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CMN amplia crédito a estados sem garantia da União

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© Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo

Os estados, os municípios e o Distrito Federal poderão pegar mais crédito sem garantia da União. Em reunião extraordinária nesta terça-feira (5), o Conselho Monetário Nacional (CMN) remanejou os limites de crédito disponíveis para os governos locais em 2026.

A medida não aumenta o total de recursos autorizados, mas redistribui os valores para facilitar o acesso a empréstimos, especialmente aqueles sem garantia da União.

Com a decisão, governos locais terão mais espaço para contratar crédito diretamente com bancos, sem depender do aval do governo federal.

O que mudou

O limite total de crédito permitido para o setor público em 2026 continua o mesmo: R$ 23,625 bilhões. A mudança foi interna, ajustando como esse valor é dividido.

O principal ponto foi o aumento do limite para operações sem garantia da União, que passou de R$ 4 bilhões para R$ 5 bilhões.

Esse tipo de operação costuma ser mais ágil, pois não depende de aprovação federal, mas exige maior capacidade de pagamento por parte dos estados e municípios.

De onde veio o dinheiro

Para aumentar esse limite, o governo remanejou recursos de outras áreas dentro do mesmo orçamento:

  • R$ 200 milhões do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) com garantia da União;
  • R$ 300 milhões do Novo PAC sem garantia;
  • R$ 500 milhões de projetos de Parcerias Público-Privadas (PPP).

Ou seja, não houve aumento de gastos, apenas uma redistribuição dos valores já existentes.

O que não mudou

Alguns limites importantes foram mantidos:

  • R$ 5 bilhões para operações com garantia da União para estados e municípios;
  • R$ 8 bilhões para a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos;
  • R$ 625 milhões para órgãos da União.

Demanda crescente

O objetivo da medida é atender à demanda crescente por crédito direto por parte de estados e municípios, permitindo:

  • Mais rapidez na contratação de empréstimos
  • Maior autonomia para investimentos locais
  • Continuidade de projetos públicos sem depender do aval federal

A decisão entra em vigor após publicação oficial e faz parte da gestão anual dos limites de endividamento do setor público.

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Juros do programa Reforma Casa Brasil são reduzidos

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© Fernando Frazão/Agência Brasil

O Reforma Casa Brasil, programa federal que financia a reforma de moradias populares, teve os juros reduzidos e o prazo de crédito ampliado. Aprovadas nesta terça-feira (5) em reunião extraordinária do Conselho Monetário Nacional (CMN), as mudanças passam a valer após publicação oficial.

A principal proposta é tornar as parcelas mais leves e viabilizar melhorias em casas de famílias de baixa renda, como construção, ampliação ou pequenas reformas.

O que muda

As novas condições alteram dois pontos principais do financiamento:

  • Juros menores: a taxa caiu de 0,99% para 0,82% ao mês
  • Mais prazo: o tempo para pagar passou de 60 para 72 meses

Na prática, isso significa que o valor das parcelas tende a ficar menor, facilitando o pagamento pelas famílias.

Como funciona

O Reforma Casa Brasil é uma linha de crédito voltada para quem já faz parte do Minha Casa Minha Vida e precisa melhorar a própria moradia, como reformar telhado, ampliar cômodos ou fazer ajustes estruturais.

O financiamento é feito com recursos do Fundo Social, que reúne verbas públicas para investimentos sociais.

Quem pode participar

Podem acessar o programa famílias já enquadradas no Minha Casa Minha Vida. Uma das mudanças torna o processo mais automático: o limite de renda para participar passa a acompanhar diretamente as atualizações do Ministério das Cidades, sem necessidade de novas regras a cada mudança.

Recursos disponíveis

O governo prevê um volume significativo de recursos para o programa:

  • R$ 24,8 bilhões previstos para 2026;
  • R$ 10,7 bilhões já empenhados em 2025;
  • R$ 2 bilhões já operados pela Caixa Econômica Federal.

Esse dinheiro é usado para conceder os financiamentos às famílias.

Impacto esperado

Além de beneficiar diretamente os moradores, o governo espera que a medida aqueça o setor da construção civil, gerando emprego e renda.

