nesta semana, os 129 anos de nascimento de Alzira Soriano com mais uma edição da Semana Alzira Soriano, programação promovida pela Prefeitura com apoio do Governo do Estado, por meio do Nota Potiguar. Entre atividades culturais, apresentações artísticas e homenagens, a cidade transformou a memória de sua personagem mais emblemática em ato público de reconhecimento à força política das mulheres.

A história de Alzira começou em uma família influente da política rural potiguar. Filha de Miguel Teixeira de Vasconcelos, líder político da região, ela cresceu em um ambiente onde as decisões públicas passavam pela mesa de casa, ainda que aquele não fosse um espaço pensado para mulheres. Viúva aos 22 anos, após a morte do marido durante a gripe espanhola, Alzira voltou à fazenda da família, onde passou a administrar a propriedade e a participar mais ativamente das articulações políticas locais, em um tempo em que a presença feminina na vida pública ainda era vista como exceção.

Sua entrada formal na política ocorreu num momento decisivo para o Rio Grande do Norte. Em 1927, o estado se tornou pioneiro no país ao reconhecer, em sua legislação eleitoral, o direito de mulheres votarem e serem votadas. Foi nesse ambiente de mudança que Alzira lançou candidatura à Prefeitura de Lajes pelo Partido Republicano, com apoio de lideranças como Juvenal Lamartine e da feminista Bertha Lutz. A campanha foi atravessada por ataques misóginos, mas não impediu sua vitória: Alzira foi eleita com 60% dos votos e tomou posse em 1º de janeiro de 1929.

À frente da Prefeitura de Lajes, Alzira Soriano conduziu uma gestão voltada à modernização do município. Seu governo investiu em melhorias de infraestrutura, como estradas, iluminação pública e mercado municipal, deixando uma marca administrativa que contrariava os discursos de quem tentava reduzir sua presença ao simbolismo de uma candidatura feminina. O mandato, porém, foi interrompido em 1930, com a ascensão de Getúlio Vargas, que destituiu prefeitos eleitos em várias partes do país.

Foi esse percurso que voltou ao centro da cena em Lajes na noite de terça-feira (29), quando a programação da Semana Alzira Soriano reuniu moradores, estudantes, artistas e lideranças políticas em uma celebração marcada por memória e simbolismo. O momento central da noite foi a homenagem à governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, e à atriz potiguar Titina Medeiros, reconhecidas por suas contribuições à cultura e ao protagonismo feminino no estado.

Durante a cerimônia, Fátima associou a própria trajetória política ao caminho aberto por Alzira. “Celebrar Alzira é celebrar coragem e compromisso com a democracia. Ela abriu caminhos em um tempo de profundas restrições às mulheres e mostrou que participação política e igualdade caminham juntas”, afirmou a governadora, ao destacar a dimensão histórica da ex-prefeita de Lajes.

Fátima também anunciou que Lajes deverá ganhar uma Casa de Cultura, projeto apresentado como forma de fortalecer a preservação da memória de Alzira Soriano e valorizar a produção artística potiguar. O gesto reforçou o sentido político da celebração: mais do que reverenciar o passado, a Semana Alzira Soriano projeta o legado da ex-prefeita para o presente e para o futuro.

A homenagem a Titina Medeiros, que interpretou Alzira em audiovisual exibido em rede nacional, ampliou esse gesto de atualização simbólica. Ao aproximar a personagem histórica da arte contemporânea, Lajes reafirmou que a memória de Alzira não pertence apenas aos livros ou aos marcos oficiais: ela segue viva como referência de coragem política, disputa por direitos e presença feminina no poder.

A edição deste ano também carrega um peso simbólico adicional. A Semana Alzira Soriano de 2026 já funciona como preparação para 2028, quando o Rio Grande do Norte celebrará o centenário da eleição que transformou Alzira Soriano em um marco da história política latino-americana. Em Lajes, a comemoração não foi apenas sobre recordar uma pioneira. Foi sobre reafirmar que seu nome continua a abrir caminhos.

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Fonte: saibamais.jor.br

Lei aprovada em Natal garante mães com filhos em sala de aula

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Lei aprovada em Natal garante mães com filhos em sala de aula

A Câmara Municipal de Natal aprovou nesta semana um projeto de lei que garante a mães, pais e responsáveis o direito de acessar e permanecer em instituições de ensino e equipamentos culturais acompanhados de seus filhos e filhas. Batizada de “Lei Waleska Lopes”, a proposta é de autoria da vereadora Brisa Bracchi (PT) e foi inspirada em um caso ocorrido em 2018, quando uma estudante da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) foi impedida de assistir aula por estar com a filha.

O texto aprovado estabelece que mães, pais e responsáveis matriculados em instituições públicas ou privadas de ensino em Natal poderão frequentar aulas e demais atividades acompanhados das crianças. A garantia também se estende ao acesso e permanência em equipamentos culturais.

Agora, a proposta segue para sanção do prefeito de Natal.

A iniciativa surgiu como resposta ao episódio envolvendo a universitária Waleska Maria Lopes, que, em março de 2018, denunciou ter sido impedida de assistir aula na UFRN porque estava acompanhada da filha. O caso teve ampla repercussão nacional e reacendeu debates sobre permanência estudantil, maternidade e exclusão de mulheres dos espaços educacionais.