A ampliação do prazo de pagamento representa um subsídio estimado em cerca de R$ 567 milhões, valor já previsto no orçamento público.

Segundo o governo, a intenção é acelerar reformas em casas de baixa renda, melhorar as condições de moradia e estimular a economia local por meio de obras e serviços ligados à construção.

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Adolescente invade escola e mata duas funcionárias a tiros no Acre

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Um adolescente de 13 anos invadiu armado no início da tarde desta terça-feira (6) o Instituto São José, em Rio Branco, matou duas funcionárias e deixou dois feridos. Estudante do colégio, o autor dos disparos pegou a pistola calibre 380 do padrasto, um advogado que deixava a arma em casa.

Em nota, o governo do Acre disse que o autor se entregou à Polícia Militar  e está sob a custódia do Estado.

“O responsável legal pelo menor, que também é o proprietário da arma de fogo, está detido”, diz a nota.

As duas funcionárias da instituição de ensino, identificadas como Alzenir e Raquel, foram atingidas em um dos corredores de acesso às salas de aula e morreram ainda no local. Elas trabalhavam como supervisoras de corredor. Um adulto e uma criança estão feridas.

O governo disse ainda que a Polícia Civil está apurando as circunstâncias do atentado para esclarecer a motivação, a dinâmica da ocorrência e eventuais responsabilidades.

“As forças de segurança seguem atuando de forma integrada para garantir a elucidação completa do caso”, disse o governo.

Ainda de acordo com a nota, o governo disse que acompanha as vítimas, que receberam atendimento imediato e seguem assistidas pelas equipes da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre).

“Diante da tragédia, o Estado manifesta profunda solidariedade às famílias das vítimas, à comunidade escolar do Instituto São José e a todos os profissionais da educação impactados por este episódio. Também informa que está mobilizando equipes de apoio psicossocial para oferecer suporte aos alunos, professores e demais envolvidos”, disse o governo.

Em razão do atentado, a Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE) acionou o protocolo de segurança. Com isso, as aulas em todas as escolas da rede estadual de ensino estarão suspensas por três dias.

A prefeitura de Rio Branco também se posicionou, por meio de nota, manifestando solidariedade aos familiares das vítimas, pais de alunos, funcionários e toda a comunidade escolar.

“Aos familiares das vítimas expressamos os nossos mais sinceros sentimentos. Aos estudantes feridos, desejamos uma pronta e plena recuperação alunos”, disse a prefeitura.

“Reafirmamos que a escola deve ser um espaço de acolhimento, proteção e esperança. Diante de uma tragédia como essa, nos unimos em reflexão e no compromisso de fortalecer, juto às famílias e à sociedade, o cuidado com nossas crianças, adolescentes e profissionais da educação”, finaliza a nota.

Fonte: Agência Brasil de Noticias

MP Eleitoral recorre ao TSE para explicar decisão que condenou Castro

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© Joédson Alves/Agência Brasil

O Ministério Público Eleitoral (MPE) apresentou nesta terça-feira (5) um recurso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para esclarecer o resultado do julgamento que condenou o ex-governador do Rio de Janeiro Claudio Castro à inelegibilidade pelo prazo de oito anos.

No documento, o vice-procurador-geral Eleitoral, Alexandre Espinosa, pede que o TSE reconheça expressamente que Castro teve o diploma eleitoral cassado, além de ter ficado inelegível.

A controvérsia ocorre porque Castro renunciou ao mandato em 23 de março deste ano, um dia antes do julgamento, para cumprir o prazo de desincompatibilização e disputar uma vaga no Senado nas eleições de outubro.

Dessa forma, no momento do julgamento, Castro não estava mais no cargo, e somente a punição de inelegibilidade foi aplicada pelo TSE.

No entendimento do procurador eleitoral, o tribunal também registrou maioria de votos para cassar o diploma do ex-governador, mas o placar não foi inserido na ementa final do julgamento. 

No julgamento, dos sete votantes, Espinosa argumenta que apenas dois foram expressamente contrários à cassação do diploma. Dessa forma, os demais cinco votos seriam favoráveis à cassação do diploma. 

“Exame analítico dos votos proferidos, contudo, revela panorama diverso. No contexto de dispersão qualitativa dos pronunciamentos, formou-se maioria pela cassação dos diplomas dos integrantes da chapa majoritária”, afirmou. 

Manobra 

Alexandre Espinosa também acrescentou que o pedido de esclarecimento serve para evitar que o ex-governador seja beneficiado juridicamente por ter renunciado ao mandato antes do julgamento.

“A renúncia do chefe do Poder Executivo, sobretudo perpetrada às vésperas da conclusão do julgamento, não tem o condão de neutralizar a sanção desconstitutiva da diplomação, sob pena de subverter a finalidade do art. 22, XIV, da LC nº 64/90 [Lei das Inelegibilidades] e de premiar a estratégia processual de esvaziamento das consequências jurídicas do ilícito eleitoral” argumentou.

Eleições no Rio 

Com a renúncia de Claudio Castro, serão necessárias novas eleições para mandato-tampão de governador do Rio.

O caso será decidido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

No dia 9 de abril, o ministro Flávio Dino pediu vista do processo que trata do caso.

Até o momento, o Supremo tem placar de 4 votos a 1 para a realização de eleições indiretas, ou seja, por meio dos votos dos deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

O Supremo julga uma ação na qual o diretório estadual do PSD defende a realização de eleições diretas (voto popular) para o comando interino do estado.

Enquanto não há uma solução definitiva sobre a questão, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), Ricardo Couto de Castro, continuará exercendo interinamente o cargo de governador do estado

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Governo reconhece situação de emergência em mais 22 municípios de PE

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© Corpo de Bombeiros de Pernambuco/Divulgação

O governo federal reconheceu a situação de emergência em mais 22 cidades pernambucanas atingidas pelas fortes chuvas no estado desde a semana passada. 

A portaria foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta terça-feira (5). 

Agora já são 23 os municípios que tiveram a situação de emergência reconhecida pelo governo federal. O governo já havia reconhecido a situação de emergência em Timbaúba. 

Além dos municípios pernambucanos, também tiveram a situação de emergência reconhecida, em razão das fortes chuvas, as cidades da Paraíba, Bayeux e Santa Rita, e Bacuri, no Maranhão.

Com o reconhecimento, as prefeituras já podem solicitar recursos do governo federal para ações de defesa civil, como compra de cestas básicas, água mineral, refeição para trabalhadores e voluntários, kits de limpeza de residência, higiene pessoal e dormitório.

Balanço mais recente da Defesa Civil, Pernambuco registra 28 municípios afetados pelas chuvas, com 4.937 desalojados, 2.337 desabrigados, seis óbitos e 27 decretos municipais de situação de emergência. 

As mortes registradas em Pernambuco estão associadas principalmente a alagamentos, inundações e deslizamentos de terra em municípios da região metropolitana do Recife e da Zona da Mata.

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Paraíba

Na segunda-feira (4), o governador da Paraíba, Lucas Ribeiro, e o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, sobrevoaram os municípios de Santa Rita, Bayeux e Rio Tinto, os mais atingidos pelas chuvas dos últimos dias.

O governador do estado anunciou medidas, por meio de decreto, que ampliam a abrangência das áreas em situação de emergência na Paraíba. 

Na sexta-feira (1º), o governo já havia publicado um primeiro decreto de situação de emergência, voltado a uma área específica da Rodovia PB-036, no trecho entre Alhandra e o entroncamento com a PB-008, em razão de um processo erosivo de grande porte provocado pelas chuvas. 

Na manhã desta terça-feira, o governador e representantes dos municípios afetados participaram de reunião remota com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) para acelerar a liberação dos recursos.

No estado, mais de 37 mil pessoas foram afetadas pelas chuvas, com 480 pessoas que sofreram algum tipo de transtorno devido às precipitações. 

Segundo a Defesa Civil da Paraíba, 2.774 pessoas estão desalojadas e 241 desabrigadas. Duas mortes foram confirmadas.

Tempo

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) publicou nesta terça-feira um alerta laranja de chuvas intensas, entre 20 milímetros e 30 mm por hora ou até 50 mm/dia, com ventos intensos, entre 40-60 km/h.