À época, Waleska relatou o impacto da situação. “Me senti muito mal. Minha filha perguntou se não podia mais assistir às minhas aulas. Se era por causa dela. É uma grande humilhação. A única família dela sou eu. Ela só tem a mim. Foi terrível”, disse.

Para Brisa Bracchi, a aprovação do projeto representa uma medida concreta de enfrentamento às barreiras impostas às mulheres mães. “Ninguém pode ser expulso de uma sala de aula ou de um evento cultural porque está com a sua cria”, afirmou a vereadora.

Na justificativa do projeto, a parlamentar argumenta que a proposta busca combater o isolamento de mães de espaços públicos educacionais e culturais em razão da ausência de políticas e de uma lógica social que transfere exclusivamente às mulheres a responsabilidade pelo cuidado.

“É necessário impedir que as mães continuem isoladas de espaços públicos educacionais e culturais em decorrência da falta de sensibilidade e de um ideário social que nega suas crias, tirando delas o direito de ir e vir, o direito à educação e a sua dignidade”, registrou.

Brisa também destacou que a medida integra uma agenda mais ampla de defesa de políticas públicas voltadas às mulheres mães, como ampliação de creches e cuidotecas. Segundo a vereadora, já existe uma experiência no campus central do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), e outros seis campi deverão receber equipamentos semelhantes por meio de parceria com o governo federal.

Apesar da aprovação, a parlamentar alertou para a possibilidade de veto do Executivo e convocou apoio popular pela sanção da matéria. “A gente pede o apoio de todo mundo para pressionar a prefeitura para sancionar essa lei importante”, disse.

Dados reunidos pelo mandato para fundamentar a proposta apontam o impacto da maternidade na permanência escolar de mulheres jovens. Segundo a PNAD Contínua Educação 2019, do IBGE, uma em cada quatro mulheres entre 14 e 29 anos abandonou os estudos em razão da gravidez. Já pesquisa do Instituto Unibanco, de 2016, indica que apenas 2% das adolescentes brasileiras continuaram os estudos após engravidarem.

A nova legislação busca justamente enfrentar esse cenário ao reconhecer o direito de mães, pais e responsáveis de permanecerem com crianças em espaços de formação e cultura, reduzindo obstáculos à continuidade educacional.

Fonte: saibamais.jor.br

Ato no Leningrado pede justiça por morte de Pétala Yonah

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Ato no Leningrado pede justiça por morte de Pétala Yonah

Moradores do conjunto Leningrado, no bairro Planalto, zona Oeste de Natal, realizaram nesta semana um ato por justiça em memória de Pétala Yonah Silva Nunes, criança de 7 anos assassinada em um caso que gerou forte comoção no Rio Grande do Norte. A mobilização contou com participação da comunidade e organização conjunta do Movimento de Mulheres Olga Benario, do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e da Unidade Popular (UP).

Vestidos majoritariamente de preto, moradores, familiares, amigos e militantes ocuparam as ruas do bairro carregando balões brancos, cartazes e palavras de ordem por justiça. O ato também denunciou a violência contra mulheres, meninas e crianças.

Em publicação nas redes sociais, o Movimento Olga Benario destacou que a manifestação foi organizada não apenas como homenagem à criança, mas também como resposta coletiva à violência. “É manifestação não somente em memória a Pétala, mas também como compromisso da comunidade em proteger as mulheres e meninas da violência”, publicou a organização.

O caso aconteceu no último fim de semana. Segundo informações da Polícia Civil, Pétala desapareceu no dia 19 de abril, no conjunto Leningrado. No dia seguinte, o corpo da menina foi encontrado enterrado no quintal da residência do ex-padrasto, após o suspeito indicar o local e confessar o crime.

O homem preso é José Alves Teixeira Sobrinho, ex-companheiro da mãe da criança. A Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva, e ele permanece detido.

As investigações apontam que o crime foi premeditado. De acordo com a Polícia Civil, materiais apreendidos, como um caderno com anotações e aparelhos celulares, serão submetidos à perícia para auxiliar na conclusão do inquérito.

A principal linha investigativa da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) é de violência vicária, também chamada de vicaricídio, quando uma criança ou pessoa próxima é atacada como forma de atingir emocionalmente uma mulher. Segundo investigadores, a motivação estaria ligada ao fim do relacionamento com a mãe da vítima.

A classificação do caso reacendeu debates sobre violência extrema de gênero e a fragilidade das redes de proteção a mulheres e crianças.

Em meio à repercussão, circularam nas redes sociais diferentes versões sobre outros possíveis crimes relacionados ao caso. Até o momento, porém, autoridades policiais informaram que pontos adicionais seguem sob análise pericial e não devem ser tratados como conclusivos antes da finalização dos laudos.

Para movimentos e moradores, o ato no Leningrado foi também uma forma de transformar a dor coletiva em denúncia pública e pressão por respostas rápidas das instituições.

A Polícia Civil segue investigando o caso e aguarda a conclusão dos exames periciais para finalizar o inquérito. Ainda não há confirmação oficial sobre o oferecimento de denúncia formal pelo Ministério Público.

Fonte: saibamais.jor.br