O alerta vale para os estados de Pernambuco e Paraíba, já afetados pelas chuvas, e também para os demais estados do Nordeste, região norte e noroeste de Mato Grosso.

Há baixo risco de corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e de descargas elétricas.

Saiba mais na reportagem do Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil

Crédito extraordinário

Em razão do cenário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória que abre crédito extraordinário de R$ 305 milhões para ações de proteção e defesa civil coordenadas pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.

Os recursos serão destinados a medidas emergenciais de socorro às vítimas, assistência humanitária e restabelecimento de serviços essenciais em municípios afetados por eventos climáticos extremos em diferentes regiões do país.

Segundo o governo federal, os desastres recentes já atingiram cerca de 5 milhões de pessoas em aproximadamente 1.240 municípios.

Em rede social, o presidente anunciou a liberação dos recursos por meio da medida provisória, “que vai garantir R$ 305 milhões para a Defesa Civil, possibilitando o apoio às famílias atingidas pelas fortes chuvas em Pernambuco, na Paraíba, no Rio Grande do Sul e em outras localidades”. 

De acordo com Lula, “o foco é viabilizar ações emergenciais de socorro às vítimas, assistência humanitária e restabelecimento de serviços essenciais”. 

O presidente ressaltou que o governo segue acompanhando de perto a situação das regiões afetadas, “e seguirá dando todo o suporte necessário”. 

 

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Após dez anos, Belo Monte ainda enfrenta críticas sociais e ambientais

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© Joédson Alves/Agência Brasil

Aos 70 anos de idade, Élio Alves da Silva se recorda da chegada da usina hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira, no estado do Pará (PA), como um momento que gostaria de esquecer, mas as profundas mudanças causadas em sua vida o impedem.

Pescador na comunidade de Santo Antônio, em Vitória do Xingu (PA), ele ouviu falar pela primeira vez sobre o projeto no início da década de 1980, cinco anos depois que o governo brasileiro havia iniciado os Estudos de Inventário Hidrelétrico da Bacia Hidrográfica do Rio Xingu para mapear o potencial energético da bacia.

“Chegou ali uma empresa que se chamava Cenec [Consórcio Nacional de Engenheiros Consultores S.A]. Eles entraram naquelas matas, cortaram tudo, abriram picadas, derrubaram as veredas e fizeram detonação de dinamite para ter uma certeza se a região suportava a barragem”, conta.

Nesta terça-feira (5) completam-se dez anos da inauguração oficial da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Um empreendimento pensado em meados da década de 1970 e que ganhou grande repercussão internacional desde que surgiu a proposta de desviar 80% do fluxo do Rio Xingu, em um trecho de 130 quilômetros, para abastecer o reservatório de Belo Monte. 

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Xngú, 05/05/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Pescador Élio Silva, atingida pelo desvio do rio Xingu durante a construção da usina de Belo Monte. Foto: Élio Silva/Arquivo Pessoal
Xngú, 05/05/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Pescador Élio Silva, atingida pelo desvio do rio Xingu durante a construção da usina de Belo Monte. Foto: Élio Silva/Arquivo Pessoal

Pescador Élio Silva, atingida pelo desvio do rio Xingu durante a construção da usina de Belo Monte. Foto: Élio Silva/Arquivo Pessoal

Mudanças

Apesar do barulho ecoando floresta adentro, Silva se recorda que a abundância de peixes da região não se deixava intimidar.

“Era pescada, tucunaré, filhote, a dourada, que é um peixe da região lá, pacu, jaraqui, curimatá, frecheirinha, branquinha e outros mais. A gente também pescava peixe ornamental, o carizinho, cari zebra, o aba laranja, eram vários tipos de cascudo, a gente trabalhava com mais de 20 espécies de peixe ornamental”, lembra.

Segundo Silva, depois disso, as mudanças não pararam de acontecer. As explosões ganharam força, os peixes começaram a desaparecer e, logo, ele e outras 67 famílias foram informadas que deveriam deixar o lugar.

“A gente não queria que saíssem as pessoas individuais, a gente queria que saísse todo o grupo, toda a comunidade para o mesmo local. Eles chegaram até a prometer que iam fazer uma vila para a gente, mas não fizeram”, lembra.

Élio Silva recebeu uma pequena chácara nos arredores da cidade de Altamira (PA), no mesmo valor que avaliaram sua antiga casa. Os cinco filhos receberam moradias em outros lugares distantes e nenhuma assistência financeira ou produtiva.

“Quando eu cheguei aqui, eu fiquei numa situação que eu dependia de ajuda dos outros. O pessoal do Xingu Vivo para Sempre [organização social] me arrumava cesta básica até eu conseguir me equilibrar, mas até a nossa carteira de pescador cancelaram”, lamenta.

Segurança alimentar

Na mesma época, Sara Lima, moradora da comunidade de Belo Monte do Pontal, em Anapu (PA), pescava no rio Xingu com os pais. Nascida em uma família de pescadores, também cresceu vendo a mesa farta de peixes, resultado do trabalho em família.

“A nossa vida era uma vida rica, uma vida boa, uma vida sadia. Porque aqui o rio, a natureza era que mandava. Aqui tinha reprodução de peixe. A gente escolhia o peixe para comer”, lembra.

Diferente de Élio, a família de Sara não precisou se mudar, mas, apesar de se manter unida morando no mesmo lugar, perdeu a capacidade de gerar renda e a segurança alimentar que o Rio Xingu proporcionava.

“A gente tinha um rio vivo, um rio que corria livremente, que nos fornecia água limpa e alimento. Hoje, a gente se humilha por água potável e come coisas como ovo e mortadela”, lamenta.


Xngú, 05/05/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Sara Lima, atingida pelo desvio do rio Xingu durante a construção da usina de Belo Monte. Foto: Matsi Matxïrï/Divulgação
Xngú, 05/05/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Sara Lima, atingida pelo desvio do rio Xingu durante a construção da usina de Belo Monte. Foto: Matsi Matxïrï/Divulgação

Sara Lima, moradora da comunidade de Belo Monte do Pontal, em Anapu (PA), sente os impactos da construção da usina de Belo Monte. Foto: Matsi Matxïrï/Divulgação

Violações

Para marcar os dez anos de Belo Monte, a Associação Interamericana para a Defesa do Ambiente (Aida); Conselho Indigenista Missionário (Cimi); Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab); Diocese de Altamira; Justiça Global; Movimento Xingu Vivo Para Sempre; Observatório dos Povos Indígenas Isolados (OPI); e Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH) divulgaram uma carta aberta, em defesa das comunidades indígenas, ribeirinhas e pescadoras artesanais de todo o médio curso do rio Xingu.

O documento destaca o agravamento das violações contra esses povos, ao longo dos anos, por causa das mudanças climáticas. “As secas extremas que assolaram a Amazônia em 2016, 2019, 2020, 2023 e 2024 aprofundaram os impactos já existentes e evidenciaram a fragilidade estrutural do empreendimento”, reforça trecho da carta.

As organizações lembram ainda que, em julho de 2025, a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) reconheceu, em um parecer consultivo, a obrigação de os países responderem à emergência climática como um direito internacional.

No parecer, são destacadas as obrigações para proteção das populações afetadas pela emergência climática, entre elas a garantia a um ambiente saudável e a promoção de soluções legais eficazes, proteção e reparação contra os impactos das mudanças do clima.

Direitos Humanos

Segundo a advogada do Programa de Direitos Humanos e Meio Ambiente da Aida, Erina Gomes, esse parecer fortalece uma petição apresentada pelas organizações sociais na CIDH, desde 2011, pela responsabilização do Estado por violar os direitos fundamentais dos povos do Xingu, durante a construção da usina de Belo Monte.

“Do ponto de vista da proteção dos direitos dos povos do Xingu, Belo Monte é avaliada e considerada um desastre socioambiental. Dez anos depois da operação e 15 anos desse processo, aquilo que foi denunciado na petição, aqueles argumentos que nós trazíamos de possibilidade de impactos irreversíveis, eles se concretizaram”, afirma a advogada.

A expectativa das organizações sociais é que um relatório de mérito da Corte Interamericana crie uma jurisprudência regional para a Amazônia, que evite futuros impactos socioambientais semelhantes aos da Usina de Belo Monte, em futuros projetos de transição energética.

“Até porque a energia limpa também é um discurso de Belo Monte. E uma das demandas nossas é que projetos de energia limpa não podem ser construídos sob violações sistemáticas de direitos humanos”, reforça.

Investimentos 

Sob administração da empresa concessionária Norte Energia, maior acionista do empreendimento, desde 2010, a Usina Hidrelétrica de Belo Monte é considerada pelo setor como essencial para o Sistema Interligado Nacional.

De acordo com nota divulgada pela empresa, a usina no Rio Xingu atende a uma média de 5% da demanda por energia elétrica do país ao ano, em todos os estados. “Nos horários de pico de consumo, produz até 16% da demanda nacional”, informa.

Segundo a Norte Energia, mais de R$ 8 bilhões já foram investidos nos compromissos socioambientais assumidos no licenciamento. 

“Entre os resultados estão: construção de três hospitais, 63 unidades básicas de saúde, reforma ou construção de 99 escolas, criação de seis bairros, reflorestamento de uma área equivalente a três mil campos de futebol e ações voltadas para comunidades indígenas como atividades produtivas, proteção territorial, saúde e educação”, informou a empresa por meio de nota.

Apesar dos investimentos, organizações sociais e a população atingida afirmam que os projetos nunca foram concluídos e as poucas iniciativas foram insuficientes na reparação aos danos causados. 

“Falar hoje em projeto de atividade produtiva com a entrega de 20 pintos pra gente criar, nunca vai substituir um rio que nos oferecia todo dia todos os tipos de espécies de peixe para a gente pegar, para a gente comer”, conclui Sara Lima.

Fonte: Agência Brasil de Noticias

CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE O AUTISMO CHEGA AO TRANSPORTE PÚBLICO DE NATAL

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Natal dá mais um passo rumo à inclusão ao levar informação diretamente para dentro dos ônibus. Na próxima quarta-feira (6), às 8h, em frente à sede da STTU, no bairro da Ribeira, a Prefeitura lança o projeto “Busão da Inclusão”, dentro da campanha “Vamos Abraçar o Autismo”.

A proposta é necessária: transformar o transporte coletivo em um espaço de conscientização. Em meio à rotina intensa dos ônibus, passageiros terão acesso a orientações sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), com foco especial nas chamadas crises sensoriais — situações ainda cercadas de desinformação e, muitas vezes, julgamentos equivocados.

A ação contará com panfletagens, blitze educativas e palestras itinerantes realizadas dentro dos veículos. A iniciativa também prevê a adesivação de ônibus e a instalação de materiais informativos, ampliando o alcance da mensagem no dia a dia da cidade.

Coordenada pela Secretaria de Mobilidade Urbana, em parceria com o Seturn e o mandato do vereador Daniel Santiago, a ação integra a programação do Abril Azul em Natal — movimento dedicado à conscientização sobre o autismo.

Mais do que uma campanha pontual, a iniciativa reforça uma mudança de cultura: informar para acolher, sensibilizar para incluir. Em um ambiente historicamente desafiador para pessoas com TEA, como o transporte público, a empatia passa a ser parte do trajeto.

Crédito: Foto: Reprodução/STTU

Dino determina plano emergencial de reestruturação da CVM

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© Rovena Rosa/Agência Brasil

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (5) que o governo federal elabore um plano emergencial para reestruturar o trabalho de fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão responsável pelo monitoramento das instituições que atuam no mercado de capitais.

A decisão foi tomada um dia após o ministro questionar a eficiência da comissão para fiscalizar fundos de investimentos que são usados para lavagem de dinheiro. 

Dino determinou que a União terá prazo de 20 dias para apresentar um plano operacional com medidas práticas, como realização de mutirões para fiscalizações extraordinárias e julgamento de processos.

Conforme a decisão, o plano deverá conter quatro eixos, que deverão envolver ações sobre atuação repressiva e celeridade processual; recomposição de servidores e integração tecnológica; inteligência financeira e cooperação interinstitucional e supervisão preventiva para conter a “indústria de fundos de investimento e “zonas cinzentas”.

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Taxa

Flávio Dino também determinou que a CVM deverá receber o valor integral que é arrecadado pelo governo com o pagamento da chamada taxa de fiscalização.

A taxa varia de acordo com o patrimônio líquido da instituição financeira. O menor valor é de aproximadamente R$ 500. A maior contribuição está em torno de R$ 600 mil.

Caso Master

O ministro afirmou na decisão que a CVM vive um quadro de “atrofia institucional”, que permite a proliferação de fraudes, como os desvios ocorridos no caso do Banco Master.

Dino citou que a comissão enfrenta redução orçamentária e falta de servidores.

“A confirmação desse cenário evidencia-se na proliferação de fraudes e ilícitos de vulto bilionário, com potencial desestabilizador de todo o sistema, como se verificou no caso do Banco Master. Aparentemente, o banco teria desenvolvido atividades criminosas favorecidas pela facilidade de ocultação de informações obrigatórias e pela suposta ausência de exigências fiscalizatórias por parte dos órgãos reguladores.”

Processo 

O caso chegou ao Supremo em março de 2025, quando o partido Novo entrou com uma ação para contestar o pagamento da taxa de fiscalização.

A legenda citou na ação que a CVM arrecadou R$ 2,4 bilhões, entre 2022 e 2024. Desse total, R$ 2,1 bilhões são oriundos de taxas. No mesmo período, o orçamento do órgão foi de R$ 670 milhões.

O partido ainda citou que a maior parte da arrecadação da CVM, cerca de 70%, vai para o caixa do governo federal, sendo que apenas 30% vai para a atividade-fim do órgão.  

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Brasil Novo segue sem resposta após solicitação feita em 2025 por redutor de velocidade

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Moradores do Conjunto Brasil Novo, na Zona Norte de Natal, seguem enfrentando riscos diários no trânsito devido à falta de um redutor de velocidade na Avenida Barragem Armando Ribeiro Gonçalves. A solicitação oficial foi realizada ainda em julho de 2025, por meio de ofício encaminhado à Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU), mas até o momento nenhuma providência foi adotada.

De acordo com o documento, a instalação de uma lombada física ou eletrônica foi pedida com urgência diante do constante excesso de velocidade registrado na via. A situação preocupa principalmente pela circulação frequente de crianças, idosos e ciclistas na região, que acabam expostos a perigos iminentes.

Passados meses desde o pedido, a ausência de resposta por parte do poder público tem gerado indignação entre os moradores, que cobram mais atenção e ações efetivas para garantir a segurança viária no local.

A comunidade reforça que a medida é simples, mas pode evitar acidentes graves e até salvar vidas. Enquanto isso, o sentimento é de abandono e descaso, diante de uma demanda considerada essencial que segue sem solução.

Brasil Novo e Jardim Brasil cobram limpeza da rede de drenagem em Pajuçara

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Moradores do Conjunto Brasil Novo e do Loteamento Jardim Brasil, no bairro Pajuçara, Zona Norte de Natal, cobram a limpeza da rede de drenagem em vias consideradas críticas da região.

A demanda foi encaminhada à Secretaria Municipal de Obras Públicas e Infraestrutura (SEINFRA) pelo programa A Hora das Comunidades, apresentado por Jeferson Andrade. O pedido destaca a necessidade de intervenção com urgência, diante da proximidade do período chuvoso.

Os pontos citados na solicitação são:

  • Avenida Barragem Armando Ribeiro Gonçalves, no Conjunto Brasil Novo;
  • Avenida Comunidade em Ação, no Loteamento Jardim Brasil.

De acordo com relatos de moradores, a falta de manutenção tem provocado acúmulo de resíduos e possível obstrução da rede, aumentando o risco de alagamentos durante as chuvas.

A solicitação tem caráter preventivo e busca evitar transtornos à população, além de garantir melhores condições de mobilidade urbana e saúde pública.

O programa A Hora das Comunidades informou que seguirá acompanhando a situação e aguardando posicionamento da pasta responsável.